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go, white tigers!

Faíscas no Gelo

A campainha tilintou novamente, mas desta vez a saída de Mark e o restante do time de hóquei trouxe um alívio palpável ao ambiente da Doce Gelo. Donghyuck observou, com um misto de irritação e uma curiosidade que ele se recusava a admitir, a figura imponente de Mark se afastar pela rua, acompanhado pelos olhares de admiração e respeito dos seus novos colegas de equipe. Jeno, por sua vez, exibia um sorriso que era uma mistura de alívio e uma estranha satisfação.

– Ufa! – Chenle soltou, limpando a testa com uma mão. – Parecia que o ar tinha ficado mais denso de repente. É sempre assim quando ele aparece?

Donghyuck bufou, voltando a polir o balcão com um vigor desnecessário. – É sempre assim quando ele resolve invadir o nosso espaço, Chenle. O cara tem uma aura de superioridade que me dá nos nervos. – Mas ele é seu cunhado agora, Hyuck – Renjun comentou, com um sorriso gentil. – Quer dizer, se você e o Jeno...

Renjun não terminou a frase, mas o olhar de Donghyuck foi suficiente para fazê-lo corar e desviar o olhar. – Não comece com isso, Renjun – Donghyuck grunhiu. – Jeno é meu amigo, e Mark é o irmão irritante dele. Ponto final. – Irritante, mas inegavelmente bonito – Chenle cantarolou, encostando-se ao balcão. – E você não conseguiu desviar o olhar dele, Donghyuck.

Donghyuck parou de polir, encarando Chenle com os olhos semicerrados. – Eu estava observando o inimigo, Chenle. É diferente. Preciso saber o que esperar dele. – Inimigo? – Jeno se aproximou, pegando um copo d'água. – Ele é meu irmão, Hyuck. E agora ele está no nosso time. – E é exatamente por isso que ele é um inimigo em potencial – Donghyuck retrucou. – Ex-capitão de time rival, Jeno. Você não confia nele, não é? – Confio no meu irmão – Jeno respondeu, a voz firme. – E confio na minha equipe. Não se preocupe tanto com isso, Hyuck.

Jeno se despediu, deixando Renjun com um sorriso que Donghyuck não conseguiu identificar se era de felicidade ou alívio. Chenle, como sempre, estava se divertindo com a cena. – Você não vai admitir, mas Mark te deixou um pouco... balançado, não é? – Chenle provocou, cutucando Donghyuck com o cotovelo. – Balançado? – Donghyuck zombou. – Ele me deixou irritado. Furioso. O cara é um pedaço de gelo arrogante. – Um pedaço de gelo que te fez suar frio – Chenle retrucou, rindo. – Eu vi.

Donghyuck revirou os olhos, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso. Chenle o conhecia bem demais. – E você, Renjun? O que achou do grande Mark Lee? – Donghyuck perguntou, tentando desviar o foco de si mesmo. Renjun deu de ombros, recolhendo algumas xícaras vazias. – Ele parece... focado. E observador. Não demonstra muito, mas percebi que ele estava analisando tudo e todos.

A descrição de Renjun atingiu Donghyuck em cheio. "Observador." Era exatamente isso que o incomodava em Mark. Aqueles olhos penetrantes que pareciam enxergar através dele, que o faziam se sentir exposto. – Viu? – Donghyuck disse, apontando para Renjun. – Ele é um estrategista. Está pensando em como dominar o time do Jeno. – Ou talvez ele só esteja tentando se adaptar a um novo ambiente – Renjun sugeriu, com sua calma habitual. – Nem todo mundo é um livro aberto, Hyuck. – E é por isso que ele é perigoso – Donghyuck concluiu. – Pessoas que não mostram o que sentem são as mais difíceis de decifrar.

Nos dias que se seguiram, a presença de Mark se tornou uma constante no campus. Ele não era barulhento nem chamativo, mas sua figura alta e sua postura confiante eram impossíveis de ignorar. Donghyuck o via nos corredores da universidade, no refeitório, e, claro, no rinque de hóquei, onde os treinos dos White Tigers haviam se tornado mais intensos e, para Donghyuck, mais interessantes.

Ele se pegava observando Mark durante os treinos, disfarçando sua atenção com conversas animadas com Chenle e Renjun. Mark, no gelo, era uma força da natureza. Seus movimentos eram precisos, sua estratégia impecável. Ele não era apenas um jogador habilidoso, era um líder silencioso, e Donghyuck odiava admitir isso, mas Mark era bom. Muito bom.

A rivalidade entre Mark e Jeno era sutil, mas palpável. No rinque, eles se desafiavam em cada jogada, cada passe, cada tiro ao gol. Era uma dança perigosa de competitividade e respeito mútuo, uma batalha de irmãos que sabiam exatamente como provocar um ao outro sem cruzar a linha.

