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Family chaos

O Banquete dos Genros e a Tirania de Phalo

A mansão Austin Waraha exalava um perfume de lavanda, madeira nobre e... desespero materno. Engfa Waraha, vestida com uma camisa social impecável e óculos que pareciam brilhar com o reflexo de mil interrogatórios passados, caminhava de um lado para o outro na sala de estar. Em seus braços, ela carregava a mais nova e caótica adição à família: Phalo, um coelhinho de pelagem branca e manchas cinzas que, apesar da aparência inofensiva, já havia destruído três cabos de carregador de iPhone e um par de saltos Louboutin de edição limitada.

— Charlotte, eu não posso fazer isso. É pressão demais para um único coração de CEO — Engfa lamentou, parando diante da esposa, que estava sentada no sofá lendo calmamente um dossiê jurídico. — Três. Três pretendentes de uma vez. Isso não é um jantar, é uma invasão bárbara.

Charlotte levantou os olhos, um sorriso divertido brincando em seus lábios. Ela estendeu a mão e acariciou as orelhas de Phalo, que parecia estar em transe nos braços de Engfa.

— Deixe de ser dramática, Eng. Snack superou aquela fase com a Patcha, o que deveria te fazer soltar fogos de artifício. Pailiu é uma garota adorável. Becky finalmente tomou coragem para trazer a Freen, e Sonya... bem, a Lookmhee já é praticamente da casa.

— Phalo mordeu o pé da mesa de jantar hoje — Engfa disse, tentando mudar de assunto para evitar o colapso iminente. — E você deixou ele se safar com um pedaço de cenoura orgânica. Você está criando um monstro, Charlotte.

— Ele é apenas um bebê, Engfa. E a mesa pode ser lixada — Charlotte fechou o dossiê e levantou-se, ajeitando a gola da camisa da esposa. — Agora, respire. Eu estarei ao seu lado. Se você sentir que vai ter um surto possessivo, aperte a minha mão. Se você começar a ameaçar as meninas de processo, eu te chuto por baixo da mesa. Combinado?

— Você tira toda a minha autoridade — resmungou Engfa, mas inclinou a cabeça para receber um beijo rápido de Charlotte.

A campainha tocou, soando como um gongo de início de luta para Engfa.

As três irmãs Austin Waraha desceram as escadas em formação, cada uma com um nível diferente de ansiedade. Snack estava radiante, seus olhos brilhando de uma forma que Engfa não via há muito tempo. Pailiu, a garota que havia transformado o mundo da caçula, entrou primeiro, segurando um buquê de flores para Charlotte e uma caixa de charutos de chocolate para Engfa — um suborno estratégico que Pailiu planejou por semanas.

Logo atrás, Becky trazia Freen Sarocha. A capitã do clube de boxe parecia mais nervosa ali do que em qualquer final de campeonato. Ela usava uma jaqueta de couro e mantinha uma postura rígida, claramente intimidada pela presença de Engfa. Por fim, Sonya entrou saltitando, puxando Lookmhee pela mão, que apenas sorria com uma paciência angelical.

— Bem-vindas ao tribunal... quero dizer, ao jantar — anunciou Engfa, colocando Phalo no chão. O coelho imediatamente correu para a direção dos sapatos de Freen.

— Cuidado com o Phalo, ele tem gosto por marcas caras — avisou Becky, puxando Freen para o sofá.

O grupo se acomodou na sala de jantar. A mesa estava posta de forma impecável, mas o silêncio que se seguiu à entrada das entradas foi quase palpável. Engfa limpou a garganta, ajustando os óculos.

— Então — começou a CEO, sua voz assumindo aquele tom de "reunião de acionistas" que fazia os joelhos de qualquer um tremerem. — Pailiu. Snack me disse que você tem algo a declarar.

Pailiu olhou para Snack, que segurou sua mão por baixo da mesa, e então encarou as mães.

— Sim, Sra. Engfa, Sra. Charlotte. Eu gostaria de pedir a permissão de vocês para namorar a Snack oficialmente. Eu gosto muito dela e prometo cuidar bem do coração da sua filha.

Engfa estreitou os olhos, observando a sinceridade no rosto de Pailiu. Ela olhou para Charlotte, que apenas arqueou uma sobrancelha, esperando a reação da esposa.

— Cuidar bem? — Engfa repetiu. — Você sabe que a Snack é 50% Charlotte, certo? Se você magoar ela, você não vai estar lidando apenas com uma mãe brava. Vai estar lidando com a melhor advogada do país e com uma CEO que pode comprar a empresa onde seus pais trabalham apenas para fechar o estacionamento.

— Engfa! — Charlotte repreendeu, embora houvesse um brilho de riso em seus olhos. — Ignore ela, Pailiu. Ela está brincando.

— Eu não estou brincando — sussurrou Engfa para Phalo, que agora roía a barra de sua calça.

— E você, Freen? — Charlotte assumiu a liderança, percebendo que Freen estava quase fundindo-se com a cadeira. — Becky nos contou muito sobre suas vitórias no boxe. Ela parece muito orgulhosa de você.

Freen engoliu em seco, olhando para Becky antes de responder.

— Eu tento dar o meu melhor, Sra. Charlotte. Becky é minha maior motivação. Ela me ensinou que técnica é importante, mas ter alguém por quem lutar é o que realmente faz a diferença.

— Que brega — Sonya comentou, recebendo um chute de Becky por baixo da mesa. — Mas é verdade. A Becky fica assistindo os vídeos da Freen em câmera lenta. É quase assustador.

