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Família vôlei(caos)

Sob a Mesma Rede

O aroma doce de panquecas e café coado misturava-se à luz límpida da manhã de domingo que inundava a varanda da mansão. O temporal dos últimos dias parecia ter levado consigo qualquer resquício de cinza no céu, deixando em seu lugar um azul translúcido e um calor agradável que convidava para a área externa.

No gramado aparado ao lado da piscina, Léo corria descalço atrás de uma bola de vôlei de treino, rindo enquanto tentava imitar o movimento de passada que via as mães realizarem nos campeonatos internacionais.

— Olha só, mãe Kate! Três passos e saltei! — gritou o menino de sete anos, impulsionando o corpinho no ar e golpeando a bola de plástico com o punho fechado.

Sentada na borda da espreguiçadeira de madeira, vestindo uma regata branca folgada e bermuda ciclista, Kate Antropova observava o filho com um sorriso aberto e descontraído. Noah estava aninhado em seu colo grande, sustentado com a firmeza e a naturalidade de quem tinha braços talhados para o bloqueio de rede mais temido do mundo. O bebê balançava as mãozinhas gordinhas, vidrado nas cores da bola e nos gritos do irmão.

— Quase perfeito, capitão — elogiou Kate em seu tom grave e arrastado, ajeitando a touquinha de algodão na cabeça do caçula. — Mas o cotovelo precisa subir mais antes do golpe. Se você bater com o braço baixo na quadra de verdade, o bloqueio come seu ataque com farinha.

— Ele tem sete anos, Ekaterina, não tá disputando a semifinal da Champions League — a voz melodiosa e ligeiramente irônica de Julia Bergmann soou logo atrás.

A ruiva desceu os dois degraus de pedra que ligavam a sala à varanda. Seus cabelos estavam presos em uma trança lateral solta, alguns fios caindo rebeldes sobre o pescoço alvo. Ela trajava um top esportivo verde-oliva e um short curto que deixava evidente a musculatura torneada das pernas longas, recuperando a firmeza impecável de antes da gestação. Nas mãos, trazia um prato de frutas cortadas e uma mamadeira de água morna para esterilizar bicos.

Os olhos azuis de Kate deslizaram lentamente pelo corpo da esposa, de baixo até em cima, com uma lentidão deliberada e insolente que fez Julia erguer o queixo em um desafio silencioso.

— Pode até não estar na Champions — respondeu Kate, sem desviar o olhar lascivo das coxas marcadas da brasileira —, mas a genética é boa demais para desperdiçar com fundamentos frouxos. Não acha, Bergmann?

— Eu acho que você não perde uma chance de ser mandona — retrucou Julia, aproximando-se com passos elegantes.

Ela depositou o prato na mesinha de apoio e inclinou-se sobre Kate para beijar o topo da cabeça de Noah, que soltou um gorgolejo satisfeito ao sentir o cheiro característico de lavanda da mãe. Quando Julia fez menção de se afastar, a mão livre de Kate subiu num reflexo rápido, fechando os dedos compridos ao redor do quadril da ruiva com uma pressão firme, possessiva, trazendo-a de encontro à lateral de sua perna.

— Quem manda aqui sou eu, meu amor. Você já devia ter decorado essa parte depois de anteontem — murmurou a russa rente à cintura de Julia, a voz baixa o suficiente para que apenas ela ouvisse.

Julia sentiu o sangue ferver na base da nuca, uma lembrança vívida e ardente das marcas que ainda desbotavam em sua pele. Com um puxão sutil, mas sem se esquivar do toque com desagrado real, a ruiva deu um tapa estalado na mão da loira, arrancando um riso abafado de Kate.

— Cala essa boca, Antropova. Meu irmão e a Gabi estão na cozinha — advertiu Julia com as bochechas coradas, embora seus olhos verdes brilhassem de afeição cúmplice.

Como se tivessem sido invocados, Gabi e Lucas cruzaram a porta de vidro trazendo bandejas com sucos, torradas e potes de requeijão. Gabriela usava óculos escuros e uma viseira, com a típica energia matinal inabalável da capitã da seleção brasileira.

— Se o casal vinte terminou a DR matinal ou a troca de elogios ameaçadores, eu gostaria de avisar que a quadra de areia dos fundos tá limpa e seca — anunciou Gabi, colocando a jarra sobre a mesa com estardalhaço. — E eu exijo um dois contra dois antes do almoço. Eu e o Lukinhas contra a Kate e o Léo.

