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Empreendedorismo, Ressaca e Outros Desastres

O domingo amanheceu com a delicadeza de uma britadeira perfurando o asfalto.

A sala de Naruto e Sasuke parecia o cenário pós-apocalíptico de um filme de baixo orçamento. Cortinas totalmente fechadas para bloquear o sol impiedoso do meio-dia, corpos estirados em posições anatomicamente improváveis e um silêncio fúnebre quebrado apenas pelo barulho ritmado da bolsa de gelo que Sasuke pressionava contra a têmpora direita.

Naruto estava deitado de bruços no tapete, soltando gemidos lamuriosos que lembravam uma foca moribunda.

— Nunca mais... — resmungou o loiro, a voz abafada contra as fibras sintéticas do tapete. — Eu nunca mais ponho uma gota de álcool na boca. A tequila... ela roubou a minha dignidade e o meu fígado.

— Você fala isso todo sábado, seu idiota — Sasuke rebateu, a voz rouca e baixa, sem abrir os olhos. — E a sua dignidade foi embora na hora em que a Lis gritou sobre a genitália do meu irmão para todo o condomínio ouvir.

Um coro de murmúrios dolorosos ecoou pelos cantos do cômodo.

No sofá menor, Shikamaru e Temari dividiam um único cobertor. Shikamaru usava óculos escuros na penumbra da sala, recusando-se a existir em qualquer frequência que exigisse esforço cerebral, enquanto Temari tentava beber uma garrafa de isotônico com a mão trêmula. Perto da sacada, Hinata aplicava delicadamente uma toalha gelada na testa de Sakura, que jurava estar vivendo seus últimos quinze minutos na Terra. Sai e Ino dividiam o tapete perto da televisão; Ino com cara de quem havia sido atropelada por um caminhão de flores e Sai milagrosamente intocado pela ressaca, bebericando uma xícara de chá. Rock Lee, milagrosamente de pé, fazia alongamentos lentos na cozinha enquanto Gaara bebia café puro, encarando o nada com a paciência inabalável de uma estátua de areia.

E então havia Lis.

Ao contrário de todos os mortais na sala, Lis Uzumaki parecia ter acordado revigorada por pura petulância. Usando uma camiseta preta desbotada do Black Sabbath que ia até o meio das coxas — obviamente roubada de Itachi —, com as meias 7/8 listradas e os cabelos cacheados presos em um coque deliberadamente bagunçado, ela estava sentada de pernas cruzadas na ponta da mesa de centro. Segurava uma caneca de café fumegante em uma mão e o celular na outra, girando os anéis de prata com o polegar.

Itachi estava sentado logo atrás dela, no chão, com as costas apoiadas no sofá e os olhos semicerrados, com a calma habitual de quem havia sobrevivido à noite anterior sem perder a elegância. Ele tinha uma das mãos descansando distraidamente no tornozelo de Lis, o polegar fazendo carinho na pele macia logo acima da meia.

— Gente — Lis soltou, a voz límpida e alta demais para o estado deplorável dos presentes.

Três pessoas gemeram em protesto imediato.

— Lis, fala baixo — Naruto choramingou do chão. — O som da sua voz vibra no meu crânio como um tambor de guerra.

— Deixa de ser maricas, Naruto. Eu tenho uma questão muito séria de negócios para discutir com vocês — ela continuou, ignorando solenemente o sofrimento do irmão. Lis apoiou os cotovelos nos joelhos, inclinou-se para frente e olhou para a plateia de zumbis. — Estava pensando aqui... e se eu abrisse um OnlyFans? Vocês me apoiariam?

O silêncio que se seguiu não foi de choque moral, mas da mais pura inércia cognitiva provocada pelo excesso de tequila.

Sasuke foi o primeiro a abrir um dos olhos, fitando a cunhada com ceticismo cirúrgico.

— Se isso gerar dinheiro suficiente para você alugar uma casa bem longe de mim e nunca mais pisar na minha sala de estar em um fim de semana — disse Sasuke, a voz seca —, eu assino o plano vitalício agora mesmo.

Naruto ergueu a cabeça do carpete com um solavanco, piscando os olhos azuis com esforço.

— Espera aí... quanto dinheiro isso dá?

— Bastante — Lis deu de ombros, bebericando o café. — Tem gringa tirando cinquenta mil dólares por mês só postando foto do dedão do pé ou comendo bolo de lingerie.

— Cinquenta mil?! — Naruto se sentou em um pulo, esquecendo a própria ressaca por três segundos, antes de levar a mão à cabeça com uma careta de dor. — Porra, Lis! Abre essa merda ontem! Se você ficar podre de rica, você paga as minhas parcelas da moto e aquele conjunto de facas de cerâmica que o Sasuke não me deixou comprar! Apoio cem por cento!

