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fanfic 1

Regras de Ouro e Olhares de Fogo

O ar no ginásio parecia ter se tornado subitamente mais denso, saturado pelos feromônios carregados de testosterona e uma possessividade que beirava o insuportável. Os quatro irmãos Katsaros, verdadeiros titãs de músculos e mármore, escoltaram seus ômegas até a primeira fila da área VIP, um setor que não era apenas privilegiado, mas estrategicamente posicionado para que os Alphas pudessem vê-los de qualquer ângulo da quadra.

Caius, o primogênito por meros minutos e o líder indiscutível da matilha, foi o primeiro a parar. Ele colocou as mãos pesadas nos ombros de Thiago, forçando o brasileiro a se sentar na poltrona acolchoada. O toque não era bruto, mas carregava o peso de uma âncora.

— Sentadinhos. Todos vocês — comandou Caius, sua voz vibrando em um tom sub-alfa que fez os pelos da nuca dos quatro ômegas se arrepiarem.

Thiago, Mateo, Yuki e Julian sentaram-se em linha, parecendo quatro bonecos de porcelana preciosos e curvilíneos. Suas coxas fartas se espalhavam contra o assento, e as coleiras de couro brilhavam sob as luzes intensas do teto.

— Agora, vamos refrescar a memória de vocês antes que a bola suba — disse Alejandro, parando à frente de Mateo e inclinando-se até que seus narizes quase se tocassem. O cheiro de Mateo, uma mistura de morango e medo doce, estava deixando o Alpha à beira do abismo. — Regra número um?

— Não... não sair do lugar por nada — murmurou Mateo, os lábios brilhantes pelo gloss tremendo levemente.

— Nem para ir ao banheiro, nem para buscar água, nem se o prédio começar a pegar fogo — completou Alejandro, a voz rouca. — Se vocês precisarem de qualquer coisa, chamem os seguranças que colocamos em cada degrau desta escada. Vocês não movem essas bundas gordinhas daqui até que nós venhamos buscar cada um. Entendido?

— Sim, Alfa — responderam os quatro em um uníssono tímido.

Daiki deu um passo à frente, ajustando a coleira azul no pescoço de Yuki com uma possessividade que quase cortou a respiração do pequeno japonês. Ele olhou para os outros três ômegas e depois para seus próprios irmãos. Embora fossem uma unidade, uma força da natureza que agia em conjunto, o instinto Prime era uma faca de dois gumes.

— Regra número dois — Daiki continuou, os olhos fixos em Yuki, mas a mensagem era para todos. — Olhos em nós. Não quero ver ninguém olhando para os jogadores do time adversário. Não quero ver ninguém sorrindo para os betas na arquibancada ao lado. Se eu pegar um de vocês distraído com qualquer coisa que não seja o desempenho de seus Alphas na quadra... o castigo não será apenas individual.

Yuki engoliu em seco, sentindo o calor subir pelas bochechas. Ele sabia o que aquilo significava. Os Katsaros eram extremamente protetores entre si, mas o conceito de "compartilhar" era algo que eles abominavam quando se tratava de seus companheiros. Cada ômega pertencia estritamente ao seu respectivo Alpha. No entanto, se um falhasse, a punição muitas vezes envolvia ver os outros serem "recompensados" enquanto o culpado ficava de fora, ou pior, serem todos submetidos à disciplina rigorosa dos quatro irmãos juntos.

— E a regra mais importante — Étienne interveio, sua voz suave, mas carregada de uma frieza cortante enquanto acariciava o queixo de Julian. — Vocês são nossos. Exclusivamente nossos. Se algum Alfa de fora tentar se aproximar para "conversar" ou se algum desses idiotas da universidade rival ousar lançar um olhar de luxúria para cima de vocês... vocês não respondem. Vocês não olham. Vocês apenas apontam.

— Nós cuidamos do resto — rosnou Caius, os olhos brilhando em um tom de âmbar predatório.

A dinâmica dos quadrigêmeos era fascinante e aterrorizante. Eles protegiam os ômegas uns dos outros com a mesma ferocidade com que protegiam os próprios, mas havia uma linha invisível que nenhum deles cruzava. Alejandro nunca tocaria em Thiago de forma romântica, assim como Étienne respeitava o vínculo de Daiki com Yuki. Eles eram quatro pilares segurando o mesmo teto, mas cada pilar tinha seu próprio tesouro sagrado.

