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Gelo ardente

Lâminas de Desejo e Obsessão

O ar da madrugada na Virgínia era denso, mas dentro do apartamento de Ilia, o ambiente estava carregado com uma voltagem que faria o gelo do rinque evaporar instantaneamente. Yulia sabia que estava brincando com o desastre. Cada fibra de sua educação russa, cada ordem gritada por sua mãe e cada cicatriz em seu quadril diziam para ela recuar, para manter a distância gélida que a tornara famosa. Mas quando Ilia a olhava daquela maneira — com uma fome que ultrapassava a competitividade esportiva —, a "Miss Perfect" se desintegrava.

— Você não deveria estar aqui, Yulia — sussurrou Ilia, embora suas mãos já estivessem possessivamente ancoradas na cintura dela, puxando-a para o espaço entre suas pernas enquanto ele se sentava na borda da mesa da cozinha. — Se a sua mãe sonha que você escapou pela janela do hotel para vir me ver...

— Minha mãe acha que eu sou uma boneca de porcelana que ela pode guardar em uma caixa — interrompeu Yulia, a voz soando mais grave, as mãos subindo pelo peito definido de Ilia, sentindo o calor através da camiseta fina. — Mas ela esqueceu que porcelana corta quando quebra. E eu estou cansada de ser inteira, Ilia.

Ilia soltou um riso rouco, um som que vibrou contra o peito de Yulia. Ele a puxou com força, fazendo com que ela se encaixasse perfeitamente entre suas coxas.

— Então quebre para mim — ele desafiou, os olhos azuis brilhando com uma luxúria perigosa. — Mostre-me o que existe por trás dessa fachada de gelo que ninguém mais consegue tocar.

Ele não esperou por uma resposta. Ilia selou seus lábios com uma agressividade que fez os joelhos de Yulia fraquejarem. Não era um beijo de conforto; era uma reivindicação. A língua dele invadiu a boca dela com a mesma confiança com que ele atacava um quádruplo Axel, explorando cada canto, provocando-a até que ela soltasse um gemido sufocado contra sua boca.

As mãos de Ilia não ficaram paradas. Elas desceram com urgência, apertando as coxas firmes de Yulia antes de subirem por baixo de seu suéter largo. O contato da pele quente dele contra a dela, que ainda carregava o frescor da noite, causou uma explosão de arrepios. Ele encontrou o fecho do sutiã dela com uma destreza irritante, desprendendo-o em um movimento fluido enquanto continuava a devorar seus lábios.

— Você é tão perfeita — ele murmurou entre beijos, descendo para o pescoço dela, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha. — Cada linha, cada músculo... Eu passei anos querendo saber se você teria esse gosto.

Yulia jogou a cabeça para trás, expondo a garganta, as unhas cravando-se nos ombros dele.

— E qual é o gosto, Malinin? — ela provocou, a respiração curta.

— Gosto de pecado e de pódio — ele respondeu, a voz vibrando contra a pele dela. — E eu nunca perco uma competição.

Ele a levantou da mesa como se ela não pesasse nada, as pernas de Yulia envolvendo automaticamente a cintura dele. O atrito de seus corpos, mesmo através do tecido, era uma tortura deliciosa. Ilia a levou em direção ao quarto, mas parou no corredor, prensando-a contra a parede. Ele puxou o suéter dela para cima, livrando-a da peça em um movimento brusco, deixando-a exposta sob a luz fraca.

Os olhos de Ilia percorreram o corpo dela com uma intensidade predatória. Ele parou na cicatriz do quadril, a marca rosada que contava a história de sua queda. Em vez de desviar o olhar, como muitos faziam, ele se inclinou e pressionou um beijo demorado e quente exatamente sobre a marca.

— Isso não é uma fraqueza — ele sussurrou contra a pele dela. — É o lugar onde você se tornou de ferro. E eu vou te fazer esquecer que algum dia isso doeu.

