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George e ringo

Eco nos Corredores e o Ritmo do Desejo

A poeira de Abbey Road parecia brilhar sob a luz pálida das lâmpadas de emergência. O silêncio que se seguiu ao último encontro no chão do estúdio não durou muito; para Ringo e George, aquele momento não havia sido um final, mas a abertura de uma turnê privada e clandestina. O perigo de serem pegos, em vez de assustá-los, funcionava como um combustível. Era como se cada olhar trocado durante as gravações fosse um código, uma partitura secreta que só os dois sabiam ler.

Três dias depois, eles estavam em um hotel em Paris. O caos da Beatlemania rugia lá fora, uma massa de gritos e flashes que os mantinha prisioneiros em suítes luxuosas. Paul e John estavam na sala de estar, compondo algo novo em um piano vertical que o hotel providenciara. O som de "Michelle" sendo martelada repetidamente ecoava pelas paredes.

George estava encostado na porta do frigobar, tentando ler um livro sobre filosofia indiana, mas seus olhos não conseguiam focar nas palavras. Ele sentia o peso do olhar de Ringo do outro lado da sala. O baterista estava sentado na beirada da cama, batucando nos próprios joelhos, um sorriso travesso brincando em seus lábios.

— Geo — chamou Ringo, a voz baixa o suficiente para não atrair a atenção dos outros dois no cômodo ao lado. — Você sabia que o banheiro desta suíte tem uma acústica incrível?

George levantou os olhos do livro, o sarcasmo brilhando instantaneamente.

— É mesmo, Starkey? E você pretende levar sua bateria para lá agora?

Ringo levantou-se, caminhando com aquela ginga despojada que o tornava irresistível. Ele parou na frente de George, fechando o livro do guitarrista com uma das mãos e pressionando a outra contra o peito dele.

— Eu estava pensando em um instrumento mais... manual — sussurrou Ringo, aproximando o rosto. — E eu preciso de alguém para me ajudar com o ritmo.

George soltou um suspiro pesado, mas suas mãos já estavam descendo para a cintura de Ringo.

— Você é um perigo para a produtividade desta banda.

— E você é um mentiroso, Harrison. Você está adorando cada segundo.

Sem dizer mais nada, Ringo puxou George pela mão em direção ao banheiro da suíte. Eles entraram e trancaram a porta no exato momento em que ouviram a risada alta de John na sala. O contraste entre a normalidade lá fora e a urgência ali dentro era inebriante.

O banheiro era vasto, revestido de mármore frio e espelhos imensos que refletiam a luz suave das arandelas. Assim que a trava da porta estalou, George prensou Ringo contra a parede fria. O choque térmico do mármore nas costas de Ringo fez com que ele soltasse um gemido curto, que foi imediatamente abafado pela boca de George.

O beijo não tinha nada de tímido. Era uma colisão de dentes e línguas, uma fome que parecia crescer a cada hora que passavam fingindo que eram apenas colegas de banda. George apertava os ombros de Ringo, enquanto o baterista puxava o cabelo da nuca de George, forçando-o a aprofundar o contato.

— Aqui? — arfou George, afastando-se apenas alguns milímetros, a respiração quente batendo no rosto de Ringo. — Paul pode bater na porta a qualquer momento querendo usar o espelho para arrumar aquele topete.

— Deixe que ele bata — disse Ringo, com um brilho safado nos olhos azuis. — Ele vai achar que você está meditando e que eu estou... sei lá, limpando meus anéis.

Ringo não esperou por uma tréplica. Ele se ajoelhou no tapete felpudo do banheiro, suas mãos ágeis descendo para o cinto de George. O guitarrista jogou a cabeça para trás, fechando os olhos enquanto sentia os dedos habilidosos de Ringo trabalhando com uma rapidez impressionante.

— Ritchie... — o nome saiu como um sussurro quebrado.

— Shh — murmurou Ringo, olhando para cima com um sorriso travesso antes de continuar. — Apenas aproveite o misticismo, Geo.

A sensação da boca quente de Ringo contra sua pele fez George perder o chão. Ele apoiou as mãos na pia de mármore, os nós dos dedos ficando brancos pela força que exercia. O som da água pingando na banheira parecia sincronizar com as batidas de seu coração. Ringo era engraçado e alegre, sim, mas quando se tratava de prazer, ele era um mestre da improvisação. Ele sabia exatamente como provocar George, usando a língua e os lábios de uma maneira que fazia o guitarrista esquecer qualquer mantra que já tivesse aprendido.

George, incapaz de aguentar apenas a recepção, puxou Ringo para cima com uma urgência renovada. Ele o girou, sentando o baterista na borda larga da banheira de porcelana.

— Minha vez — declarou George, a voz rouca, o sarcasmo dando lugar a um desejo absoluto.

Ele despiu Ringo com uma eficiência silenciosa. O corpo de Ringo era menor, mais compacto, mas transbordava uma energia que George cobiçava. George começou a beijar a linha da mandíbula de Ringo, descendo pelo pescoço, deixando marcas que, com certeza, precisariam de muita maquiagem antes da coletiva de imprensa no dia seguinte.

— Você vai me deixar em pedaços — riu Ringo, embora a risada tenha terminado em um suspiro quando George encontrou um ponto sensível em seu peito.

— Você pediu por isso quando me olhou daquele jeito no café da manhã — rebateu George, subindo o olhar para encarar Ringo.

— Eu só queria saber se você queria mais chá! — provocou Ringo, as mãos agarrando os cabelos de George.

