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Family chaos

Entre Segredos de Escritório e Encontros Inesperados

O sol de Bangkok filtrava-se pelas persianas de vidro da Waraha Corp, criando padrões lineares sobre a mesa de mogno onde Engfa Waraha tentava, sem muito sucesso, concentrar-se em um relatório de expansão. A verdade era que a mansão Austin Waraha estava em um estado de calmaria suspeita desde que Charlotte retornara de Chiang Mai. E quando as coisas ficavam quietas demais com três filhas daquela idade, Engfa sabia que o caos estava apenas mudando de forma.

No campus da universidade, Snack Austin Waraha corria contra o tempo. O despertador não havia tocado, ou talvez ela o tivesse ignorado em um sonho onde Patcha Napatsa a convidava para ser sua vice-presidente — um sonho recorrente que a deixava "bolinha" logo cedo. Ao dobrar o corredor do bloco de artes, Snack não conseguiu frear a tempo. O impacto foi inevitável.

— Ai meu Deus! Me desculpa, eu sinto muito! — Snack exclamou, agachando-se imediatamente para ajudar a recolher os livros e pastas espalhados pelo chão de granito.

— Tudo bem, o chão pareceu atraente por um segundo — uma voz desconhecida e divertida respondeu.

Snack levantou o olhar e encontrou um par de olhos brilhantes e um sorriso que parecia iluminar o corredor mal iluminado. A garota tinha uma aura vibrante, cabelos longos e uma expressão de quem não se abalava com pequenos acidentes.

— Eu sou a Snack. Sério, eu sou um desastre quando estou atrasada — disse a caçula dos Austin Waraha, entregando um caderno de esboços para a desconhecida.

— Eu sou a Pailiu. Aluna nova — a garota respondeu, limpando a poeira da calça jeans. — Na verdade, esse tombo foi providencial. Eu estou perdida há quinze minutos tentando achar a sala 402. Você conhece?

Snack sorriu de forma genuína. Pela primeira vez em semanas, o nome de Patcha não foi a primeira coisa a surgir em sua mente ao ver alguém bonito.

— É a minha sala! Vem, eu te guio. Se chegarmos juntas, o professor vai brigar menos comigo por causa da "novata".

Enquanto caminhavam, a conversa fluiu com uma facilidade desconcertante. Pailiu era espontânea e compartilhava o mesmo gosto peculiar de Snack por filmes de terror alternativos e música indie. Era uma lufada de ar fresco para Snack, que passava os dias tentando esconder um crush proibido pelas amigas da mãe.

Enquanto isso, em uma parte muito mais isolada e silenciosa do campus — o depósito de equipamentos do clube de boxe —, o clima era consideravelmente mais quente.

Becky Austin Waraha estava prensada contra a parede de metal, as mãos de Freen Sarocha espalmadas ao lado de sua cabeça. O cheiro de couro e suor leve característico do clube de boxe estava presente, mas era sobrepujado pelo perfume cítrico de Becky.

— Se alguém entrar aqui, Becky, sua mãe Engfa vai me transformar em um saco de pancadas permanente — Freen sussurrou, a respiração pesada, os lábios a milímetros dos de Becky.

— Minha mãe está ocupada demais tentando descobrir se a Sonya quebrou o sistema da empresa — Becky respondeu com um sorriso ladino, aquele que ela herdara diretamente da arrogância charmosa de Charlotte. — Além disso, eu sei exatamente como manipular a situação para que ninguém venha aqui nos próximos dez minutos.

Freen soltou uma risada curta, balançando a cabeça.

— Você é assustadora, sabia? Às vezes eu acho que você é um pouco manipuladora demais para o seu próprio bem.

Becky envolveu o pescoço da capitã com os braços, puxando-a para mais perto, eliminando qualquer espaço restante.

— Talvez eu seja — murmurou Becky contra os lábios de Freen. — Mas você se importa?

— Nem um pouco — Freen respondeu antes de selar seus lábios nos dela. — Você pode manipular meu coração o quanto quiser, desde que o mantenha por perto.

Enquanto as filhas exploravam novos territórios emocionais, a sede da Waraha Corp fervia. Sonya Austin Waraha estava oficialmente em seu primeiro dia de integração. Engfa insistira que a primogênita aprendesse os fundamentos do império familiar, esperando que a estrutura corporativa domasse a hiperatividade da filha.

