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Ghost Face

O Altar da Carne e do Silêncio

A escuridão do quarto não era apenas a ausência de luz; era uma entidade viva que pulsava ao ritmo do coração frenético de Nari. Dois dias haviam se passado desde que Jungkook a trancara naquela cela de luxo, privando-a de qualquer estímulo que não fosse a voz dele através dos alto-falantes. Quando a porta finalmente se abriu, não foi o som eletrônico da tranca que a despertou, mas o cheiro — aquele perfume amadeirado, misturado com o aroma metálico de óleo de lâmina, que agora estava gravado em seu sistema nervoso.

Jungkook entrou com passos lentos. Ele não acendeu as luzes principais; em vez disso, a luz fraca do corredor projetava sua silhueta alta e imponente contra o mármore. Ele carregava uma bandeja, mas não a colocou na mesa. Ele se aproximou da cama onde Nari estava encolhida, uma sombra de quem fora um dia.

— Senti sua falta, Nari-ah — sussurrou ele, sentando-se na beira do colchão. — O silêncio é bom para refletir, mas é terrível para um homem que se viciou no som da sua respiração.

Nari não se moveu. Ela sentiu a mão dele, quente e firme, deslizar pelo seu tornozelo, subindo pela perna exposta sob o vestido de seda que ele a forçara a usar. O toque era uma profanação e, ao mesmo tempo, a única âncora de realidade física que ela tivera em quarenta e oito horas.

— Você aprendeu? — ele perguntou, a voz descendo para um tom vibrante que arrepiou os pelos da nuca de Nari. — Aprendeu que o escuro só vai embora quando eu decido?

— Por favor... — a voz dela saiu como um sussurro quebrado. — Não me deixe sozinha de novo.

Jungkook soltou um som baixo, algo entre um riso e um suspiro de satisfação. Ele se inclinou sobre ela, prendendo-a com o peso de seu corpo, as mãos espalmadas ao lado da cabeça dela. No penumbra, os olhos dele eram dois abismos negros, brilhando com uma possessividade que beirava a loucura.

— Eu nunca vou te deixar sozinha, meu anjo. Eu sou a sua sombra agora.

Ele selou os lábios nos dela com uma urgência que Nari não esperava. Não era um beijo gentil; era uma reivindicação. Tinha gosto de domínio e de uma fome que fora contida por tempo demais. Nari tentou resistir por um segundo, mas a privação sensorial dos últimos dias a deixara vulnerável, e o calor de Jungkook era a única coisa que prometia preencher o vazio.

Jungkook gemeu contra a boca dela, a língua explorando a sua com uma destreza agressiva. Ele a puxou para o centro da cama, suas mãos descendo para os quadris dela, apertando a carne através da seda com uma força que deixaria marcas. Nari sentiu o canivete borboleta no bolso dele pressionar contra sua coxa — um lembrete constante do perigo que a amava.

— Eu quero você — ele murmurou entre beijos que desciam pelo pescoço dela, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha. — Quero que você esqueça que existe um mundo lá fora. Quero que o seu universo se reduza a este quarto, a este momento, e ao que eu sinto por você.

Com um movimento fluido, Jungkook desamarrou a alça do vestido de Nari. O tecido escorregou, revelando a pele pálida que brilhava sob a luz baixa. Ele parou por um instante, apenas observando-a, os olhos percorrendo cada curva com uma devoção quase religiosa. Para ele, Nari não era apenas uma mulher; era sua obra-prima, sua obsessão tornada carne.

— Você é tão perfeita — ele disse, a voz rouca de desejo. — Às vezes, tenho medo de te quebrar. Mas então me lembro de que posso te reconstruir quantas vezes eu quiser.

Ele baixou a cabeça, os lábios traçando o contorno de seus seios com uma lentidão torturante. Nari arqueou as costas, um suspiro involuntário escapando de seus lábios. O toque dele era fogo, consumindo as barreiras de seu medo e substituindo-as por uma necessidade primitiva que ela odiava sentir, mas que não conseguia ignorar.

Jungkook subiu as mãos, entrelaçando seus dedos nos dela e prendendo-os contra o travesseiro. Ele a dominava completamente, sua força física sendo um lembrete silencioso de que não havia fuga. Ele se livrou de suas próprias roupas com uma pressa impaciente, revelando um corpo esculpido e marcado por uma rigidez que falava de anos de disciplina e violência.

Quando ele voltou para cima dela, o contato de pele com pele foi como uma explosão. Jungkook sintonizou seus movimentos aos dela, seus quadris pressionando contra os dela com uma promessa silenciosa. Ele começou a beijá-la novamente, desta vez com uma ternura que era quase mais assustadora que sua agressividade, pois sugeria que ele realmente acreditava que aquele ato era uma prova de amor.

