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O Banquete do Orgulho e a Fragilidade do Desejo
A luz pálida da manhã filtrava-se pelas frestas das cortinas de veludo, desenhando linhas douradas sobre o tapete de pele de urso. Rimuru abriu os olhos lentamente, sentindo cada músculo do seu corpo protestar. A noite anterior fora uma tempestade de sensações; Guy não conhecia a palavra "moderação", e Rimuru, em sua forma feminina, parecia ser o único combustível capaz de saciar o apetite voraz do Lorde Demônio.
Ainda meio sonolento, Rimuru sentiu o vazio ao seu lado na cama. Guy já devia estar de pé, provavelmente tramando algo ou apenas apreciando o silêncio raro do palácio. Um choro baixo e insistente vindo do quarto ao lado interrompeu seus pensamentos. Era Sakura.
— Já vou, pequena... — murmurou Rimuru, lutando para se sentar.
Sua pele ainda exibia as marcas arroxeadas da possessividade de Guy, mas ele ignorou o cansaço. Vestiu um robe de seda fina, deixando-o propositalmente frouxo para facilitar o que estava por vir, e caminhou com passos ainda um pouco instáveis até o berço esculpido em cristal e madeira sagrada.
Sakura parou de chorar no instante em que viu a mãe. Seus olhos dourados brilharam com aquela inteligência precoce e assustadora. Rimuru a pegou no colo, sentindo o peso reconfortante da filha, e sentou-se na poltrona próxima à janela. Ele abriu o robe, expondo o seio farto, e Sakura acomodou-se com uma urgência quase cômica.
— Você é mesmo filha do seu pai — disse Rimuru, acariciando os cabelos carmesim da bebê. — Nunca está satisfeita.
Enquanto Sakura mamava, a porta se abriu silenciosamente. Guy Crimson entrou no quarto, observando a cena com um olhar que misturava adoração e uma fome que nada tinha a ver com comida. Ele se aproximou por trás de Rimuru e, sem dizer uma palavra, envolveu o corpo menor em seus braços poderosos.
— Você deveria estar descansando — sussurrou Guy, sua voz rouca vibrando contra o pescoço de Rimuru.
— Alguém precisa cuidar dela, Guy. — Rimuru inclinou a cabeça para trás, encontrando os olhos vermelhos do amante. — E ela não aceita o leite de mais ninguém.
Guy não respondeu. Em vez disso, ele pegou os dois no colo — Rimuru e Sakura — como se não pesassem absolutamente nada, e caminhou até a grande cadeira entalhada perto da lareira apagada. Ele se sentou com Rimuru em seu colo, mantendo-os seguros em seu abraço.
Sakura, sentindo a presença do pai, estendeu a mãozinha gorda e agarrou o dedo indicador de Guy, puxando-o para perto de onde ela estava sendo alimentada. Era um gesto de posse, como se ela estivesse marcando o território de ambos os pais ao mesmo tempo.
— Veja só — Guy comentou, um sorriso de canto surgindo em seus lábios. — Ela quer que eu assista.
— Ela só quer garantir que você não vai me levar embora dela — brincou Rimuru.
Guy inclinou-se e beijou Rimuru profundamente, um beijo que começou doce e rapidamente tornou-se exigente. Sakura, sentindo a distração da mãe, soltou o mamilo e soltou um grito de indignação, empurrando o rosto de Guy com a mão livre.
— Ela é tão ciumenta quanto você — Rimuru riu, recuperando o fôlego enquanto Sakura voltava ao seu banquete, lançando olhares de advertência ao pai.
— Ela é uma Crimson — Guy deu de ombros, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. — O orgulho corre no sangue dela.
A manhã seguiu tranquila até que uma batida suave na porta anunciou a chegada de Shuna. A oni entrou com sua elegância habitual, trazendo uma bandeja com chá e frutas, mas seus olhos brilharam ao ver a cena familiar.