— Agora, deem-me o que eu quero — ordenou Caius, estendendo a mão para Thiago.

Thiago, com as mãos trêmulas, pegou a pequena pulseira de identificação de "Acompanhante Oficial" que estava no seu pulso e a entregou para que Caius a verificasse, um ritual de confirmação de que ele ainda era "propriedade" do capitão.

— Bom menino — elogiou Caius, deixando um beijo rápido e possessivo no topo da cabeça de Thiago, o cheiro de suor e adrenalina do Alpha marcando o ômega instantaneamente.

Os quatro irmãos se afastaram, mas não antes de lançarem um último olhar de advertência que prometia chamas se as regras fossem quebradas. Eles desceram para a quadra como deuses da guerra retornando ao campo de batalha.

Assim que eles se afastaram o suficiente, Mateo soltou um suspiro longo, desabando contra o encosto da poltrona.

— Pelos deuses... eu achei que o Alejandro ia me morder ali mesmo, na frente de todo mundo — disse o espanhol, abanando o rosto com as mãos. — Vocês viram o jeito que ele olhou para o meu gloss? Eu acho que ele quer tirar cada gota com os dentes.

— O Daiki está em um nível de possessividade que eu nunca vi — sussurrou Yuki, ajeitando a barra curta do seu uniforme. — Ele me disse que se eu me levantar, ele vai me carregar no ombro pelo ginásio inteiro para mostrar a todos quem manda.

Julian, o mais contido do grupo, apenas observava Étienne lá embaixo. O Alpha francês estava alongando as pernas longas, mas sua cabeça estava virada para cima, mantendo o contato visual com Julian.

— Eles estão nervosos porque o time adversário tem três Alphas Primes este ano — comentou Julian, sua voz elegante carregada de preocupação. — A tensão entre os Primes é instintiva. Eles sentem que o território deles, que somos nós, está sendo ameaçado pela simples presença de outros Alphas poderosos no mesmo recinto.

Thiago assentiu, sentindo o peso do olhar de Caius sobre si.

— É por isso que as regras hoje estão tão rígidas — disse o brasileiro, passando a mão pelas coxas grossas que o uniforme mal cobria. — Eles não estão apenas jogando basquete. Eles estão marcando território. Cada cesta, cada bloqueio, vai ser um recado de "fiquem longe dos meus ômegas".

Na quadra, o apito soou. O jogo começou com uma explosão de energia. Caius saltou mais alto que qualquer um, ganhando a posse de bola e passando-a instantaneamente para Alejandro, que atravessou a defesa adversária como um trator.

Lá de cima, os quatro ômegas assistiam hipnotizados. Era impossível desviar o olhar. Os irmãos Katsaros eram uma sinfonia de violência e graça. Quando Daiki fez um bloqueio agressivo em um dos jogadores rivais, derrubando o outro Alpha no chão, ele não olhou para o árbitro; ele olhou diretamente para Yuki na arquibancada, batendo no peito com o punho fechado.

— Meu Deus, o Daiki vai acabar sendo expulso se continuar assim — comentou Mateo, arregalando os olhos.

— Ele não se importa com o jogo tanto quanto se importa em provar que é o Alfa mais forte aqui — respondeu Yuki, o coração batendo forte contra as costelas.

A partida estava acirrada. O time rival era bom, e seus Alphas eram provocadores. No intervalo do segundo quarto, um dos jogadores adversários, um Alpha alto de cabelos escuros, cometeu o erro fatal. Ao passar pela lateral da quadra, perto da área VIP, ele olhou para cima e piscou para Thiago, lambendo os lábios de forma sugestiva.

O tempo pareceu parar.

Thiago congelou, lembrando-se imediatamente da terceira regra. Ele não sorriu, não respondeu, mas seu corpo reagiu com um pequeno tremor de susto.

Caius, que estava do outro lado da quadra, parou instantaneamente. O silêncio que emanou dele foi mais alto que os gritos da torcida. Seus irmãos pararam logo em seguida, como se estivessem conectados por um fio invisível.

— Thiago — sussurrou Mateo, sentindo o perigo. — Não se mexa.

Caius caminhou lentamente em direção ao jogador adversário. Não havia pressa, apenas uma intenção assassina. Alejandro, Daiki e Étienne formaram uma parede atrás do irmão.

— Você achou engraçado? — A voz de Caius não precisava de microfone para ser ouvida nas primeiras fileiras.

