go, white tigers!
Olhares que Queimam no Gelo
A cafeteria Doce Gelo fervilhava com a energia típica do final da tarde. Donghyuck, com o avental agora amassado e manchado de café, limpava a máquina de expresso com um ritmo quase hipnótico. Seus olhos, no entanto, estavam fixos na porta. Não que ele estivesse esperando Mark, claro que não. Mas a presença do ex-capitão dos Black Bears havia se tornado uma rotina perturbadoramente agradável nos últimos dias.
– Hyuck, você vai furar essa máquina de tanto esfregar – Chenle comentou, com um sorriso divertido, enquanto empilhava xícaras limpas.
Donghyuck bufou, sem desviar o olhar. – Estou apenas garantindo a qualidade, Chenle. Diferente de certas pessoas que acham que podem invadir o nosso espaço a qualquer momento.
A campainha tilintou, anunciando a entrada de Jeno, seguido de perto por Mark. Ambos vestiam as jaquetas do time, com os cabelos ainda úmidos do banho pós-treino. Mark tinha uma toalha pendurada no pescoço, e seus olhos, como sempre, varreram o ambiente antes de pousarem em Donghyuck. Um leve aceno de cabeça. Era tudo o que ele dava, mas era o suficiente para incendiar algo dentro de Donghyuck.
– Capitão! – Donghyuck exclamou, um sorriso forçado nos lábios. – Veio para mais uma rodada de "observação estratégica"?
Jeno revirou os olhos, mas sorriu. – Hyuck, por favor. Viemos tomar um café. E Mark está faminto depois do treino.
Mark se aproximou do balcão, seus olhos encontrando os de Donghyuck. – Renjun está fazendo o café de sempre? – perguntou, sua voz calma, mas com um tom que Donghyuck já reconhecia como provocação.
– Renjun está ocupado, e eu sou perfeitamente capaz de fazer o seu café – Donghyuck retrucou, o tom mais ácido do que ele pretendia. – A não ser que você duvide da minha capacidade de barista, Mark Lee.
Mark ergueu uma sobrancelha, um sorriso sutil brincando em seus lábios. – Eu não duvido da sua capacidade, Donghyuck. Apenas aprecio a qualidade.
A resposta de Mark o pegou desprevenido. Era um elogio disfarçado, e Donghyuck sentiu um calor subir pelo pescoço. Ele odiava quando Mark o desarmava com sua calma calculista.
– Renjun já está vindo – Chenle interveio, percebendo a faísca entre os dois. – Ele foi buscar mais leite.
Enquanto isso, Jeno e Mark se sentaram em uma mesa, e Jeno começou a folhear um cardápio. – Mark, você precisa comer alguma coisa mais substancial. Você treinou muito hoje.
– Estou bem, Jeno – Mark respondeu, mas seus olhos ainda estavam em Donghyuck. – A adrenalina ainda está alta.
Donghyuck sentiu o olhar de Mark sobre ele, e a sensação era estranha. Não era um olhar de julgamento, nem de desprezo. Era um olhar de observação, de análise, e Donghyuck se viu querendo saber o que Mark via nele.
Renjun voltou com o leite, e seus olhos se iluminaram ao ver Jeno. – Jeno! Mark! Já preparei o café de vocês.
Renjun começou a preparar o café de Mark com uma delicadeza que Donghyuck achou excessiva. Mark observava cada movimento de Renjun, e Donghyuck sentiu uma pontada de ciúmes. Ciúmes? Por quê? Ele nem gostava de Mark.
– Então, Mark – Donghyuck começou, tentando desviar a atenção de Renjun. – Como foi o treino hoje? Alguma nova estratégia para nos surpreender?
Mark pegou o café que Renjun lhe estendia, seus dedos roçando os de Renjun por um instante. – O treino foi produtivo, Donghyuck. E a estratégia, como sempre, é manter o foco.
– Foco? – Donghyuck zombou. – Ou seria a arte de observar seus adversários e prever cada movimento?
Mark tomou um gole de café, seus olhos fixos nos de Donghyuck. – Você está prestando muita atenção nos meus movimentos, Donghyuck. Isso é bom. Significa que você está aprendendo.
Donghyuck sentiu o sangue ferver. Mark estava o provocando novamente, e ele não conseguia negar que a provocação o atingia. – Eu estou prestando atenção porque você é um adversário – Donghyuck retrucou. – E eu gosto de saber com quem estou lidando.
– E o que você está aprendendo sobre mim, Donghyuck? – Mark perguntou, um sorriso sutil nos lábios.
Donghyuck hesitou. O que ele estava aprendendo sobre Mark? Que ele era irritante, arrogante, mas também incrivelmente talentoso, focado e observador. E que, por algum motivo, ele não conseguia desviar o olhar dele.
– Que você é um enigma – Donghyuck respondeu, com um tom de desafio. – E eu gosto de desvendar enigmas.
Mark soltou um riso baixo, quase um bufo. – Você pode se surpreender com o que vai encontrar.