— Sonya, cale a boca — Becky disse, o rosto ficando vermelho.

— E você, Lookmhee? — Engfa voltou-se para a representante do campus. — Você ainda acha que o sarcasmo da Sonya é charmoso ou já está procurando um psicólogo?

Lookmhee riu, segurando a mão de Sonya.

— É um desafio diário, Engfa. Mas eu gosto de desafios. A Sonya mantém a minha vida interessante. Sem ela, o campus seria apenas um lugar cheio de regras e papéis.

O jantar prosseguiu entre interrogatórios velados e risadas contidas. Engfa, apesar de toda a pose, começou a relaxar à medida que percebia que as namoradas de suas filhas eram, de fato, pessoas íntegras. Pailiu era doce e inteligente; Freen era protetora e resiliente; e Lookmhee era a âncora que a energia caótica de Sonya precisava.

No entanto, Sonya não seria Sonya se não tentasse incendiar a paz recém-conquistada.

— Sabe, mamães — começou a primogênita, servindo-se de mais vinho —, agora que todas nós estamos encaminhadas, a casa vai ficar meio vazia, não acham? A Becky logo vai estar morando no ginásio com a Freen, a Snack vai viver no estúdio da Pailiu...

— Onde você quer chegar, Sonya? — Engfa perguntou, desconfiada.

— Quando é que eu vou ganhar novos irmãozinhos? — Sonya perguntou com um sorriso travesso. — Acho que o Phalo precisa de companhia humana. Um bebezinho Waraha para a gente ensinar a ser sarcástico desde o berço.

Engfa quase se engasgou com a água. Charlotte, por outro lado, apenas deu um sorriso enigmático, o que deixou Engfa ainda mais nervosa.

— Nunca — Engfa sentenciou, batendo levemente na mesa. — Três de vocês já reduziram minha expectativa de vida em vinte anos. Mais uma piada dessa, Sonya, e sua mesada será cortada até o ano de 2050.

— Valeu a pena a tentativa — Sonya deu de ombros, piscando para Lookmhee.

— Além disso — Charlotte interveio, olhando carinhosamente para o coelho que agora dormia sobre os pés de Engfa —, nós já temos o Phalo. Ele é o nosso novo bebê.

— Ele é um destruidor de patrimônio — corrigiu Engfa, embora estivesse acariciando a cabeça do animal com o pé de forma inconsciente.

Após o jantar, o grupo voltou para a sala de estar. As namoradas relaxaram um pouco mais, percebendo que, apesar da aura de poder, Engfa e Charlotte eram apenas duas mães profundamente rendidas pelas filhas.

Engfa levantou-se para buscar um licor na cristaleira e fez sinal para que as três pretendentes a seguissem até a varanda, longe dos ouvidos das filhas. O clima mudou instantaneamente. O ar noturno de Bangkok estava fresco, mas a tensão voltou a subir.

— Escutem bem — disse Engfa, sua voz baixa e perigosa, enquanto olhava para Pailiu, Freen e Lookmhee. — Elas são a minha vida. Eu as vi crescer, eu as protegi de tudo. Se alguma de vocês ousar magoar, trair ou fazer minhas filhas chorarem, eu não vou apenas ficar brava. Eu vou usar todos os recursos da Waraha Corp para garantir que o Wi-Fi de vocês nunca mais funcione e que vocês sejam banidas de todos os restaurantes da cidade. Entendido?

Freen assentiu vigorosamente, Pailiu engoliu em seco e Lookmhee apenas sorriu com respeito.

— Entendido, Sra. Engfa — disseram em uníssono.

Charlotte apareceu na porta da varanda, cruzando os braços com um olhar de reprovação divertida.

— Engfa, pare de assustar as meninas. Elas já estão pálidas.

— Eu só estava dando as boas-vindas oficiais, Char — Engfa disse, suavizando a expressão e voltando para o lado da esposa.

— Ela está brincando — Charlotte disse para as três jovens, embora tenha piscado para elas de um jeito que dizia "mas não facilitem". — Vamos entrar, o café está servido.

A noite terminou com a mansão cheia de risos. Snack e Pailiu discutiam sobre um projeto de arte; Becky e Freen falavam sobre técnicas de esquiva; e Sonya tentava convencer Lookmhee a adotar um coelho para fazer companhia ao Phalo.

Engfa sentou-se ao lado de Charlotte no sofá, observando a cena. Ela sentiu a cabeça de Phalo encostar em seu tornozelo e, por um momento, a paz pareceu real.

— Você lidou bem com isso — Charlotte sussurrou, encostando a cabeça no ombro de Engfa.

— Eu ainda não gosto da ideia de ter gente estranha circulando na minha casa — resmungou Engfa —, mas... elas parecem fazer as meninas felizes.

— Elas fazem — Charlotte concordou. — E nós fizemos um bom trabalho, Eng. Elas escolheram pessoas que as respeitam.

— É — Engfa deu um meio sorriso, apertando a mão de Charlotte. — Mas se o Phalo morder mais um cabo meu, eu vou culpar a Sonya. Foi ela quem deu a ideia do coelho.

— Culpe quem você quiser, amor. Mas admita: você já ama esse coelho tanto quanto ama esse caos.

Engfa não respondeu, apenas fechou os olhos e aproveitou o som da casa cheia. O interrogatório havia terminado, os vereditos foram dados e, no tribunal dos Austin Waraha, o amor sempre vencia, mesmo que viesse acompanhado de algumas ameaças corporativas e um coelho tirânico chamado Phalo.