Família vôlei(caos)
Linhas de Ataque e Defesa
O sol da manhã rompeu a linha do horizonte sem qualquer vestígio da tempestade dos dias anteriores. Uma luz dourada e límpida inundava a suíte principal, desenhando losangos perfeitos sobre o piso de madeira clara e aquecendo a ponta do edredom de plumas.
Julia despertou devagar, sentindo cada músculo do corpo reclamar. Não era apenas o cansaço residual da rotina com Noah, mas a lembrança muito viva, marcada na carne, da noite implacável que tivera com a esposa. Ao tentar esticar as pernas compridas, um gemido baixo escapou de seus lábios; a parte interna das coxas ardia, e as nádegas ainda guardavam o calor das marcas escarlates deixadas pela mão pesada de Kate.
Ao seu lado, a cama já estava vazia, mas o calor no travesseiro indicava que a loira não havia se levantado há muito tempo. Julia rolou de costas, cobrindo o rosto com o antebraço, um sorriso involuntário curvando seus lábios cheios. Sua postura dramática e o ciúme desmedido haviam sido punidos sem qualquer clemência, exatamente da forma bruta e apaixonada que fazia seu coração acelerar descompassado.
A porta do closet se abriu e Kate surgiu de lá, já vestida com o uniforme de treino: um calção preto justo de compressão e a regata oficial do clube, exibindo os ombros largos esculpidos por milhares de horas de ataque na rede. Os cabelos loiros estavam presos em um coque alto e impecável.
Ao ver a ruiva acordada, Kate parou na beirada do colchão, cruzando os braços musculosos. Um sorriso ladino e extremamente arrogante brotou em seu rosto.
— Bom dia, flor do dia — provocou a loira, a voz grave descendo em tom aveludado. — Consegue levantar da cama hoje ou vou precisar carregar a minha oposta favorita no colo até o andar de baixo?
Julia puxou o edredom até o queixo e lançou um olhar mortal, semicerrando os olhos verdes em sua melhor expressão de indignação calculada.
— Não abusa da minha boa vontade, Ekaterina. Eu estou moída por sua culpa — retrucou a ruiva, mantendo a pose imponente mesmo deitada. — Você é uma selvagem. Quase me desmontou ontem naquela bancada.
Kate soltou uma risada rouca, inclinando-se sobre a cama com toda a sua envergadura impressionante. Apoiou uma das mãos ao lado do quadril de Julia e usou a outra para puxar a borda do lençol, descendo a mão pesada diretamente sobre a curva macia da nádega avermelhada da esposa.
*Tapa!*
— Ah! Kate! — gritou Julia com um sobressalto, o corpo arqueando em surpresa enquanto um arrepio elétrico percorria sua espinha.
— Só para você não esquecer quem manda logo cedo — murmurou a russa rente à orelha dela, mordiscando a cartilagem com uma pressão gostosa. — E pela sua cara, você adorou cada segundo daquela selvageria. Agora levanta. A Gabi já está quase terminando o café e hoje você vem com a gente pro clube. O fisioterapeuta quer avaliar sua volta progressiva às quadras.
A menção ao retorno aos treinos fez os olhos de Julia brilharem com um entusiasmo genuíno. Fazia cinco meses que dera à luz Noah, e o sangue competitivo de jogadora de vôlei de elite clamava pela quadra, pela rede e pela bola.
Dez minutos depois, após um banho quente reconfortante que relaxou a musculatura castigada, Julia desceu usando um agasalho esportivo folgado. Ao pisar no último degrau, deparou-se com a costumeira balbúrdia matinal da mansão.
Lucas estava encostado na bancada rindo com Léo, que tentava equilibrar três laranjas com a destreza de quem queria ser artista de circo em vez de levantador. No cercadinho almofadado ao lado da mesa de jantar, Noah sacudia as perninhas gordinhas no ar, entretido com um móbile colorido.
— Olha ela! — disparou Gabi assim que viu a amiga entrar na cozinha, batendo uma colher na caneca. — A mulher renascida das cinzas! Pelo jeito o remédio russo funcionou, porque hoje você tá quase andando em linha reta.
— Gabriela, se você não calar essa boca imediatamente, eu juro que jogo essa garrafa térmica na sua cabeça — rebateu Julia com um bico ameaçador, embora o rubor em suas bochechas traísse a vergonha.
Lucas gargalhou alto, pegando sua mochila escolar do chão.
