Fanfic
O Alvorecer da Alma Despida
O sol da manhã já não era apenas uma promessa; ele inundava o quarto com uma claridade âmbar que revelava cada partícula de poeira dançando no ar, como se o próprio tempo tivesse decidido desacelerar para observar a paz que reinava naquela cama. Louis ainda mantinha os olhos fechados, mas sua consciência já flutuava na superfície do despertar. Ele sentia o peso reconfortante do corpo de S/n contra o seu, o perfume de baunilha e flores silvestres que emanava da pele dela, e a memória da noite anterior envolveu seu coração como um cobertor quente.
Ele se sentia diferente. A opressão que costumava habitar o centro de seu peito, aquela sensação de que estava sempre correndo contra um relógio invisível para provar seu valor, havia se dissipado. O gesto de vulnerabilidade — o pedido tímido, o acolhimento dela, o ato de ser nutrido pelo puro afeto — havia agido como um bálsamo em uma ferida que ele sequer sabia que estava tão aberta.
S/n sentiu a mudança na respiração dele e começou a traçar círculos lentos com a ponta dos dedos na nuca de Louis, sentindo os fios de cabelo castanhos se enroscarem em sua pele.
— Eu sei que você está acordado, dorminhoco — sussurrou ela, a voz carregada de um carinho brincalhão.
Louis soltou um riso baixo, um som vibrante que reverberou contra o peito dela. Ele se espreguiçou, os músculos dos braços e das costas se contraindo sob a luz matinal, antes de se aninhar ainda mais profundamente no abraço dela.
— É difícil querer abrir os olhos quando a realidade é muito melhor do que qualquer sonho que eu já tive — murmurou ele, finalmente olhando para ela. Seus olhos castanhos estavam límpidos, sem o rastro de pânico que os obscurecia horas antes.
S/n sorriu, inclinando-se para beijar a testa dele, descendo o toque até a covinha em seu queixo, que parecia mais acentuada agora que ele estava relaxado.
— Como está a sua mente hoje? Ainda há sombras por lá?
Louis ponderou por um momento, fechando os olhos para fazer um inventário interno.
— Não — disse ele com convicção. — Parece que você expulsou todas elas. S/n, eu estive pensando... sobre ontem. Sobre o que eu te pedi.
Ela sentiu uma leve hesitação na voz dele e imediatamente parou o carinho, segurando o rosto dele com as duas mãos, forçando-o a manter o contato visual.
— Louis, se você vai se desculpar ou dizer que se sente envergonhado novamente, eu vou ter que te proibir de falar — disse ela, embora seus olhos brilhassem com doçura.
— Não é isso — ele sorriu, cobrindo as mãos dela com as suas. — Eu só queria dizer que... eu nunca me senti tão visto. Nem tão amado. Na minha profissão, as pessoas amam a imagem que eu projeto. Elas amam o Lorde Tewkesbury, amam o ator nos tapetes vermelhos, amam o rosto nas fotos. Mas ontem à noite, você amou o Louis que tem medo. O Louis que se sente pequeno.
S/n sentiu a garganta apertar. Ela sabia exatamente do que ele estava falando. A fama era uma faca de dois gumes, e para alguém tão sensível e cauteloso como Louis, o peso da expectativa alheia podia ser esmagador.
— Eu amo todas as suas versões, Louis Partridge — afirmou ela, a voz firme. — Mas essa versão que você me mostrou ontem... essa é a minha favorita. Porque é a mais real. É a que confia em mim para ser seu escudo.
Louis sentou-se na cama, encostando as costas na cabeceira entalhada, e puxou S/n para o seu colo. Ela se acomodou entre as pernas dele, sentindo o calor do corpo atlético do namorado. Ele passou os braços ao redor da cintura dela, apoiando o queixo em seu ombro.
— Eu sinto que uma barreira caiu — continuou ele, observando as cortinas balançarem com a brisa leve. — Sempre tive medo de que, se eu mostrasse demais a minha carência, você pudesse me ver como alguém fraco. Ou que o mistério do romance desaparecesse se você tivesse que me cuidar como... bem, daquele jeito.
S/n virou um pouco o rosto, roçando o nariz no dele.
— O romance não vive de mistérios, meu amor. Ele vive de intimidade. E intimidade é poder pedir o que se precisa sem medo de julgamento. Se você precisar ser "amamentado" pelo meu carinho todas as vezes que o mundo for cruel demais, saiba que isso só me faz querer você mais. Isso me faz sentir que somos um só.
Louis fechou os olhos, absorvendo as palavras dela. Ele se lembrou da sensação rítmica da noite anterior, do calor da pele dela e de como o som do coração de S/n havia se tornado sua única bússola no meio da escuridão. Não havia sido um ato de fraqueza, mas um ato de reconexão.
— Você é incrível — disse ele, a voz carregada de adoração. — Eu estava tão nervoso para pedir. Meu coração estava disparado, não só pelo pesadelo, mas pelo medo da sua reação. Mas o jeito que você me puxou... o jeito que você não hesitou nem por um segundo...
