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Gelo em chamas

O Último Salto Antes da Queda

A adrenalina do programa curto ainda pulsava nas veias de Julia como uma corrente elétrica de alta voltagem. Ela havia patinado com uma fúria contida, cada movimento executado com a precisão letal que lhe rendera o apelido de Rainha de Gelo. Os juízes a colocaram no topo da tabela, mas a liderança parecia um prêmio vazio quando ela cruzou o corredor do hotel e viu Ilia Malinin encostado na porta do elevador, ostentando aquela medalha de ouro invisível que sua arrogância sempre projetava.

— Um recorde pessoal, Julia? — Ilia perguntou, a voz carregada de um deboche aveludado enquanto as portas se abriam. — Fiquei impressionado. Achei que você estaria ocupada demais tentando tirar o meu cheiro da sua pele para focar nos eixos do seu Lutz.

Julia entrou no elevador, ignorando o tremor sutil em suas mãos.

— Meus eixos estão perfeitos, Ilia. Diferente da sua aterrissagem no quádruplo Axel. Você quase beijou o gelo. De novo.

— Eu me arrisco, Cenci. É isso que deuses fazem — ele rebateu, entrando logo atrás dela e apertando o botão do andar da cobertura. — Você apenas segue a música como uma boneca de corda. Perfeita, sim. Mas sem vida.

As portas se fecharam, deixando-os confinados no espaço pequeno e espelhado. O perfume dele — uma mistura irritante de sândalo e algo cítrico — preencheu o ar, sufocando a pouca paciência que restava a Julia.

— Sem vida? — Ela se virou para ele, os olhos castanhos faiscando. — Você diz isso porque não suporta o fato de que, mesmo sendo "fria", eu recebo notas de componentes que você só sonha em alcançar. Você é só saltos, Ilia. Um acrobata de circo com patins.

Ilia deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Ele era uma massa de músculos e confiança, a jaqueta da equipe dos EUA aberta, revelando a camiseta branca que marcava seu peito.

— Você sabe muito bem que eu sou muito mais do que saltos — ele sussurrou, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente rouca. — Você sentiu isso ontem na sala de equipamentos. Você sentiu cada centímetro da minha "acrobacia".

— Aquilo foi um erro — Julia sibilou, embora seu corpo estivesse traindo suas palavras, o calor subindo por seu pescoço. — Um momento de fraqueza motivado por frustração.

— Fraqueza? — Ilia soltou uma risada curta e seca. — Julia, você estava implorando. Você estava tão desesperada que quase quebrou o meu protocolo de "garoto de ouro".

O elevador parou no andar dele. Ilia não saiu. Ele apenas segurou a porta aberta com o braço, fixando o olhar no dela.

— Quer provar que é tão fria assim? — Ele desafiou. — Entra no meu quarto. Vamos ver quanto tempo sua máscara de gelo dura antes de eu derretê-la de novo. Ou você está com medo de que a "boneca russa" quebre de vez?

Julia sentiu o desafio como um tapa. O ódio por ele era a única coisa que rivalizava com o desejo avassalador que sentia toda vez que ele a tocava. Sem dizer uma palavra, ela saiu do elevador e caminhou na frente dele pelo corredor atapetado. Ilia sorriu, um sorriso de predador que acabara de ver a presa entrar na armadilha por vontade própria.

Assim que a porta do quarto 1204 se fechou, não houve preliminares gentis. Julia se virou para ele, mas Ilia já estava lá, agarrando-a pela nuca e colando seus lábios nos dela com uma força bruta. O beijo tinha gosto de rivalidade e luxúria acumulada. Julia entrelaçou as mãos no cabelo loiro dele, puxando-o com força, enquanto as mãos de Ilia desciam para apertar sua bunda, levantando-a do chão.

— Você é tão irritante — ela murmurou contra a boca dele, entre respirações ofegantes.

— E você é tão difícil — ele respondeu, empurrando-a em direção à cama king-size. — Mas eu sempre amei um desafio de alto nível.

Ele a jogou no colchão e, em segundos, livrou-se da própria camiseta. Julia ficou por um momento hipnotizada pela visão do corpo dele: a definição dos ombros, as linhas do abdômen que desapareciam sob o cós da calça de moletom. Ele se ajoelhou sobre ela, as mãos descendo para os botões da blusa de seda dela.

— Deixe-me ver o que a Rainha de Gelo esconde sob essas camadas de elegância — ele provocou, abrindo a peça e revelando o sutiã de renda preta que contrastava dramaticamente com a pele pálida dela.

Ilia não esperou. Ele baixou a cabeça, sua língua traçando o contorno dos seios dela, fazendo Julia arquear as costas e soltar um gemido baixo. Ele sabia exatamente onde tocá-la, como provocá-la. Seus dedos habilidosos, acostumados a agarrar as lâminas em saltos complexos, agora se dedicavam a explorar cada curva do corpo dela com uma possessividade que a deixava sem fôlego.

— Ilia... — ela chamou, a voz trêmula.

— O quê? Quer que eu pare? — Ele parou por um segundo, olhando-a nos olhos, o azul de suas íris escurecido pelo desejo.

— Não ouse parar — ela ordenou, puxando-o para baixo para um beijo profundo enquanto suas pernas se envolviam na cintura dele.

