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fanfic 1

Marcas de Posse e Promessas de Veludo

A manhã na cobertura dos Katsaros não trazia o alívio do sol, mas sim a continuidade de uma atmosfera carregada. O apartamento de luxo, com suas janelas do chão ao teto que mostravam o campus universitário como um tabuleiro de xadrez aos pés dos quatro irmãos, parecia pequeno demais para a tensão que ainda vibrava entre as paredes.

Thiago acordou com o peso do braço de Caius ainda sobre ele. O Alpha Prime não tinha se movido um centímetro durante as últimas horas de sono pesado. O brasileiro sentia cada músculo protestar enquanto tentava se espreguiçar. O aroma de sândalo e o calor corporal de Caius eram quase sufocantes, uma barreira física que o isolava do resto do mundo.

— Já acordado? — A voz de Caius surgiu do travesseiro, um trovão baixo e rouco que fez o corpo de Thiago reagir instantaneamente.

— Eu... eu só ia ver se os meninos estão bem — sussurrou Thiago, tentando não olhar diretamente para as marcas que ele sabia que estavam espalhadas por seu próprio peito.

Caius abriu os olhos, âmbar e predatórios, e puxou Thiago de volta para o centro do colchão com uma facilidade desconcertante. Ele se inclinou sobre o ômega, os cabelos escuros caindo sobre a testa, observando sua "obra" com uma satisfação sombria.

— Eles estão com seus respectivos Alphas, Thiago. Estão exatamente onde deveriam estar — disse Caius, passando o polegar pelo lábio inferior do brasileiro. — E você também.

— Caius, nós temos aula em duas horas — lembrou Thiago, a voz trêmula. — Se não aparecermos, os boatos no campus vão ser...

— Deixe que falem — cortou o Alpha, a possessividade brilhando em seu olhar. — Deixe que saibam que vocês não tiveram energia para sair da cama porque nós não permitimos.

Na cozinha, o cenário era de uma calma tensa. Mateo estava encostado no balcão de mármore, vestindo uma camiseta de Alejandro que batia no meio de suas coxas grossas e macias. Ele segurava uma xícara de café com as duas mãos, o olhar perdido na paisagem. Quando Alejandro entrou no recinto, o espanhol não se moveu, mas seus feromônios de lavanda e medo doce denunciaram sua agitação.

— Você está muito pensativo hoje, Mateo — disse Alejandro, aproximando-se por trás e envolvendo a cintura farta do ômega. Suas mãos grandes encontraram a pele nua sob a camiseta. — Ainda remoendo o que aconteceu no ginásio?

— Eu só... eu não gosto quando você fica daquele jeito, Ale — confessou Mateo, a voz pequena. — Parecia que você queria me quebrar.

Alejandro girou o corpo do espanhol, forçando-o a olhar em seus olhos. A mandíbula do Alpha estava rígida.

— Eu nunca quebraria você, Mateo. Mas eu vou marcar você até que não reste um centímetro de pele que não grite o meu nome. Aquele idiota no jogo... ele olhou para o que é meu como se fosse mercadoria. Eu precisava lembrar a você, e a ele, que você é sagrado.

— Mas dói — murmurou Mateo, encostando a testa no peito largo do Alpha.

— Eu sei — Alejandro beijou o topo da cabeça dele, um gesto de carinho que contrastava com a força de seus braços. — Mas a dor passa. A marca fica. E a marca é o que mantém os outros longe.

Enquanto isso, no corredor, Yuki e Julian se encontraram por um breve momento enquanto os irmãos Katsaros se reuniam para uma conversa privada no escritório. Os dois ômegas se olharam, uma comunicação silenciosa passando entre eles. Yuki tinha um curativo leve no pescoço, onde a coleira de Daiki havia apertado demais durante um comando mais agressivo.

— Você está bem? — perguntou Julian, a voz elegante carregada de uma fadiga que a maquiagem não conseguia esconder totalmente.

— O Daiki... ele me deu um presente hoje de manhã — disse Yuki, mostrando uma pulseira de ouro sólido com um fecho que só podia ser aberto com uma chave que o Alpha carregava no pescoço. — Ele disse que é para eu nunca esquecer o peso da mão dele, mesmo quando ele não estiver por perto.

Julian suspirou, ajeitando o roupão de seda.

— Étienne quer que eu use o perfume dele hoje. O cheiro é tão forte que eu mal consigo sentir o meu próprio aroma de jasmim. Ele quer que qualquer um que passe por mim no corredor da faculdade saiba exatamente a quem eu pertenço antes mesmo de me ver.

— Eles estão em pânico — observou Thiago, juntando-se aos amigos. Ele havia conseguido escapar de Caius por alguns minutos enquanto o Alpha tomava banho. — O jogo de ontem mudou alguma coisa neles. Eles sentiram que o controle deles é frágil.

— Frágil? — Mateo riu sem humor, juntando-se ao grupo. — Eu me sinto como um prisioneiro em um castelo de diamantes. Não tem nada de frágil nisso.

