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O Despertar da Herdeira e a Doce Tirania do Sangue

O sol de meio-dia sobre a Federação Jura Tempest não era apenas uma fonte de luz, mas um palco para a vitalidade que agora pulsava em cada canto da nação. Cinco anos haviam se passado desde que o destino quase silenciou o coração de seu soberano, mas hoje, observar Rimuru Tempest era como olhar para a própria personificação de uma primavera eterna.

Rimuru corria pelas ruas pavimentadas da capital, seus cabelos azul-prateados balançando ao vento, o riso cristalino ecoando entre as barracas do mercado. Ele estava totalmente recuperado; a palidez mortal e a fragilidade de porcelana haviam dado lugar a uma energia vibrante e renovada.

— Você não me pega, Sakura! — gritou Rimuru, olhando por cima do ombro com um sorriso travesso.

Logo atrás dele, uma pequena mancha carmesim cortava o ar com uma velocidade que faria muitos cavaleiros sagrados entrarem em pânico. Sakura, agora com cinco anos, era a imagem perfeita de seus pais. Ela possuía os traços delicados e a pele alva de Rimuru, mas seus cabelos eram de um vermelho intenso e seus olhos dourados brilhavam com a arrogância nata de Guy Crimson.

— Eu vou te pegar, mamãe! — Sakura exclamou, soltando uma pequena explosão de magículas nos pés para ganhar impulso.

Os cidadãos de Tempest abriam caminho com sorrisos e reverências rápidas. Ver "a Pequena Tempestade" perseguindo o "Grande Rimuru" era o entretenimento favorito da cidade. Sakura não era apenas uma criança; ela era uma força da natureza que já demonstrava um controle mágico assustador para sua idade.

A perseguição terminou nos jardins privativos do palácio, onde Guy Crimson estava sentado em um trono de pedra sob a sombra de uma árvore anciã, observando a cena com uma expressão de tédio fingido que não escondia o brilho de orgulho em seu olhar.

Rimuru, fingindo cansaço, tropeçou propositalmente na grama macia, sendo imediatamente "capturado" por Sakura, que pulou em suas costas com um grito de vitória.

— Peguei! Peguei! — Sakura riu, abraçando o pescoço de Rimuru com força.

— Oh, não! Fui derrotado pela guerreira mais forte do mundo! — Rimuru dramatizou, deitando-se na grama enquanto Sakura rolava ao seu lado, rindo sem parar.

Guy levantou-se e caminhou até eles, sua aura de Lorde Demônio suavizada pela domesticidade que ele aprendera a apreciar.

— Você está ficando lenta, Sakura — provocou Guy, cutucando a bochecha da filha com o pé. — Se fosse eu, já teria pegado o Rimuru na metade do caminho.

Sakura parou de rir instantaneamente e lançou um olhar mortal para o pai, cruzando os bracinhos sobre o peito.

— O papai é um chato! A mamãe é rápida, você que é um exibido!

Guy soltou uma risada curta e sentou-se na grama com eles. Apesar de Sakura estar crescendo e já ser capaz de comer banquetes inteiros de carne de monstros de alto nível, havia tradições que o tempo não conseguia apagar.

— Estou com fome — anunciou Sakura, mudando de humor com a rapidez de um relâmpago.

Rimuru sorriu, sentando-se e ajeitando a túnica. Ele sabia exatamente o que aquilo significava. Sakura poderia ter cinco anos e o poder de um lorde demônio iniciante, mas sua conexão com Rimuru ainda exigia aquele momento de intimidade absoluta.

— Venha aqui, pequena — disse Rimuru, abrindo os braços.

Sakura acomodou-se no colo de Rimuru com uma agilidade praticada. Mesmo sendo maior agora, ela se encolhia de forma a caber perfeitamente no abraço da mãe. Rimuru abriu a parte superior de suas vestes, e Sakura começou a mamar com a mesma possessividade de quando era uma recém-nascida.

Guy, como sempre, não ficou apenas observando. Ele se aproximou, sentando-se tão perto que seus ombros se tocavam, e estendeu a mão. Sakura, de forma instintiva, agarrou o dedo indicador de Guy com sua mão pequena, prendendo-o firmemente enquanto se alimentava.

— Ela ainda faz isso — comentou Guy, sua voz suave. — Esse aperto de ferro. Parece que tem medo que eu fuja.

— Ou ela quer garantir que você não vai roubar o lugar dela — brincou Rimuru, inclinando a cabeça para descansar no ombro de Guy.

