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O Veneno Doce do Lótus
O ar dentro da cobertura de luxo de Jeon Jungkook estava saturado. Não era apenas o sistema de filtragem de última geração ou o aroma caro de couro e uísque que costumava dominar o ambiente; havia algo novo, denso e primitivo que parecia vibrar nas paredes de vidro. Era o cheiro de Park Jimin. Mas não era o perfume cítrico e leve que ele usava para as câmeras. Era o cheiro de um ômega lúpus cujo corpo acabara de entrar em colapso biológico.
O cio de um lúpus não era um evento sutil. Era uma tempestade.
Jimin estava encolhido no centro da cama monumental, os lençóis de seda preta emaranhados em suas pernas. Sua pele, normalmente pálida e impecável, estava tingida de um rosa febril, e gotas de suor brilhavam em sua testa como joias sob a luz fraca dos abajures. Cada respiração sua era um soco no autocontrole de Jungkook, que permanecia parado à porta do quarto, as mãos cerradas ao lado do corpo.
— Jungkook... — O nome saiu como um lamento, uma súplica rouca que atravessou a distância entre eles. — Por favor. Está doendo.
Jungkook sentiu seus próprios instintos de alfa lúpus rugirem. Suas pupilas estavam tão dilatadas que o castanho de seus olhos quase desaparecera, restando apenas um abismo negro de desejo e proteção. Ele sabia que, se desse um passo à frente, não haveria mais volta para o mundo da diplomacia fria ou dos segredos profissionais. Ele estaria marcando não apenas o influenciador mais famoso da Coreia, mas a alma de Park Jimin.
— Você tem certeza, Jimin? — perguntou Jungkook, sua voz soando como um rosnado baixo e vibrante. — Se eu entrar nesse quarto, eu não vou parar. Eu não sei ser delicado quando o meu lobo assume o controle.
Jimin levantou a cabeça, os olhos nublados pela febre do cio, mas fixos nos de Jungkook com uma determinação feroz.
— Eu não quero delicadeza — disse Jimin, arrastando-se até a borda da cama, o roupão de seda deslizando por um de seus ombros. — Eu quero você. Eu quero que você apague todo o resto. O barulho, as câmeras, o medo... apenas me faça seu.
Foi o convite final. Jungkook atravessou o quarto em passadas largas e predatórias. Antes que Jimin pudesse processar a velocidade do alfa, Jungkook já estava sobre ele, prensando-o contra o colchão. O contraste era absoluto: a força bruta e sombria de Jungkook contra a beleza etérea e febril de Jimin.
— Você cheira a pecado, Park Jimin — murmurou Jungkook contra o pescoço do ômega, inspirando profundamente o aroma de pêssego maduro e almíscar que emanava da glândula de cheiro de Jimin.
— E você... você cheira a poder — Jimin arqueou o corpo, buscando o contato, suas mãos subindo desesperadamente para agarrar os ombros largos de Jungkook. — Me morda. Me marque. Eu quero sentir que eu pertenço a algo real.
Jungkook não o marcou imediatamente — a marca era sagrada, o ato final —, mas ele reivindicou cada centímetro da pele de Jimin com lábios e dentes. Seus beijos eram vorazes, descendo pelo pescoço até a clavícula, deixando marcas avermelhadas que seriam impossíveis de esconder com qualquer corretivo de alta cobertura. Jimin soltava gemidos curtos e agudos, o som alimentando a fome de Jungkook.
Com movimentos ágeis, Jungkook livrou-se de sua própria camisa, revelando o corpo tatuado e musculoso que Jimin tanto cobiçara nas sombras. Quando suas peles se tocaram, um choque elétrico pareceu percorrer ambos. O calor de Jimin era abrasador, uma fornalha que buscava o frio calculado do alfa.
— Você é tão pequeno — sussurrou Jungkook, segurando os pulsos de Jimin acima da cabeça dele com apenas uma mão. — Tão frágil e, ao mesmo tempo, a coisa mais perigosa que já cruzou o meu caminho.
— Então me destrua — desafiou Jimin, as pernas envolvendo a cintura de Jungkook, puxando-o para o calor entre suas coxas. — Me mostre o que o homem mais temido de Seul faz quando finalmente consegue o que quer.
Jungkook soltou um riso sombrio e desceu a mão para desamarrar o cordão do roupão de Jimin, expondo-o completamente. O ômega era uma obra de arte: curvas suaves, pele acetinada e uma vulnerabilidade que era pura provocação. O alfa não perdeu tempo. Ele se posicionou entre as pernas de Jimin, sentindo a umidade e o calor que sinalizavam que o corpo do ômega estava pronto, clamando por ele.
A entrada foi lenta, um teste de resistência para ambos. Jungkook rosnava baixo, os músculos das costas retesados enquanto ele se enterrava no calor apertado de Jimin. O ômega jogou a cabeça para trás, os olhos revirando enquanto um grito de puro prazer e alívio escapava de seus lábios.
