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Cláusula de Exclusividade
O aroma denso de suor doce, pele quente e o perfume amadeirado de Itachi preenchiam o quarto de hóspedes, tornando o ar pesado e acolhedor. Pela fresta da cortina entreaberta, a luz alaranjada do fim de tarde começava a tingir o teto de tons quentes, contrastando com o caos absoluto dos lençóis emaranhados aos pés da cama.
Lis estava jogada de bruços sobre o peito nu de Itachi, com o queixo apoiado nas mãos e os cabelos pretos e cacheados caindo como uma cortina rebelde sobre os ombros de ambos. As raízes vermelho-vivo brilhavam sob a penumbra. Com a ponta do indicador, ela traçava preguiçosamente as marcas vermelhas que suas próprias unhas haviam deixado nas costelas e nos ombros largos dele.
Itachi mantinha os olhos fechados, a respiração finalmente estabilizada em um ritmo profundo e compassado. Uma de suas mãos repousava confortavelmente na curva da cintura dela, os dedos longos acariciando a pele macia de forma quase inconsciente.
— Você sabe que era palhaçada, né? — perguntou Lis de repente, quebrando o silêncio com aquele tom debochado que era sua marca registrada.
Itachi não se mexeu de imediato. Apenas abriu um dos olhos escuros, fitando-a com uma sobrancelha ligeiramente arqueada.
— A parte em que você quase causou um infarto coletivo na sala, ou a parte em que o seu irmão já estava calculando o valor das facas de cerâmica no cartão de crédito dele?
Lis soltou uma risada rouca, um som gostoso que vibrou contra o peito dele.
— As duas coisas — admitiu ela, inclinando-se para dar um beijo estalado na mandíbula bem desenhada de Itachi. — Eu só queria ver a cara do Sasuke achando que a dignidade da família Uchiha ia ser vendida por dez dólares por mês. E a Ino... cara, a Ino quase abriu um CNPJ no meu nome em cinco minutos. Ela é assustadora quando fareja dinheiro.
Itachi soltou um suspiro nasalado, um meio sorriso brincando no canto dos lábios. A mão que estava em sua cintura subiu devagar, espalmando-se no meio das costas nuas de Lis e puxando-a alguns centímetros para cima, até que os rostos ficassem alinhados.
— Eu sabia que era provocação — murmurou ele, a voz ainda mais rouca e grave por conta do cansaço pós-sexo. — Você não consegue passar duas horas sem plantar o caos em algum lugar. Mas admito que a ideia de outros homens olhando para você não é exatamente a minha definição de um domingo agradável.
— Ah, jura? Nem percebi — ironizou Lis, passando os lábios de leve pelos dele, mordiscando o lábio inferior do Uchiha com provocação contida. — Pela forma como você me prensou contra aquela porta há meia hora, achei que estivesse super tranquilo com a ideia.
— Eu sou um homem paciente, Lis. Mas não sou de ferro.
— Paciente uma ova — rebateu ela, rindo baixinho. Então, a expressão dela suavizou. O deboche habitual deu lugar a uma ternura crua, intensa e genuína, daquelas que Lis só mostrava quando os dois estavam sozinhos entre quatro paredes. Ela apoiou a testa na dele, olhando bem no fundo daqueles olhos negros e profundos. — Nem se me pagassem um milhão de dólares, Itachi. Nem se a internet inteira implorasse de joelhos.
— É mesmo? — ele sussurrou, os dedos deslizando para a nuca dela, embaraçando-se nos cachos escuros.
— É óbvio, seu idiota — afirmou ela com uma certeza inabalável, deslizando a mão pelo peito dele até segurar o rosto de Itachi com firmeza carinhosa. — Esse corpo aqui tem dono faz tempo. É exclusivo, vitalício e não tem direito a reembolso. Ninguém toca, ninguém vê, ninguém chega nem perto. É tudo seu. Sempre foi.
O olhar de Itachi se aprofundou. Ele não precisava de grandes discursos pomposos; a forma como Lis dizia aquilo, com a boca inchada dos beijos dele e os olhos brilhando com uma lealdade feroz, desarmava qualquer resquício de possessividade silenciosa que ele pudesse guardar.
