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Família vôlei(caos)

Entre Tempestades e Desejos

O estrondo repentino de um trovão cortou a penumbra do início da manhã, fazendo as vidraças da mansão vibrarem contra a força da tempestade torrencial lá fora. No quarto infantil decorado em tons suaves, um choro miúdo e assustado quebrou o silêncio. Noah, com apenas cinco meses de vida, havia despertado sobressaltado pelos clarões que iluminavam o céu cinzento.

Julia Bergmann abriu os olhos quase no mesmo segundo em que o choro começou. Seu instinto materno falou mais alto do que o cansaço acumulado das noites mal dormidas e da rotina puxada de treinos. Desvencilhou-se devagar dos lençóis quentes, cuidando para não despertar a mulher ao seu lado. Caminhou descalça pelo piso de madeira até o berço do filho caçula.

— Shh... Mamãe tá aqui, meu amor. Foi só a chuva — sussurrou Julia com a voz rouca de sono, aninhando o pequeno contra o peito.

Noah resmungou, buscando o calor materno e esfregando o rostinho úmido de lágrimas no tecido da camisola de seda dela. Julia o acolheu com ternura e caminhou de volta para a suíte principal. Ao se aproximar da cama king size, notou que a movimentação já havia surtido efeito. Ekaterina Antropova espreguiçava-se preguiçosamente, esticando os longos membros esculpidos pelo vôlei de alto nível. Os cabelos loiros e desgrenhados espalhavam-se pelo travesseiro, e os olhos claros piscavam lentamente, acostumando-se à meia-luz.

— O barulho assustou o nosso príncipe? — perguntou Kate, a voz arrastada e rouca, abrindo um sorriso sonolento enquanto afastava o edredom para dar espaço.

— Morrendo de medo dos trovões — respondeu Julia, deitando-se ao lado da esposa e posicionando Noah entre os dois corpos grandes.

Kate aproximou-se, envolvendo a cintura da ruiva com um dos braços pesados e depositando um beijo carinhoso na testa do bebê, descendo os lábios até a bochecha de Julia. Ficaram assim por alguns minutos, envoltas no calor acolhedor da cama enquanto o vendaval fustigava as árvores do jardim, até que o aroma inconfundível de café fresco começou a subir pelo vão da escadaria.

— Parece que a cozinha já está ativa — comentou Kate, mordiscando levemente o ombro de Julia.

— Gabi deve estar de pé faz tempo. E o meu irmão também, já que as aulas dele começam cedo — disse Julia, sentando-se e ajeitando Noah no colo. — Vamos descer antes que o Léo acorde sozinho e comece a pular nos sofás.

Depois de trocar a fralda de Noah e vestirem roupas confortáveis de treino e moletons quentes, desceram para o primeiro andar. A ampla cozinha em conceito aberto estava iluminada por luzes douradas. Gabriela Guimarães, com uma caneca térmica na mão, mexia uma frigideira com ovos mexidos, rindo de algo que o irmão mais novo de Julia, um garoto de dezesseis anos de pernas compridas e fones de ouvido no pescoço, dizia enquanto cortava frutas. Sentado na bancada alta, balançando as perninhas compridas para a idade, estava Léo, o primogênito de sete anos, comendo uma torrada com geleia.

— Bom dia, família! — saudou Gabi animada, exibindo aquela energia costumeira que parecia imune ao mau tempo. — O tempo lá fora tá o caos, mas a quadra coberta nos espera daqui a pouco.

— Bom dia para quem já acordou com o céu caindo na cabeça — resmungou Julia com um bico manhoso, entregando Noah momentaneamente para o irmão mais novo, que segurou o sobrinho com habilidade.

Kate aproximou-se da bancada, serviu-se de uma xícara de café puro e bagunçou os cabelos castanhos de Léo, deixando um beijo no topo de sua cabeça.

— Tudo bem por aqui, capitão? — perguntou a loira.