Era o momento de paz deles. O sol aquecia a pele, o som da respiração rítmica de Sakura preenchia o silêncio, e o vínculo entre os três vibrava através das magículas compartilhadas. No entanto, Guy não conseguia ficar quieto por muito tempo. O ciúme de Sakura era seu brinquedo favorito.

Guy inclinou-se para frente, roçando os lábios no pescoço de Rimuru, logo acima de onde Sakura estava encostada.

— Sabe, Rimuru... eu também sinto falta desse sabor — sussurrou Guy, alto o suficiente para que a menina ouvisse.

Sakura parou de mamar imediatamente. Ela soltou o seio de Rimuru e, sem soltar o dedo de Guy, usou a outra mão para empurrar o rosto do pai para longe com uma força impressionante.

— Não! — Sakura protestou, os olhos dourados faiscando. — É meu! Papai tem o dele, mamãe é minha!

— Sua? — Guy arqueou uma sobrancelha, um sorriso provocador surgindo. — Eu cheguei aqui centenas de anos antes de você, pequena. Eu que permiti que você ficasse com um pouco.

— Mentira! — Sakura gritou, soltando o dedo de Guy para tentar dar um tapa em sua mão. — A mamãe me ama mais!

Rimuru suspirou, embora estivesse se divertindo.

— Guy, não comece... você sabe como ela fica.

— Eu só estou estabelecendo a hierarquia, Rimuru — disse Guy, e antes que Sakura pudesse reagir, ele envolveu a cintura de Rimuru e o puxou para um beijo profundo e possessivo, bem na frente da filha.

Sakura soltou um grito de indignação pura. Ela começou a puxar a túnica de Guy, tentando separar os dois com toda a sua força.

— Solta! Solta a mamãe! — Ela começou a liberar pequenas faíscas carmesim de suas mãos, um sinal de que sua paciência estava no limite.

Guy separou o beijo apenas o suficiente para olhar para a filha, um brilho de triunfo nos olhos.

— O que foi? Vai chorar para o Tio Veldora?

— Eu vou contar para o Tio Diablo que você está sendo malvado! — Sakura ameaçou, o que fez Guy rir ainda mais.

— O Diablo não pode me impedir, pequena. Ninguém pode.

Rimuru finalmente interveio, pegando Sakura e a abraçando com força, beijando o topo de sua cabeça para acalmá-la.

— Pronto, pronto... o papai é um bobo, Sakura. Eu sou de vocês dois, mas hoje eu sou toda sua, está bem?

Sakura se aninhou no peito de Rimuru, lançando um olhar de "eu venci" para Guy, que apenas deu de ombros, satisfeito por ter causado o caos necessário.

— Você mima demais essa menina, Rimuru — disse Guy, embora ele mesmo estivesse estendendo a mão para acariciar o cabelo da filha. — Ela vai crescer achando que o mundo inteiro pertence a ela.

— E não pertence? — Rimuru perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Com você como pai e eu como mãe, quem vai dizer o contrário a ela?

Guy soltou uma risada alta e genuína.

— É um bom ponto.

Eles ficaram ali por mais algum tempo, até que Sakura, exausta pela brincadeira e pela alimentação, acabou dormindo no colo de Rimuru. O silêncio voltou ao jardim, mas era um silêncio carregado de uma satisfação profunda.

— Você está realmente bem, não está? — perguntou Guy, sua voz subitamente séria. Ele tocou o pulso de Rimuru, sentindo o fluxo de magículas estável e poderoso.

— Estou, Guy. Melhor do que nunca — Rimuru respondeu, olhando para a filha adormecida. — Às vezes eu olho para ela e ainda não acredito que sobrevivemos àquele período.

— Nós sobrevivemos porque você é teimoso demais para morrer — disse Guy, puxando Rimuru para mais perto. — E porque eu não teria permitido que você fosse a lugar nenhum sem mim.

Rimuru sorriu, encostando a cabeça no peito de Guy.

— Eu sei.

— Mas agora que a pequena tirana dormiu... — Guy começou, sua mão deslizando de forma nada inocente pela coxa de Rimuru. — Acho que podemos continuar aquela conversa sobre "hierarquia" em um lugar mais reservado.

Rimuru sentiu o rosto esquentar, mas não recuou.

— Shuna está vindo para buscar a Sakura para a aula de etiqueta com a Shion em dez minutos.

— Dez minutos é tempo suficiente para eu te lembrar de quem você é — Guy sussurrou no ouvido de Rimuru, sua voz carregada de um desejo que cinco anos de domesticidade não conseguiram diminuir.