Lucas, agora com dezesseis anos e quase da altura da irmã, colocou a mão no peito em falsa comoção.

— Eu sou o levantador oficial desse time, hein! Se a tia Kate mandar uma pancada na minha cara, eu processo o clube italiano.

— Deixa de drama, garoto — Kate riu alto, passando Noah com cuidado para os braços de Julia. — Você tem tamanho de ponteiro passador. Aguenta uma diagonal curta minha sem chorar.

— Nem pensar — interveio Julia, acomodando o bebê em seu peito para verificar a fralda, enquanto lançava um olhar protetor para o irmão mais novo. — Nada de ataques de verdade com o meu irmão. E eu vou arbitrar o jogo. O fisioterapeuta disse que eu só posso fazer movimentação de recepção leve na areia fofa, sem impacto alto de salto por enquanto.

— Juíza roubada — murmurou Kate, levantando-se e espreguiçando o corpo monumental de mais de dois metros de altura, a regata subindo e revelando a linha definida do abdômen claro. — Vai marcar dois toques em todas as minhas bolas só de birra.

— Vou marcar tudo o que você fizer errado, exatamente como você merece — rebateu Julia, o tom doce mascarando a alfinetada afiada.

A movimentação seguiu para a pequena quadra de vôlei de areia instalada nos fundos da propriedade, cercada por palmeiras altas e protegida do vento. Noah foi instalado em seu carrinho sob a sombra generosa de um ombrelone, entretido com os sons da natureza e com a visão clara da mãe ruiva sentada em uma cadeira alta de juiz improvisada.

O jogo começou de forma descontraída, mas o instinto competitivo daquelas atletas de ponta nunca permanecia adormecido por muito tempo. Gabi defendia bolas impossíveis na areia, mergulhando com destreza e levantando poeira dourada, enquanto Kate explorava toques sutis e ataques colocados, incentivando Léo a cada lance bem-sucedido do menino.

— Boa, Léo! Fechou a paralela certinho! — elogiou Kate, batendo na mão pequena do filho no alto da rede.

— Dois toques da Antropova na condução da bola! Ponto do time da Gabi! — apitou Julia, usando um apito esportivo que trouxera no pescoço, exibindo um sorriso vitorioso e provocador.

Kate parou com os pés enterrados na areia, as mãos apoiadas nos quadris, encarando a ruiva na cadeira com os olhos estreitados em fingida incredulidade.

— Condução? Aquilo foi um levantamento limpo com a ponta dos dedos, Bergmann! Você tá inventando regra para me prejudicar!

— A autoridade máxima da quadra sou eu, número vinte e quatro — desdenhou Julia, ajeitando a postura e cruzando as pernas longas com altivez. — Reclamação com o árbitro resulta em cartão amarelo. Quer levar advertência na frente do seu filho?

Léo caiu na gargalhada na rede, pulando na areia.

— A mãe Julia tá brava hoje, mãe Kate! É melhor não chiar!

Gabi bateu palmas rindo descontroladamente, apoiada no ombro de Lucas.

— Ouviu o garoto, Antropova! Aceita a derrota moral e joga a bola pro saque!

Kate balançou a cabeça loira, um sorriso perigoso e carregado de segundas intenções curvando seus lábios. Seus olhos fitaram Julia com tamanha intensidade predatória que a ruiva sentiu um calafrio percorrer a espinha, sabendo perfeitamente que pagaria caro por aquela autoridade exibida em público.

Ao meio-dia, o sol atingiu o ápice e o grupo encerrou a partida improvisada entre risos, cansaço e areia colada à pele suada. Lucas e Léo correram direto para a piscina para tirar o excesso de areia, pulando na água com gritos de alegria.

Gabi aproximou-se do carrinho de Noah, pegando o afilhado no colo com carinho.

— Seguinte, casal — disse Gabriela, secando a testa com uma toalha pequena. — O Lucas me pediu para levar ele e o Léo no cinema do shopping para assistir àquela animação nova de robôs. Eu topo a missão de babá da tarde. Levo o Noah na cadeirinha do carro também, ele dorme o trajeto inteiro no ar-condicionado e a gente toma um sorvete por lá.

Julia franziu a testa, seu instinto superprotetor e ligeiramente controlador acendendo de imediato.

— Gabi, o Noah acabou de mamar, ele pode ter refluxo na cadeirinha... E o Léo não pode comer doce antes das quatro da tarde senão fica elétrico...