No entanto, Sonya não era alguém que se deixava domar facilmente.

— Então, se eu apertar esse botão, eu convoco uma reunião de emergência ou apenas peço um café expresso duplo? — Sonya perguntou, debruçada sobre a mesa da recepção do andar executivo.

Lilly Ladapa, a secretária executiva que era apenas três anos mais velha que Sonya, mas parecia ter a paciência de uma monja, sorriu para a garota.

— Esse botão é para o suporte de TI, Sonya. Se você apertar, três homens nervosos com cabos de rede vão aparecer aqui em segundos — Lilly explicou, ajeitando os óculos. — Por que você não tenta focar em organizar esses arquivos de logística primeiro?

Sonya olhou para Lilly. A secretária era bonita, eficiente e tinha uma calma que desafiava a natureza caótica de Sonya.

— Você é muito séria, Lilly. Sabia que o excesso de seriedade causa rugas precoces? — Sonya provocou, girando na cadeira ergonômica. — Eu prefiro o caos. O caos é mais divertido.

— O caos não paga os bônus trimestrais — rebateu Lilly, mas seus olhos brilharam com uma diversão contida. — Mas admito que o escritório ficou 200% mais barulhento desde que você chegou. É... refrescante.

— Refrescante? — Sonya parou de girar e apoiou o queixo nas mãos, olhando fixamente para Lilly. — Eu gosto dessa palavra. Vamos ser ótimas amigas, Lilly. Talvez você possa me ensinar a ser séria, e eu te ensino a incendiar um pouco as regras.

Lilly corou levemente, voltando sua atenção para o monitor.

— Vá trabalhar, Sonya. Antes que sua mãe apareça.

Falando em Engfa, a CEO estava em um estado de espírito peculiar. Charlotte decidira tirar o dia de folga após a viagem exaustiva, mas, em vez de ficar em casa, ela apareceu na empresa para "almoçar" com a esposa. O que deveria ser uma refeição rápida transformou-se em algo muito mais pessoal.

Engfa havia cancelado uma reunião de diretoria de última hora — alegando uma "emergência familiar inadiável" — para se refugiar com Charlotte em um cômodo secreto que ficava atrás de uma estante falsa em seu escritório privativo. Era um refúgio que apenas as duas conheciam, equipado com um sofá de veludo, iluminação suave e um isolamento acústico impecável.

— Engfa, você é impossível — Charlotte disse, rindo enquanto a esposa a guiava para dentro do cômodo escuro. — Você acabou de custar alguns milhões à empresa adiando aquela reunião.

— O dinheiro a gente recupera, Char — Engfa murmurou, fechando a porta secreta e prendendo Charlotte contra a madeira. — Mas o tempo que eu perdi longe de você em Chiang Mai... esse eu quero de volta com juros e correção monetária.

Charlotte passou as mãos pelo pescoço de Engfa, sentindo a tensão nos ombros da esposa.

— Você me faz sentir tão bem em questão de minutos, sabia? — Charlotte confessou, a voz falhando levemente. — Eu estava estressada com o tribunal, com as meninas, com o trânsito... mas basta você me olhar desse jeito que tudo desaparece.

Engfa sorriu, aquele sorriso possessivo e carinhoso que pertencia apenas a Charlotte.

— É porque você é minha, deusa. E eu sou seu cachorrinho fiel, lembra? Mas até os cachorrinhos precisam de atenção exclusiva às vezes.

A tensão sexual no cômodo era quase palpável, uma eletricidade que sempre existira entre elas, mesmo após anos de casamento e três filhas. Engfa inclinou-se, distribuindo beijos lentos pelo maxilar de Charlotte, descendo para o pescoço.

— Engfa... — Charlotte suspirou, fechando os olhos. — Nós deveríamos estar trabalhando.

— Eu estou trabalhando — Engfa sussurrou contra a pele dela. — Estou trabalhando na manutenção da felicidade da minha esposa. É o projeto mais importante da Waraha Corp.

Enquanto o casal se perdia em seu mundo privado, a vida lá fora continuava a tecer novas tramas.

No refeitório do campus, Snack e Pailiu dividiam uma porção de batatas fritas.