— Foi só uma brincadeira, Katsaros — respondeu o outro Alpha, embora sua postura estivesse vacilante. — O gordinho é fofo, só isso.

O rugido que saiu da garganta de Caius foi animal. Ele avançou, agarrando o jogador pelo colarinho do uniforme com uma mão só, levantando-o parcialmente do chão.

— "O gordinho" é o meu companheiro — sibilou Caius, as veias do pescoço saltadas. — Se você respirar a direção dele novamente, eu vou garantir que você nunca mais consiga entrar em uma quadra de basquete. Ou em qualquer outro lugar.

Os árbitros correram para intervir, mas recuaram diante do olhar de Alejandro e Daiki. Os irmãos eram uma unidade; mexer com um era atrair a fúria dos quatro.

Na arquibancada, Thiago sentiu uma mistura de pavor e uma excitação proibida. A proteção extrema dos Katsaros era sufocante, sim, mas também fazia com que eles se sentissem as criaturas mais valiosas do universo.

Caius soltou o jogador com um empurrão que o mandou para o banco de reservas. Ele então se virou para a arquibancada VIP. Seu olhar encontrou o de Thiago. O Alpha apontou para o próprio olho e depois para Thiago, reforçando a regra: "Olhe apenas para mim".

Thiago assentiu freneticamente, as mãos agarrando as bordas do assento.

O jogo recomeçou com uma ferocidade renovada. Os Katsaros não estavam mais apenas jogando; eles estavam punindo. Cada ponto marcado era seguido por uma celebração agressiva voltada para os seus ômegas.

— Eles vão nos matar quando chegarmos em casa — sussurrou Julian, embora houvesse um brilho de antecipação em seus olhos. — O nível de adrenalina deles está no teto.

— O castigo coletivo que o Daiki mencionou... acho que não vamos conseguir andar amanhã — comentou Yuki, mordendo o lábio inferior.

— Eu só espero que o Alejandro não decida que eu preciso de uma coleira nova, mais curta — riu Mateo, embora estivesse visivelmente trêmulo. — Ele ficou possesso quando aquele cara olhou para o Thiago. É como se ele sentisse o insulto na própria pele.

Isso era verdade. Para os quadrigêmeos Prime, a honra de um era a honra de todos. E a santidade de seus ômegas era o pilar central dessa honra. Eles podiam brigar entre si por espaço na mesa de jantar ou por quem lideraria a próxima jogada, mas quando se tratava de proteger Thiago, Mateo, Yuki e Julian, eles eram uma mente única, um monstro de quatro cabeças que não conhecia a misericórdia.

Ao final do terceiro quarto, o placar mostrava uma vantagem esmagadora para a Universidade Sigma. Os irmãos Katsaros estavam suados, ofegantes e exalando um poder que fazia os betas nas fileiras próximas se encolherem.

Caius aproximou-se da base da área VIP durante uma pausa para hidratação. Ele não bebeu água. Em vez disso, olhou para Thiago, que estava curvado para frente, observando-o com devoção.

— Você está bem, pequeno? — perguntou Caius, a voz um pouco mais suave, mas ainda carregada de autoridade.

— Estou, Alfa. Só... assistindo você — respondeu Thiago, a voz doce agindo como um bálsamo para o lobo enfurecido de Caius.

— Continue assistindo — ordenou o Alpha. — Falta pouco. E quando terminarmos aqui, você e seus amigos vão descobrir exatamente o que acontece com ômegas que atraem olhares indesejados, mesmo que não seja culpa deles.

Thiago engoliu em seco, sentindo o calor se espalhar por seu ventre.

— Sim, senhor.

Caius deu um sorriso de lado, predatório e sombrio, antes de voltar para a quadra.

Os quatro ômegas se entreolharam. Eles sabiam que as próximas horas seriam intensas. Trancados no apartamento dos Katsaros, sob a vigilância constante de quatro Alphas dominantes que haviam acabado de provar sua supremacia em campo.

— Bem — disse Thiago, ajeitando a coleira verde-esmeralda e tentando controlar a respiração. — Acho melhor aproveitarmos esses últimos minutos de "liberdade" na arquibancada. Porque assim que o apito final tocar, nós deixamos de ser espectadores para nos tornarmos o único prêmio que interessa a eles.

E no centro da quadra, enquanto a bola subia para o último quarto, os quatro irmãos Katsaros sorriram em uníssono. O jogo estava ganho, mas a verdadeira diversão estava apenas começando.