— É a percepção deles, Mateo — explicou Thiago. — Para os Primes, qualquer olhar de fora é uma rachadura na armadura. Eles não competem apenas entre si; eles competem contra o mundo inteiro por nós.

A porta do escritório se abriu e os quatro irmãos Katsaros saíram. Eles estavam impecáveis em seus ternos sob medida, prontos para o dia na universidade. No entanto, a aura que emanavam era de guerra, não de academia.

— Preparem-se — ordenou Daiki, seus olhos fixos em Yuki. — Vamos todos no mesmo carro. Não quero nenhum de vocês andando sozinho pelo campus hoje.

— Mas as nossas aulas são em prédios diferentes — começou Yuki, mas parou ao ver o olhar de Daiki.

— Nós vamos deixar cada um na porta de sua respectiva sala — disse Étienne, a voz suave e perigosa. — E haverá um segurança da família em cada corredor. Se vocês precisarem ir ao banheiro, eles acompanharão. Se precisarem de um livro na biblioteca, eles buscarão.

— Isso é um absurdo! — exclamou Julian, a indignação francesa subindo à superfície. — Nós somos estudantes, não detentos!

Étienne caminhou até Julian, segurando seu rosto com uma delicadeza que beirava a ameaça.

— Você é o meu ômega, Julian. E depois do que aconteceu ontem, eu não confio na discrição dos outros Alphas deste campus. Vocês são preciosos demais, fofos demais... e aparentemente, atraentes demais para o próprio bem.

O trajeto até a universidade foi feito em um silêncio sepulcral dentro da SUV blindada. Os quatro ômegas estavam sentados no banco de trás, espremidos pela presença massiva dos Alphas à frente. Thiago olhava pela janela, vendo os estudantes comuns caminhando livremente, rindo, sem coleiras escondidas sob cachecóis ou pulseiras de ouro que serviam como algemas.

Ao chegarem, a cena foi digna de um filme. Os quatro irmãos desceram primeiro, formando um perímetro. Eles abriram as portas para seus ômegas, e o cheiro combinado dos quatro Primes inundou o estacionamento, fazendo com que todos os betas e ômegas ao redor baixassem a cabeça instintivamente.

Caius segurou a mão de Thiago, entrelaçando seus dedos com força.

— Lembre-se, Thiago — sussurrou o Alpha enquanto caminhavam em direção ao prédio de Artes. — Eu estarei observando. Cada passo, cada interação. Se eu sentir que você está sendo amigável demais com alguém... nós voltaremos para casa imediatamente.

— Sim, Caius — respondeu Thiago, a submissão sendo a única resposta possível para evitar um desastre maior.

O dia passou como um borrão de vigilância. Thiago sentia o peso do olhar do segurança postado na porta de sua sala de aula. Ele mal conseguia se concentrar na pintura que deveria terminar. Suas mãos tremiam levemente. Ele sabia que Mateo, Yuki e Julian estavam passando pela mesma coisa. Eram os "protegidos", a inveja de muitos que viam apenas o luxo e a devoção dos Katsaros, mas o custo emocional era uma conta que só eles sabiam pagar.

No intervalo do almoço, os quatro foram reunidos em uma mesa reservada no refeitório. Os irmãos Katsaros sentaram-se ao redor deles, como uma muralha.

— Como foram as aulas? — perguntou Alejandro, servindo um pouco de suco para Mateo.

— Normais — respondeu Mateo, sem olhar para cima.

— "Normais" não é uma resposta, Mateo — disse Alejandro, o tom de aviso presente. — Alguém falou com você?

— Um colega pediu uma caneta emprestada — murmurou Mateo. — Eu apontei para o estojo e ele pegou. Eu não disse uma palavra.

Alejandro estreitou os olhos.

— Qual colega?

— Ale, por favor... era só uma caneta — pediu Mateo, os olhos começando a brilhar com lágrimas de frustração.

— Eu quero o nome — insistiu o Alpha.

Thiago interveio, tentando desviar o foco.

— Caius, nós estamos seguindo todas as regras. Por que ainda parece que estamos sendo punidos? O jogo acabou. Nós ganhamos. Vocês ganharam.

Caius olhou para Thiago, sua expressão suavizando-se apenas o suficiente para que os outros não percebessem.

— Vocês não estão sendo punidos, Thiago. Vocês estão sendo preservados. O mundo não entende o que vocês significam para nós. Para eles, vocês são apenas ômegas bonitos e curvilíneos. Para nós, vocês são a âncora que nos impede de destruir tudo ao redor.

— É uma âncora muito pesada, Caius — disse Thiago com uma coragem que surpreendeu até a si mesmo.

O silêncio que se seguiu foi quebrado pelo som de passos apressados. Um jovem Beta, provavelmente um calouro que não conhecia as regras sociais da universidade, aproximou-se da mesa com um panfleto.

— Com licença... vocês gostariam de participar do festival de outono? Vai ter uma barraca de doces e...

Ele parou de falar no momento em que os quatro irmãos Katsaros se levantaram simultaneamente. A pressão dos feromônios foi tão forte que o ar pareceu vibrar. O Beta empalideceu, deixando o panfleto cair no chão.