Ele a puxou para um beijo demorado. Não havia pressa agora. Era um beijo lento, quente e seguro, cheio daquele sentimento confortável de quem já se conhecia por inteiro e não precisava provar nada para ninguém. A língua dele deslizou sobre a dela com calma, saboreando cada pedaço, fazendo Lis soltar um suspiro manhoso contra a sua boca antes de se afastar devagar.
— Bom saber — murmurou Itachi, roçando o nariz no dela. — Porque eu não pretendia abrir mão de nenhuma cláusula desse contrato.
— Ótimo. Agora, por favor, me diz que o meu irmão não comeu toda a pizza de calabresa, senão eu vou ter que cometer um fratricídio antes do jantar.
Itachi riu — um som raro, baixo e incrivelmente bonito —, dando um tapa leve e estalado na coxa dela para incentivá-la a se levantar.
— Se o Naruto estiver vivo lá fora, a pizza já era. Mas nós podemos pedir outra.
— Com o seu cartão, obviamente — decretou Lis, rolando para o lado da cama e espreguiçando-se como uma gata preguiçosa.
Dez minutos depois, o quarto de hóspedes testemunhava o processo habitual de reconstrução civil. Lis vasculhou a mala de Itachi até encontrar uma camisa xadrez escura dele, colocando-a por cima de uma regata preta e de um short jeans curto que mal aparecia sob o tecido folgado. Nos pés, apenas meias pretas felpudas. Ela recolocou os anéis prateados nos dedos e ajeitou os cachos em um rabo de cavalo alto, deixando algumas mechas vermelhas caírem ao redor do rosto.
Itachi vestiu uma calça de moletom preta e uma camiseta lisa da mesma cor, os cabelos compridos presos na nuca de forma simples. Mesmo usando roupas casuais de ficar em casa, ele mantinha aquela postura absurdamente elegante que deixava Lis secretamente hipnotizada a cada passo que ele dava.
Quando Itachi destrancou a porta e os dois saíram para o corredor, o som da sala de estar já indicava que a trégua da ressaca havia chegado ao fim.
O cheiro de pizza e refrigerante inundava o apartamento. Na sala, a cena era digna de um quadro renascentista do caos doméstico. Quatro caixas de papelão gordurosas estavam abertas sobre a mesinha de centro. Naruto estava ajoelhado no tapete, comendo um pedaço que dobrava ao meio com as duas mãos, enquanto Sasuke usava um guardanapo para limpar uma mancha imaginária no braço do sofá, bufando de pura irritação.
— ...eu só estou dizendo que é um desperdício gastronômico colocar abacaxi na pizza! — esbravejava Sakura da poltrona, segurando uma fatia de quatro queijos.
— Sakura, amor, deixa as pessoas serem felizes com os gostos delas — interveio Hinata com a voz doce, sentada no braço da mesma poltrona, limpando delicadamente um farelo da bochecha da namorada.
— Abacaxi na pizza é uma aberração criminosa, Hinata! — Temari se intrometeu do outro lado, roubando a garrafa de refrigerante das mãos de Shikamaru, que estava jogado de costas no chão, usando as coxas dela como travesseiro.
— Problemático... — resmungou Shikamaru, cobrindo os olhos com o antebraço. — Por que vocês gritam tanto sobre comida? Comam e calem a boca, pelo amor de Deus.
— Olha só quem resolveu sair do cativeiro! — berrou Naruto de repente, apontando o pedaço de pizza na direção do corredor assim que Lis e Itachi apareceram. — Achei que vocês tinham sido engolidos pelo colchão!
— Se você apontar essa comida gordurosa na minha direção de novo, Naruto, eu enfio essa caixa inteira na sua garganta — Lis disparou, caminhando com passos firmes até a mesa e pegando o último pedaço de calabresa sem a menor cerimônia.
— Ei! Esse era o meu pedaço reserva! — reclamou o loiro, fazendo um bico indignado.
— Era. Não é mais. Perdeu, playboy — retrucou ela, dando uma mordida generosa e soltando um gemido de pura satisfação.
Itachi sentou-se tranquilamente na ponta livre do sofá grande. Ele apenas estendeu o braço e deu um tapinha na própria perna; Lis, no mesmo segundo, contornou a mesa e sentou-se de lado em seu colo, mastigando a pizza enquanto apoiava as costas contra o peito dele. Itachi envolveu a cintura dela com naturalidade, apoiando o queixo no ombro coberto pela sua própria camisa xadrez.