— Julia Bergmann, relaxa esse coração de mãe coruja por exatamente três horas — cortou Kate com autoridade calma, aproximando-se por trás e pousando as mãos pesadas nos ombros da ruiva, massageando os nós de tensão com firmeza descomunal. — A Gabi sabe cuidar deles melhor do que muita gente. Deixa os meninos se divertirem fora de casa um pouco.

Julia olhou para Kate, depois para Gabi que piscava com cumplicidade, e finalmente soltou o ar que prendia nos pulmões, cedendo com um suspiro resignado.

— Está bem. Mas a bolsa térmica dele tem duas mudas de roupa e as fraldas ecológicas estão no compartimento da frente. Qualquer coisa, me liga no mesmo instante.

— Pode deixar, mamãe dramática — brincou Gabi, dando um beijo estalado na bochecha de Julia antes de recolher os pertences dos meninos e chamá-los para um banho rápido.

Meia hora depois, o barulho do portão eletrônico sinalizou a partida da caminhonete com Gabi, Lucas e as duas crianças. A enorme mansão foi subitamente engolida por um silêncio absoluto, quebrado apenas pelo gotejar suave da cascata da piscina e pelo murmúrio da brisa entre os coqueiros.

Julia estava na cozinha espaçosa, bebendo um copo d'água gelada, ainda sentindo o calor residual do sol na pele bronzeada. Ao pousar o copo sobre a ilha de quartzo, dois braços fortes e úmidos a envolveram pela cintura com a rapidez de um golpe ensaiado.

O impacto suave prensou suas costas contra o peito largo de Kate.

— Agora a gente tá sozinha na quadra, juíza — sussurrou Kate ao pé do ouvido de Julia, a voz rouca e aveludada enviando choques térmicos diretamente para o ventre da menor. — E eu acho que você me deve algumas explicações sobre aquele apito roubado.

Julia tentou virar o rosto com desdém, mas a mão direita de Kate subiu com agilidade precisa, fechando-se ao redor de sua garganta com um aperto firme e seguro, mantendo a nuca da ruiva colada ao seu ombro. A respiração de Julia engatou, o peito subindo e descendo com força contra a pressão controlada dos dedos compridos da russa.

— Eu sou imparcial em quadra, Antropova... — tentou retrucar Julia, mas o tom saiu entrecortado pelo desejo súbito que a invadia sem aviso prévio. — Você fez condução...

— Não fiz nada — rebateu Kate, inclinando a cabeça e desferindo uma mordida lenta e ardente na junção do pescoço com o ombro de Julia.

A dor aguda misturada ao prazer fez a ruiva arquear a coluna, soltando um gemido abafado contra a palma de Kate. Sem aviso, a outra mão da loira desceu pesada sobre a nádega esquerda de Julia, ainda coberta pelo short de compressão.

*Tapa!*

— Ah! Kate... — gemeu a ruiva, sentindo a ardência queimar sob o tecido fino.

— Isso é por ter me dado amarelo na frente do Léo — sussurrou a russa, mordiscando a pele agora avermelhada do pescoço dela.

*Tapa!*

O golpe ecoou limpo no silêncio da cozinha gourmet, atingindo a outra nádega com a mesma força implacável e possessiva.

— E isso é por você ser tão gostosa e abusada quando quer pagar de dona da casa — completou Kate, a voz tornando-se mais grave, carregada de uma luxúria bruta e impaciente. — Pro quarto. Agora.

Antes que Julia pudesse formular qualquer objeção, Kate desfez o aperto na garganta apenas para puxá-la pelo pulso, conduzindo-a escada acima com passos decididos. A ruiva tropeçou levemente nos degraus, o corpo já enfraquecido pela antecipação da entrega. Entraram na suíte master e Kate trancou a porta dupla com um giro seco da chave.

O quarto estava fresco, com a luz do início da tarde filtrada pelas cortinas de linho claro. Sem perder um segundo, Kate prensou Julia de costas contra a porta de madeira maciça. Suas bocas se encontraram com a fúria de duas forças da natureza colidindo. Não havia gentileza no início do beijo; a língua de Kate invadia a boca de Julia com autoridade, sugando com ferocidade, enquanto suas mãos grandes e calejadas pelos bloqueios arrancavam o top esportivo da ruiva de uma só vez, expondo os seios fartos e eretos.

