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Filha perdida do stark

O Novo Rosto do Passado e a Fuga de Nova York

A manhã no Complexo dos Vingadores começou com um silêncio atípico, interrompido apenas pelo som metálico de ferramentas na oficina de Tony e pelo aroma de café forte que vinha da cozinha. Duda estava sentada à mesa da ilha, revisando alguns relatórios administrativos que seu pai insistira que ela analisasse. Ela usava um short jeans e uma camiseta larga do MIT que "emprestara" de Tony, seus cachos presos em um coque desleixado enquanto seus olhos castanhos devoravam as planilhas.

— Você sabe que esses números não vão fugir se você piscar, não é? — Sam Wilson entrou na cozinha, ostentando um sorriso de quem sabia de um segredo muito bom.

— Eu sei, Sam. Mas se eu não organizar isso, meu pai vai criar um algoritmo para fazer por mim, e eu gosto de me sentir útil sem depender de inteligência artificial o tempo todo — Duda respondeu, fechando o tablet e alongando os braços. — Onde está todo mundo? O complexo parece um deserto.

Sam pegou uma caneca e serviu-se de café, encostando-se no balcão de forma casual.

— O Stark está enfurnado na oficina tentando criar um drone que detecte "batimentos cardíacos suspeitos" em sargentos centenários. E o Bucky... bem, o Bucky decidiu que era hora de uma renovação.

Duda arqueou uma sobrancelha, interessada.

— Renovação? O que isso significa? Ele finalmente resolveu trocar aquela jaqueta de couro que ele usa desde 2014?

— Melhor que isso — Sam deu uma piscadela. — Ele está no setor médico com a Natasha. Digamos que ele cansou de parecer um membro de uma banda de rock dos anos 90 que deu errado.

Antes que Duda pudesse perguntar mais, o som das portas automáticas se abrindo chamou a atenção dos dois. Bucky Barnes entrou na sala, mas não era o Bucky que Duda conhecia. O cabelo longo e desgrenhado, que sempre caía sobre seus olhos e lhe dava um ar de mistério sombrio, havia sumido. Agora, ele exibia um corte moderno, curto nas laterais e levemente mais volumoso no topo, destacando as linhas fortes de seu maxilar e a intensidade de seus olhos azuis. Ele estava barbeado, revelando um rosto que parecia ter rejuvenescido dez anos.

Duda sentiu o ar escapar de seus pulmões. Ela ficou paralisada, a caneca de chá a meio caminho da boca. Bucky parecia desconfortável, passando a mão pela nuca agora exposta.

— Ficou tão ruim assim? — perguntou Bucky, sua voz grave soando um pouco incerta enquanto ele olhava para Duda.

— Ruim? — Duda finalmente conseguiu falar, levantando-se da cadeira. Ela caminhou até ele, analisando cada detalhe do novo visual. — James... você está... uau.

— "Uau" é uma classificação clínica ou apenas uma observação estética? — Bucky brincou, um meio sorriso surgindo em seus lábios.

— É uma observação de que meu pai vai precisar de um exército inteiro para me manter longe de você agora — Duda admitiu, perdendo a compostura profissional. Ela estendeu a mão e tocou suavemente o cabelo curto dele. — Você está incrível. Parece que finalmente deixou o Soldado Invernal para trás e trouxe o James Buchanan Barnes de volta.

Sam soltou um assobio baixo, divertindo-se com a cena.

— Eu disse que o corte ia fazer sucesso. Agora ele só precisa de roupas que não tenham sido roubadas de um museu do Smithsonian.

Bucky revirou os olhos para o amigo, mas não desviou o olhar de Duda. Havia uma eletricidade renovada entre eles, uma leveza que o novo visual parecia ter catalisado.

— Então — Sam continuou, aproximando-se dos dois com um ar conspiratório —, já que o "papai protetor" está ocupado instalando sensores de movimento até nos banheiros, eu tive uma ideia. Vocês dois precisam sair daqui. Um encontro de verdade, longe de câmeras, IAs e armaduras voadoras.

— O Tony me mataria — disse Bucky, embora seus olhos brilhassem com a ideia. — E depois me ressuscitaria só para me matar de novo.

— Não se ele não souber — Sam sorriu, tirando um par de chaves do bolso. — Eu tenho um carro comum, nada de tecnologia Stark, estacionado no setor sul, fora do alcance dos sensores da Sexta-Feira. Eu cuido da rede. Posso criar um loop nas câmeras por quatro horas. É o tempo de vocês jantarem e voltarem.

Duda olhou para Sam e depois para Bucky. O espírito brasileiro dela, acostumado a dar um "jeitinho" nas coisas, falou mais alto.

— Eu topo. Se eu passar mais uma noite analisando planilhas de logística enquanto meu pai me vigia pelo teto, eu vou ter um colapso nervoso.

Bucky sorriu, desta vez de forma completa e radiante.

— Se a psicóloga está dizendo que é necessário para a saúde mental, quem sou eu para discordar?

***

A noite caiu sobre o estado de Nova York, e o plano de Sam funcionou com a precisão de um relógio suíço. Enquanto Tony Stark estava distraído testando uma nova liga de vibranium na oficina, Sam desativou os protocolos de rastreamento de Duda e Bucky sob o pretexto de uma "manutenção de rotina no servidor".

Bucky esperava por Duda perto da saída de serviço. Ele usava uma camisa social escura com as mangas dobradas, revelando o braço de metal apenas o suficiente para ser charmoso, e calças escuras. Quando Duda apareceu, ele sentiu o coração falhar uma batida. Ela estava deslumbrante em um vestido de seda cor de terracota que realçava sua pele morena e abraçava suas curvas de forma elegante, mas sem esforço. Seus cachos estavam soltos e volumosos, e ela usava um batom que fazia Bucky esquecer como se respirava.

