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Foryou

O Labirinto de Vidro e o Pecado de Cetim

Jhemini não esperou pela resposta de Richard. O mármore do banheiro parecia subitamente gélido demais, e a presença dele, antes um refúgio de calor na nevasca, agora parecia uma jaula asfixiante. Com um movimento brusco, ela se desvencilhou dos braços dele, ajeitando a alça fina do vestido de cetim com uma dignidade que mascarava o tremor em seus dedos.

— Onde você pensa que vai? — a voz de Richard chicoteou o ar, carregada daquela autoridade que costumava dobrar conselhos de administração inteiros.

Jhe parou com a mão na maçaneta, olhando-o por cima do ombro. O batom estava levemente borrado, e seus olhos brilhavam com um desafio que ele nunca vira em nenhuma outra mulher.

— Vou voltar para a festa, Richard. Diferente de você, eu não preciso me esconder em banheiros para conseguir o que quero. E, por favor, não me siga. Vá limpar o rastro de uísque e segredos que você deixou na sua secretária.

Ela saiu antes que ele pudesse reagir, o som de seus saltos ecoando no corredor como batidas de um tambor de guerra. Ao entrar novamente no salão principal, a música da orquestra pareceu ganhar volume, uma sinfonia de violinos que acompanhava a adrenalina correndo em suas veias. Jhe não olhou para trás. Ela sabia que Richard estaria observando, as sombras de seus olhos escuros prontas para consumi-la, mas ela não seria a presa naquela noite.

Ela caminhou até o bar, pedindo um martini seco. Enquanto esperava, sentiu a aproximação de alguém. Não era o peso esmagador de Richard, mas algo mais leve, quase predatório de uma forma convencional.

— Uma mulher tão deslumbrante não deveria beber sozinha em uma noite de gala — disse uma voz masculina, suave e bem treinada.

Jhe virou-se lentamente. O homem à sua frente era jovem, talvez uns vinte e sete anos, com um sorriso fácil e olhos que percorreram o decote de seu vestido com uma apreciação óbvia, mas sem a possessividade sombria à qual ela se acostumara. Era Julian Vane, herdeiro de uma das famílias que competiam com os Black no mercado imobiliário.

Normalmente, Jhemini o teria descartado com uma frase inteligente e cortante. Julian era o tipo de homem que ela considerava "raso". Mas a raiva contra Richard ainda queimava em seu peito, e a visão dele com Elena no bar de gelo era uma ferida aberta.

— Eu não estou sozinha, Julian — disse ela, aceitando a taça do barman e dando um gole lento, mantendo o contato visual. — Estou apenas selecionando melhor minhas companhias.

Julian riu, dando um passo para mais perto, invadindo o espaço pessoal dela de uma forma que ele claramente achava charmosa.

— E eu passei no seu processo de seleção? Porque, honestamente, Jhemini, desde que você entrou neste salão, o resto desta festa parece ter perdido a cor. Esse vestido... é quase um crime contra a saúde cardíaca dos homens presentes.

Jhe sorriu. Foi um sorriso calculado, brilhante e perigoso. Pelo canto do olho, ela viu a figura alta de Richard emergir das sombras perto das colunas de mármore. Ele estava parado, uma estátua de gelo e smoking, observando cada movimento dela.

— Você sempre foi exagerado, Julian — disse Jhe, inclinando a cabeça para o lado, deixando que uma mecha de cabelo caísse propositalmente sobre o ombro nu. — Mas admito que um pouco de exagero é exatamente o que eu preciso agora.

— Então me deixe exagerar um pouco mais — Julian estendeu a mão, tocando levemente o pulso dela, onde o pulso de Jhe ainda batia acelerado. — Há um terraço privado no andar de cima. A vista da cidade é incrível, e a música lá é menos... institucional. O que me diz?

Jhe sentiu o olhar de Richard queimar em suas costas como um ferro em brasa. Ela sabia que estava brincando com fogo, que Richard era um homem que não aceitava perder o que considerava seu, mas a sensação de poder era inebriante. Por anos, ela fora a sobrinha protegida, a Black que questionava as regras mas sempre acabava sob a sombra da linhagem. Naquela noite, ela queria ser o incêndio que Richard não conseguiria apagar.

— O terraço parece perfeito — respondeu ela, sua voz projetada para carregar o suficiente para que, se Richard estivesse ouvindo, ele soubesse exatamente o que estava acontecendo.