— Saia — rosnou Daiki, um som que não era humano.

O rapaz não esperou uma segunda ordem. Ele correu, tropeçando nos próprios pés.

Os ômegas se encolheram na mesa. A demonstração de agressividade gratuita era um lembrete constante de que eles viviam no limite de uma explosão.

— Ele era só um Beta — sussurrou Yuki, as mãos agarrando a borda da mesa.

— Ele interrompeu o nosso tempo com vocês — disse Daiki, sentando-se novamente como se nada tivesse acontecido. — Ninguém interrompe um Katsaros quando ele está cuidando do que é seu.

Ao final do dia, exaustos pela vigilância constante, eles foram levados de volta para a cobertura. O ritual de banho e troca de roupa se repetiu, mas desta vez, o clima era de uma calmaria melancólica.

Thiago estava sentado na cama, observando Caius tirar o paletó e desabotoar a camisa. O Alpha parecia cansado, mas seus olhos nunca deixavam de monitorar Thiago.

— Venha aqui — chamou Caius.

Thiago caminhou até ele, parando entre suas pernas enquanto o Alpha se sentava na beira da cama. Caius envolveu a cintura de Thiago, encostando a cabeça em seu abdômen macio.

— Eu sinto que você está se afastando, Thiago — murmurou o Alpha, a voz cheia de uma vulnerabilidade rara. — Eu sinto que, quanto mais eu tento te segurar, mais você tenta encontrar uma saída.

Thiago passou as mãos pelos cabelos de Caius, sentindo o conflito interno. Ele amava aquele homem com uma intensidade que o assustava, mas odiava a gaiola em que vivia.

— Eu não estou tentando sair, Caius. Eu só estou tentando respirar.

Caius levantou a cabeça, olhando para o brasileiro com uma promessa sombria.

— Eu vou te dar todo o ar que você precisar, desde que seja o ar que eu expirei. Eu não consigo viver sem saber que você é inteiramente meu.

— Eu sou seu — disse Thiago, as lágrimas finalmente caindo. — Eu sempre fui seu.

Caius levantou-se e o pegou no colo, levando-o para a varanda. A noite estava fresca, e a vista da cidade era magnífica. Ele sentou-se em uma poltrona larga com Thiago em seu colo, cobrindo os dois com uma manta de veludo.

— Olhe para baixo, Thiago — disse Caius, apontando para as luzes da cidade. — Todo esse império, toda essa influência... nada disso importa se eu não tiver você ao meu lado quando as luzes se apagarem.

Thiago encostou a cabeça no ombro de Caius, sentindo a batida forte e constante do coração do Alpha. Ele sabia que as regras continuariam. Sabia que a possessividade dos irmãos Katsaros era uma força da natureza que não podia ser domada. Mas ali, naquele momento de quietude, ele se permitiu apenas sentir o calor.

Lá dentro, na sala de estar, os outros três casais estavam em situações semelhantes. Mateo estava aninhado nos braços de Alejandro enquanto assistiam a um filme que nenhum dos dois realmente via. Yuki estava sentado aos pés de Daiki, recebendo carícias lentas no cabelo. Julian e Étienne compartilhavam uma taça de vinho em silêncio, o francês mais velho observando cada expressão do seu companheiro com uma adoração quase religiosa.

Eles eram a Hidra. Quatro cabeças, um só propósito. E seus ômegas eram o coração que batia no centro de tudo.

— Prometa-me uma coisa — pediu Thiago, olhando para as estrelas.

— Qualquer coisa — respondeu Caius de imediato.

— Amanhã... tente confiar em mim um pouco mais. Tente acreditar que, mesmo sem um segurança na porta, eu voltarei para você no final do dia.

Caius ficou em silêncio por um longo tempo. O aperto em volta da cintura de Thiago não diminuiu.

— Eu confio em você, Thiago — disse o Alpha finalmente. — É no resto do mundo que eu não confio. Mas... eu vou tentar. Por você.

Era uma pequena vitória, uma fresta de luz na armadura de ferro dos Katsaros. Thiago sabia que não seria fácil, que o instinto Prime sempre falaria mais alto, mas era um começo.

Enquanto a lua subia no céu, os quatro ômegas da cobertura finalmente encontraram um pouco de paz. Eles eram amados com uma fúria que queimava, protegidos por homens que moveriam montanhas por eles, e marcados por uma posse que nunca terminaria. Era uma vida de extremos, de marcas de batom e coleiras de couro, de medo e adoração.

Mas enquanto estivessem juntos, enquanto tivessem uns aos outros para compartilhar o peso daquelas coroas de ouro, eles aguentariam. Porque, no final das contas, ser o tesouro de um Katsaros era um destino do qual nenhum deles, no fundo de suas almas, realmente queria fugir.

A noite caiu sobre a cidade, envolvendo a cobertura em um manto de silêncio e promessas de veludo. O jogo havia acabado, a punição havia passado, e o que restava era a verdade nua e crua de quatro corações que pertenciam, irrevogavelmente, aos seus monstros favoritos.