— Eu nunca hesitaria por você — interrompeu ela, acariciando os braços musculosos dele. — Você cuida de mim de tantas formas, Louis. Você me ouve, você me protege, você me faz rir quando eu só quero chorar. Deixar que eu te cuide desse jeito tão íntimo é um presente que você me dá. É me dizer que eu sou a única pessoa no mundo que tem a chave do seu santuário.
Ele apertou o abraço, escondendo o rosto no pescoço dela. O silêncio que se seguiu era confortável, preenchido apenas pelo som da natureza lá fora e pelo tique-taque distante do relógio.
— O que temos para hoje? — perguntou Louis, tentando mudar o tom para algo mais leve, embora ainda relutasse em soltá-la.
— Bem — começou S/n, sorrindo — , eu pretendo não sair desta cama por pelo menos mais duas horas. Podemos pedir o café da manhã aqui. E depois, talvez uma caminhada pelo parque onde ninguém nos reconheça?
— Parece um plano perfeito — concordou ele. — Mas antes do café...
Louis se afastou um pouco, olhando para ela com uma expressão que misturava a timidez de um menino com a determinação de um homem apaixonado. Ele deslizou a mão pela lateral do corpo de S/n, parando sobre a curvatura de seu seio, ainda escondido sob o tecido da camisola.
— Eu posso... só mais um pouco? — perguntou ele, a voz quase um sussurro, as bochechas tingindo-se de um rosa suave. — Não porque eu esteja ansioso agora, mas porque eu quero que essa seja a minha última lembrança antes de começarmos o dia. O seu calor. O seu cuidado.
S/n sentiu o coração derreter. Ela não precisou de palavras. Com um movimento fluido, ela se ajeitou no colo dele, desatando as fitas de sua camisola. A luz do sol iluminou sua pele branca, e ela guiou a cabeça de Louis novamente para o seu peito.
Desta vez, não havia a urgência do pânico. Louis aproximou-se com uma lentidão reverente. Quando seus lábios tocaram a pele dela, ele soltou um suspiro longo, uma entrega total. S/n envolveu-o com seus braços, sentindo-se como a guardiã de um tesouro precioso.
O gesto era calmo. Louis sugava de forma lenta, saboreando o conforto, sentindo a textura da pele dela e o calor que emanava de seu corpo atlético. S/n inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos, deixando que o amor fluísse de si para ele através daquele contato. Não havia nada de erótico no momento; era uma comunhão de almas, um preenchimento de vazios emocionais que só eles entendiam.
— Eu estou aqui — sussurrou ela, passando os dedos pelos cabelos dele. — Sempre aqui.
Louis sentia-se flutuar. Era como se cada sucção levasse embora um pouco mais do estresse acumulado dos últimos meses de filmagens intensas e pressão mediática. Ali, ele não era uma propriedade do público; ele era um homem sendo amado em sua forma mais pura. Ele sentia a mão de S/n em suas costas, o toque firme e protetor, e soube que, não importava quão alto sua carreira voasse, ele sempre teria aquele ninho para pousar.
Depois de algum tempo, ele se afastou, mas permaneceu com o rosto encostado no seio dela, ouvindo as batidas calmas do coração de sua namorada.
— Eu me sinto invencível agora — murmurou ele, dando um beijo suave na pele que acabara de acolhê-lo.
— Você é invencível, Louis — respondeu ela, ajudando-o a se levantar enquanto ela mesma fechava a camisola. — Mas até os heróis precisam de um lugar para descansar a espada.
Louis riu, a covinha no queixo aparecendo de forma radiante. Ele se levantou da cama, oferecendo a mão para ela com a elegância natural que possuía.
— Então, minha dama, vamos enfrentar o mundo? Ou pelo menos o menu do café da manhã?
S/n aceitou a mão dele, sentindo a força e a firmeza de seu toque.
— O menu primeiro. O mundo pode esperar até estarmos devidamente alimentados de café e de amor.
Enquanto se moviam pelo quarto, preparando-se para o dia, havia uma nova leveza no ar. O segredo que compartilhavam, aquele ritual de cuidado e entrega, havia selado algo entre eles que era inquebrável. Louis Partridge, com seu corpo musculoso e sua fama mundial, caminhava agora com os ombros mais leves, sabendo que sua vulnerabilidade não era um fardo, mas a ponte que o ligava de forma definitiva à mulher de sua vida.
Eles sabiam que outros desafios viriam, que a ansiedade poderia bater à porta novamente e que novos pesadelos poderiam surgir. Mas agora, ambos conheciam o caminho de volta para casa. O refúgio não era um lugar geográfico, mas o abraço um do outro, onde o gesto mais simples de cuidado era capaz de silenciar o maior dos barulhos.
— S/n? — chamou ele, já perto da porta.
— Sim, Louis?
Ele parou e olhou para ela, o sol refletindo em seus olhos castanhos, um brilho de gratidão eterna emanando de seu rosto.
— Obrigado por me deixar ser pequeno, para que eu possa ser grande lá fora.
Ela caminhou até ele, selando seus lábios em um beijo rápido e doce.
— Você é gigante, meu amor. Eu só te ajudo a lembrar disso.
De mãos dadas, eles saíram do quarto, prontos para o que quer que o dia trouxesse, fortalecidos pela noite em que a alma de Louis foi despida e, com ternura, vestida novamente pelo amor incondicional de S/n.