fanfic 1
Sinfonia de Coleiras e Comandos
O último quarto do jogo começou com uma intensidade que beirava o insuportável. O som das solas dos tênis rangendo contra o parquete de madeira misturava-se aos gritos da torcida, mas para os quatro ômegas na área VIP, o mundo havia se reduzido a um pequeno dispositivo vibrando contra a pele sensível de seus pescoços.
O que poucos sabiam era que aquelas coleiras de couro, além de símbolos de posse e status, eram obras-primas da tecnologia. Escondido sob o pingente de hidra, um minúsculo receptor permitia que os irmãos Katsaros se comunicassem diretamente com seus parceiros, mesmo no calor da partida.
Thiago sentiu a primeira vibração. Ele havia se inclinado um pouco demais para o lado, tentando ver uma jogada de mestre de Alejandro, e acabou perdendo Caius de vista por alguns segundos.
— Coluna reta, Thiago — a voz de Caius ressoou no ouvido do brasileiro, baixa, rouca e carregada de uma autoridade fria que o fez pular no assento. — Olhos em mim. Eu não mandei você observar o meu irmão. Olhe para o seu Alfa.
Thiago imediatamente se empertigou, as bochechas queimando. Ele olhou para baixo e viu Caius, que corria em direção à cesta, sem sequer desviar o olhar do jogo, mas o ômega sabia que o Alpha sentia cada movimento seu.
— Desculpe, Alfa... — sussurrou Thiago, sabendo que o microfone direcional captaria sua voz submissa.
Ao lado dele, Yuki também parecia estar em transe. O pequeno japonês tinha o hábito de brincar com os próprios dedos quando estava nervoso, e sua curiosidade natural o fazia olhar para o telão gigante no topo do ginásio sempre que um replay era exibido.
— Yuki — a voz de Daiki veio pelo comunicador, cortante como uma lâmina. — O telão não é o seu dono. Eu sou. Se você olhar para aquela tela mais uma vez, eu vou fazer você assistir ao resto do jogo de joelhos no chão, virado para a parede.
Yuki congelou no ato. Suas mãos gordinhas repousaram sobre as coxas e ele fixou o olhar no número de Daiki lá embaixo.
— Sim, Daiki... perdão — respondeu o ômega, a voz falhando.
A dinâmica era fascinante. Enquanto os quatro gigantes gregos dominavam a quadra com uma violência controlada, eles mantinham uma rédea invisível, mas inquebrável, sobre seus parceiros. Era uma demonstração de multitarefa Prime: massacrar o adversário fisicamente e dominar seus ômegas psicologicamente, tudo ao mesmo tempo.
Mateo foi o próximo a ser "corrigido". O espanhol, sempre muito expressivo, estava começando a atrair olhares dos fotógrafos na lateral da quadra. Ele estava rindo de algo que Julian dissera, e sua risada fazia seu corpo roliço balançar de uma forma que Alejandro considerou "exorbitante demais".
— Mateo — o rosnado de Alejandro veio pelo receptor, fazendo o espanhol parar de rir instantaneamente. — Você está se exibindo. Feche as pernas e pare de balançar. Você não é um entretenimento para esses betas com câmeras. Você é meu. Comporte-se como tal ou eu mesmo subirei aí para cobri-lo com o meu casaco.
Mateo engoliu em seco, fechando as pernas e cruzando as mãos sobre o colo, sentindo o peso do olhar possessivo de Alejandro vindo lá de baixo.
— Eu não queria... eu só estava... — Mateo tentou se explicar, mas a vibração na coleira aumentou, um aviso de que o Alpha não queria desculpas, apenas obediência. — Entendido, Alejandro.
Julian, o mais calmo, mantinha a postura impecável, mas sua mente divagava. Ele começou a observar a torcida do time rival, curioso sobre a reação deles à derrota iminente.
— Julian, mon ange — a voz de Étienne era suave, mas carregada de uma ameaça velada. — Por que você está olhando para os perdedores? Eles não têm nada que você precise. Foque no meu movimento. Veja como eu pego a bola. Imagine o que essas mãos farão com você mais tarde se você for um bom menino e não se distrair com o lixo ao redor.
Julian sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele umedeceu os lábios, o olhar fixo em Étienne.
— Eu estou olhando, Étienne. Só para você.