Julian, sentindo-se vitorioso, ofereceu o braço. Jhe aceitou, deslizando a mão pelo tecido caro do paletó dele. Enquanto caminhavam em direção às escadarias, ela sentiu a pressão do olhar de Richard diminuir, apenas para ser substituída por uma tensão elétrica que parecia carregar o ar ao redor deles.

No terraço, o ar frio da noite de Nova York atingiu sua pele, fazendo os mamilos de Jhe ficarem rígidos sob o cetim fino do vestido. Ela não usava sutiã, uma escolha que Richard impusera e que agora Julian devorava com os olhos.

— Você é magnífica, Jhemini — Julian sussurrou, aproximando-se por trás enquanto ela olhava para o horizonte de luzes da cidade. — Há algo em você... uma persistência, uma inteligência que brilha mais que esses diamantes.

Ele colocou as mãos na cintura dela, os dedos apertando levemente o tecido. Jhe sentiu um arrepio, mas não era o mesmo choque elétrico que o toque de Richard provocava. Era apenas... pele.

— Você fala demais, Julian — disse ela, virando-se para ele.

Ele entendeu o convite errado. Julian inclinou-se para beijá-la, sua mão subindo pelas costas nuas de Jhe. Ela não se afastou, mas também não se entregou. Ela estava esperando. Esperando pelo momento em que a porta de vidro do terraço se abriria com a força de um furacão.

E aconteceu.

O som do vidro vibrando contra o batente foi o único aviso. Richard Black entrou no terraço como um deus enfurecido saindo das sombras do submundo. Ele não parecia mais o empresário controlado. O maxilar estava travado e a aura de perigo que emanava dele era quase física.

— Saia — a voz de Richard não foi um grito. Foi um comando baixo, gutural, que fez Julian congelar no lugar.

Julian tentou manter a postura, soltando Jhemini mas permanecendo a poucos centímetros dela.

— Black, estamos no meio de uma conversa. Não acho que seja da sua conta como sua sobrinha escolhe passar o tempo...

Richard deu um passo à frente, e a diferença de altura e presença tornou Julian subitamente insignificante.

— Eu não vou repetir, Vane — Richard disse, sua voz vibrando com uma ameaça que Julian, apesar de sua arrogância, foi inteligente o suficiente para reconhecer. — Saia deste terraço agora, ou eu farei questão de que a incorporadora do seu pai não consiga licença para construir nem um canil nesta cidade até o final do século.

Julian olhou para Jhe, buscando algum apoio, mas ela estava apenas observando Richard com uma mistura de triunfo e antecipação. Percebendo que estava em uma batalha que não podia vencer, Julian murmurou algo sobre "falta de classe" e retirou-se apressadamente, deixando os dois sozinhos sob o céu estrelado e frio.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Richard não se moveu. Ele apenas a encarava, a respiração pesada visível no ar frio.

— Você se divertiu? — ele perguntou finalmente, a voz carregada de um sarcasmo amargo. — Dar corda para um idiota como o Vane só para me atingir?

— Eu não estava dando corda, Richard — mentiu ela, caminhando até o parapeito, o cetim do vestido brilhando sob a luz da lua. — Eu estava apenas aproveitando a festa. Você tem a Elena, eu tenho o Julian. Parece um acordo justo para uma família tão moderna quanto a nossa.

Richard atravessou a distância entre eles em dois passos, agarrando o braço dela e virando-a para encará-lo.

— Não ouse comparar o que eu tenho com você a qualquer outra coisa — ele sibilou, os olhos fixos nos dela. — Você sabe muito bem que aquela mulher não significa nada.

— Então por que ela estava tocando você? — Jhe disparou, a mágoa finalmente transparecendo em sua voz inteligente. — Por que você permite que o mundo veja uma versão de você que é disponível, enquanto me mantém escondida como um segredo sujo?

Richard soltou um rosnado baixo, puxando-a para mais perto, até que seus corpos estivessem colados. O calor dele era a única coisa que importava naquele terraço gelado.

— Eu não te mantenho escondida porque tenho vergonha, Jhemini. Eu te mantenho escondida porque sou um homem possessivo e egoísta. Porque se o mundo visse você do jeito que eu vejo... se eles vissem essa chama que você carrega... eu teria que matar cada homem que ousasse olhar para você por mais de um segundo.

Ele desceu a mão pelas costas dela, encontrando a pele nua que Julian acabara de tocar. Richard limpou o lugar com a palma da mão, como se estivesse apagando o toque do outro homem.