Yulia sentiu uma onda de calor avassaladora. Ela puxou a camiseta dele, desesperada pelo contato total. Quando o tecido caiu, ela maravilhou-se com a musculatura dele — o corpo de um atleta no auge, tenso e pronto para a ação. Ela traçou as linhas do abdômen dele com as pontas dos dedos, sentindo-o estremecer sob seu toque.

— Menos conversa, Ilia — ela ordenou, a voz carregada de desejo. — Me mostre por que te chamam de deus.

Ele sorriu, aquele sorriso arrogante que costumava irritá-la, mas que agora a incendiava. Ele a jogou na cama e, antes que ela pudesse recuperar o fôlego, ele estava sobre ela. Ilia não foi gentil. Ele a explorou com uma fome técnica e passional, suas mãos mapeando cada curva, seus lábios encontrando os pontos mais sensíveis de seu corpo.

Ele desceu o corpo, os beijos tornando-se mais ousados, mais profundos. Quando ele se posicionou entre as pernas dela, Yulia arqueou o corpo, os dedos enroscando-se nos lençóis. A língua dele era habilidosa, provocando sensações que ela nunca permitira que ninguém despertasse. Ela era uma atleta de elite, acostumada a empurrar seu corpo ao limite da dor, mas Ilia a estava empurrando ao limite de um prazer que ela nem sabia que existia.

— Ilia... por favor — ela implorou, a voz sumindo em um suspiro trêmulo.

Ele subiu novamente, olhando-a nos olhos enquanto se livrava do restante de suas roupas. Ele estava tenso, a necessidade estampada em cada linha de seu rosto.

— Diga meu nome de novo — ele exigiu, a voz rouca. — Quero ouvir você admitir que eu sou o único que pode te fazer perder o equilíbrio.

— Você é um idiota egoísta — ela sibilou, puxando-o para baixo —, mas você é o meu idiota. Agora entra em mim, Ilia.

Quando ele finalmente se uniu a ela, o impacto foi físico e emocional. Yulia soltou um grito abafado, as pernas envolvendo as costas dele, puxando-o para mais fundo. O ritmo deles era frenético, uma dança coreografada pelo instinto e pela obsessão. Ilia se movia com uma força bruta, cada estocada fazendo com que Yulia visse estrelas, como se estivesse no meio de uma rotação quádrupla que nunca terminava.

— Você é minha — ele rosnou no ouvido dela, as mãos prendendo os pulsos de Yulia acima da cabeça. — No gelo, no mundo, em qualquer lugar. Você é a única que consegue me acompanhar.

— Eu não sou de ninguém — ela rebateu, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, movendo-se em perfeita sincronia com o dele. — Mas você... você pode tentar me manter.

O prazer subiu como uma onda gigante, uma pressão insuportável que ameaçava explodir. Ilia mudou o ângulo, tornando cada movimento mais profundo, mais intenso, seus olhos nunca deixando os dela. Ele queria ver o momento exato em que a "Miss Perfect" desapareceria.

E aconteceu. Yulia sentiu o mundo desmoronar sob ela. O clímax veio como uma queda livre, um espasmo de puro êxtase que a fez clamar o nome dele enquanto suas unhas deixavam marcas profundas nas costas de Ilia. Ele a seguiu momentos depois, um rosnado de triunfo escapando de seus lábios enquanto ele se derramava dentro dela, o corpo tremendo contra o dela.

Eles ficaram ali, entrelaçados, o suor colando suas peles, o silêncio do quarto quebrado apenas por suas respirações pesadas. Ilia enterrou o rosto no pescoço de Yulia, inalando o cheiro dela.

— Se o meu pai ou a sua mãe entrarem por aquela porta agora — murmurou Ilia, a voz voltando ao tom de deboche, embora ele não fizesse menção de se afastar —, acho que a terceira guerra mundial começa na Virgínia.

Yulia soltou uma risada fraca, acariciando o cabelo loiro dele.

— Pelo menos morreríamos ganhando uma medalha de ouro em algo que não é patinação.