— Rimuru-sama, Guy-sama — cumprimentou ela com uma reverência. — Se me permitirem, eu adoraria levar a pequena Sakura-sama para passar o dia comigo e com a Shion. Preparamos alguns brinquedos mágicos novos no jardim.
Rimuru olhou para Sakura, que agora parecia satisfeita e sonolenta.
— Acho que seria bom — disse Rimuru. — Eu ainda me sinto um pouco... sobrecarregado.
Guy não ofereceu resistência. Pelo contrário, ele entregou a filha a Shuna com uma rapidez que fez Rimuru desconfiar. Shuna sorriu, percebendo o clima pesado de eletricidade estática entre os dois soberanos, e retirou-se rapidamente com a bebê nos braços.
Assim que a porta se fechou, o silêncio no quarto tornou-se denso, quase palpável. Rimuru tentou se levantar do colo de Guy, mas os braços do Lorde Demônio apertaram sua cintura.
— Aonde pensa que vai? — perguntou Guy, sua voz agora carregada de uma intenção perigosa.
— Eu ia me vestir adequadamente, Guy. Shuna pode voltar a qualquer momento...
— Shuna não voltará tão cedo. Ela sabe ler o ambiente melhor do que ninguém. — Guy deslizou as mãos pelo robe de Rimuru, abrindo-o completamente. — Sabe, Rimuru... observar a Sakura me deixou com uma inveja profunda.
Rimuru sentiu o rosto queimar.
— Guy, você não pode estar falando sério...
— Eu estou com fome também — disse o ruivo, seus olhos brilhando com uma falsa inocência que não enganava ninguém. — E eu quero ser alimentado por você.
Antes que Rimuru pudesse protestar, Guy o girou em seu colo, deixando-o de costas para o encosto da cadeira e com o peito exposto diretamente ao seu rosto. Sem hesitar, Guy inclinou-se e abocanhou o seio que Sakura acabara de deixar, começando a sugar com uma intensidade que fez as pernas de Rimuru tremerem instantaneamente.
— Ah! Guy... devagar... — Rimuru arqueou as costas, suas mãos cravando-se nos cabelos ruivos do demônio.
A sensação era avassaladora. Diferente da sucção instintiva de Sakura, a de Guy era carregada de desejo e técnica. Ele usava a língua e os dentes com uma precisão que enviava choques elétricos diretamente para o núcleo de Rimuru. O leite, rico em magículas puras, parecia agir como um afrodisíaco para o Lorde Demônio, que soltava rosnados baixos de satisfação.
— É tão doce... — Guy murmurou contra a pele úmida, mudando para o outro seio. — Melhor do que qualquer vinho que já provei em mil milênios.
— Você é... um pervertido... — Rimuru choramingou, embora estivesse empurrando o próprio peito contra a boca de Guy, buscando mais daquele contato.
O clima esquentou rapidamente. Guy não se satisfez apenas em ser "alimentado". Ele levantou Rimuru e o carregou até a grande cama, jogando-o sobre os lençóis de seda. O robe de Rimuru foi descartado em algum lugar do chão, deixando sua pele leitosa e marcada exposta à luz do dia.
Guy desfez-se de suas próprias roupas com uma pressa incomum. Quando ele se posicionou sobre Rimuru, a diferença de tamanho era gritante, mas a forma como se encaixavam era absoluta.
— Eu quero sentir tudo de você hoje — Guy declarou, sua mão descendo para explorar a intimidade de Rimuru, que já estava pronta e clamando por ele.
— Então não me faça esperar... — Rimuru implorou, seus olhos amarelos nublados pela luxúria.
Guy entrou nele com um impulso único e poderoso, fazendo Rimuru soltar um grito que certamente ecoou pelos corredores, apesar do isolamento mágico do quarto. O Lorde Demônio não teve piedade; ele se movia com uma força bruta, cada estocada levando Rimuru ao limite da consciência.