Léo olhou para Kate e depois para Gabi, que piscou discretamente para ele com um sorriso travesso estampado no rosto. O menino, incentivado pelo plano que a "tia Gabi" havia armado momentos antes, tomou fôlego e disparou:

— Mãe Kate, quando é que vai chegar o terceiro neném pra gente fazer o trio completo lá no quarto?

Julia quase engasgou com o gole de suco de laranja que acabava de levar à boca. Seus olhos verdes faiscaram em direção à ponteira da seleção brasileira.

— Gabriela! Que conversa é essa logo cedo? — exclamou a ruiva, indignada, colocando a mão na cintura. — Mal passamos do puerpério com o Noah e você já tá colocando ideia de time de vôlei na cabeça do meu filho?

Kate, por outro lado, soltou uma gargalhada grave e provocadora, encostando o quadril na bancada e fitando Julia com diversão nos olhos claros.

— Sabe que a ideia não é de todo ruim, meu amor? — provocou a loira, sustentando o olhar exasperado da esposa. — Uma casa grande dessas... Três crianças correndo pelo jardim seria perfeito. Eu topo começar os treinos hoje mesmo se você quiser.

— Nem nos seus melhores sonhos, Ekaterina — rebateu Julia, sentindo as bochechas corarem, mas mantendo a postura firme. — O Léo já dá trabalho por dez, e o Noah acabou de começar a dormir três horas seguidas. Sem chance.

Gabi riu abertamente, servindo as torradas, enquanto o irmão de Julia apenas balançava a cabeça, entretido com a dinâmica diária da família.

O clima descontraído, contudo, começou a mudar quando Julia puxou uma banqueta e sentou-se ao lado de Gabi, pegando Noah de volta nos braços. Com um tom casual, mas que escondia uma camada afiada de curiosidade e possessividade, Julia perguntou:

— Gabi, me conta uma coisa... E a menina nova que fecharam pro elenco de vocês? A oposta jovem que veio lá da Europa. Ela já se apresentou essa semana?

O silêncio que se instalou durou apenas uma fração de segundo, mas foi suficiente para que Kate congelasse com a xícara a meio caminho dos lábios. O olhar da russa encontrou o de Julia, e uma faísca perigosa estalou entre as duas.

— Ah, a italiana? — Gabi respondeu com naturalidade esportiva, sem perceber de imediato o terreno minado. — Fez os exames médicos ontem. Alta, bate pesado na diagonal, bem rápida na rede. Vai disputar posição ofensiva nos treinos.

Julia estreitou os olhos, fitando Kate com uma intensidade cortante. O ciúme de Julia nunca foi um segredo; ela era dramática, protetora e extremamente territorial com a esposa. E o fato de Kate ser carismática, imponente e naturalmente charmosa só alimentava as inseguranças que, volta e meia, explodiam em discussões fervorosas.

— Interessante... — soltou Julia, o veneno sutil escorrendo em cada sílaba. — Uma novinha com muito fôlego, não é? Pelo visto os treinos vão ficar bem empolgantes pra você, Antropova.

Kate pousou a xícara com uma batida seca sobre a pedra de granito da bancada. Seus olhos se semicerraram, a paciência costumeira dando lugar a uma irritação contida pelo absurdo da insinuação logo de manhã.

— Julia, não começa com as suas teorias antes das oito da manhã — respondeu a loira, a voz fria e controlada. — É apenas uma colega de clube. Nada mais.

— Ah, claro! Porque você nunca repara em ninguém, né? — retrucou Julia, o tom subindo um tom acima do normal, chamando a atenção até do irmão na pia. — Vive cheia de gracinhas, toda soltinha na quadra.

Gabi olhou entre as duas, pigarreando desconfortavelmente, e apressou-se em terminar seu café.

— Bem... acho que deu a nossa hora pro treino tático — disse Gabi, pegando a mochila esportiva no canto da sala.

Kate olhou o relógio no pulso, respirou fundo e ajeitou o agasalho do time. Deu dois passos em direção à esposa, parando a uma distância segura, fitando-a com seriedade.