— Você está tentando me fazer ter um ataque cardíaco antes mesmo de sairmos do complexo? — Bucky perguntou, estendendo a mão para ela.

— Apenas seguindo o seu exemplo, sargento — ela respondeu, aceitando a mão dele. — Vamos logo antes que o Sam perca o controle do sistema.

Eles entraram no carro de Sam — um sedan comum que não chamaria atenção em lugar nenhum — e dirigiram em direção a uma pequena cidade vizinha, longe do brilho tecnológico dos Vingadores. Bucky dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada na de Duda sobre o console central.

O restaurante era pequeno, iluminado por velas e escondido em uma rua lateral. Não havia ninguém para pedir autógrafos ou perguntar sobre alienígenas. Para o resto do mundo, eles eram apenas um casal atraente desfrutando de uma noite de sexta-feira.

— Sabe — disse Duda, após pedirem o vinho —, eu nunca imaginei que meu primeiro encontro depois de descobrir que sou uma Stark seria com um homem que viveu mais de cem anos e tem um braço de vibranium.

— E eu nunca imaginei que, depois de tudo o que fiz, estaria sentado aqui com uma mulher tão inteligente e bonita que consegue ler minha alma só de olhar para mim — Bucky respondeu, sua voz suave. — Você me faz sentir... normal, Duda. E isso é o maior presente que alguém já me deu.

— Você é normal, James. Ou pelo menos, tão normal quanto qualquer um de nós — ela sorriu, apertando a mão dele. — Todos temos cicatrizes. As suas são apenas mais visíveis. Mas são elas que te trouxeram até aqui.

A conversa fluiu sem esforço. Duda contou sobre sua infância no Rio, sobre o cheiro do mar e a comida de sua mãe, e sobre como sempre se sentiu um pouco "fora de lugar" por ser inteligente demais para sua idade. Bucky, por sua vez, compartilhou memórias que não eram traumas — lembranças de Steve antes do soro, de festas no Brooklyn e de como o mundo parecia mais simples, embora menos colorido, nos anos 40.

— Você sabe que o Tony vai descobrir, não sabe? — Duda perguntou, rindo, enquanto dividiam uma sobremesa.

— Com certeza. Provavelmente o Sam vai ceder sob pressão em menos de dez minutos quando voltarmos — Bucky admitiu. — Mas valeu a pena. Cada segundo.

— Eu também acho — ela se inclinou sobre a mesa, o rosto iluminado pela luz da vela. — E como sua psicóloga particular, eu prescrevo mais momentos como este.

Bucky riu, aproximando seu rosto do dela.

— Eu sou um paciente muito obediente, doutora.

O beijo que se seguiu foi calmo, profundo e cheio de uma promessa que ia além de missões e batalhas. Naquele pequeno restaurante, não havia Hydra, não havia Vingadores, e não havia o peso do mundo. Havia apenas James e Duda.

***

A volta para o Complexo foi silenciosa, mas um silêncio confortável. Quando estacionaram o carro de Sam no local combinado, viram uma figura encostada na parede, esperando por eles. Não era Sam. Era Tony Stark, cruzando os braços e usando seus óculos de realidade aumentada.

— Belo corte de cabelo, Barnes. Realmente destaca o seu lado "fugi com a filha do meu chefe" — Tony disse, sua voz carregada de um sarcasmo que escondia uma ponta de alívio por vê-los seguros.

Duda saiu do carro, ajeitando o vestido.

— Pai, não comece. Foi ideia minha.

— Ah, claro. A "Starkzinha" manipulando o supersoldado. Eu deveria ter previsto isso — Tony caminhou até eles, parando na frente de Bucky. Ele analisou o novo visual do amigo por um longo momento. — Ficou bom, picolé. Mas se eu descobrir que você usou o meu sistema de segurança para criar um "loop" cinematográfico...

— Na verdade, foi o Sam — Bucky disse, sem hesitar, com um brilho travesso nos olhos.

— Eu sabia! — Tony exclamou. — Aquele falcão vai passar o próximo mês limpando os propulsores das minhas armaduras.

Tony se virou para Duda, sua expressão suavizando.

— Você está bem? Se divertiu?

— Muito, pai. Foi o melhor encontro da minha vida — ela disse, dando um beijo no rosto de Tony.

Tony suspirou, olhando de Duda para Bucky. Ele sabia que não podia lutar contra aquilo. Duda tinha a mesma determinação que ele, e Bucky... bem, Bucky era o homem que ele confiava para proteger o que ele tinha de mais precioso, mesmo que isso custasse sua própria sanidade.

— Certo, certo. Entrem logo. O Steve está preocupado e o Sam está tentando convencer o Visão de que o que ele fez não foi uma quebra de protocolo — Tony resmungou, mas colocou a mão no ombro de Bucky enquanto caminhavam. — Mas escuta aqui, Barnes... se o cabelo curto significa que você vai começar a agir como um galã de cinema, eu vou dobrar o seu treinamento com a Natasha.

— Justo — Bucky sorriu para Duda por cima do ombro de Tony.

Enquanto entravam no Complexo, Duda sentiu que sua vida tinha finalmente encontrado um equilíbrio. Ela tinha um pai brilhante e superprotetor, um amigo leal como Sam, e um homem ao seu lado que estava aprendendo a se amar através dos olhos dela. O futuro era incerto, mas com James Barnes e sua nova aparência de "gatão", Duda sabia que qualquer desafio seria apenas mais um capítulo interessante em sua análise da mente — e do coração — humana.