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O Preço do Invisível

O estúdio de gravação estava mergulhado em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo clique rítmico da câmera e pelo zumbido do ar-condicionado central. Park Jimin, envolto em uma túnica de seda azul-marinho que parecia líquida sob os refletores, mantinha o olhar perdido em um ponto indefinido além das lentes. Ele era um mestre na arte de estar presente sem realmente estar lá.

— Perfeito, Jimin! Esse olhar melancólico é exatamente o que a marca quer para a coleção de outono — exclamou o fotógrafo, empolgado.

Jimin não respondeu. Ele apenas mudou levemente o ângulo do queixo. Por dentro, sua mente era um labirinto de sombras e sândalo. Fazia três dias que ele não via Jeon Jungkook. Três dias desde que o broche de lótus negra fora deixado em sua palma como um talismã de perigo.

— Dez minutos de pausa! — anunciou Sora, surgindo de trás de uma arara de roupas com a expressão de quem não dormia há uma semana.

Jimin caminhou até o camarim, sentindo o peso invisível de olhares que ele sabia que não eram de fãs. Desde que Jungkook mencionara a vigilância, Jimin começara a notar pequenos detalhes: um utilitário preto estacionado perto do estúdio, um homem de terno cinza que parecia estar em todos os cafés que ele frequentava. O invisível tornara-se tangível.

— Você está estranho — disse Sora, fechando a porta do camarim e cruzando os braços. — Mais do que o normal. E não tente me convencer de que é "método de atuação" para a campanha.

— Eu só estou cansado, Sora. O engajamento drena a alma, você sabe disso — Jimin respondeu, sentando-se diante do espelho e começando a remover o excesso de pó facial.

— Não é o engajamento. É o Jeon. — Ela baixou a voz, aproximando-se. — Jimin, eu recebi uma ligação hoje cedo. Uma agência de notícias de entretenimento disse que recebeu fotos anônimas. Fotos de você entrando em um carro não identificado na madrugada de ontem.

Jimin parou o movimento da mão. O coração deu um solavanco, mas ele manteve a expressão neutra que aprendera com o mestre das sombras.

— E o que você fez?

— O que eu sempre faço: ameacei processar até a quinta geração deles — Sora suspirou, sentando-se ao lado dele. — Mas, Jimin... as fotos não foram publicadas porque alguém pagou para que elas sumissem. E não fomos nós.

Jimin olhou para o próprio reflexo. Jungkook. Ele estava limpando o rastro, mas quanto tempo levaria até que o rastro fosse grande demais para ser escondido?

— Eu sei o que estou fazendo — mentiu Jimin, sentindo o broche escondido no bolso do seu roupão.

— Espero que saiba. Porque o mundo que ele habita não perdoa erros. E você é o erro mais brilhante que ele já cometeu.

À noite, Jimin decidiu quebrar as regras. Ele estava farto de ser vigiado sem poder ver quem o vigiava. Ele postou um story enigmático: uma foto de uma taça de vinho solitária com a legenda "Alguns segredos merecem ser celebrados". Dois minutos depois, ele saiu do hotel por uma saída de serviço que poucos conheciam, vestindo roupas escuras e uma máscara que cobria metade do rosto.

Ele caminhou por ruelas estreitas de Itaewon, sentindo a adrenalina correr. Ele não queria Jungkook naquela noite; ele queria a sensação de controle. Mas o controle era uma ilusão no mundo da Noctis.

Ao virar uma esquina mal iluminada, ele sentiu uma mão forte agarrar seu braço e puxá-lo para dentro de um vão entre dois prédios. Jimin abriu a boca para gritar, mas uma palma quente cobriu seus lábios. O cheiro de sândalo o atingiu antes mesmo que seus olhos se ajustassem à escuridão.

— Você é um idiota ou apenas tem um desejo suicida? — A voz de Jungkook era um trovão contido, carregada de uma fúria que Jimin ainda não tinha visto.

Jungkook o soltou, mas o manteve prensado contra a parede de tijolos. Seus olhos escuros faiscavam sob a luz fraca de um poste distante.

— Eu só queria caminhar — sussurrou Jimin, tentando recuperar o fôlego. — Eu me sinto um prisioneiro, Jungkook. Entre a Sora, os meus fãs e os seus homens... eu não consigo respirar.