— Bom dia pra você também, maninha. Eu já tô saindo pro colégio antes que os mísseis comecem a voar por aqui. O Léo vem comigo até a van escolar.
O menino de sete anos correu até Julia, pulando em seus braços para um abraço apertado.
— Benção, mãe Julia! Hoje eu vou treinar manchete no recreio, tá?
— Deus te abençoe, meu lindo — Julia beijou as duas bochechas do filho com ternura. — Não vai rasgar o uniforme novo de novo, ouviu bem?
Depois que os dois saíram e Noah foi devidamente alimentado com o peito farto de Julia, uma babá de confiança da família assumiu os cuidados do bebê para que o trio de atletas pudesse ir ao centro de treinamento.
O trajeto até a arena foi marcado por músicas animadas no rádio do carro de Kate e piadas sem fim disparadas por Gabi no banco do passageiro. No entanto, o ar mudou ligeiramente quando cruzaram os portões do complexo esportivo. O ambiente de elite do vôlei mundial exigia foco absoluto, e Kate transformava-se na líder imponente e concentrada pela qual era temida e respeitada em quadra.
Ao entrarem no ginásio climatizado, o barulho característico de tênis cantando no piso sintético e o som oco das bolas de vôlei ecoavam pelo espaço imenso. Algumas jogadoras já faziam aquecimento dinâmico. Entre elas, na linha de fundo, estava a jovem jogadora italiana.
Julia parou na lateral da quadra, cruzando os braços sobre o agasalho preto. O olhar verde e penetrante recaiu sobre a novata, que no mesmo segundo travou a recepção da bola ao notar a presença da ruiva. A garota pareceu diminuir de tamanho sob o escrutínio frio da dona da casa.
Kate percebeu o clima tenso imediatamente. Sem hesitar um segundo e sem qualquer vergonha diante da comissão técnica e das companheiras de elenco, a russa aproximou-se de Julia. Passou o braço longo e pesado ao redor da cintura fina da ruiva, puxando-a contra seu corpo com firmeza inquestionável.
Inclinou o rosto para baixo e selou os lábios de Julia com um beijo possessivo, estalado e profundo, que não deixou a menor margem para dúvidas de quem pertencia a quem naquele recinto.
— Fica tranquila na fisioterapia, meu amor — disse Kate, a voz calma, mas carregada daquela imponência natural. — Eu vou arrebentar no treino de ataque hoje. Assiste da arquibancada se puder.
Julia sentiu o calor do beijo desarmar a sua pose defensiva. O peito inflou de orgulho ao ver os olhos da italiana desviarem desconfortavelmente em direção ao chão da quadra.
— Eu vou estar de olho em cada bola que você levantar, Antropova — respondeu Julia com um meio sorriso desafiador. — É bom não errar a paralela.
— Pode deixar, minha capitã — rebateu Kate com uma piscadela travessa antes de correr para o centro da quadra com Gabi.
A hora seguinte foi de trabalho intenso para Julia na sala de preparação física. Avaliada pelos preparadores e pelo fisioterapeuta, a ruiva executou séries de agachamentos com peso corporal, saltos pliométricos leves e estabilização de core. O corpo respondia bem; a força estava voltando rapidamente e a flexibilidade nunca a abandonara por completo.
Quando a sessão individual terminou, Julia pegou sua toalha e caminhou pelos corredores silenciosos em direção à sala reservada de recuperação muscular, onde equipamentos de crioterapia e esteiras de massagem ficavam disponíveis.
Estava prestes a ligar o painel digital de controle da banheira térmica quando a porta atrás de si abriu-se com um clique seco. A fechadura foi girada por dentro.
Julia virou-se rápido, assustada, mas relaxou ao ver a figura alta de Kate fechando a porta com o ombro. A loira ainda estava com a regata ensopada de suor do treino intenso, a pele brilhando, o peito subindo e descendo em uma cadência pesada.
— O treino tático acabou? — perguntou Julia, arqueando as sobrancelhas ruivas, mantendo o tom desafiador. — Ou a estrela do time resolveu fugir das instruções do técnico?
Kate não respondeu com palavras. Avançou com passos longos, a energia predatória preenchendo o espaço fechado da sala de recuperação. Antes que Julia pudesse recuar, Kate a prensou contra a parede acolchoada que revestia a sala de gelo.