Em um treino particularmente tenso, Donghyuck, Chenle e Renjun estavam sentados na arquibancada, observando os jogadores. – Mark está em ótima forma hoje – Chenle comentou, comendo um pacote de salgadinhos. – Ele fez três gols só nesta parte do treino. – E o Jeno está jogando com raiva – Renjun observou, com uma pontada de preocupação. – Ele não gosta de ser superado. – E é bom que não goste – Donghyuck disse, com um sorriso de escárnio. – Se ele deixar o Mark dominar, o time vai virar os "Black Tigers".

De repente, Mark, que estava parado perto da borda do rinque, olhou para a arquibancada. Seus olhos encontraram os de Donghyuck, e um sorriso sutil, quase imperceptível, surgiu em seus lábios. Foi um sorriso rápido, mas cheio de significado, como se ele soubesse que Donghyuck estava o observando.

Donghyuck sentiu um arrepio. Ele não gostava de ser pego no flagra. – O que ele está olhando? – Chenle perguntou, seguindo o olhar de Donghyuck. – Ele te viu, Hyuck. – Claro que me viu – Donghyuck retrucou, tentando parecer indiferente. – Eu sou o melhor da arquibancada. Quem não me notaria? – Ou talvez ele esteja te provocando – Renjun sugeriu, com um olhar perspicaz. – Ele sabe que você está prestando atenção.

A ideia de que Mark estava o provocando despertou uma centelha de irritação e uma estranha excitação em Donghyuck. Ele não gostava de ser o alvo das provocações de Mark, mas ao mesmo tempo, sentia uma adrenalina correr em suas veias.

Mais tarde, na cafeteria, a tensão entre Donghyuck e Mark continuava a crescer. Mark havia se tornado um frequentador assíduo da Doce Gelo, sempre pedindo o mesmo café que Renjun lhe preparou no primeiro dia. Ele se sentava em uma mesa afastada, observando o movimento com seus olhos atentos.

Donghyuck sentia os olhares de Mark sobre ele, mesmo quando o mais velho estava lendo um livro ou mexendo no celular. Era como um jogo silencioso, uma batalha de olhares e provocações não ditas.

Um dia, enquanto Donghyuck estava limpando o balcão, Mark se aproximou. – O café de hoje está particularmente bom, Donghyuck – Mark disse, sua voz calma e controlada. Donghyuck ergueu uma sobrancelha. – Eu não fiz o seu café, Mark. Foi o Renjun. Mark sorriu, um sorriso que não alcançava os olhos, mas que tinha um toque de diversão. – Eu sei. Mas você está aqui, então a energia do lugar é diferente.

Donghyuck sentiu o sangue ferver. Aquela era a forma mais sutil de provocação que ele já tinha ouvido. – Minha energia te incomoda, Mark? – Donghyuck perguntou, cruzando os braços. – Pelo contrário – Mark respondeu, seus olhos fixos nos de Donghyuck. – É... interessante.

A palavra "interessante" fez Donghyuck sentir um arrepio. Mark não o estava elogiando, nem o estava criticando. Ele estava apenas o observando, analisando-o, e isso o irritava profundamente. – Você gosta de analisar as pessoas, não é, Mark? – Donghyuck retrucou. – Como se fôssemos peças de um tabuleiro de xadrez. – É a minha natureza – Mark disse, dando de ombros. – E você é uma peça particularmente... imprevisível.

Donghyuck sentiu um misto de raiva e uma estranha satisfação. Imprevisível. Ele gostou disso. – E você é um livro aberto, Mark – Donghyuck zombou. – Tão previsível quanto o gelo no inverno. Mark soltou um riso baixo, quase um bufo. – Você pode se surpreender.

A conversa foi interrompida pela chegada de Jeno, que entrou na cafeteria com Johnny e Jaehyun. – E aí, Hyuck! – Jeno cumprimentou, com um sorriso. – Mark, já terminando seu café? – Sim – Mark respondeu, voltando a sua postura séria. – Estávamos apenas tendo uma conversa... estimulante. Jeno olhou de Mark para Donghyuck, um sorriso malicioso surgindo em seus lábios. – Estimulante, é? Não me diga que vocês estão começando a se dar bem. – Nunca! – Donghyuck e Mark disseram em uníssono, e a sincronia os fez trocar um olhar surpreso.

Johnny, sempre o brincalhão, riu. – Isso é um bom sinal, Jeno. A rivalidade é o tempero da vida. – E Donghyuck é o mestre em apimentar as coisas – Jaehyun comentou, com um sorriso divertido.

A presença de Mark no time também trouxe uma nova dinâmica para os jogos. Os White Tigers, que já eram um time forte, se tornaram ainda mais formidáveis com a adição do ex-capitão dos Black Bears. A cada jogo, Mark e Jeno pareciam se superar, impulsionando um ao outro a novos níveis de excelência.