Sasuke olhou para os dois, arqueou as sobrancelhas e soltou um suspiro de alívio cínico.
— Pelo menos vocês estão vestidos. Eu já estava preparando o discurso para o síndico caso alguém chamasse a polícia por atentado ao pudor.
— Não enche, Sasuke — Lis respondeu, apontando a borda da pizza para ele.
— Lis! — Ino chamou de repente do chão, onde estava com o celular na mão e um bloco de notas aberto. Os olhos da loira brilhavam com a voracidade de um tubarão corporativo. — Ainda bem que você apareceu! Eu já pesquisei as melhores plataformas. Se a gente focar no público alternativo gringo, cobrando doze dólares pela assinatura mensal e criando um tier vip para fotos exclusivas dos seus coturnos e das tatuagens, a gente bate cinco mil dólares no primeiro mês!
Sai, que estava sentado ao lado de Ino desenhando calmamente em um caderno, ergueu o olhar e assentiu com extrema seriedade.
— Fiz alguns esboços de iluminação dramática para valorizar a curvatura da lombar da Lis. Acredito que tons de vermelho e azul neon combinam com o arquétipo de e-girl gótica.
Naruto arregalou os olhos azuis, mastigando apressadamente para falar:
— E as minhas facas de cerâmica?! Já escolhi o modelo na internet! Tem acabamento em titânio e cabo anatômico!
Lee, que fazia flexões com um braço só no canto da sala ao lado de Gaara — que apenas lia um mangá em silêncio absoluto —, parou o exercício e ergueu o polegar:
— O EMPREENDEDORISMO É A CHAMA QUE ALIMENTA A INDEPENDÊNCIA DA JUVENTUDE! Lis, se precisar de um treinador para manter a forma física impecável para as câmeras, eu me voluntario!
A sala inteira parecia estar genuinamente envolvida no plano de negócios mais absurdo da história daquele grupo.
Lis terminou a sua fatia de pizza, limpou os dedos em um guardanapo que Itachi silenciosamente lhe entregou e olhou para todo mundo com uma expressão impagável de puro divertimento.
— Gente — chamou ela, elevando a voz apenas o suficiente para cortar os delírios de Ino e Naruto.
Todos pararam para olhar.
— Cancela a reunião de pauta, cancela a iluminação neon e, principalmente, cancela o pedido das facas, Naruto.
Um silêncio momentâneo caiu sobre o cômodo.
— Como assim? — Ino franziu a testa, indignada. — Nós já tínhamos uma projeção de lucro para o primeiro trimestre!
Lis soltou uma gargalhada tão alta que jogou a cabeça para trás, batendo levemente contra o peito de Itachi, que apenas mantinha um sorriso discreto e vitorioso nos lábios.
— Era brincadeira, seus idiotas! — revelou Lis, zombeteira. — Vocês realmente acharam que eu ia abrir uma conta naquela porra? Eu só inventei essa história porque a ressaca de vocês estava chata demais e eu queria ver o Sasuke entrar em combustão espontânea.
Sasuke fechou os olhos e soltou o ar com força, murmurando para o teto:
— Obrigado, Deus. Existe um resquício de cérebro nessa linhagem maldita dos Uzumakis.
— O QUÊ?! — Naruto berrou, caindo dramaticamente para trás no tapete com os braços abertos em sinal de luto. — Mas e as minhas facas?! Eu já tinha até escolhido a cor da tábua de corte! Você destruiu os meus sonhos culinários, Lis! Você é um monstro sem coração!
— Trabalha e compra você mesmo, seu encostado! — Lis rebateu, jogando uma bolinha de papel de guardanapo na testa do irmão.
— Mas por que não, Lis? — Sakura perguntou, cruzando os braços e rindo da humilhação de Naruto. — Você ia ficar milionária. E o seu corpo é lindo, não tem vergonha nenhuma nisso.
Lis deu de ombros, passando os braços ao redor do pescoço de Itachi e puxando-o para mais perto, aconchegando-se deliberadamente contra ele. Ela olhou para os amigos com aquele deboche arrogante e apaixonado que ninguém conseguia desarmar.