— Kate... a banheira... me leva pro banho primeiro — pediu Julia em um suspiro sôfrego, as unhas cravadas nos ombros largos da esposa.

Kate soltou um riso rouco contra os lábios trêmulos da ruiva. Desceu com as mãos até a barra do short de Julia, puxando-o para baixo junto com a calcinha de algodão em um único movimento bruto, deixando a menor completamente nua.

Em vez de caminhar até a banheira, Kate ergueu o corpo de Julia pelas coxas sem o menor esforço, apoiando as nádegas da ruiva sobre a cômoda larga de mármore que ficava próxima à porta.

— A banheira pode esperar — decretou a loira, os olhos azuis faiscando em pura fome.

Ajoelhou-se no tapete felpudo entre as pernas abertas de Julia. Sem dar qualquer tempo para a brasileira se recuperar do impacto, Kate enterrou o rosto com voracidade entre as coxas brancas da esposa. A língua quente e experiente da russa encontrou o clitóris intumescido de Julia com precisão devastadora, sugando com força enquanto dois de seus dedos longos deslizavam sem encontrar resistência para dentro do canal completamente encharcado.

— Aaaaah! Kate! — o grito de Julia ecoou alto pelo quarto espaçoso, as mãos puxando desesperadamente os cabelos loiros da oposta russa. — Vai... isso... chupa!

Kate aumentou o ritmo das estocadas dos dedos, movendo o punho com a cadência ritmada e pesada de quem conhecia cada milímetro daquele corpo. A sucção de seus lábios e os movimentos circulares de sua língua na carne sensível arrancavam gemidos descompassados e súplicas desconexas da ruiva.

— Olha pra mim, Julia — comandou Kate, erguendo o olhar brevemente sem interromper a pressão dos dedos que entravam e saíam fundo. — De quem é essa buceta? Fala pra mim agora.

— Sua... toda sua, amor! Porra, Kate! — Julia choramingava em delírio puro, os calcanhares empurrando os ombros da loira enquanto a bacia rebolava descontrolada sobre o rosto da esposa.

O clímax acumulado veio com a força de um tsunami. As paredes do canal apertaram os dedos de Kate em espasmos violentos e repetidos, e Julia arqueou todo o corpo sobre a cômoda, jogando a cabeça para trás enquanto seus fluidos inundavam a boca, as bochechas e os dedos da russa. Seus gemidos foram morrendo em suspiros roucos e pesados, o peito subindo e descendo com violência enquanto o alívio tomava conta de cada terminação nervosa.

Kate ergueu-se devagar, limpando os lábios molhados com o dorso da mão, admirando o estrago delicioso que havia acabado de causar. O corpo de Julia brilhava de suor leve, os olhos verdes estavam marejados e o peito ainda tremia.

Sem dar descanso à ruiva, Kate a puxou pela cintura, trazendo-a para cima da cama king size. A loira deitou-se de costas nos travesseiros macios e segurou os quadris de Julia com firmeza.

— Agora você vem aqui em cima terminar o que começou — ordenou Kate, a voz ríspida, mas os olhos brilhando em puro fascínio.

Julia, ainda sob o efeito entorpecente do orgasmo recente, sorriu com malícia e recuperou sua postura dominante. Apoiou os joelhos no colchão em ambos os lados da cabeça de Kate, posicionou as duas mãos na cabeceira acolchoada para manter o equilíbrio e desceu o quadril com autoridade direta sobre a face da loira.

Sentou-se com todo o peso sobre o nariz e a boca de Antropova, rebolando a bacia em círculos lentos e pesados, afogando a loira em sua umidade recém-derramada.

— Queria mandar, não queria? — provocou Julia, gemendo baixo quando sentiu a língua de Kate voltar a trabalhar com vigor implacável contra seu centro. — Então aguenta... aguenta tudo, Antropova!

Com a mão esquerda, Kate subiu firme e fechou os dedos ao redor da garganta de Julia, exercendo aquela pressão calculada que tirava o fôlego da ruiva na medida exata da vertigem, enquanto a mão direita desferia mais dois tapas ardentes e sonoros nas nádegas empinadas que cavalgavam seu rosto.

*Tapa! Tapa!*

— Ah! Isso... aperta mais! — implorou Julia, as unhas cravadas no estofamento da cabeceira, o corpo entrando em uma nova espiral de calor alucinante.

