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Foryou

O Predador na Penumbra

O silêncio de Richard Black era mais frio do que a nevasca que quase os matara.

Três semanas haviam se passado desde que o SUV preto fora desenterrado da neve por uma equipe de resgate. Naquela manhã cinzenta, após o calor febril que compartilharam no banco de trás, Richard voltou a vestir sua armadura de gelo. Ele a deixou na porta de seu apartamento com um aceno de cabeça impessoal e uma frase curta: "Descanse. Eu cuido dos detalhes com a família".

Desde então, nada. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhum olhar significativo nos raros eventos corporativos em que se cruzaram. Jhe, com sua mente analítica e orgulho ferido, concluiu o óbvio: fora um mecanismo de sobrevivência. Sexo por calor. Instinto animal mascarado de luxúria. Ele era o mestre do controle, e admitir que possuíra a própria sobrinha em uma vala lamacenta provavelmente não estava nos planos de ascensão da Black Enterprises.

— Então, Jhemini, como eu estava dizendo... a tese sobre macroeconomia comportamental é o que realmente vai definir o mercado no próximo semestre. — A voz de Lucas, seu colega de faculdade, era como um zumbido de mosquito em seu ouvido.

Eles estavam no *L'Éclat*, um restaurante excessivamente caro e pretensioso. Jhe não queria estar ali. Ela aceitara o convite de Lucas apenas para provar a si mesma que Richard não tinha deixado marcas permanentes. Ela usava um vestido de malha fina, cor de vinho, que se moldava ao seu corpo como uma segunda pele. Como o tecido era delicado e o restaurante estava aquecido, ela dispensara o sutiã. O formato de seus seios, firmes e fartos, era evidente a cada movimento que fazia para levar a taça de vinho aos lábios.

— Você não concorda? — Lucas insistiu, inclinando-se para a frente, tentando desesperadamente ganhar a atenção dela.

— Oh, claro. Comportamento é tudo, Lucas. Ás vezes as pessoas agem de formas que nem elas conseguem explicar quando estão sob pressão — respondeu ela, o tom carregado de uma ironia que o rapaz não captou.

Foi então que ela sentiu.

Não foi um barulho, nem um movimento brusco. Foi uma mudança na pressão atmosférica do salão. Um arrepio subiu por sua espinha, o mesmo que ela sentia quando Richard entrava em uma sala. Jhe moveu o olhar lentamente para a direita, em direção à área VIP do restaurante.

Lá estava ele.

Richard estava sentado com quatro homens de meia-idade, provavelmente sócios ou investidores. Ele vestia um terno grafite feito sob medida que gritava poder. Mas ele não estava ouvindo o homem que falava ao seu lado. Seus olhos, escuros como obsidiana, estavam cravados nela.

A intensidade do olhar dele era predatória. Richard observava a curva de seu decote, a marca sutil de seus mamilos contra o tecido vinho, e a mão de Lucas que, naquele momento, ousou tocar o braço de Jhe sobre a mesa. O maxilar de Richard travou. Ela viu o músculo de sua bochecha pulsar.

— Jhe? Você está bem? Está pálida — Lucas perguntou, preocupado.

— Estou ótima — mentiu ela, sentindo o calor subir pelo pescoço. — Só um pouco de calor.

Ela viu Richard se desculpar com os sócios. Ele se levantou com uma elegância letal, sua altura dominando o ambiente instantaneamente. Ele não caminhou; ele marchou em direção à mesa deles, e cada passo parecia ecoar o batimento acelerado do coração de Jhe.

— Jhemini. Que surpresa desagradável encontrá-la aqui — disse Richard, parando à cabeceira da mesa.

A voz dele era um trovão contido. Lucas arregalou os olhos, reconhecendo imediatamente o magnata cujo rosto estampava as capas de revistas de negócios.

— Richard — Jhe respondeu, tentando manter a voz firme, embora suas pernas estivessem trêmulas sob a mesa. — Este é Lucas, um colega da faculdade. Lucas, este é meu tio, Richard Black.

Lucas se levantou apressadamente, estendendo a mão com um sorriso nervoso.

— É uma honra, Sr. Black! Eu acompanho sua trajetória na...

Richard ignorou a mão estendida de Lucas como se ela fosse invisível. Seu olhar nem sequer se desviou de Jhe. Ele analisava o vestido dela com uma desaprovação que escondia um desejo violento.

— Você está vestida para chamar atenção, Jhemini. Achei que tivéssemos conversado sobre manter a discrição da família — disse ele, a voz baixa e perigosa.

— Eu não sabia que o código de vestimenta da família Black incluía o que eu uso em meus encontros particulares — rebateu ela, a persistência e a inteligência brilhando em seus olhos. — E, como você mesmo disse na montanha, as regras não servem de nada em certas situações.

O silêncio que se seguiu foi tenso. Lucas olhava de um para o outro, sentindo que havia algo no ar que ele não conseguia decifrar, algo pesado e elétrico.