— Diga meu nome, Nari — ele ordenou, a voz vibrando contra a pele do peito dela. — Diga que você é minha.

— Jungkook... — ela arquejou, as unhas cravando-se nos ombros largos dele. — Eu... eu sou sua.

Aquelas palavras foram o gatilho. Jungkook a penetrou em um movimento único e profundo, arrancando um grito dela que foi abafado pelo beijo dele. Era intenso, avassalador, uma invasão que não deixava espaço para nada além da sensação pura. Ele começou a se mover com um ritmo poderoso, cada estocada sendo uma afirmação de sua posse.

— Sim — ele rosnou, o suor brilhando em seu rosto enquanto ele a olhava fixamente. — Minha. Apenas minha. Cada gota de sangue, cada pensamento, cada prazer.

Nari sentiu-se afundar no abismo que eram os olhos dele. O prazer era uma faca de dois gumes, cortando sua vontade própria enquanto a levava a um ápice que ela não conseguia evitar. Jungkook era incansável, seus movimentos tornando-se mais rápidos e urgentes à medida que o controle que ele tanto prezava começava a ceder diante da luxúria.

Ele a virou de costas para ele, puxando-a contra seu peito, uma mão segurando seu pescoço com uma pressão firme, mas não sufocante, enquanto a outra explorava cada centímetro de seu corpo. O calor dele a envolvia, o cheiro amadeirado tornando-se inebriante. Nari sentia-se como o pássaro azul em seu estúdio — preservada, capturada, bela em sua imobilidade forçada.

— Olhe para as fotos, Nari-ah — ele sussurrou em seu ouvido, apontando para a parede onde centenas de imagens dela a observavam. — Veja como eu te amei antes mesmo de você saber que eu existia. Veja como cada momento seu me pertence.

Ela fechou os olhos, mas não conseguia escapar da sensação dele dentro dela, do modo como ele a preenchia e a reclamava. O clímax começou a subir como uma maré incontrolável, e Jungkook parecia sentir isso, intensificando o ritmo, seus dentes cravando-se suavemente no ombro dela.

Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como se o mundo ao redor deles desaparecesse. Nari gritou o nome dele, o corpo tremendo em espasmos de prazer e exaustão, enquanto Jungkook se entregava a ela com um rosnado baixo, despejando toda a sua obsessão e desejo dentro dela. Ele a apertou contra si, o coração dele batendo contra as costas dela como um tambor de guerra.

Por longos minutos, o único som no quarto era a respiração pesada de ambos. Jungkook não se afastou; ele permaneceu unido a ela, os braços envolvendo-a como correntes de seda. Ele beijou a curva de seu pescoço, um gesto de uma calma absoluta que contrastava com a violência do que acabara de acontecer.

— Agora você entende, não entende? — ele murmurou, a voz carregada de uma satisfação sombria. — Não há lugar no mundo onde você terá o que eu te dou. Ninguém te conhece como eu. Ninguém te possui como eu.

Nari permaneceu imóvel, as lágrimas finalmente escorrendo e molhando o travesseiro. O prazer havia passado, deixando em seu lugar o peso frio da realidade. Ela estava em uma gaiola de ouro, amada por um predador que não conhecia limites.

Jungkook se afastou ligeiramente, apenas o suficiente para virá-la de frente para ele. Ele limpou as lágrimas dela com o polegar, um gesto de carinho que a fez estremecer.

— Não chore, meu anjo. O pior já passou. Agora você é parte de mim. E eu cuido do que é meu com a minha própria vida.

Ele se levantou e caminhou até a mesa, pegando o canivete borboleta que deixara ali. Ele o abriu com um clique familiar e, por um momento, Nari pensou que ele a usaria. Mas Jungkook apenas o usou para cortar uma mecha de seu próprio cabelo negro, colocando-a na palma da mão de Nari.

— Um pedaço de mim para você — disse ele, sorrindo. — Para que você nunca se esqueça de quem é o seu dono.

Ele deitou-se ao lado dela novamente, puxando o edredom sobre ambos. O quarto voltou a mergulhar no silêncio, mas agora era um silêncio diferente — um silêncio carregado com a promessa de que a porta nunca mais precisaria ser trancada, pois Nari já estava presa por correntes que nenhuma chave poderia abrir.

Enquanto Jungkook adormecia com a mão possessivamente sobre o seu coração, Nari olhou para as telas na parede, que agora voltavam a exibir a floresta digital. As árvores artificiais balançavam ao vento que não existia, e ela percebeu que, naquele altar de vidro e carne, ela era a única coisa que ainda era real. E era exatamente por isso que ele nunca a deixaria ir.