A conversa foi interrompida pela chegada de Johnny, Jaehyun e Jaemin, que entraram na cafeteria com um barulho. – E aí, campeões! – Johnny exclamou, batendo nas costas de Jeno. – Mark, você arrasou hoje no treino! Sua estratégia de passe foi impecável.
– É bom ter você no nosso time, Mark – Jaehyun comentou, com seu sorriso calmo. – Você realmente elevou o nível.
– Só espero que você não se acostume a ser o centro das atenções, Mark – Jaemin brincou, com um sorriso maroto. – Jeno já está com ciúmes.
Jeno revirou os olhos. – Não estou com ciúmes. Estou orgulhoso do meu irmão.
Donghyuck observou a dinâmica do grupo, e percebeu que Mark, apesar de sua postura reservada, estava se encaixando bem no time. Ele não era o tipo de pessoa que buscava a atenção, mas sua presença era inegável.
Mais tarde, enquanto a cafeteria esvaziava, Mark ainda estava sentado em sua mesa, folheando um livro. Donghyuck, que estava limpando as mesas, sentiu o olhar de Mark sobre ele. Ele ignorou, fingindo estar ocupado, mas sentiu um arrepio.
Quando Donghyuck estava varrendo o chão, Mark se aproximou do balcão. – Você tem uma rotina bem estabelecida, não é, Donghyuck? – Mark perguntou, sua voz calma.
Donghyuck ergueu uma sobrancelha. – E o que isso te faz pensar?
– Você limpa as mesas no sentido horário, varre o chão em linhas retas, e sempre começa pelo canto esquerdo – Mark respondeu, seus olhos fixos nos de Donghyuck. – Você é metódico.
Donghyuck sentiu um arrepio. Mark estava o observando. Não apenas durante os treinos, mas em sua rotina diária. Aquele nível de observação o deixava desconfortável e, ao mesmo tempo, intrigado.
– Você é um stalker, Mark? – Donghyuck perguntou, com um sorriso de escárnio.
Mark soltou um riso baixo. – Apenas observador. É a minha natureza. E você é um livro interessante de se ler.
A palavra "interessante" fez Donghyuck sentir um calor subir pelo pescoço novamente. Ele não gostava de ser o objeto de estudo de Mark, mas ao mesmo tempo, sentia uma estranha satisfação em ser notado por ele.
– E o que você está lendo agora, Mark? – Donghyuck perguntou, tentando desviar o foco de si mesmo.
Mark mostrou a capa do livro. Era um tratado sobre estratégia de hóquei. – Estou sempre buscando aprimorar minhas habilidades.
– Claro – Donghyuck zombou. – Você não pode se dar ao luxo de ser menos que perfeito, não é?
Mark ergueu uma sobrancelha. – A perfeição é um objetivo, não um estado. E eu acredito que há sempre espaço para melhorar.
A resposta de Mark o pegou desprevenido. Ele não era arrogante, mas sua autoconfiança era inegável. E Donghyuck se viu admirando isso, mesmo que ele não quisesse admitir.
– Você fala como se estivesse sempre em um jogo – Donghyuck comentou.
– A vida é um jogo, Donghyuck – Mark respondeu, seus olhos fixos nos de Donghyuck. – E eu gosto de jogar para vencer.
Donghyuck sentiu um arrepio. Mark estava o desafiando, e ele sabia disso. Era um convite para um jogo, um jogo de provocações, olhares e uma tensão crescente.
– E você acha que pode me vencer, Mark Lee? – Donghyuck perguntou, com um sorriso de desafio.
Mark sorriu, um sorriso que, desta vez, alcançou seus olhos. Era um sorriso genuíno, e Donghyuck sentiu um arrepio. – Eu nunca subestimo um adversário, Donghyuck. Especialmente um tão imprevisível quanto você.
Houve um silêncio confortável entre eles, e Donghyuck se viu observando Mark com uma curiosidade crescente. Ele não era apenas um jogador habilidoso, ele era estratégico, observador, e, para sua própria surpresa, charmoso.
O jogo entre eles estava se tornando mais complexo, mais intrigante. A rivalidade ainda estava lá, sim, mas estava se transformando em algo mais. Era uma dança perigosa de provocações e olhares, uma que Donghyuck estava começando a apreciar.
Naquela noite, enquanto Donghyuck fechava a cafeteria, ele se pegou pensando em Mark. Em seus olhos penetrantes, em seu sorriso sutil, em sua calma calculista. Ele ainda o irritava, sim, mas a irritação estava se transformando em algo mais complexo, algo que ele não conseguia identificar. Era uma atração estranha, uma que ele não queria admitir.
O inverno, afinal, estava se mostrando muito mais quente do que Donghyuck imaginava. E Mark Lee, o ex-capitão dos Black Bears, estava se tornando uma força irresistível em sua vida, tanto no gelo quanto fora dele. O jogo ainda não havia terminado, e Donghyuck sabia que o próximo capítulo seria ainda mais imprevisível.