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Fanfic

O Eco do Silêncio e a Cura do Coração

O sol já estava alto quando a luz atravessou as frestas das cortinas de veludo, tingindo o quarto com um tom dourado e quente. Louis ainda dormia profundamente, o rosto enterrado na curvatura do pescoço de S/n, uma das mãos dela ainda repousando sobre os fios castanhos dele. A respiração dele era lenta, profunda e, pela primeira vez em muitos dias, totalmente livre do peso da ansiedade. S/n observava as sombras das abas dos cílios dele contra a pele pálida, sentindo uma onda de ternura que quase a sufocava.

Ela sabia que o que havia acontecido durante a noite — aquele pedido tímido, a entrega de Louis e o cuidado dela — era um marco na relação dos dois. Não era apenas sobre o gesto físico de ser amamentado; era sobre a quebra de todas as barreiras. Louis, o jovem que o mundo via como um símbolo de perfeição e força, havia permitido que ela visse sua criança interior, sua necessidade mais básica de conforto e segurança.

Louis começou a se mexer, um murmúrio baixo escapando de seus lábios. Ele apertou o corpo de S/n contra o seu, como se testasse se ela ainda estava lá, se o refúgio da noite anterior não havia sido apenas um sonho vívido. Quando ele finalmente abriu os olhos, encontrou o olhar castanho e amoroso dela esperando por ele.

— Bom dia, meu amor — sussurrou S/n, a voz suave como uma carícia.

Louis piscou algumas vezes, a consciência retornando lentamente. Ele percebeu que ainda estava parcialmente descoberto, com a cabeça descansando próxima aos seios dela, e a memória do que haviam compartilhado inundou sua mente. Por um segundo, a timidez característica ameaçou voltar, mas o sorriso compreensivo de S/n dissipou qualquer rastro de vergonha.

— Bom dia — respondeu ele, a voz ainda rouca de sono. Ele se ergueu um pouco, apoiando-se nos cotovelos para olhá-la de frente. — Eu dormi... eu dormi melhor do que em meses.

— Eu sei. Você nem se mexeu depois que relaxou — disse ela, passando a mão pelo rosto dele, traçando a linha da mandíbula até a covinha no queixo. — Como você está se sentindo agora?

Louis respirou fundo, expandindo o peito musculoso. Ele parecia mais leve, como se o nó que sempre carregava no estômago tivesse sido desfeito pelas mãos dela.

— Eu me sinto... limpo. É a única palavra que consigo pensar. É como se aquele pesadelo tivesse sido lavado. S/n, eu não sei como te agradecer por ontem à noite. Eu sei que foi... diferente.

S/n sentou-se na cama, puxando o lençol para cobrir o corpo, mas mantendo-se próxima a ele. Ela segurou a mão de Louis, entrelaçando seus dedos.

— Louis, você não precisa me agradecer. Eu disse ontem e repito: cuidar de você é um privilégio. Ver você se sentindo seguro o suficiente para me pedir o que precisava, sem máscaras, foi a coisa mais linda que você já fez por nós.

Ele abaixou a cabeça por um momento, sorrindo de forma contida, aquele sorriso que fazia as fãs suspirarem, mas que para S/n tinha um significado muito mais profundo.

— Eu sempre achei que precisava ser o pilar — admitiu ele, a voz baixa. — Na minha família, no trabalho... eu sinto que todos esperam que eu seja o porto seguro. Às vezes eu esqueço que também preciso de um.

— Todos nós precisamos — afirmou ela com firmeza. — E eu adoro ser o seu. Adoro saber que, quando o mundo lá fora ficar pesado demais, você tem este lugar aqui. Você tem a mim.

Louis inclinou-se para frente, unindo suas testas. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era preenchido pela gratidão mútua. Ele se sentia incrivelmente sortudo por ter encontrado alguém que não apenas aceitava suas vulnerabilidades, mas as abraçava com tamanha naturalidade.

— Você acha que... — ele começou, hesitando por um momento antes de continuar — ...você acha que eu sou estranho por querer isso? Por ter precisado de um gesto tão... íntimo e primitivo?

S/n afastou-se apenas o suficiente para olhar bem no fundo dos olhos dele, garantindo que ele visse toda a sinceridade em seu olhar.

— Louis Partridge, escute bem o que vou dizer. O mundo é um lugar barulhento, frio e, muitas vezes, cruel. A forma como as pessoas buscam conforto varia, mas o que fizemos ontem à noite foi a expressão mais pura de cuidado. Não houve malícia, não houve nada além de amor e a vontade de curar uma ferida na sua alma. Se isso é ser estranho, então eu prefiro que sejamos estranhos juntos para sempre.

Os olhos de Louis brilharam, e ele a puxou para um beijo lento e profundo. Não era um beijo de desejo ardente, mas um beijo de promessa. Uma promessa de que ele não precisaria mais esconder seus medos.

— Eu te amo tanto — murmurou ele contra os lábios dela. — Eu te amo mais do que as palavras podem expressar.

— Eu também te amo, meu querido. Agora, o que você acha de ficarmos aqui mais um pouco? O mundo pode esperar por nós mais algumas horas.

Louis sorriu, a covinha no queixo aparecendo plenamente agora. Ele se deitou novamente, puxando-a para que ela ficasse sobre o seu peito.

— Por mim, poderíamos ficar aqui para sempre.

Enquanto S/n se acomodava, sentindo o coração de Louis batendo forte e constante sob seu ouvido, ela percebeu que aquele momento de vulnerabilidade havia fortalecido o vínculo entre eles de uma forma que nenhum jantar romântico ou tapete vermelho jamais conseguiria. Eles haviam tocado o cerne um do outro.

— S/n? — chamou ele, depois de alguns minutos de silêncio.

— Sim?

— Se eu precisar de novo... em outra noite difícil... você se importaria?

Ela ergueu a cabeça e deu um beijo carinhoso no queixo dele, exatamente sobre a pequena covinha.

— Louis, meu amor, eu estarei sempre aqui. Se for isso que acalma seu coração, se for isso que te faz sentir amado e seguro, eu farei com todo o prazer do mundo. Meus braços e meu peito serão sempre o seu refúgio.

Louis soltou um suspiro de alívio, fechando os olhos e aproveitando o carinho que ela fazia em seu braço. A ansiedade era um monstro persistente, ele sabia disso, e os pesadelos poderiam voltar em algum momento. Mas agora, ele tinha uma arma poderosa contra eles. Ele tinha o toque de S/n, o calor de seu corpo e a aceitação incondicional de seu amor.

— Obrigado por me deixar ser eu mesmo — disse ele, a voz sumindo enquanto ele se perdia na paz daquela manhã.

— Obrigado por me deixar entrar — respondeu ela, abraçando-o com força.

Lá fora, Londres continuava seu ritmo frenético, mas dentro daquele quarto, o tempo era ditado apenas pela batida de dois corações que haviam aprendido que a maior força de um homem reside na sua coragem de ser vulnerável nos braços de quem ama. E assim, entre carinhos e sussurros, eles transformaram uma noite de medo em uma eternidade de cuidado.