A partida estava nos cinco minutos finais. A vantagem dos Katsaros era de trinta pontos, um massacre histórico. Mas o clima no banco de reservas do time rival estava azedo. O Alpha que Caius havia confrontado anteriormente, movido por uma mistura de humilhação e inveja, decidiu fazer uma última tentativa de desestabilizar os irmãos.
Ele não olhou para os ômegas dessa vez. Em vez disso, começou a sussurrar provocações sobre como os Katsaros eram "babás de luxo" para quatro gordinhos que não aguentariam um Alpha de verdade.
O erro foi fatal.
Os quatro irmãos pararam simultaneamente. A conexão entre eles era tão profunda que o insulto a um era sentido por todos como um choque elétrico. Eles não precisavam falar. A formação mudou. Eles cercaram o jogador adversário no meio da jogada, não para cometer uma falta, mas para exercer uma pressão psicológica e física que beirava o ilegal.
— O que você disse? — perguntou Caius, a voz baixa, enquanto o jogo continuava ao redor deles como se estivessem em um olho de furacão.
— Eu disse que vocês estão mais preocupados com as coleiras dos seus bichinhos do que com o jogo — o Alpha rival cuspiu, tentando manter a bravura.
Lá em cima, os ômegas sentiram a mudança na vibração das coleiras. O zumbido constante tornou-se um tom grave e contínuo, um sinal de que os Alphas estavam entrando em modo de combate total.
— Meninos... eles estão bravos — murmurou Thiago, sentindo o feromônio de Caius subir até a arquibancada como uma onda de calor.
— É por nossa causa — disse Yuki, apertando o tecido do uniforme. — Aquele cara falou de nós.
— Eles vão matá-lo — Julian observou com uma calma quase clínica.
E, de fato, os últimos minutos foram uma exibição de domínio absoluto. Daiki roubou a bola com uma força que quase deslocou o ombro do adversário. Alejandro bloqueou um arremesso com tanta agressividade que a bola voou para as arquibancadas superiores. Étienne e Caius fizeram uma ponte aérea que parecia desafiar a gravidade, finalizando com uma enterrada que fez a estrutura da cesta tremer.
Mas o mais aterrorizante era o silêncio deles. Eles não comemoravam. Eles apenas olhavam para os ômegas após cada ponto, confirmando que cada ato de violência esportiva era um presente para eles.
— Thiago — a voz de Caius voltou pelo comunicador, agora mais rouca, ofegante pelo esforço físico. — Você está vendo o que eu faço com quem desrespeita o que é meu?
— Estou vendo, Alfa — respondeu Thiago, o coração batendo na garganta. — Você é incrível.
— Eu sou o seu dono — corrigiu Caius. — Diga.
— Você é meu dono, Caius.
— Bom menino. Prepare-se. O jogo vai acabar e eu não quero que vocês percam um segundo da nossa saída. Quando eu sinalizar, vocês quatro se levantam e descem para o túnel. Sem olhar para os lados. Sem falar com ninguém.
O cronômetro zerou. O ginásio explodiu em aplausos, mas os quatro irmãos Katsaros ignoraram a torcida, os repórteres e até os técnicos. Eles se alinharam no centro da quadra, suados, imponentes e letais.
Caius levantou a mão direita, fechando o punho. Era o sinal.
— Agora — disseram os quatro Alphas simultaneamente pelos comunicadores.
Thiago, Mateo, Yuki e Julian levantaram-se como se fossem puxados por fios invisíveis. Eles caminharam em fila indiana em direção à escada que levava ao túnel dos jogadores. Os seguranças da universidade abriram caminho, impedindo que qualquer fã ou curioso se aproximasse.
A descida foi feita em silêncio absoluto. Ao chegarem ao túnel, o ar era mais frio, mas o cheiro dos Alphas estava por toda parte. Eles pararam no corredor privativo, aguardando.
Passos pesados ecoaram pelo concreto. Os quatro gigantes surgiram, ainda envoltos na aura de adrenalina da vitória. Eles não pareciam jogadores de basquete naquele momento; pareciam predadores voltando de uma caçada bem-sucedida.
Caius foi direto para Thiago. Sem dizer uma palavra, ele agarrou o brasileiro pela cintura e o prensou contra a parede de concreto do túnel. A diferença de tamanho era gritante; Thiago parecia desaparecer sob a sombra de Caius.