— Você postou sua localização — Jungkook rosnou, aproximando-se tanto que suas testas se tocaram. — Você basicamente desenhou um alvo na sua testa para qualquer um que queira me atingir. Você tem ideia de quantos grupos estão monitorando suas redes agora, esperando você dar um passo em falso?

— Então é por isso que você está aqui? Por estratégia? — Jimin o empurrou levemente, a irritação crescendo. — Eu pensei que você se importasse comigo, não apenas com a logística de me manter vivo.

Jungkook soltou um riso amargo e socou a parede ao lado da cabeça de Jimin, o som ecoando no beco silencioso.

— Eu me importo tanto que não consegui dormir desde que te deixei naquele hotel. Eu me importo tanto que mandei meus melhores homens para te seguir, e mesmo assim, aqui estou eu, pessoalmente, porque não confio em ninguém para garantir que você volte para casa inteiro.

Jimin suavizou a expressão. Ele estendeu a mão e tocou o pulso de Jungkook, sentindo a pulsação acelerada do alfa.

— Eu sinto muito — murmurou Jimin. — Eu não estou acostumado com pessoas querendo me proteger de algo real. No meu mundo, as ameaças são comentários maldosos e contratos cancelados. Eu esqueci que no seu... as pessoas sangram.

Jungkook fechou os olhos por um segundo, encostando a cabeça no ombro de Jimin. A tensão pareceu esvair-se dele, substituída por um cansaço profundo.

— Você é o meu ponto fraco, Jimin. E em Seul, ter um ponto fraco é o mesmo que assinar uma sentença de morte.

— Então me ensine — disse Jimin, segurando o rosto de Jungkook com ambas as mãos. — Me ensine a viver no seu mundo. Não me esconda. Eu não sou uma flor de estufa, Jungkook. Eu sobrevivi à indústria mais cruel do planeta. Eu sei como lutar.

Jungkook olhou para ele, e pela primeira vez, Jimin viu algo além de poder e mistério. Viu medo. O medo de perder a única luz que iluminava seu abismo.

— Venha comigo — disse Jungkook, pegando a mão de Jimin. — Mas se você entrar no carro agora, não haverá volta. Você não será apenas o Park Jimin da internet. Você será o ômega de Jeon Jungkook. E isso significa que o mundo inteiro será seu inimigo.

— O mundo inteiro já me observa, Jungkook — Jimin sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo doce e letal. — Eles só precisam de um motivo melhor para olhar.

Eles foram para um local que Jimin não conhecia: um cassino clandestino localizado no subsolo de um teatro abandonado. O ar era pesado com o cheiro de tabaco caro, perfume francês e o aroma metálico do poder. Homens de terno e mulheres em vestidos deslumbrantes moviam-se com uma elegância predatória.

Quando Jungkook entrou, o ambiente pareceu se inclinar em sua direção. As conversas cessaram por um milésimo de segundo antes de retomarem em um tom mais baixo. E ao seu lado, de cabeça erguida e um brilho desafiador nos olhos, estava Park Jimin.

— Fique perto de mim — instruiu Jungkook, sua mão pousando firmemente na base das costas de Jimin.

Eles caminharam até uma mesa privativa nos fundos, onde Namjoon e um homem que Jimin não reconheceu estavam sentados, analisando papéis.

— Jungkook, você demorou — disse Namjoon, sem levantar os olhos. — Tivemos um problema com... — Ele parou de falar ao notar Jimin. — Ah. Vejo que você decidiu trazer o entretenimento para a zona de guerra.

— Jimin não é entretenimento, Namjoon — Jungkook disse, sua voz fria como gelo. — Ele é parte do conselho agora.

Namjoon trocou um olhar rápido com o outro homem, uma mistura de surpresa e preocupação, mas apenas assentiu.

— Como desejar. Jimin-ssi, seja bem-vindo ao lado obscuro da lua. Espero que sua maquiagem seja à prova de balas.

Jimin sentou-se ao lado de Jungkook, cruzando as pernas com a elegância de quem estava em um desfile de moda.

— Eu prefiro pensar nisso como uma nova paleta de cores, Namjoon-ssi — rebateu Jimin, sorrindo. — O preto combina com tudo, não acha?

A reunião durou horas. Jimin ouviu termos que o faziam estremecer: rotas de contrabando, lavagem de dinheiro, eliminação de rivais. Jungkook não tentou protegê-lo das palavras; ele queria que Jimin visse a feiura de sua vida. Ele queria que Jimin soubesse exatamente em que estava se metendo.

