Feel the bass.
Sinfonia de Carne e Ferro
O ar do camarim em Berlim estava saturado com o cheiro de couro, tabaco e uma tensão que já durava tempo demais. Alexander estava sentado em frente ao espelho, observando as olheiras profundas que a turnê europeia havia esculpido em seu rosto. Fazia exatamente um mês. Trinta dias de hotéis separados por exigência de uma equipe de marketing que queria vender a imagem de "solteiros cobiçados", trinta dias de toques furtivos nos bastidores que nunca passavam de um aperto de mão mais longo ou um olhar carregado durante os ensaios.
Ele sentia que ia explodir. Alexander não era uma pessoa de meias-medidas; ele era um masoquista que precisava da dor para sentir o prazer, e a abstinência forçada estava transformando seu humor em algo sombrio e cortante como uma navalha. Ele girava uma palheta de metal entre os dedos, o tilintar contra o anel de prata sendo o único som na sala até que a porta foi aberta com uma violência desnecessária.
Isaac entrou como uma tempestade. Ele não parecia o baixista sorridente que flertava com a câmera. Ele parecia um animal enjaulado. A jaqueta de couro estava jogada sobre os ombros, e o suor do ensaio de som fazia sua camisa branca grudar no peito. Ele não disse uma palavra, apenas caminhou até o frigobar, pegou uma garrafa de água e a esvaziou em segundos, jogando o plástico vazio no chão.
— Você está errando o tempo de "Veludo Azul" — disse Alexander, sem desviar os olhos do espelho. — Três vezes hoje, Isaac. Você está acelerando como se estivesse fugindo de alguém.
Isaac virou-se, os olhos brilhando com uma raiva que Alexander conhecia muito bem. Era a raiva da necessidade reprimida.
— Eu não estou errando o tempo, Valentino. Eu estou tentando dar alguma vida para essa música morta que você insiste em tocar como se estivesse em um funeral — Isaac rosnou, aproximando-se da cadeira de Alexander. — Talvez se você parasse de agir como uma estátua de mármore e realmente tocasse a guitarra, eu não precisasse carregar a banda nas costas.
Alexander levantou-se lentamente, a altura quase igual à de Isaac permitindo que eles ficassem cara a cara, as respirações se misturando em um ritmo frenético.
— Você acha que está carregando alguma coisa? — Alexander riu, um som seco e cruel. — Você é apenas o ritmo que eu permito que exista. Sem as minhas notas, você é só barulho, Moonthorn.
Isaac agarrou Alexander pelo colarinho do terno de veludo, prensando-o contra a mesa de maquiagem. Potes de pó e pincéis caíram no chão, mas nenhum dos dois se importou.
— Eu estou farto de você — sibilou Isaac, o rosto a centímetros do de Alexander. — Farto desse seu controle, dessa sua pose de mestre. Eu quero quebrar você.
— Então quebre — desafiou Alexander, as mãos subindo para os cabelos de Isaac e puxando-os com força, forçando a cabeça do baixista para trás. — Mas faça agora. Porque se você não me tocar, eu juro que vou destruir este camarim e a sua cara junto com ele.
O beijo que se seguiu não teve nada de romântico. Foi um choque de dentes, um gosto de ferro e fúria. Isaac empurrou Alexander para o chão, por cima do tapete persa desgastado, e começou a arrancar as roupas do guitarrista com uma impaciência que beirava o masoquismo. Alexander ajudava, os dedos trêmulos lutando contra o cinto de couro de Isaac.
Quando ambos estavam nus sob a luz fria dos refletores do camarim, o ar pareceu carregar-se de eletricidade estática. Isaac não deu tempo para preliminares suaves. Ele forçou Alexander a ficar de joelhos e, segurando-o pelos cabelos escuros e cacheados, guiou-o para o que ambos desejavam há semanas.
— Engula — ordenou Isaac, a voz rouca de comando. — Quero que você sinta o quanto eu precisei disso.
Alexander obedeceu com uma entrega absoluta. O *deep throating* era agressivo, o ritmo ditado pelas mãos de Isaac que não soltavam os fios longos de Alexander. O guitarrista lacrimejava, o rosto ficando vermelho pelo esforço, mas ele não recuava. Ele adorava o poder que Isaac exercia naquele momento, a forma como o baixista parecia querer possuir até mesmo a sua respiração.
Isaac o puxou para cima após alguns minutos, virando-o e forçando-o a se sentar no sofá de couro. Alexander mal teve tempo de respirar antes de Isaac se posicionar.
— *Face sitting*, Rio — comandou Isaac. — Quero que você saiba exatamente quem está no comando hoje.
Alexander sentiu o peso de Isaac sobre seu rosto, o cheiro de pele e desejo bloqueando todos os seus sentidos. Ele usou a língua e as mãos para explorar Isaac, enquanto o baixista gemia alto, as mãos cravadas nos ombros de Alexander. Era um jogo de asfixia e prazer que os levava ao limite da sanidade.
— Chega — Alexander murmurou, empurrando Isaac apenas o suficiente para mudarem de posição.
Ele se deitou no sofá, as pernas para cima, e puxou Isaac para um *69*. O contato mútuo era frenético, um espelho de sua música: complexo, intenso e visceral. Alexander concentrou-se no mamilo de Isaac, mordendo o metal do piercing dele com uma força que arrancou um grito de dor e prazer do baixista.