Donghyuck assistia aos jogos com uma atenção redobrada. Ele se pegava torcendo pelos White Tigers, e, para sua própria surpresa, se sentia orgulhoso da forma como Mark se encaixava no time. Ele ainda o irritava, sim, mas havia algo na sua dedicação e na sua paixão pelo hóquei que Donghyuck não conseguia ignorar.

Em um jogo decisivo contra os antigos Black Bears, a tensão era palpável. Donghyuck estava na arquibancada com Chenle e Renjun, seus olhos fixos no rinque. – Esse jogo vai ser insano – Chenle disse, roendo as unhas. – Mark deve estar sentindo a pressão – Renjun comentou, com uma expressão preocupada. – Jogar contra o seu antigo time... – Ele não vai deixar isso o afetar – Donghyuck disse, com uma convicção que o surpreendeu. – Mark é um jogador de gelo. Ele não sente a pressão.

O jogo foi intenso, com os dois times lutando por cada ponto. No final do segundo tempo, o placar estava empatado, e a torcida estava enlouquecida. De repente, Mark, com uma jogada surpreendente, roubou o disco e avançou sozinho em direção ao gol.

Donghyuck prendeu a respiração. A arena inteira estava em silêncio, observando Mark driblar os adversários com uma agilidade impressionante. Ele estava imparável. Com um tiro poderoso, Mark marcou o gol da vitória.

A arena explodiu em aplausos, e os jogadores dos White Tigers correram para abraçar Mark. Jeno foi o primeiro a alcançá-lo, e os dois irmãos se abraçaram com uma força que demonstrava a cumplicidade e o respeito que tinham um pelo outro.

Donghyuck observou a cena com uma pontada de emoção. Ele não conseguia negar que Mark era um jogador excepcional, e que sua presença havia elevado o nível dos White Tigers.

Após o jogo, na cafeteria, a atmosfera era de celebração. Os jogadores dos White Tigers estavam animados, rindo e conversando. Mark, apesar de ser o herói do jogo, mantinha sua postura calma e controlada, conversando com Jeno e os outros jogadores.

Donghyuck, que estava servindo cafés e lanches, sentiu o olhar de Mark sobre ele novamente. Ele ignorou, fingindo estar ocupado, mas sentiu um arrepio.

Mais tarde, quando a cafeteria estava mais calma, Mark se aproximou do balcão. – Você estava na arquibancada hoje, não é? – Mark perguntou, sua voz baixa. Donghyuck ergueu uma sobrancelha. – E o que te faz pensar isso? – Eu te vi – Mark respondeu, seus olhos fixos nos de Donghyuck. – Você estava... concentrado. – Eu estava observando a concorrência – Donghyuck retrucou, com um sorriso de escárnio. – Nunca se sabe quando o inimigo vai te surpreender. Mark soltou um riso baixo. – E você se surpreendeu hoje, não foi?

Donghyuck sentiu o sangue ferver. Mark estava o provocando novamente, e ele não conseguia negar que a provocação o atingia. – Talvez – Donghyuck admitiu, com relutância. – Você jogou bem. Mark sorriu, um sorriso que, desta vez, alcançou seus olhos. Era um sorriso genuíno, e Donghyuck sentiu um arrepio. – Obrigado.

Houve um silêncio confortável entre eles, e Donghyuck se viu observando Mark com uma curiosidade crescente. Ele não era apenas um jogador habilidoso, ele era estratégico, observador, e, para sua própria surpresa, charmoso.

– Você não é tão chato quanto eu pensei – Donghyuck disse, com um sorriso travesso. Mark ergueu uma sobrancelha. – E você não é tão irritante quanto eu imaginava. Os dois riram, e a tensão entre eles se dissipou um pouco. Era como se o gelo estivesse começando a derreter, revelando algo novo e inesperado.

Chenle e Renjun, que observavam a cena de longe, trocaram olhares. – Eu não disse? – Chenle sussurrou, com um sorriso vitorioso. – Eles estão começando a se gostar. Renjun sorriu. – Talvez. Mas a rivalidade ainda está lá. – E é isso que torna tudo mais interessante – Chenle concluiu.

Donghyuck sentiu uma atração estranha por Mark, uma que ele não queria admitir. Ele ainda o irritava, sim, mas a irritação estava se transformando em algo mais complexo, algo que ele não conseguia identificar. Era uma atração baseada em provocações, orgulho e olhares trocados, uma dança perigosa que estava apenas começando.

O inverno, afinal, estava se mostrando muito mais quente do que Donghyuck imaginava. E Mark Lee, o ex-capitão dos Black Bears, estava se tornando uma força irresistível em sua vida, tanto no gelo quanto fora dele. O jogo ainda não havia terminado, e Donghyuck sabia que o próximo capítulo seria ainda mais imprevisível.