— Primeiro, porque dá muito trabalho ficar tirando foto bonita todo dia. Eu mal tenho paciência para pentear o meu cabelo quando acordo. E segundo... — Ela fez uma pausa dramática, virando o rosto para beijar o queixo de Itachi com um estalo sonoro antes de encarar o grupo de novo. — Porque essa mercadoria aqui é de exibição estritamente privada. Meu corpo é cem por cento do Itachi. Não vendo, não alugo e não compartilho com ninguém na internet. Ele é o único que tem o passe livre vitalício.
Ino bufou, jogando o celular no sofá com uma careta frustrada.
— Ai, que desperdício de potencial financeiro em nome do amor romântico! Vocês são nojentos de tão fofos, sabiam?
— Eu acho extremamente compreensível — Sai comentou, fechando o bloco de desenhos. — O Itachi parece o tipo de homem que cometeria um assassinato meticuloso caso visse outros machos comentando nas fotos dela. A decisão preserva vidas.
— Sai, não dê ideias para o meu irmão — Sasuke murmurou, embora um meio sorriso quase imperceptível surgisse no canto da sua boca.
Itachi não disse nada, mas o aperto de sua mão na cintura de Lis tornou-se um pouco mais firme, um gesto silencioso de concordância que não passou despercebido por ela. Ele deslizou os dedos compridos pelos cachos escuros da garota, beijando o topo de sua cabeça com uma calma quase reverente.
— Viu só? — Naruto resmungou do chão, virando-se para encarar os dois com um beicinho emburrado. — O Itachi é um burguês monopolista. Fica com o monopólio da minha irmã e me deixa sem o conjunto de cerâmica de doze peças.
— Se você lavar a louça dessa cozinha pelos próximos seis meses — Itachi finalmente se pronunciou, a voz aveludada e tranquila cortando os protestos —, eu compro as suas facas, Naruto.
Os olhos de Naruto brilharam como faróis de caminhão. Ele se levantou em um pulo, esquecendo completamente a dignidade, a ressaca e qualquer orgulho que pudesse lhe restar.
— Fechado! Nem precisa pedir duas vezes! Sasuke, anota aí, eu sou o novo escravo doméstico do seu irmão!
A sala inteira explodiu em gargalhadas. Até Gaara soltou um riso discreto por trás do mangá, enquanto Lee comemorava a "vitória do esforço juvenil" dando tapinhas nas costas de Naruto com tanta força que o loiro quase cuspiu o resto da comida.
Temari apenas balançava a cabeça, rindo enquanto bagunçava os cabelos de Shikamaru, que permanecia imóvel fingindo estar em coma. Sakura e Hinata trocavam olhares cúmplices e carinhosos, dividindo o último pedaço de pizza na poltrona, enquanto Ino já tentava convencer Sai a pintar um retrato dela para vender na internet.
Lis recostou a cabeça no peito firme de Itachi, sentindo o calor constante dele sob a camisa escura e o cheiro familiar que sempre a acalmava, não importava o tamanho da loucura ao redor. Ela roubou uma azeitona da caixa de pizza na mesa, colocou na boca e olhou para cima, encontrando os olhos negros dele fitando-a com aquele brilho sereno e totalmente rendido.
— Viu só? — ela sussurrou baixinho, só para ele ouvir, com um sorriso torto e provocador. — Eu te poupei de virar assassino em série e ainda arrumei alguém para lavar a louça do seu irmão. Eu sou ou não sou a melhor namorada do mundo?
Itachi curvou os lábios em um sorriso genuíno, descendo a mão para segurar o queixo dela com os dedos mornos, inclinando o rosto de Lis apenas o suficiente para roubar um beijo rápido e macio, bem na frente de todo mundo, sem se importar com quem pudesse reclamar.
— Você é um completo desastre, Lis Uzumaki — murmurou ele contra a boca dela, com toda a paciência e a devoção do mundo transbordando na voz. — Mas você é a minha pessoa favorita no mundo inteiro.
— Eu sei — respondeu ela, vitoriosa, fechando os olhos e aprofundando o beijo enquanto a gritaria da sala continuava como a trilha sonora perfeita para o fim de semana mais caótico e perfeito de suas vidas.