Ilia levantou a cabeça, apoiando-se nos cotovelos para olhá-la. O brilho provocador estava lá, mas havia algo mais profundo, algo que ele raramente mostrava ao mundo.

— Você não vai voltar para a Rússia, Yulia. Não importa o que aconteça. Eu não vou deixar.

— Eu escolhi os EUA, Ilia — ela disse, a voz subitamente séria. — Mas eu não escolhi você. Ainda.

Ele arqueou uma sobrancelha, o desafio voltando aos seus olhos.

— Ah, você escolheu sim. Você só é teimosa demais para admitir. Mas tudo bem. Eu gosto de uma competição longa.

Ele a beijou novamente, desta vez com uma ternura que a surpreendeu, antes de se deitar ao lado dela e puxá-la para o seu peito. Yulia fechou os olhos, sentindo o batimento cardíaco constante de Ilia contra sua orelha. Ela sabia que, no dia seguinte, eles seriam rivais novamente. Ela sabia que teria que lidar com a fúria de sua mãe e com a pressão esmagadora de sua volta às competições.

Mas ali, naquele santuário de lençóis bagunçados e promessas sussurradas, Yulia Karenina não era a "The Lost Girl". Ela era uma mulher que tinha encontrado alguém tão quebrado e tão ambicioso quanto ela.

— Ilia? — ela chamou baixinho, quase pegando no sono.

— Hum?

— Se você limpar minhas lâminas amanhã, eu talvez admita que você foi... aceitável hoje à noite.

Ilia soltou uma gargalhada que ecoou pelo quarto.

— Aceitável? Karenina, você vai implorar por um segundo round antes do café da manhã.

— Tente a sorte, Quad God.

Ele a apertou com mais força, e enquanto o sono os envolvia, ambos sabiam que o gelo da manhã seguinte estaria mais perigoso do que nunca. Porque agora, eles não estavam apenas patinando pela glória. Estavam patinando um pelo outro, e nessa competição, as regras eram ditadas pelo fogo, não pelo frio.

***

As luzes do rinque acenderam-se com um zumbido elétrico às seis da manhã. Yulia estava lá, impecável em seu traje preto, as lâminas cortando o gelo com uma precisão que escondia a exaustão de poucas horas de sono. Ela executava um giro, o corpo uma linha perfeita de tensão e graça.

Do outro lado, Ilia entrou, deslizando com sua arrogância habitual. Ele parou perto de Roman, que o observava com um olhar clínico.

— Você está com olheiras, Ilia — notou Roman. — Treinou demais ontem à noite?

Ilia olhou para Yulia, que acabara de aterrissar um triplo Lutz perfeito e agora o encarava com um desafio silencioso nos olhos.

— Pode-se dizer que sim, pai. Foquei na minha... resistência.

Yulia desviou o olhar, um pequeno sorriso brincando no canto de sua boca. Ela sentia a marca invisível de Ilia em seu corpo, um segredo que queimava sob o tecido térmico. O mundo podia vê-la como a garota perdida, mas ela nunca se sentira tão encontrada.

Elena Karenina entrou no rinque, sua presença como uma nuvem negra. Ela caminhou até a mureta e olhou para a filha.

— Yulia! Mais velocidade! Você está agindo como se estivesse sonhando!

Yulia acelerou. Ela não estava sonhando. Ela estava vivendo um pesadelo glorioso, umnde o seu maior rival era também o seu maior vício. Ela olhou para Ilia enquanto ele se preparava para um salto, e por um segundo, o tempo parou. Eles eram os donos daquele gelo, os prodígios que o mundo não conseguia controlar.

E enquanto as lâminas de Ilia batiam no gelo para o seu quádruplo, Yulia soube que a queda de três anos atrás fora apenas o prelúdio para a ascensão mais escandalosa da história da patinação. Eles iam quebrar todos os recordes. E, se tivessem sorte, iam quebrar um ao outro no processo.