— Você é uma vergonha para o conceito de irmão protetor, Naruto — Sakura murmurou da poltrona, com uma compressa fria no rosto. Mas então ela empurrou a toalha para cima, encarando Lis de cima a baixo com aprovação estética. — Mas, falando sério, Lis... seu corpo é lindo pra caralho. Aquele quadril e a cinturinha não deveriam ser mantidos em segredo. Feminismo, empoderamento e autonomia financeira. Eu super apoio. A Hinata concorda, não concorda, amor?

Hinata, que ainda estava com as bochechas ligeiramente vermelhas, pigarreou baixinho e sorriu com timidez.

— E-eu acho que você tem muito estilo, Lis... Se é o que você quer fazer, nós com certeza vamos te apoiar.

— Viu só? A Hinata é a única pessoa sensata dessa família adotiva — Lis sorriu vitoriosa, piscando para a perolada.

— Espera, me deixa entrar nisso — Ino se intrometeu, sentando-se ereta e subitamente recuperando a energia vital ao farejar uma oportunidade de branding. — Mulher, você tem o visual alternativo perfeito. Cabelo cacheado com raiz vermelha, essa vibe gótica, anéis de prata, coturno... Os gringos piram em e-girls nesse estilo! Eu cuido da paleta de cores do seu feed, faço o marketing no Twitter e escolho os cenários. Quinze por cento de comissão para mim e você fica milionária em três meses.

— Posso ajudar a produzir ilustrações conceituais anatômicas para os assinantes vip — Sai sugeriu, com seu habitual sorriso cândido e sereno. — Tenho estudado as proporções da Lis e as curvas dela têm uma ótima distribuição de sombras.

— Sai, cala a boca antes que o meu irmão decida cometer um homicídio — Sasuke avisou, massageando as têmporas.

No canto, Shikamaru bocejou tão profundamente que a mandíbula estalou.

— Problemático demais... — murmurou ele, ajeitando os óculos escuros no nariz. — Mas se você estiver ocupada tirando fotos sensuais, não vai ter tempo de inventar jogos de bebida idiotas que destroem a minha vida. Meu voto é sim.

— Capitalismo selvagem — Temari sentenciou, dando um tapa estalado na coxa de Shikamaru. — Homem na internet tem mais é que pagar caro para ver mulher bonita. Arranca até o último centavo deles, garota.

— O FOGO DA JUVENTUDE EMPREENDEDORA! — Rock Lee berrou do meio da cozinha, erguendo o punho fechado para o teto enquanto Gaara apenas assentia em silêncio ao lado dele, bebericando seu café com uma solenidade quase religiosa.

Lis não aguentou e caiu na gargalhada. Jogou a cabeça para trás, os cachos volumosos balançando sobre os ombros, adorando o fato de que aquele bando de degenerados não tinha um pingo de pudor tradicional.

Ela então baixou os olhos para o homem que ainda mantinha a mão firme e possessiva ao redor do seu tornozelo.

Itachi não havia dito uma única palavra durante todo o debate sobre a monetização do corpo da namorada. Ele permanecia perfeitamente sereno, o rosto desenhado em linhas calmas e os olhos escuros fixos nela, carregados daquela intensidade calculada que sempre fazia o estômago de Lis dar cambalhotas deliciosas.

— E você, Uchiha? — provocou Lis, deslizando a ponta do pé descalço pelo peito dele, sentindo os músculos firmes sob o tecido fino da camisa preta. — Não vai dar sua opinião profissional de namorado ciumento? Todo mundo apoia. A democracia falou.

Itachi ergueu a mão livre, segurou os dedos do pé dela com delicadeza e puxou devagar, fazendo-a deslizar da mesa diretamente para o colo dele no chão. Lis soltou um gritinho abafado quando colidiu com o peito largo dele, rindo enquanto cruzava os braços ao redor do pescoço de Itachi.

Ele ajeitou o peso dela em seu colo com a facilidade habitual. Seus olhos negros percorreram o rosto zombeteiro de Lis, descendo pela clavícula exposta até a fenda entre os seios que a camiseta larga não conseguia cobrir totalmente.

— Eu apoio totalmente a sua independência financeira, Lis — disse Itachi, a voz grave, macia e perigosamente baixa, quase um ronronar rente aos lábios dela. — Contanto que você deixe algumas cláusulas bem claras no contrato.

— Ah, é? E quais seriam as cláusulas? — ela desafiou, erguendo o queixo com petulância.