Ele se livrou do restante das roupas dela com uma urgência febril. Quando ambos estavam nus, o contraste entre eles era evidente: ela, delicada e firme; ele, potente e indomável. Ilia posicionou-se entre as pernas dela, mas antes de entrar, ele se inclinou, sussurrando em seu ouvido:

— Lembra de Tallinn? Quando você disse que nunca mais queria me ver? Você mentiu para si mesma por três anos, Julia.

— Cala a boca e termina o que começou — ela sibilou, cravando as unhas nas costas dele, deixando marcas vermelhas na pele impecável do atleta.

Ilia entrou nela com uma estocada única e profunda, preenchendo-a completamente. Julia soltou um grito abafado no ombro dele, sentindo o impacto em cada fibra do seu ser. O ritmo que ele impôs era frenético, quase agressivo, como se estivessem competindo novamente, cada movimento uma tentativa de domínio.

— Olha para mim, Julia — ele exigiu, as mãos prendendo as dela contra o travesseiro. — Quero ver o exato momento em que você perde o controle.

Julia abriu os olhos, a visão levemente embaçada pelo suor e pelo prazer. Ela via a determinação no rosto dele, a veia pulsando em seu pescoço, o modo como ele mordia o lábio inferior enquanto se movia dentro dela. Ele não era apenas o "Quad God" agora; ele era o homem que conhecia seus segredos mais sombrios, o único que conseguia fazê-la sentir-se viva e furiosa ao mesmo tempo.

O calor no quarto era sufocante. Julia sentia a tensão crescendo em seu ventre, uma espiral de sensações que ameaçava explodir. Ela começou a se mover com ele, elevando os quadris para encontrá-lo, ditando o próprio ritmo.

— Isso... — Ilia rosnou, a voz quebrada. — Mostra para mim quem você é de verdade.

Ele soltou as mãos dela e as levou para as coxas de Julia, abrindo-as ainda mais, permitindo uma penetração tão profunda que ela sentiu como se estivesse sendo marcada para sempre. O prazer era uma dor doce, uma sobrecarga sensorial que a fazia esquecer as medalhas, os juízes e a pressão da Rússia sobre seus ombros. Ali, naquele quarto, não havia federações, apenas dois corpos colidindo com a força de um desastre natural.

— Ilia, eu vou... — ela começou, a voz falhando.

— Vai, Julia. Quebra para mim — ele incentivou, aumentando a velocidade das estocadas, o som da pele batendo e as respirações pesadas preenchendo o silêncio do quarto.

Quando o ápice a atingiu, foi como uma queda livre após um salto falho, mas sem o impacto doloroso no gelo. Foi uma explosão de cores e sensações que a deixou trêmula e sem palavras. Ilia seguiu logo atrás, um rosnado gutural escapando de sua garganta enquanto ele se descarregava dentro dela, seu corpo inteiro ficando rígido antes de desabar sobre o dela.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelos batimentos cardíacos acelerados de ambos. Ilia enterrou o rosto no pescoço dela, respirando fundo. Julia sentia o peso dele, um peso que, pela primeira vez em anos, não parecia um fardo, mas uma âncora.

Após alguns minutos, Ilia se afastou, sentando-se na beira da cama. Ele passou a mão pelo cabelo bagunçado e olhou para trás, vendo Julia ainda deitada, os olhos fixos no teto, o peito subindo e descendo.

— Sabe — ele disse, o tom de provocação retornando gradualmente —, se você patinar amanhã com metade da intensidade que usou para me arranhar, o ouro é seu.

Julia sentou-se, puxando o lençol para cobrir o corpo, recuperando sua dignidade, embora soubesse que era tarde demais para isso.

— E se você focar tanto no seu programa longo quanto foca em ser um idiota egocêntrico, talvez consiga aterrissar aquele seu quinto quádruplo.

Ilia soltou uma risada alta, genuína. Ele se levantou, caminhando nu até o frigobar para pegar uma garrafa de água.

— É por isso que eu gosto de você, Cenci. Você nunca baixa a guarda. Mesmo quando está coberta de marcas minhas.

— Essas marcas vão sumir, Malinin — ela disse, levantando-se e começando a recolher suas roupas espalhadas pelo chão. — Mas a minha pontuação amanhã vai ficar nos registros para sempre.

Ilia a observou se vestir, um brilho de admiração relutante em seus olhos.

— Veremos. Mas admita: você patina melhor depois de uma noite comigo. Foi assim em Tallinn, e vai ser assim amanhã. Eu sou o seu melhor combustível.

Julia parou na porta, a mão na maçaneta. Ela se virou para ele, um sorriso frio e calculista finalmente aparecendo em seus lábios.

— Você se dá importância demais. Você não é o combustível, Ilia. Você é apenas o gelo que eu preciso quebrar para chegar ao topo.

Ela saiu antes que ele pudesse responder, fechando a porta com um clique seco. No corredor vazio, Julia respirou fundo, sentindo o corpo latejar e o coração ainda inquieto. Ela o odiava com cada fibra de seu ser, mas enquanto caminhava de volta para seu próprio quarto, ela sabia que a Rainha de Gelo tinha acabado de encontrar seu incêndio, e que o programa longo de amanhã seria a performance mais perigosa de sua vida.