— Você seguiu todas as regras nos últimos minutos? — perguntou Caius, o rosto a centímetros do de Thiago. O cheiro de suor, hortelã e poder Prime era inebriante.
— Segui... eu juro — ofegou Thiago, as mãos apoiadas nos ombros largos do Alpha. — Eu não desviei o olhar nem uma vez.
Caius levou a mão à coleira de Thiago, sentindo a vibração que ainda emanava do dispositivo.
— Eu senti o seu coração acelerar pelo monitor — disse Caius, um sorriso sombrio brincando em seus lábios. — Você gostou de ver o que eu fiz com aquele Alfa, não gostou? Gostou de ver seu dono sendo brutal por você.
Thiago não conseguiu mentir. Sua natureza ômega respondia àquela dominância com uma sede que ele mal conseguia controlar.
— Sim... eu amei.
Ao redor deles, o cenário era semelhante. Alejandro tinha Mateo em um abraço de urso, as mãos grandes apertando as nádegas fartas do espanhol com uma posse possessiva. Daiki mantinha Yuki por perto, o polegar traçando a linha da mandíbula do japonês com uma intensidade que fazia Yuki tremer. Étienne tinha Julian contra o peito, sussurrando palavras em francês que faziam o ômega corar profundamente.
— Vocês foram bons meninos — disse Alejandro, olhando para os irmãos. — Mas a tensão lá fora foi alta demais. Meu lobo ainda está rosnando.
— O meu também — concordou Daiki. — Acho que o "castigo coletivo" que mencionamos mais cedo precisa de uma atualização.
— Atualização? — perguntou Yuki, a voz pequena.
— Sim — Étienne interveio, seus olhos brilhando com uma promessa perigosa. — Não será apenas um castigo. Será uma lição sobre território. Vocês quatro atraíram atenção demais hoje. As pessoas olharam para vocês, desejaram vocês. E nós não gostamos de compartilhar nem mesmo o reflexo de vocês nos olhos de outros.
Caius soltou Thiago, mas apenas para segurar sua mão com força, os dedos entrelaçados em um aperto que não permitia fuga.
— Vamos para casa — ordenou Caius. — O ônibus da equipe vai nos levar, mas ficaremos na parte de trás, isolados. Eu não quero ouvir um pio de nenhum de vocês até chegarmos ao apartamento.
— E as coleiras? — perguntou Mateo, apontando para o pescoço.
— Elas ficam ligadas — respondeu Alejandro, um brilho malicioso nos olhos. — Eu quero ouvir cada suspiro e cada batida de coração de vocês durante o trajeto. Se eu ouvir qualquer um de vocês conversando entre si em vez de focar no que nós estamos sentindo... o tempo de isolamento no quarto vai dobrar.
Os quatro ômegas engoliram em seco, trocando olhares rápidos de cumplicidade e pavor excitado. Eles sabiam que a noite seria longa. Os irmãos Katsaros eram conhecidos por sua resistência, tanto na quadra quanto fora dela, e a raiva que sentiram durante o jogo precisava de uma vazão.
Enquanto caminhavam em direção ao ônibus, protegidos pelos corpos maciços de seus parceiros, Thiago sentiu a coleira vibrar uma última vez antes de Caius desligar o canal de voz geral e manter apenas o canal privado entre eles.
— Você é minha joia, Thiago — a voz de Caius soou apenas para ele, carregada de uma ternura possessiva que era mais forte que qualquer comando. — E hoje à noite, eu vou lembrar ao seu corpo exatamente a quem ele pertence. Cada curva, cada centímetro dessa pele macia... tudo é meu.
Thiago apertou a mão de Caius, caminhando mais perto do Alpha. Ele sabia que as regras eram duras, que a possessividade era extrema e que o mundo dos Katsaros era pequeno e restrito. Mas ali, sob a proteção daquela hidra de quatro cabeças, ele se sentia seguro.
Eles eram os tesouros dos Primes. E, embora o preço dessa posição fosse a obediência absoluta, para Thiago e seus amigos, não havia lugar no mundo onde preferissem estar.
O ônibus deu a partida, deixando para trás as luzes do ginásio e o barulho da multidão. No silêncio da cabine escura, as coleiras continuavam a brilhar tenuemente, monitorando cada respiração, enquanto os quatro Alphas planejavam como, exatamente, iriam recompensar e disciplinar seus preciosos ômegas pela tarde de glória e pecado.