— Eu vou treinar agora com a Gabi. Quando eu voltar, nós vamos sentar e conversar direito sobre essa sua história. Não vou aceitar você criando desconfiança do nada outra vez.

Julia ergueu o queixo, o orgulho ferido e o ciúme falando mais alto que a razão. Segurou Noah com mais firmeza e disparou, sem medir as palavras:

— Nós não vamos conversar sobre nada, Ekaterina! Você faz o que achar melhor. Se não me ama mais, vai em frente! Troca logo de uma vez por alguém mais jovem. Pelo visto eu já não te satisfaço mais, né? Nem nos seus desejos! Vai lá ver se a novinha faz melhor na cama que eu!

Gabi arregalou os olhos na porta de saída, engolindo em seco com o escândalo desmedido. Kate sentiu o sangue ferver na têmpora com a acusação absurda e desnecessária na frente de todos, mas recusou-se a explodir ali. Apenas trincou a mandíbula, encarou Julia com uma intensidade sombria que prometia consequências, e deu as costas sem dizer uma única palavra, batendo a porta da frente ao sair com Gabi para a chuva.

***

As horas seguintes se arrastaram pesadas dentro da casa. A tempestade continuava a castigar a cidade, com trovões pontuais ecoando à distância. Léo fora para a sala de cinema assistir a desenhos com o tio, enquanto Julia permaneceu recolhida no andar de cima. Toda a bravura e o drama da manhã tinham se dissolvido em uma mistura amarga de arrependimento e ressentimento. Ela sabia que havia passado do limite com aquela frase grotesca sobre a cama, mas o orgulho a impedia de pedir desculpas primeiro.

Passava do meio-dia quando o som característico do motor do carro de Kate ecoou na garagem. Minutos depois, passos firmes e pesados subiram os degraus de madeira da mansão.

Kate empurrou a porta do quarto de Noah sem bater. Ela ainda usava o uniforme de treino úmido pela garoa que enfrentara no trajeto do carro até a porta, com uma toalha pendurada no pescoço. O semblante era de pura determinação e autoridade contida.

No centro do quarto, Julia estava deitada suavemente em uma rede de descanso tecida em fios claros, amamentando Noah. O pequeno estava quase dormindo, satisfeito com o leite morno, emitindo pequenos suspiros de tranquilidade. A ruiva ergueu os olhos verdes, carregados de expectativa e receio, mas manteve a postura fria.

— Desce o Noah no berço e vem para o nosso quarto agora — ordenou Kate, a voz baixa, rouca pelo cansaço do treino, mas inegavelmente imperativa.

— Eu estou ocupada amamentando meu filho — rebateu Julia, o coração acelerando sob as costelas.

— Ele já terminou de mamar e você sabe disso — Kate deu dois passos lentos até a rede, inclinando-se com a sua envergadura impressionante sobre a ruiva. Seus olhos loiros tinham um brilho faminto e perigoso. — Vamos resolver a estupidez que você disse hoje de manhã. Agora. Ou eu te tiro dessa rede com as minhas próprias mãos.

O arrepio que percorreu a espinha de Julia misturou medo e um calor visceral e indesejado. Sem dizer uma palavra, ela esperou Noah soltar o mamilo, colocou o bebê para arrotar delicadamente e o deitou no berço acolchoado, cobrindo-o com a mantinha.

Seguiu Kate até a suíte principal em silêncio. No instante em que pisou no quarto, Kate fechou a porta com o calcanhar, trancando a fechadura com um estalo definitivo, e puxou Julia pelo braço em direção à sala de banho anexa.

— Que porra foi aquela na cozinha, Julia? — questionou Kate, encurralando a esposa contra a pia de mármore branco do banheiro. O vapor do banho que ainda não havia sido tomado parecia condensar a tensão entre elas. — Dizer que eu não te amo? Que você não me satisfaz? Que qualquer menininha nova seria melhor na cama do que você?