— Primeiro: eu sou o único fotógrafo autorizado — ele murmurou, a ponta dos dedos subindo lentamente pela lateral da coxa dela, puxando a barra da camiseta para cima, milímetro por milímetro. — E segundo... tudo o que você for gravar que envolva contato físico continuará sendo de exclusividade minha. Ninguém mais toca. Ninguém mais chega perto.

O arrepio percorreu a espinha de Lis como uma descarga elétrica. As pupilas de Itachi se dilataram, o tom de posse velada em sua voz desmontando qualquer vestígio de deboche que ela pretendia usar.

— Tá bom, chega, vão para um motel ou sumam da minha frente! — Sasuke protestou, cobrindo os olhos com o antebraço. — Eu já disse que não aguento mais a tensão sexual de vocês na minha sala!

Lis deu uma risadinha rouca, mas não quebrou o contato visual com Itachi. Havia um fogo escuro queimando no fundo dos olhos dele que não tinha nada a ver com a ressaca e tudo a ver com a forma como ela o estava desafiando a manhã inteira.

— Vem — sussurrou Lis contra a orelha dele, mordiscando de leve o lóbulo sensível. — Vamos fazer o teste de câmera no quarto.

Itachi não precisou de um segundo convite. Em um movimento ágil e impecável, ele se levantou do chão trazendo Lis em seus braços, erguendo-a sem o menor esforço enquanto ela enrolava as pernas em sua cintura.

— Ei, se precisarem de dicas de iluminação... — Ino tentou gritar da sala.

— Vão se foder todos vocês! — Lis gritou de volta por cima do ombro de Itachi, antes que ele abrisse a porta do quarto de hóspedes com o cotovelo e a batesse com o calcanhar, girando a chave na fechadura com um clique definitivo.

O barulho da sala foi cortado no mesmo instante.

Itachi prensou o corpo de Lis contra a porta de madeira, as mãos descendo com firmeza irresistível para apertar a carne macia da bunda dela por baixo da camiseta. A boca dele colidiu com a dela com uma fome que não deixava espaço para dúvidas: a calmaria pública de Itachi tinha acabado no exato segundo em que a fechadura trancou.

— OnlyFans, Lis? — ele murmurou entre beijos sôfregos, os dentes puxando o lábio inferior dela com força suficiente para arrancar um suspiro entrecortado. — Você adora me testar, não adora?

— E você adora fingir que é civilizado na frente dos meus amigos — rebateu ela, ofegante, as unhas cravando na nuca dele enquanto puxava os cabelos compridos e lisos. — Mas eu sei que por dentro você estava surtando só de pensar em outros homens olhando para mim.

— Eu não surto, querida — sussurrou ele, a voz descendo uma oitava, tornando-se áspera de desejo puro. — Eu apenas reivindico o que é meu.

Com um puxão firme, Itachi rasgou a barra da camiseta larga dela para o lado, expondo um dos seios fartos de Lis. Ele não perdeu tempo: inclinou a cabeça e abocanhou o mamilo escurecido e já rígido, sugando com força, usando a língua quente em círculos precisos que fizeram Lis arquear as costas contra a porta, soltando um gemido rouco e molhado.

— Itachi... porra... — ela arfou, os dedos entrelaçando-se nos fios escuros dele, empurrando a cabeça dele contra o próprio peito.

Ele desceu com ela para a cama, deitando-a no colchão e livrando-se da camiseta dela em um movimento fluido. Lis puxou a própria calcinha de renda preta pelas pernas, chutando-a para longe no chão do quarto, completamente aberta e exposta sob o olhar predatório do Uchiha.

Itachi desabotoou a própria calça com pressa contida, livrando-se das roupas até estar totalmente nu diante dela. O membro espesso e pulsante apontava ereto contra o abdômen rígido. Lis umedeceu os lábios ressecados com a ponta da língua, o ventre queimando de antecipação.

Ele se posicionou entre as coxas dela, apoiando os antebraços musculosos ao lado da cabeça de Lis, mantendo o peso do corpo sobre ela.

— Fala para mim — ele exigiu em voz baixa, roçando a cabeça do membro quente contra a entrada encharcada eLatejante dela, sem entrar, torturando-a com a proximidade. — De quem é essa boca debochada?

— Sua... — ela gemeu, tentando erguer os quadris para buscar a penetração, mas Itachi segurou sua cintura com uma mão de ferro, impedindo o movimento.

— E esse corpo?

— Seu, porra... é tudo seu, Itachi, entra logo! — ela implorou, as unhas cravando nas costas largas dele, deixando marcas vermelhas na pele pálida.