— Então sua mãe é a Engfa Waraha? — Pailiu perguntou, genuinamente surpresa. — Eu li sobre ela na revista de economia. Ela parece assustadora.

— Ela é — Snack riu, sentindo-se estranhamente à vontade. — Mas ela é mais assustadora por causa do ciúme. Se ela souber que eu bati em você no corredor, ela provavelmente vai querer te dar uma palestra sobre segurança em locais públicos.

— Eu acho que posso lidar com palestras — Pailiu piscou para ela. — Desde que você continue sendo minha guia oficial. Eu gostei de você, Snack. Você não é nada parecida com o que eu imaginei que uma "herdeira" seria.

Snack sentiu o rosto esquentar, mas não era a "bolinha" de nervosismo que sentia com Patcha. Era algo mais leve, mais vibrante. Era o início de algo que não precisava de abismos ou segredos.

Ao fim do dia, quando a noite começou a cair sobre a cidade, a mansão Austin Waraha reuniu seus membros novamente.

Engfa e Charlotte chegaram juntas, com um brilho nos olhos que as filhas já conheciam bem demais para questionar. Sonya entrou logo depois, falando sem parar sobre como Lilly era a pessoa mais organizada do mundo e como ela planejava "desorganizar" a vida da secretária. Becky chegou com seu habitual ar de mistério, embora houvesse uma marca leve de batom quase imperceptível perto de sua orelha, que apenas o olhar de águia de Engfa detectou.

E Snack... Snack entrou assobiando uma música indie que ninguém conhecia, com um brilho novo no olhar.

— Reunião de família na sala! — Engfa anunciou, sentando-se no sofá e puxando Charlotte para o seu colo, ignorando os protestos fingidos da advogada.

— Mais diretrizes, mamãe? — Sonya perguntou, jogando-se no tapete.

— Não — disse Engfa, olhando para cada uma de suas filhas. — Eu só queria dizer que, apesar de vocês serem o caos em forma humana, eu estou feliz que a Charlotte voltou. A casa estava silenciosa demais.

— Silenciosa? — Becky arqueou uma sobrancelha. — A senhora quase teve um colapso porque a Snack trocou de perfume.

— Detalhes técnicos — Charlotte interveio, rindo. — Mas e vocês? Alguma novidade que eu deva saber antes que sua mãe descubra por meios... menos diplomáticos?

Snack olhou para as irmãs. Becky deu um leve aceno com a cabeça. Sonya apenas sorriu.

— Conheci uma pessoa hoje — disse Snack, a voz firme. — Uma aluna nova. O nome dela é Pailiu. Ela é legal.

Engfa congelou por um segundo, o instinto protetor lutando contra o alívio de ver a filha se afastando do assunto "Patcha".

— Pailiu, hein? — Engfa ajustou os óculos. — Ela tem RG? É de maior? Qual o histórico escolar?

— Engfa! — Charlotte repreendeu, dando um tapinha no ombro da esposa. — Deixe a menina respirar.

— Eu também conheci alguém — Sonya acrescentou, maliciosa. — A Lilly, na empresa. Ela é incrível, mãe. Acho que vou precisar de muito mais tempo de "integração" do que você planejou.

Engfa suspirou, escondendo o rosto no pescoço de Charlotte.

— Eu desisto. Eu tento manter a ordem, mas vocês são imprevisíveis.

— É o nosso charme, mamãe — Becky disse, sentando-se com elegância. — O caos Austin Waraha nunca dorme. Ele apenas se renova.

Charlotte beijou a têmpora de Engfa e olhou para as filhas com orgulho. A mansão podia ser um campo de batalha de egos, sarcasmo e paixões secretas, mas era o império delas. E enquanto houvesse amor — e um cômodo secreto na empresa para fugir de vez em quando —, elas sabiam que poderiam enfrentar qualquer tempestade.

— Amanhã — anunciou Engfa, levantando a cabeça com um sorriso desafiador — eu quero os nomes completos e os perfis de redes sociais de Pailiu e Lilly na minha mesa.

— Mãe! — as três gritaram em coro.

Charlotte apenas riu, sabendo que, no final das contas, Engfa Waraha nunca deixaria de ser a leoa daquela família. E ela não a amaria de outra forma.