Julia encarou a loira, a respiração curta, sentindo o calor do corpo de Kate irradiando contra o seu. A proximidade era esmagadora.

— Você me deixa insegura quando fica toda cheia de graça! — soltou a ruiva, a voz embargada, os olhos marejando de raiva e drama genuíno. — Você é linda, Ekaterina! Todo mundo olha pra você! Eu tive dois filhos, meu corpo mudou, eu fico pensando se...

— Cala essa boca — cortou Kate rudemente, dando um passo adiante e prensando seus corpos com força descomunal. Suas mãos grandes seguraram o rosto de Julia com firmeza, os dedos enterrando-se nos cabelos ruivos. — Olha pra mim. Olha bem nos meus olhos. Você acha mesmo que algum pedaço de gente naquela quadra chega aos pés do que você é pra mim? Você acha que eu trocaria a minha mulher, a mãe dos meus filhos, por qualquer ilusão barata?

A respiração pesada de Kate bateu contra os lábios trêmulos de Julia. Toda a fachada dramática da ruiva desmoronou diante da intensidade visceral da loira. A carência e o desejo a invadiram como uma maré violenta.

— Então me prova... — sussurrou Julia, a voz vacilando em súplica descarada. Ela deslizou as mãos pelo peito da atleta russa, descendo até a cintura. — Me prova, Kate. Eu quero sentir a sua língua... Agora.

Kate soltou um riso sombrio e lascivo, sem piedade. Em um movimento fluido e experiente, a loira desceu o short de moletom e a calcinha de Julia até os joelhos. Sem cerimônia, Kate ajoelhou-se no chão frio de mármore do banheiro, abriu as coxas macias e brancas da ruiva com as mãos firmes e enterrou o rosto entre as pernas dela.

— Ah! Kate! — o grito escapou agudo e abafado quando a língua quente, larga e implacável de Antropova a encontrou com precisão cirúrgica, já encontrando Julia completamente encharcada de desejo acumulado.

Kate sugou o clitóris intumescido com força voraz, afundando dois dedos compridos e calejados pelas horas de bloqueio e ataque fundo dentro do canal apertado da esposa. Os movimentos eram brutos, rítmicos, sem qualquer piedade. As pernas de Julia começaram a tremer violentamente, as panturrilhas perdendo o tônus muscular diante da sobrecarga de prazer instantâneo.

— Eu não... eu não consigo ficar em pé! Kate, por favor! — implorou Julia aos prantos de luxúria, as unhas arranhando a bancada de mármore atrás de si. — Me leva pra cama... me leva pro quarto agora!

Kate ergueu-se de um salto, pegando Julia no colo sem o menor esforço, erguendo o corpo longo da ruiva como se pesasse penas. Atravessou a porta do banheiro e a jogou com firmeza sobre o colchão largo da cama de casal. Antes que Julia pudesse recuperar o fôlego, a loira puxou de vez o restante de suas roupas, deixando-a inteiramente exposta, enquanto ela mesma arrancava o agasalho suado e o sutiã esportivo.

— Você não queria saber se você me satisfaz? — rosnou Kate, deitando-se sobre ela, os olhos em brasa.

— Me chupa... com força, Kate! Agora! — ordenou Julia, puxando a cabeça da esposa para baixo em desespero, abrindo as pernas o máximo que podia.

Kate obedeceu sem hesitar, descendo novamente, mas dessa vez Julia não se contentou em ficar passiva. Impulsionada por uma necessidade febril de domínio e entrega, a ruiva puxou Kate para que ficasse deitada de costas no centro da cama, próxima à cabeceira alta. Com agilidade, Julia subiu sobre o corpo da esposa, apoiando as duas mãos espalmadas contra a parede fria logo acima dos travesseiros para manter o equilíbrio.

Posicionou-se diretamente sobre o rosto de Ekaterina, descendo seu peso e sua umidade contra os lábios entreabertos da loira. Julia começou a rebolar a bacia em um movimento circular e descompassado, esfregando-se com volúpia brutal na boca da russa.