— Guy! Mais... por favor! — Rimuru envolvia as pernas na cintura de Guy, puxando-o para mais perto, querendo ser preenchido até o âmago.
— Você é minha, Rimuru. Só minha. — O possessivismo de Guy era palpável.
Ele continuou a sugar e morder os seios de Rimuru enquanto se movia dentro dele, criando uma sinfonia de prazer e dor deliberada. Rimuru sentia que sua energia estava sendo drenada e reposta ao mesmo tempo, um ciclo infinito de magículas trocadas no calor do ato. Ele se esforçou, tentando acompanhar o ritmo frenético de Guy, esquecendo-se por completo de sua fragilidade física recente.
O ápice veio como uma explosão branca nos olhos de Rimuru. Ele sentiu seu corpo se contrair em espasmos violentos enquanto Guy soltava um rugido, derramando-se dentro dele com uma intensidade que parecia querer selar o vínculo entre os dois para sempre.
Quando o silêncio finalmente retornou, Rimuru estava completamente exausto. Ele mal conseguia manter os olhos abertos. Sua pele, antes pálida, agora estava coberta por uma camada de suor e marcas vermelhas e roxas — a assinatura de Guy Crimson gravada em cada centímetro de seu ser.
Guy deitou-se ao lado dele, puxando o corpo exausto do slime para o seu peito.
— Você exagerou... de novo... — Rimuru conseguiu sussurrar, sua voz mal passando de um sopro.
— Você quem pediu por mais — Guy rebateu, embora houvesse uma nota de preocupação em seu tom ao ver o quão pálido Rimuru ficara após o esforço. — Descanse agora.
— Eu não tenho escolha... — Rimuru fechou os olhos, sentindo o calor reconfortante de Guy.
Eles dormiram abraçados durante boa parte da tarde. O cansaço de Rimuru era profundo, um misto da recuperação do parto e da entrega total à luxúria de Guy. Enquanto ele dormia, Guy permanecia em um estado de vigília parcial, observando o rosto sereno do amante e sentindo a marca de sua essência vibrar dentro dele.
Quando Rimuru acordou novamente, o sol já estava começando a se pôr, tingindo o quarto de laranja e violeta. Ele se sentia incrivelmente leve, embora dolorido.
— Finalmente acordou — disse Guy, que estava sentado na beira da cama, observando-o.
— Que horas são? Sakura... — Rimuru tentou se levantar, mas Guy o impediu com um gesto suave.
— Sakura ainda está com Shuna. Eu mandei um aviso dizendo que passaríamos o dia relaxando. Ela está bem, Rimuru. Pela primeira vez em meses, o tempo é apenas nosso.
Rimuru relaxou nos travesseiros, soltando um suspiro longo.
— Sem reuniões? Sem Lordes Demônios reclamando? Sem fraldas mágicas?
— Sem nada disso. Apenas nós. — Guy deitou-se novamente ao lado dele, apoiando-se no cotovelo. — Sabe, eu poderia me acostumar com essa paz. Desde que você esteja nela.
Rimuru sorriu, um sorriso doce e genuíno que sempre desarmava o Lorde Demônio.
— Você é um romântico incurável por baixo de toda essa arrogância, Guy Crimson.
— Não espalhe isso por aí — Guy rosnou de brincadeira, beijando a ponta do nariz de Rimuru. — Minha reputação depende do medo das pessoas.
— Sua reputação está segura comigo. — Rimuru aninhou-se no peito de Guy, fechando os olhos novamente para aproveitar os últimos momentos de silêncio antes que Sakura voltasse com sua energia inesgotável.
Naquele pequeno pedaço de paraíso em Tempest, rodeado pelo luxo e pelo perigo que era amar um ser como Guy, Rimuru sentiu que, apesar de todos os riscos e da fragilidade de sua nova vida, ele nunca estivera tão completo. O banquete do desejo fora saciado, mas o amor que os unia era uma fome que nenhum deles jamais desejaria extinguir.