— Jungkook... ah, meu Deus... — Jimin enterrou as unhas nas costas do alfa, puxando-o para mais fundo. — Mais. Não para.
— Eu não vou parar — prometeu Jungkook, começando a se mover.
O ritmo era frenético, uma dança de poder e entrega. Cada estocada de Jungkook era profunda e possessiva, como se ele estivesse tentando gravar sua existência nas profundezas de Jimin. O quarto estava preenchido pelo som de corpos colidindo, respirações pesadas e os gemidos síncronos que ecoavam pelo vidro, perdendo-se na noite de Seul.
Jimin estava em transe. O mundo digital, os quarenta milhões de seguidores, as campanhas de luxo e a pressão constante de ser perfeito... tudo havia desaparecido. Naquele momento, ele não era um ídolo. Ele era um ômega sendo preenchido por seu alfa, encontrando no caos de Jungkook a paz que a luz dos holofotes nunca lhe dera.
— Olha para mim, Jimin — ordenou Jungkook, sua voz carregada de autoridade.
Jimin abriu os olhos, lutando contra as ondas de prazer que ameaçavam levá-lo à inconsciência. Ele encontrou o olhar de Jungkook, e o que viu ali o deixou sem fôlego. Não era apenas luxúria. Era uma adoração selvagem.
— Você é meu — disse Jungkook, o ritmo acelerando, levando-os ao limite. — No escuro ou na luz, você é a única coisa que eu não vou deixar o mundo tocar.
— Eu sou seu — confirmou Jimin, sua voz falhando enquanto o ápice começava a nublar seus sentidos. — Sempre fui seu.
O clímax os atingiu como uma explosão. Jimin gritou o nome de Jungkook, seu corpo tendo espasmos enquanto ele se perdia no prazer avassalador. Jungkook rugiu, prendendo Jimin contra si com uma força que poderia quebrá-lo, mas que Jimin recebeu como o abraço mais seguro do mundo. Ele sentiu o nó de Jungkook se formar, prendendo-os um ao outro, um vínculo biológico que transcendia qualquer contrato ou segredo.
No auge da exaustão, enquanto o suor esfriava em seus corpos e a respiração voltava ao normal, Jungkook inclinou-se sobre o pescoço de Jimin. Ele hesitou por apenas um segundo, sentindo o pulsar da artéria carótida do ômega.
— Faça — sussurrou Jimin, os olhos fechados, um sorriso sereno nos lábios.
Jungkook cravou os dentes na glândula de cheiro de Jimin.
A dor foi aguda, seguida por uma onda de calor e uma conexão mental tão profunda que Jimin sentiu como se pudesse ouvir os pensamentos de Jungkook. O cheiro de ambos se fundiu, criando uma nova fragrância: o lótus negro florescendo nas sombras.
Horas depois, a luz da madrugada começou a pintar o quarto de cinza. Eles ainda estavam entrelaçados, a pele de Jimin marcada, o corpo de Jungkook relaxado pela primeira vez em anos.
Jimin tateou o criado-mudo e encontrou seu celular. Ele estava desligado, uma tela preta e sem vida. Ele olhou para o aparelho e depois para o homem adormecido ao seu lado, cujas tatuagens pareciam contar histórias de guerras que Jimin agora estava disposto a lutar.
— Sora vai me matar — murmurou Jimin para o silêncio do quarto.
Jungkook abriu um olho, puxando Jimin para mais perto e beijando o topo de sua cabeça.
— Deixe que ela tente. Ela terá que passar por mim primeiro.
Jimin sorriu e, pela primeira vez em sua carreira, ele não sentiu a necessidade de ligar o celular para ver o que o mundo pensava dele. O único julgamento que importava estava ali, nos braços do homem que o vira sem filtros e decidira que a realidade era muito mais bonita do que a imagem.
— O que vamos postar amanhã? — perguntou Jimin, brincalhão.
— Nada — respondeu Jungkook, fechando os olhos novamente. — O mundo não merece saber como é o seu rosto quando você acorda nos meus braços. Isso é conteúdo exclusivo.
Jimin riu baixo, sentindo o peso do broche de lótus negra na mesa de cabeceira. O influenciador e o mafioso. A luz e a sombra. O algoritmo do caos finalmente encontrara seu equilíbrio perfeito, e Park Jimin sabia que, embora o seu cio tivesse acabado, a febre por Jeon Jungkook era algo que duraria a vida inteira.
Ele fechou os olhos, entregando-se ao sono, protegido pelo homem que era seu maior segredo e sua maior verdade. Seul poderia continuar gritando seu nome, mas ali, no silêncio da cobertura de Jungkook, o único som que importava era o batimento cardíaco constante de dois lúpus que haviam decidido desafiar o destino.