— Aiiiii, Kate! — gemia alto a ruiva, a voz ecoando pelo quarto abafado pela tempestade lá fora. — Vai, Kate! Come tudo... isso!

Kate respondeu usando a língua com vigor implacável, chupando e lambendo tudo o que Julia oferecia. Com a mão direita, a russa subiu firme e fechou os dedos ao redor da garganta de Julia, apertando com a medida exata de possessão que tirava o fôlego da ruiva sem sufocá-la, mantendo-a presa contra a sua boca. Com a mão esquerda livre, Kate começou a desferir tapas sonoros e ardentes nas nádegas empinadas de Julia.

*Tapa!*

— Ah! Mais! — Julia implorou em meio a gemidos desconexos, aumentando a velocidade com que cavalgava a face da esposa.

*Tapa! Tapa!*

O som da carne estalando sob a força da mão de Kate misturava-se aos gemidos roucos de Julia e aos sons molhados da sucção voraz. O aperto no pescoço intensificou-se, tirando o ar e ampliando o clímax que se formava no ventre da ruiva como uma onda sísmica. Julia arqueou a coluna, as unhas cravadas no papel de parede, e explodiu em um orgasmo violento e convulsivo diretamente sobre o rosto, o nariz e a boca de Kate, banhando a loira por completo enquanto chorava de puro alívio sensorial.

Sem dar descanso, ainda no auge dos espasmos, Julia virou o corpo de costas para Kate, pressionando firmemente as nádegas carnudas e avermelhadas contra o rosto da esposa, sentando de vez com todo o seu peso, sufocando-a em sua própria submissão enquanto rebolava mais uma vez para espremer até a última gota de sensação.

Quando o êxtase finalmente cedeu e as pernas de Julia desabaram nas laterais do colchão, Kate a puxou para baixo com autoridade. Virou Julia de bruços, deitando-se por cima dela com todo o seu peso, o rosto úmido colado à têmpora suada da ruiva. A mão de Kate voltou a envolver a garganta de Julia com firmeza inabalável, enquanto a outra apertava com força possessiva os glúteos marcados, desferindo mais um tapa ardente que arrancou um gemido surpreso da esposa.

— Você é minha, Julia — sibilou Kate rente ao ouvido dela, num tom rouco, perigoso e carregado de uma paixão cega. — Você sempre foi minha e sempre vai ser. Nunca mais repita aquela merda sobre outra pessoa. Entendeu bem?

Kate virou o queixo de Julia e a beijou na boca com ferocidade, cravando os dentes no lábio inferior da ruiva com uma mordida provocadora que fez Julia suspirar, entregando-se por completo ao domínio absoluto da esposa.

— Sua... — sussurrou Julia entre os beijos desordenados, os olhos brilhando em devoção pura. — Sempre sua, meu amor.

Antes que pudessem continuar e aprofundar as carícias, o som incisivo de três batidas secas na porta de madeira quebrou o transe do quarto.

*Toc, toc, toc.*

— Mãe Kate? Mãe Julia? — era a voz infantil de Léo do outro lado do corredor.

Kate bufou uma risada nasalada, encostando a testa no ombro suado de Julia por um segundo antes de se levantar. Vendo o estado do quarto, limpou o rosto rapidamente com o dorso do braço e vestiu um calção de tecido leve e uma camiseta larga que pegou do chão. Julia rolou na cama, puxando o lençol até o pescoço, o corpo dolorido da melhor forma possível, com o peito ainda subindo e descendo no ritmo acelerado.

Kate destrancou a porta e abriu apenas uma fresta, apoiando o braço na moldura e olhando para o filho de sete anos com uma expressão calma e acolhedora.

— Oi, capitão. O que aconteceu? — perguntou Kate.

Léo olhou para a mãe loira com os olhinhos arregalados e apontou o polegar em direção às escadas.