— O jantar acabou — declarou Richard, olhando finalmente para Lucas com um desprezo gélido. — Você. Vá embora.

— Como? — Lucas gaguejou. — Senhor, nós ainda nem pedimos o prato principal...

— Eu não gaguejei, rapaz — Richard deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Lucas. Sua altura e largura de ombros o faziam parecer uma força da natureza. — A conta já foi paga. Saia agora, antes que eu decida tornar sua futura carreira no mercado financeiro muito curta.

Lucas olhou para Jhe, buscando socorro, mas ela estava hipnotizada pela arrogância possessiva de Richard. O rapaz pegou seu casaco e saiu quase tropeçando nas próprias pernas, deixando os dois sozinhos sob os olhares curiosos dos outros clientes.

— Você ficou louco? — sibilou Jhe, levantando-se. — Você não pode simplesmente expulsar meus convidados!

— Eu posso fazer o que eu quiser — Richard deu um passo para mais perto, forçando-a a recuar contra a mesa. — Especialmente quando vejo você se exibindo para um idiota qualquer que não sabe nem como tocar em uma mulher como você.

— Eu não estou me exibindo! — protestou ela, embora soubesse que o vestido fora uma escolha deliberadamente provocante. — E você não tem o direito de sentir ciúmes. Você me ignorou por três semanas! Você agiu como se o que aconteceu naquele carro fosse um erro deplorável!

Richard soltou uma risada curta e sem humor, agarrando o braço dela com firmeza, mas sem machucar.

— Ignorar você foi a coisa mais difícil que já fiz, Jhemini. Eu tentei me convencer de que era apenas o frio, que era a adrenalina. Mas ver aquele moleque olhando para os seus seios... ver ele encostando em você...

Ele inclinou o rosto, sussurrando contra o ouvido dela, o hálito quente enviando ondas de choque por seu corpo.

— Eu ainda sinto o seu gosto, Jhe. Eu ainda sinto o calor daquela noite. E eu não vou deixar outro homem chegar perto do que me pertence.

— Eu não pertenço a você — ela murmurou, embora suas mãos tivessem subido para o peito dele, sentindo o coração de Richard martelando tão rápido quanto o dela.

— Pertence. Desde o momento em que você gritou meu nome naquela nevasca.

Richard olhou ao redor, percebendo que os sócios o observavam com curiosidade. Ele não se importava. Ele pegou o casaco de Jhe na cadeira e o jogou sobre os ombros dela, cobrindo o vestido provocante.

— Vamos embora. Agora.

— Para onde? — perguntou ela, a rebeldia lutando contra o desejo.

— Para um lugar onde não haja neve para nos prender, mas onde eu possa terminar o que começamos sem interrupções de estudantes de economia.

Ele a conduziu para fora do restaurante com a mão possessiva em sua cintura. O motorista de Richard já estava com a porta da limusine aberta. Assim que entraram no ambiente privado e luxuoso do banco traseiro, a barreira de gelo que Richard mantivera por semanas evaporou completamente.

Ele a puxou para o seu colo com uma urgência bruta, as mãos grandes subindo por baixo do vestido de vinho, encontrando a pele nua e quente de suas coxas.

— Você é uma tortura, Jhemini Black — rosnou ele, antes de tomar os lábios dela em um beijo que não tinha nada de carinhoso. Era faminto, exigente e carregado de uma promessa de possessão total.

Jhe entregou-se ao beijo, suas mãos puxando o cabelo da nuca dele. Ela percebeu que, por mais inteligente e independente que fosse, havia uma gravidade entre eles que desafiava a lógica.

— Por que o silêncio, Richard? — ela perguntou entre beijos ofegantes, quando ele começou a beijar seu pescoço, descendo para o colo. — Por que me deixou esperando?

— Porque eu sou um homem frio, Jhe. Eu precisava ter certeza de que, se eu cruzasse essa linha novamente, eu não deixaria você ir embora nunca mais. E agora eu tenho certeza.

Ele afastou o tecido do vestido, expondo um de seus seios à luz suave da limusine. A visão dela, tão perfeita e vulnerável sob o seu toque, fez os olhos de Richard brilharem com uma intensidade assustadora.

— Você queria atenção, Jhemini? — ele sussurrou, sua mão apertando o seio dela com uma firmeza que a fez gemer. — Agora você tem toda a minha atenção. E eu garanto que você não vai conseguir pensar em mais nada, nem em ninguém, pelas próximas dez horas.

— Prove — desafiou ela, arqueando as costas, o calor daquela noite na estrada retornando com força total, transformando a luxuosa limusine em seu novo e privado campo de batalha.

Richard sorriu, o sorriso de um predador que finalmente capturara sua presa favorita, e mergulhou, decidido a mostrar a Jhe que, na família Black, as regras podiam ser quebradas, mas as dívidas de desejo eram sempre cobradas com juros.