No meio da discussão, o homem desconhecido — um alfa de olhar astuto chamado Sr. Choi — inclinou-se para frente, ignorando Jungkook e dirigindo-se diretamente a Jimin.

— Diga-me, garoto do Instagram... o que você acha que acontece quando o seu rostinho bonito é associado a um carregamento de armas apreendido em Incheon? Você acha que seus seguidores vão continuar curtindo suas fotos?

Jimin não desviou o olhar. Ele inclinou a cabeça, sustentando o olhar do Sr. Choi com uma calma gélida.

— Eu acho, Sr. Choi, que o público adora uma boa história de redenção ou de queda — disse Jimin, a voz suave mas firme. — E se eu disser a eles que estou aqui para humanizar o submundo, eles vão acreditar. Porque as pessoas acreditam no que eu digo, não no que elas veem. Eu controlo a narrativa. E o senhor? O que o senhor controla além de uma rede de contatos que o Jungkook poderia apagar com um estalar de dedos?

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Namjoon soltou um assobio baixo, impressionado. Jungkook, ao lado de Jimin, sentiu um orgulho feroz inflar seu peito. Ele estendeu a mão e apertou a coxa de Jimin por baixo da mesa.

— Acho que o Jimin deixou a posição dele bem clara — disse Jungkook, voltando-se para Choi. — Agora, de volta aos negócios.

Quando finalmente saíram do cassino, o céu já começava a ganhar tons de cinza e rosa. O ar da manhã estava carregado de uma umidade fria.

— Você foi incrível lá dentro — disse Jungkook, enquanto caminhavam em direção ao carro. — Eu não esperava que você fosse peitar o Choi daquela maneira.

— Ele me subestimou — Jimin deu de ombros, embora suas mãos estivessem tremendo levemente pela descarga de adrenalina. — As pessoas sempre fazem isso. Elas acham que, porque eu sou bonito e uso filtros, eu não tenho dentes.

Jungkook o parou antes que ele entrasse no carro, prendendo-o entre seus braços e o veículo.

— Você tem dentes, Jimin. E eu acho que acabei de me apaixonar por cada um deles.

Jimin riu, puxando Jungkook para um beijo que tinha gosto de cansaço e vitória. Foi um beijo que selou o destino de ambos.

— O que vamos fazer agora? — perguntou Jimin, encostando a testa na de Jungkook. — A Sora vai ter um infarto quando eu contar que passei a noite discutindo logística criminosa.

— Nós vamos jogar o jogo — disse Jungkook. — Você continua sendo o Park Jimin da internet. Eu continuo sendo o fantasma de Seul. Mas, nas sombras, nós construímos algo novo. Um império que ninguém pode tocar.

— Um império de flores de lótus negra? — provocou Jimin.

— Algo assim.

Ao voltarem para o hotel, Jimin encontrou Sora dormindo no sofá da sala, com o tablet ainda ligado no colo. Ele caminhou silenciosamente até seu quarto e pegou o celular. Ele tinha centenas de mensagens, milhares de notificações. O mundo digital estava gritando por ele.

Jimin abriu a câmera e tirou uma foto de si mesmo. Ele estava descabelado, com olheiras leves e um brilho nos olhos que não pertencia a um influenciador de vinte anos. Ele parecia perigoso. Ele parecia real.

Ele postou a foto sem legenda. Sem hashtags. Sem filtros.

Em segundos, os comentários começaram a inundar a tela. "Onde você estava?" "Você parece diferente." "O que aconteceu com você, Jimin?"

Jimin desligou a tela e jogou o celular na cama. Ele caminhou até a janela e olhou para a cidade. Lá fora, o sol estava nascendo, iluminando os prédios de vidro e aço. E em algum lugar daquela metrópole, Jeon Jungkook estava fazendo o mesmo.

Eles eram o segredo mais bem guardado de Seul. E Jimin sabia que, embora o preço do invisível fosse alto, a vista do topo do abismo era muito melhor do que qualquer luz de estúdio.

— Que comece o show — sussurrou Jimin para o horizonte, sentindo o broche de lótus negra aquecer contra seu peito.

Naquela manhã, o algoritmo do caos não apenas previu o futuro; ele o criou. E Park Jimin, o homem que vivia para ser visto, finalmente aprendera que as coisas mais importantes são aquelas que ninguém consegue capturar em uma tela. O jogo mudara, e desta vez, ele era quem estava dando as cartas.