— Você é um animal — arquejou Isaac, separando-se por um momento para pegar um estojo de couro que Alexander sempre deixava por perto.
Alexander sorriu de forma sombria enquanto via Isaac tirar dois brinquedos de silicone de tamanhos consideráveis.
— Você disse que queria me quebrar, Moonthorn — lembrou Alexander, a voz aveludada carregada de desafio. — O mundo acha que somos anjos. Mostre a eles o quanto somos podres.
Isaac preparou Alexander com uma rapidez brutal, o lubrificante sendo a única concessão à anatomia humana. Ele posicionou os dois objetos e, com um movimento firme, iniciou a *double penetration*. Alexander soltou um grito que foi abafado pela mão de Isaac em sua boca. Seus olhos reviraram, o corpo tremendo violentamente sob o impacto.
— Olhe para mim! — ordenou Isaac, retirando a mão. — Sinta isso. Sinta o que você me fez passar por um mês inteiro.
Alexander não conseguia articular palavras. Ele apenas arqueava as costas, as unhas cravando-se no couro do sofá. A dor era magnífica, uma sinfonia de terminações nervosas explodindo em uníssono. Isaac começou a se mover junto com os objetos, criando um ritmo triplo que desafiava a lógica.
— Isaac... por favor... — Alexander suplicou, a voz falhando.
— Por favor o quê, Rio? Mais rápido? Mais fundo?
— Tudo! — gritou Alexander.
Nesse momento, Isaac parou por um segundo, seus olhos fixos em um detalhe que ele raramente via de perto com tanta luz. No baixo ventre de Alexander, logo acima da raiz do membro, brilhava um novo piercing: uma barra de titânio que Alexander havia colocado em segredo durante a estadia em Paris.
— Quando você fez isso? — perguntou Isaac, a voz perigosamente baixa.
— Na semana passada — Alexander sorriu, apesar da dor. — Eu queria que você tivesse algo novo para morder quando finalmente perdesse o controle.
Isaac rosnou e atacou o metal com os dentes, puxando levemente, fazendo Alexander ganir e se contorcer. A mistura de sensações era avassaladora. Isaac voltou a se mover, desta vez com uma fúria renovada, o *angry sex* atingindo seu ápice. Não havia mais espaço para o refinamento de Alexander ou a timidez de Isaac. Havia apenas carne, suor e o som rítmico dos corpos se chocando contra o sofá.
O ápice veio como uma explosão de som distorcido. Alexander sentiu o mundo desaparecer em uma névoa branca enquanto seu corpo entrava em colapso. Isaac desabou sobre ele, a respiração tão pesada que parecia que ambos tinham acabado de correr uma maratona.
Minutos se passaram em um silêncio absoluto, interrompido apenas pelo zumbido do ar-condicionado. Isaac foi o primeiro a se mover, retirando-se lentamente e limpando o que podia com as camisas descartadas no chão.
— Valentino? — chamou Isaac, vendo que o guitarrista ainda não tinha se movido.
Alexander tentou se sentar, mas suas pernas simplesmente não responderam. Ele desabou de volta no sofá, um riso fraco e rouco escapando de seus lábios.
— Eu acho... que você conseguiu — murmurou Alexander.
— Consegui o quê?
— Me quebrar. Eu literalmente não sinto minhas pernas, Isaac. Elas são como gelatina.
Isaac sorriu, o sarcasmo voltando lentamente ao seu rosto, embora seus olhos ainda transbordassem adoração.
— Bom. Assim você para de andar de um lado para o outro no palco e foca na droga da melodia.
— Você é um idiota — Alexander tentou chutar Isaac, mas seu pé mal se moveu alguns centímetros. — Me ajuda a chegar no chuveiro. Temos um show em duas horas.
— Você não vai conseguir tocar de pé, vai? — Isaac perguntou, genuinamente preocupado agora, enquanto o pegava no colo no estilo noiva.
Alexander encostou a cabeça no ombro de Isaac, sentindo o cheiro de suor e a vibração da voz do outro.
— Eu toco sentado em um trono se for preciso. Os Oceans vão achar que faz parte do conceito "rei caído" da turnê. Mas você vai ter que me carregar até o palco.
Isaac o levou para o banheiro, colocando-o com cuidado sob a água morna. Ele observou Alexander, o cabelo longo grudado nas costas, as marcas de dedos em suas coxas e o novo piercing brilhando sob a luz.
— Valeu a pena esperar um mês? — perguntou Isaac, passando o sabonete suavemente pelos ombros do guitarrista.
Alexander abriu os olhos, a indiferença habitual substituída por uma lealdade feroz.
— Eu esperaria uma vida inteira, Lua. Desde que o final da música fosse sempre você.
Isaac beijou o topo da cabeça de Alexander, o silêncio do camarim agora preenchido por uma paz que só o caos absoluto poderia proporcionar. Eles eram Alexander e Isaac. Eram a tempestade e o porto seguro. E, enquanto a música tocasse, eles seriam indestrutíveis, mesmo que Alexander Valentino passasse o resto da noite sem conseguir dar um único passo sozinho.