— O técnico dispensou para o intervalo de hidratação — murmurou Kate, a voz rouca, colocando as duas mãos na parede, encurralando a esposa entre seus braços de gigante. — E eu decidi me hidratar com você.
— Kate, aqui não... — murmurou Julia, o coração dando um salto violento contra as costelas. — Alguém da comissão pode tentar entrar, a porta é só um trinco simples...
— Deixa tentar — cortou Kate de forma abusada, colando a boca quente e suada no pescoço de Julia, sugando a pele sensível logo abaixo do lóbulo com uma volúpia faminta. — Você me olhou daquele jeito a manhã inteira. Achou que ia sair ilesa dessa história?
A mão de Kate desceu como um raio, enfiando-se sob a barra do agasalho folgado de Julia e encontrando o tecido fino do short de compressão. Apertou a nádega esquerda com tanta força que Julia soltou um arquejo estrangulado, cravando as unhas nos ombros molhados da loira.
— Ah... Kate! Você tá louca... — sussurrou a ruiva, a voz quebrando em desejo puro. Toda a sua resistência ruiu diante do calor animal que emanava do corpo da russa. — Alguém vai ouvir...
— Então é melhor você engolir os gemidos — rosnou Kate no ouvido dela, os dentes arranhando o pescoço alvo. — Porque eu não vou parar.
Sem soltar o pescoço da ruiva, Kate deslizou a mão para a frente, enfiando dois dedos firmes e quentes por dentro da lycra do short, encontrando o canal de Julia já úmido e quente pela excitação acumulada. Sem cerimônia, Kate empurrou os dedos fundo, provocando uma onda imediata de espasmos nos quadris da brasileira.
— Merda... Kate... — Julia prendeu a respiração, mordendo o próprio lábio com força para abafar o grito que tentava subir pela garganta.
O ritmo dos dedos da loira era cirúrgico, acelerado e impiedoso, aproveitando a umidade natural do desejo de Julia para deslizar com intensidade brutal. Enquanto isso, a outra mão de Kate subiu com autoridade indiscutível, fechando-se em torno do pescoço de Julia, pressionando os nós dos dedos contra a traqueia com aquela firmeza possessiva que fazia a mente da ruiva girar em névoa.
*Tapa!*
A palma pesada de Kate atingiu a coxa de Julia com força rítmica, estimulando cada terminação nervosa.
— Olha pra mim — comandou Kate, os olhos azuis faiscando em pura luxúria. — De quem você é, Bergmann?
— Sua... — Julia gemeu sufocada, revirando os olhos enquanto os dedos de Kate alcançavam o fundo de seu canal em golpes rápidos e ritmados. — Toda sua, Antropova... porra!
A ruiva sentiu o orgasmo se avizinhar como uma onda incontrolável. As pernas tremeram violently, o abdômen retesou sob o tecido do agasalho e o canal apertou os dedos de Kate com força convulsiva. Julia afundou o rosto no ombro suado da russa, mordendo o tecido da regata para silenciar os gritos de alívio e prazer que explodiam em seu peito enquanto seu clímax a inundava por completo.
Kate permaneceu imóvel por longos segundos, segurando o corpo trêmulo da esposa contra si, sentindo os tremores da ruiva se dissiparem aos poucos. Só então retirou os dedos molhados, limpando a mão na própria toalha pendurada no pescoço com um sorriso arrogante e plenamente satisfeito.
— Agora sim eu posso terminar o treino — disse Kate, a voz incrivelmente calma, beijando a testa suada de Julia com um carinho que contrastava brutalmente com a violência de instantes atrás.
Julia escorregou pela parede até sentar-se em um banco de madeira, recuperando o ar com dificuldade, as pernas bambas recusando-se a sustentar seu peso.
— Você é insuportável — resmungou a ruiva, com um bico manhoso e um brilho apaixonado e indefeso no olhar. — Completamente insuportável.
— E você me ama exatamente por isso — respondeu a loira, piscando um dos olhos claros antes de destrancar a porta com cautela, saindo com passos firmes de volta para a quadra.
***
No final da tarde, a mansão foi preenchida pelo cheiro reconfortante de um jantar caseiro. Lucas havia feito questão de preparar uma travessa gigante de lasanha aos quatro queijos, com o auxílio barulhento de Léo, que se considerava o sous-chef oficial da casa.