— Você é impossível, Guy Crimson.

— E você me ama por isso.

Antes que Rimuru pudesse responder, a presença de Shuna foi sentida na entrada do jardim. Guy soltou um suspiro de frustração, mas não se afastou. Shuna aproximou-se com sua calma habitual, pegando a pequena Sakura dos braços de Rimuru com uma leveza magistral.

— Ela parece ter tido uma manhã agitada — comentou Shuna, sorrindo para o casal. — Shion está ansiosa para mostrar a ela os novos movimentos de defesa... embora eu tema pela integridade dos bonecos de treino.

— Tente garantir que ela não incendeie o pátio desta vez, Shuna — pediu Rimuru, ajeitando suas roupas.

— Farei o meu melhor, Rimuru-sama.

Assim que Shuna se retirou com a herdeira de Tempest, Guy não perdeu tempo. Ele levantou Rimuru em seus braços, estilo noiva, e começou a caminhar em direção às escadarias do palácio.

— Guy! Alguém pode ver! — Rimuru protestou, embora estivesse rindo.

— Que vejam. Que saibam que o Lorde Demônio do Orgulho está levando seu tesouro para o quarto e que não pretende sair de lá até amanhã.

— Amanhã?! Eu tenho uma reunião com o Gazel de manhã!

— Gazel pode esperar. O mundo pode esperar. — Guy chutou a porta de seus aposentos e a trancou com um feitiço de selamento que nem mesmo Veldora conseguiria quebrar.

Ele colocou Rimuru sobre a cama de seda, desfazendo-se de sua própria túnica com uma impaciência que fez o coração de Rimuru acelerar. O desejo entre eles era uma chama que nunca se apagava; se tornara algo mais profundo, temperado pela experiência de quase perda e fortalecido pela criação de Sakura.

— Você fala demais, Rimuru — disse Guy, posicionando-se sobre ele. — Menos palavras, mais de você.

O que se seguiu foi uma celebração de vida e paixão. Guy não era gentil, mas era devoto. Cada toque, cada beijo e cada movimento era uma reafirmação de que Rimuru pertencia a ele, e ele a Rimuru. Os gemidos de Rimuru preenchiam o quarto, abafados pelas barreiras mágicas, enquanto eles se perdiam um no outro.

Guy explorava o corpo de Rimuru com uma fome renovada, detendo-se nos seios que ainda guardavam o calor da amamentação de Sakura, reivindicando-os para si com mordidas leves e sucções que faziam Rimuru arquear as costas em prazer puro.

— Guy... ah... — Rimuru envolveu as pernas na cintura do ruivo, puxando-o para mais fundo.

Eles se amaram com a intensidade de quem conhece o valor de cada segundo. Para Guy, possuir Rimuru era como tocar a própria essência da existência; para Rimuru, entregar-se a Guy era o refúgio onde ele não precisava ser um Rei ou um Deus, apenas ele mesmo.

Horas depois, quando a lua já começava a surgir no céu de Tempest, os dois estavam deitados, exaustos e satisfeitos.

— Sakura vai ficar furiosa quando descobrir que nos trancamos aqui o dia todo — comentou Rimuru, sua voz rouca e preguiçosa.

— Deixe-a ficar. Ela precisa aprender que há coisas que a mamãe e o papai fazem sozinhos.

— Você é péssimo em dar exemplos, sabia?

Guy soltou uma risada baixa e beijou a testa de Rimuru.

— Eu sou o melhor exemplo do mundo. Ensinei a ela que, se você quer algo, você toma e protege com tudo o que tem.

Rimuru suspirou, fechando os olhos e sentindo o calor do corpo de Guy. Tempest estava segura, Sakura estava crescendo forte, e ele estava nos braços do homem que moveria céus e terras por ele. O preço do desejo fora alto no passado, mas o milagre que resultara disso — a pequena e caótica Sakura — e o amor inabalável de Guy faziam com que cada cicatriz e cada momento de dor valessem a pena.

— Eu te amo, seu demônio convencido — sussurrou Rimuru.

— Eu sei — respondeu Guy, apertando-o mais forte. — E eu nunca vou deixar você esquecer disso.

Lá fora, o vento soprava suavemente sobre a nação dos monstros, uma canção de ninar para um reino que florescia sob a proteção de uma família que desafiara a própria morte para permanecer junta. O amanhã traria novos desafios, novas birras de Sakura e novas reuniões políticas, mas naquela noite, no silêncio do quarto real, havia apenas a paz de dois corações que haviam encontrado seu lar um no outro.