O ritmo do rebolado tornou-se frenético, impulsionado pelo atrito impiedoso da língua de Kate e pela possessividade das mãos fortes que a prendiam contra a boca russa. Em poucos minutos, um segundo orgasmo, ainda mais profundo e dolorosamente intenso, explodiu nas entranhas de Julia. Ela gritou rouco contra o teto do quarto, o corpo convulsionando inteiramente sobre o rosto de Kate, até desabar exausta sobre o peito largo da esposa, enterrando o rosto na curva do pescoço loiro.

Ficaram assim por longos minutos, enlaçadas na penumbra fresca da suíte, ouvindo apenas o compasso acelerado de seus corações que aos poucos voltavam ao ritmo natural.

Kate acariciava as costas suadas de Julia com dedos suaves, traçando a linha de sua coluna com uma ternura infinita que apagava qualquer traço da brutalidade de momentos antes.

— Você me deixa louca, Bergmann — murmurou Kate, depositando um beijo demorado no topo da cabeça ruiva. — Completamente insana.

Julia riu baixinho contra a pele da esposa, erguendo o rosto para encontrar os olhos azuis de Kate. Seus lábios se tocaram em um beijo calmo, demorado e doce, onde não havia disputas de poder ou ciúmes infundados. Apenas a certeza inabalável de uma vida inteira construída sobre paixão, respeito e uma lealdade inquebrantável.

— E você não saberia viver de outro jeito, russa — respondeu Julia com um meio sorriso cúmplice.

Mais tarde, após um banho quente e relaxante na banheira de hidromassagem que finalmente desfrutaram juntas, vestiram roupas confortáveis de algodão e desceram para o primeiro andar. O sol começava a descer no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e violetas.

Quando o som da caminhonete anunciou o retorno da família, Julia já estava na sala preparando uma travessa de frutas e suco para o lanche das crianças.

A porta abriu-se em um turbilhão de vozes. Léo entrou correndo com um balde de pipoca vazio na mão, com os olhos brilhando de entusiasmo.

— Mãe Julia! O filme foi incrível! Tinha um robô que voava e dava salto mortal! — gritou o garoto, correndo para abraçar as pernas da ruiva.

— Que maravilha, meu amor — Julia sorriu, abaixando-se para beijar a testa do primogênito, enquanto Lucas entrava carregando sacolas do shopping.

Gabi vinha logo atrás, trazendo Noah confortavelmente instalado no bebê-conforto. O menino estava acordado, com os olhinhos curiosos piscando para as luzes da casa.

Kate aproximou-se, retirou o caçula do cesto com perícia e o acomodou nos braços, recebendo um sorriso banguela e espontâneo do bebê.

Gabi olhou para Julia, depois para Kate, notando a postura relaxada, a leveza no ar e o brilho renovado na expressão de ambas. A ponta de um sorriso malicioso surgiu nos lábios da ponteira brasileira.

— Pelo visto, a sessão de fisioterapia caseira deu muito certo enquanto estivemos fora — comentou Gabi em tom zombeteiro, cruzando os braços. — O humor dessa casa subiu uns dez graus.

Lucas segurou a risada, caminhando em direção à cozinha.

— Nem me fale, tia Gabi. Eu nem quero saber os detalhes, só agradeço que a paz reina nessa mansão de novo.

Julia revirou os olhos com um bico teatral, mas não conseguiu conter a risada que escapou de seus lábios, dando um tapinha de leve no ombro de Gabi.

— Vai lavar a mão pra comer fruta, Gabriela, antes que eu tire o seu nome do time titular — rebateu Julia com diversão.

A noite caiu mansa e serena. Mais tarde, com as luzes da varanda acesas e o vento fresco balançando as folhas do jardim, todos se reuniram ao redor da mesa comprida. Noah descansava tranquilo no berço portátil ao lado de Julia, enquanto Léo desenhava os robôs do cinema em folhas de papel espalhadas pela mesa, sob o olhar atento e incentivador de Lucas.

Kate sentou-se ao lado de Julia, deslizando o braço longo por trás da cadeira da esposa, descansando a mão com autoridade carinhosa sobre sua nuca. Julia inclinou a cabeça para o lado, repousando a têmpora no ombro firme da loira, sentindo a solidez daquela presença que ancorava todo o seu mundo.

Não importavam as tempestades passadas, os olhares de terceiros ou as pressões do esporte de alto rendimento. Ali, sob o mesmo teto e sob o mesmo amor inegociável, o jogo delas estava sempre ganho.

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