Na sala ampla, as portas de vidro da varanda estavam totalmente recolhidas, deixando a brisa fresca da noite entrar. Noah estava deitado de bruços sobre um tapete de atividades acolchoado no centro da sala, erguendo a cabecinha e emitindo gritinhos alegres enquanto tentava alcançar uma bola macia de vôlei que Gabi rolava para ele com paciência.
— Vai, meu garoto, faz a manchete! Puxa a raça da tia Gabi — brincava a ponteira, rindo das caretas do bebê.
Julia saiu da cozinha trazendo uma jarra de suco natural e copos de cristal, caminhando com uma postura muito mais relaxada e leve. Kate vinha logo atrás, com uma travessa quente em mãos e uma expressão de serenidade que só os dias completos e pacíficos em família conseguiam proporcionar.
Todos se acomodaram ao redor da mesa comprida de madeira maciça. A conversa fluiu entre detalhes engraçados do treino tático, os planos de retorno gradual de Julia aos jogos oficiais do próximo mês e as piadas habituais sobre os professores da escola de Lucas.
Quando os pratos foram esvaziados e Léo começou a bocejar pesadamente, apoiando o queixo na mesa, Kate ergueu o filho mais velho nos braços como se ele não pesasse nada, jogando o menino sobre os ombros largos com facilidade.
— Hora da cama, campeão. Nada de videogame até tarde hoje — decretou a loira.
— Só cinco minutos, mãe Kate... — pediu Léo, a voz arrastada de sono.
— Nem meio minuto. Vamos lá, capitão.
Julia acompanhou a cena com um olhar terno e aquecido. Pouco tempo depois, com Léo devidamente acomodado sob os lençóis de seu quarto e Noah já dormindo profundamente em seu berço após mais uma mamada tranquila, a casa mergulhou no silêncio acolhedor da madrugada.
Na suíte principal, Julia estava sentada na borda da cama king size, penteando os cabelos ruivos em frente à penteadeira iluminada por luzes amarelas. Pelo reflexo do espelho, viu Kate aproximar-se em passos lentos e descalços, vestindo apenas uma calça de algodão cinza.
A russa parou atrás de Julia, pousou as mãos grandes e pesadas sobre os ombros desnudos da esposa e começou uma massagem firme, aliviando qualquer resquício de tensão muscular.
— O fisioterapeuta disse que sua musculatura tá respondendo melhor do que o esperado — comentou Kate em tom baixo, fitando o reflexo dos olhos verdes de Julia. — Mais umas quatro semanas e você já pode começar a treinar bloqueio com a gente.
Julia sorriu de lado, inclinando a cabeça para trás para apoiar a nuca contra o abdômen firme da loira.
— Ele disse isso? Ou você que tá ansiosa pra levar um toco meu na rede?
Kate soltou um riso curto, deslizando as mãos até a curva do pescoço de Julia, os polegares massageando a base da mandíbula da ruiva com uma possessividade terna.
— Nem nos seus maiores delírios você me bloqueia numa paralela rápida, Bergmann.
— É o que vamos ver em quadra, Antropova — desafiou Julia, a voz descendo para um tom macio e íntimo.
Kate inclinou-se para a frente, descansando o queixo no ombro de Julia, seus rostos lado a lado no espelho. A imponência das duas, a força atlética esculpida em anos de sacrifício e a profunda cumplicidade que haviam construído enchiam o quarto de uma segurança inabalável.
As tempestades, os ataques de ciúme desmedidos e as inseguranças passageiras sempre acabavam da mesma forma: reafirmando a força brutal do laço que as unia.
— Você é insubstituível, sabia? — confessou Kate num murmúrio sincero, beijando a têmpora da esposa com reverência. — Não existe time, não existe novata, não existe nada no mundo que chegue perto do que a gente tem.
Julia virou o corpo lentamente nos braços da loira, envolvendo o pescoço de Kate e puxando-a para um beijo lento, calmo e profundo, livre de qualquer fúria ou urgência. Apenas a certeza doce de pertencerem uma à outra.
— Eu sei, meu amor — sussurrou Julia contra os lábios de Kate, os olhos verdes brilhando em plena paz. — Mas de vez em quando é bom te fazer lembrar disso na marra.
Kate riu contra a boca da ruiva, erguendo Julia pela cintura e deitando-a com carinho sobre os lençóis frescos da cama. A noite enfim pertencia ao descanso, embalada pelo amor sólido que dominava cada canto daquela casa.