Itachi sorriu, um meio sorriso carregado de triunfo sombrio, e empurrou os quadris para frente com força e precisão, enterrando-se fundo nela de uma só vez.

O grito de Lis morreu em sua garganta quando a boca de Itachi selou a sua em um beijo profundo, engolindo os sons do prazer dela enquanto a preenchia por completo. A queimação deliciosa fez os olhos de Lis arderem, as paredes internas dela se contraindo com violência ao redor da grossura que a invadia.

Sem perder tempo, ele estabeleceu um ritmo frenético e implacável.

As estocadas eram duras, certeiras, fazendo a cabeceira da cama bater compassadamente contra a parede. Lis mantinha os calcanhares cravados na lombar dele, puxando-o para que entrasse ainda mais fundo, sentindo cada centímetro da extensão de Itachi bater no fundo do seu colo do útero a cada investida.

— Você é perfeita demais para eu dividir com o mundo — ele grunhiu rente ao pescoço dela, a respiração queimando a pele de Lis enquanto desferia golpes rápidos e potentes de quadril. — Você me enlouquece, Lis.

— Então me fode como se eu fosse sua... — ela arfou, mordendo o ombro dele até sentir o gosto salgado de sua pele. — Mais rápido... Itachi, por favor...

Itachi obedeceu com ferocidade. Ele segurou as coxas dela, erguendo as pernas de Lis e apoiando-as sobre os próprios ombros, abrindo-a ainda mais enquanto cravava investidas tão profundas que faziam o quarto ecoar com o som úmido e ritmado dos corpos colidindo.

A fricção no ponto exato foi demais para o autocontrole de Lis. O calor acumulado explodiu em uma onda avassaladora de choques elétricos, fazendo suas pernas tremerem incontrolavelmente enquanto ela se desmanchava em um orgasmo devastador, apertando o membro de Itachi com tanta força que arrancou um rugido rouco da garganta dele.

Sentindo o clímax dela ordenhá-lo, Itachi desceu as pernas dela, segurou os lençóis com os punhos cerrados e acelerou as últimas cinco estocadas com toda a força do seu corpo. Com um gemido abafado contra os cabelos cacheados dela, ele se derramou quente, espesso e profundo dentro de Lis, pulsando por longos segundos enquanto seu corpo estremecia sobre o dela.

O silêncio voltou a reinar no quarto, quebrado apenas pelos suspiros pesados e pelas batidas descompassadas de dois corações acelerados.

Itachi desabou sobre Lis com cuidado para não esmagá-la, enterrando o rosto no pescoço dela, sentindo o peito dela subir e descer rapidamente contra o seu. Ele deslizou uma das mãos pelo rosto suado da namorada, afastando as mechas rebeldes com uma ternura que contrastava absurdamente com a violência deliciosa de minutos atrás.

Lis soltou uma risadinha fraca, ainda sentindo pequenos espasmos no ventre.

— Então... — ela sussurrou com a voz rouca, os braços frouxamente caídos ao redor dos ombros dele. — Isso significa que o senhor aprova o meu projeto empreendedor?

Itachi ergueu o rosto devagar, encarando os olhos escuros e brilhantes dela. Ele depositou um beijo casto na ponta do nariz avermelhado de Lis e deu um meio sorriso.

— Significa que eu teria que passar o resto da minha vida caçando e eliminando assinantes na internet, e isso daria muito trabalho — murmurou ele, ajeitando o lençol para cobrir os dois corpos nus. — Então não. Sem OnlyFans. Eu banco os seus caprichos e as idiotices do seu irmão, se for o caso.

Lis gargalhou baixinho, aconchegando-se no peito dele, passando a perna por cima do quadril de Itachi e fechando os olhos em puro contentamento.

— Era só o que eu queria ouvir, meu amor. O Naruto vai adorar saber que você vai pagar as facas de cerâmica dele.

— O Naruto vai lavar o meu carro por um ano antes de ver um centavo meu — Itachi retrucou calmamente, fechando os olhos e beijando o topo da cabeça de Lis.

Do outro lado da porta, no corredor, uma voz abafada e sonolenta de Naruto quebrou a paz:

— Ô Lis! A Ino pediu uma pizza de calabresa e o Sasuke disse que se você não sair desse quarto até a pizza chegar, ele come o seu pedaço!

Lis apenas apertou o abraço em Itachi, ignorando o chamado enquanto sorria contra a pele quente dele, sabendo perfeitamente que, mesmo no meio daquele grupo disfuncional e barulhento, ela já tinha exatamente tudo o que precisava.

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