— O Noah acordou chorando muito lá embaixo. A tia Gabi tentou dar a chupeta e balançar, mas ele tá com fome, berrando nos braços dela. A tia Gabi disse que se a mãe Julia não descer logo, ele vai acordar a vizinhança inteira.

Kate sorriu, esticando a mão para bagunçar o cabelo do menino.

— Entendido. Diz pra tia Gabi que a gente já está descendo com o leite dele, tá bom?

— Tá bom! — respondeu o garoto, correndo de volta pelo corredor.

Kate fechou a porta, virou-se para a cama e encontrou Julia já se levantando, o bico dramático totalmente desfeito, substituído por um sorriso suave e satisfeito. A ruiva vestiu um vestido solto de algodão que facilitava a amamentação, ajeitou os cabelos desalinhados e pegou a mão estendida de Kate.

Juntas, desceram as escadas. Lá embaixo, a cena era típica daquela casa barulhenta e cheia de vida. Gabi andava em círculos pela sala ampla com Noah nos braços, que chorava a plenos pulmões com as bochechas vermelhas.

— Graças a Deus vocês reapareceram! — exclamou Gabi, fingindo drama ao entregar o bebê para os braços de Julia. — Esse garoto puxou o apetite da mãe russa e o gênio da mãe brasileira.

Julia riu baixinho, aninhando Noah com perícia e deslizando a alça do vestido para alimentá-lo. O choro cessou no exato instante em que o bebê encontrou o peito, enchendo a sala de paz e de pequenos estalos rítmicos de sucção.

Caminhando devagar até a varanda gourmet envidraçada, que dava vista para o jardim ensopado pela chuva fina que ainda caía, Julia deitou-se na grande rede tradicional de descanso que havia ali. Segundos depois, a estrutura de madeira rangeu suavemente quando Kate se acomodou ao lado dela na rede, envolvendo o corpo de Julia e do bebê em um abraço protetor e quente, descansando o queixo no ombro da ruiva.

A paz familiar que se instalou parecia zombar de qualquer trovão ou discussão passada. Léo aproximou-se a passos lentos, puxou um pufe macio e sentou-se bem ao lado da rede, observando o irmãozinho mamar com tanta voracidade.

O menino apoiou o queixo nas mãos, pensativo, e olhou fixamente para Kate.

— Mãe Kate?

— Sim, meu lindo?

— E aquele negócio do terceiro irmão que eu perguntei mais cedo? — disparou Léo com a inocência e a persistência típicas de uma criança de sete anos. — Eu realmente queria um trio. Três é melhor que dois pra jogar videogame quando ele crescer.

Kate soltou um riso baixo e rouco, depositando um beijo sonoro na bochecha de Julia, apertando discretamente a cintura da esposa com cumplicidade maliciosa.

— Eu continuo achando uma ideia brilhante, Léo — disse Kate com um piscar de olhos. — Por mim, eu já teria encomendado. Mas você tem que convencer a sua mãe Julia.

Julia revirou os olhos verdes, mas não conseguiu conter o sorriso afetuoso que iluminou todo o seu rosto. Com a mão livre de segurar Noah, acariciou os cabelos castanhos de Léo com carinho maternal.

— O seu irmão Noah ainda é muito pequenininho, meu amor — explicou Julia com paciência doce, puxando o primogênito para perto para dar um beijo na sua testa. — Um bebê dá muito trabalho, não é só videogame. Mas quem sabe... daqui a um tempo, quando o Noah estiver correndo atrás de você pelo jardim, a gente não conversa sobre trazer mais um para esse nosso time maluco?

Léo sorriu amplamente, satisfeito com a resposta, e apoiou a cabeça na perna da mãe ruiva. Kate fechou os olhos, respirando o cheiro de lavanda dos cabelos de Julia misturado ao aroma suave de bebê que vinha de Noah, enquanto a chuva mansa continuava a embalar a tarde na mansão. Não havia espaço para ciúmes, dúvidas ou inseguranças; ali, naquele abraço apertado e imperfeito, a vida delas estava completa.

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