— Você é minha — ele sussurrou, a voz agora rouca de desejo. — Desde aquela noite na neve, você deixou de ser apenas uma Black. Você se tornou a minha perdição. E eu não vou deixar um moleque como o Vane colocar as mãos no que eu conquistei com cada grama do meu autocontrole.

Jhe sentiu a resistência derreter. A raiva fora substituída por uma necessidade avassaladora de ser reivindicada por ele, e apenas por ele.

— Você é um arrogante, Richard — ela murmurou, suas mãos subindo para o pescoço dele, puxando-o para baixo.

— E você é persistente demais para o seu próprio bem — ele respondeu, antes de esmagar os lábios nos dela.

O beijo não teve nada de gentil. Foi uma colisão de dentes e línguas, uma batalha por dominância que Richard venceu no momento em que a prensou contra o parapeito de pedra do terraço. As mãos dele, fortes e carinhosas ao mesmo tempo, subiram pelo vestido de cetim, amarfanhando o tecido caro enquanto encontravam a pele macia de suas coxas.

— Aqui não... — ela arfou, embora suas pernas estivessem se abrindo involuntariamente para ele.

— Aqui mesmo — Richard rosnou. — Quero que você sinta o frio lá fora e o meu calor dentro de você. Quero que você se lembre de que não importa quem flerte com você no salão, é o meu nome que você vai gritar no final da noite.

Ele a levantou, sentando-a no parapeito largo. Jhe sentiu o abismo da cidade atrás de suas costas e o abismo ainda mais perigoso que era Richard Black diante dela. Ele se livrou da própria roupa com uma urgência bruta, e quando se uniu a ela, o grito de Jhe foi abafado pelo beijo dele.

O prazer foi agudo, intensificado pelo perigo de estarem ao ar livre, a apenas alguns metros da festa de gala. Richard se movia com uma força rítmica e possessiva, suas mãos nunca deixando os seios perfeitos de Jhe, que saltavam sob o cetim a cada estocada.

— Diga — ele ordenou, a voz vibrando contra o pescoço dela. — De quem você é, Jhemini?

— Sua... — ela gemeu, a cabeça caindo para trás, os olhos fixos nas luzes de Manhattan que pareciam girar ao seu redor. — Eu sou sua, Richard. Sempre fui.

Quando o ápice os atingiu, foi como se a nevasca tivesse retornado, isolando-os do resto do mundo em um casulo de sensações puras. Richard a segurou com força, o coração batendo contra o dela, uma promessa silenciosa de que as barreiras que eles derrubaram nunca seriam reconstruídas.

Minutos depois, ele a ajudou a se recompor, ajeitando o vestido cinza com uma ternura inesperada. Ele beijou a testa dela, um gesto que carregava mais peso do que qualquer declaração de posse.

— Vamos embora — disse ele, a voz voltando ao tom autoritário, mas com uma suavidade que ele reservava apenas para ela. — Tenho uma cobertura que está vazia e uma cama que é muito mais confortável que este parapeito.

— E a festa? — perguntou Jhe, um sorriso travesso surgindo em seus lábios. — E o brinde da família?

Richard deu um sorriso de canto, aquele que fazia Jhe sentir que o mundo era deles para ser queimado.

— A família Black sobreviveu a escândalos piores, Jhemini. Mas eu não sobreviveria a mais um minuto vendo você perto de outro homem.

Eles saíram do terraço de mãos dadas, atravessando o salão de gala com uma confiança que fez as conversas cessarem por onde passavam. Jhe não olhou para Julian, nem para sua mãe, nem para as câmeras dos fotógrafos sociais. Ela olhava apenas para o homem alto e frio ao seu lado, sabendo que, embora as regras tivessem sido questionadas e quebradas, ela encontrara sua verdadeira liberdade no lugar mais improvável: nos braços de Richard Black.

Enquanto entravam no elevador privativo, Jhe percebeu que a insegurança que a assombrava fora substituída por uma certeza inabalável. Ela era inteligente, independente e gentil, mas acima de tudo, ela era a mulher que fizera o gelo de Richard Black derreter, transformando a frieza de uma linhagem em um incêndio que nenhum deles queria apagar.

A porta do elevador se fechou, e no reflexo do espelho, ela viu Richard observando-a com uma fome que prometia que a noite estava apenas começando. A nevasca lá fora podia ter parado, mas dentro deles, a tempestade era eterna.