— Você queria era isso — disse George, e então se entregou à exploração do corpo do amigo com uma devoção que beirava o sagrado.

No espaço confinado do banheiro, cada som era amplificado. O roçar das peles, os gemidos abafados contra ombros, o som da respiração curta. George era intenso, seus movimentos eram fluidos como um solo de guitarra bem executado, subindo o tom até que Ringo estivesse arqueando as costas, os dedos dos pés se encolhendo contra o mármore.

— George, agora... por favor — pediu Ringo, a safadeza momentaneamente substituída por uma necessidade crua.

George se posicionou, encarando Ringo nos olhos. Havia algo de muito profundo naquela conexão, algo que ia além do físico, embora o físico fosse, naquele momento, a coisa mais gloriosa do mundo. Quando eles se uniram, Ringo soltou um suspiro longo, escondendo o rosto no pescoço de George, enquanto suas pernas se envolviam na cintura do guitarrista.

O ritmo era frenético, impulsionado pelo medo de serem descobertos e pela paixão que queimava entre eles. A banheira de porcelana rangia levemente sob o peso deles, um som que os fazia rir baixinho entre os beijos, mesmo no ápice do prazer.

— A gente... a gente vai quebrar o hotel — ofegou Ringo, as unhas cravadas nas costas de George.

— Que se dane o hotel — respondeu George, aumentando a intensidade. — Eu pago o conserto.

Quando o fim chegou, foi como uma explosão de cores atrás das pálpebras. Eles ficaram ali, abraçados, o calor de seus corpos combatendo o frio do banheiro de mármore. O silêncio voltou, quebrado apenas pelo som distante de Paul tentando acertar uma nota alta na sala ao lado.

— Ele nunca vai conseguir chegar nesse dó sustenido — comentou George, limpando o suor da testa de Ringo com um beijo carinhoso.

Ringo soltou uma gargalhada baixa, recuperando seu fôlego e seu humor habitual.

— Talvez ele precise vir aqui para o banheiro. A acústica realmente ajuda.

— Nem pense nisso, Starkey — George sorriu, ajudando Ringo a se levantar. — Este lugar agora é território sagrado.

Eles se vestiram rapidamente, ajeitando as roupas com mãos ainda trêmulas. Ringo parou diante do espelho, tentando ajeitar o cabelo bagunçado, enquanto George observava, um sorriso genuíno no rosto.

— Sabe, Geo — disse Ringo, virando-se para o amigo —, a gente podia tentar o elevador na volta para Londres.

George revirou os olhos, mas não conseguiu evitar a risada.

— Você é insaciável, Ritchie.

— Sou apenas um homem de ritmo, George. E você é a melhor melodia que eu já acompanhei.

George puxou Ringo para um último beijo rápido, um selinho estalado que carregava toda a cumplicidade do mundo.

— Vamos voltar antes que o John ache que fomos sequestrados por fãs francesas.

— Ele ficaria com inveja — brincou Ringo, abrindo a porta com cuidado.

Eles saíram do banheiro como se nada tivesse acontecido, George voltando para seu livro e Ringo para seus batucados. Na sala, Paul e John nem sequer levantaram a cabeça, perdidos em sua própria música. Mal sabiam eles que a melhor composição daquele dia não tinha letras, nem acordes, apenas o suor e o segredo de dois amigos que descobriram que, entre um show e outro, o amor era o melhor lugar para se perder.

Semanas depois, o cenário mudou para os bastidores de um programa de televisão em Londres. O ambiente era caótico: cabos por todos os lados, assistentes de produção correndo com pranchetas e o cheiro onipresente de laca de cabelo. Os Beatles estavam trancados em um camarim minúsculo, esperando o sinal para entrarem no palco.

John e Paul estavam ocupados discutindo com o empresário, Brian Epstein, sobre o setlist. George e Ringo, espremidos em um canto atrás de uma arara cheia de ternos escuros, trocavam olhares cúmplices.

— Está muito apertado aqui, não acha? — sussurrou Ringo, cutucando a costela de George.

— O camarim ou o seu terno? — devolveu George, arqueando uma sobrancelha.

— O meu desejo de te beijar agora mesmo — disse Ringo, com uma audácia que fez George corar levemente.

— Ritchie, tem umas vinte pessoas a três metros de nós.

— Exatamente — Ringo sorriu, puxando George para trás das roupas penduradas, criando uma pequena cabine de privacidade feita de lã e seda. — Ninguém consegue nos ver aqui.

— Você é louco — murmurou George, mas suas mãos já estavam explorando o peito de Ringo por cima da camisa social.

— E você adora — rebateu Ringo.

Ali, no meio do barulho da produção, eles se entregaram a um momento de urgência roubada. Foi rápido, arriscado e eletrizante. O som da voz de Brian chamando-os para o palco foi o sinal para o ato final. Eles se separaram segundos antes de a arara ser afastada por um assistente.

Ringo saiu com o sorriso mais largo do mundo, ajustando a gravata com uma piscadela para George. O guitarrista, embora tentasse manter sua fachada de "Beatle silencioso", tinha um brilho nos olhos que nenhuma câmera poderia ignorar.

— Tudo pronto, rapazes? — perguntou Brian, olhando para eles.

— Nunca estivemos melhor, Brian — respondeu Ringo, pegando suas baquetas e começando a girá-las no ar.

George apenas assentiu, passando por Ringo e sussurrando em seu ouvido:

— O elevador. Hoje à noite.

Ringo quase deixou a baqueta cair, mas seu sorriso disse tudo. O show estava apenas começando, e para eles, a música nunca parava, não importa onde o palco estivesse.

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