Grenade
Selvagens no Escuro
O ar da boate estava saturado com o cheiro de uísque barato, suor e o perfume doce e inebriante que parecia emanar dos poros de Alicia. Bruno sentia o peso da guitarra em seus ombros como se fosse uma extensão de seu próprio corpo, mas sua mente estava embaçada por três doses generosas de tequila e pela presença magnética da mulher que o salvara dos trilhos do trem semanas atrás. Ela estava lá, na segunda fileira de mesas, com os olhos fixos nele, queimando-o com um brilho de desafio e desejo que ele conhecia bem.
Ele não era mais o cara do piano triste. Pelo menos não esta noite. A iluminação neon azul e vermelha cortava a fumaça do palco, e Bruno se aproximou do microfone, os dedos deslizando pelas cordas da guitarra com uma agressividade que ele raramente mostrava em suas baladas românticas. Ele deu um gole longo na garrafa de cerveja que estava ao lado do amplificador, limpou a boca com as costas da mão e sorriu de lado para Alicia.
— Essa é nova — anunciou ele, a voz rouca, carregada de uma eletricidade perigosa. — É sobre o que acontece quando as luzes se apagam e a gente para de fingir que é civilizado.
O baterista marcou o tempo, um ritmo pesado, tribal e lento. Bruno fechou os olhos e deixou a música fluir.
— *I got a body full of liquor with a cocaine kicker...* — cantou ele, a voz descendo para um tom grave e provocante. — *You got your eyes wide open, girl, you're lookin' at a winner.*
Ele não estava apenas cantando; ele estava performando para ela. Cada acorde da guitarra parecia um toque na pele de Alicia. Enquanto entoava os versos sobre "fazer como gorilas", Bruno se movia no palco com uma confiança animalesca. Ele a via morder o lábio inferior, as mãos dela apertando o copo de vidro. Ele queria que ela sentisse o que ele sentia: aquela urgência bruta que os consumia sempre que ficavam sozinhos no pequeno apartamento dele.
— *You and me baby makin' love like gorillas!* — ele gritou o refrão, a voz rasgando o ar da boate, enquanto seus dedos voavam em um solo de guitarra sujo e distorcido.
Quando a música terminou sob aplausos e assobios, Bruno não esperou. Ele entregou a guitarra para o assistente de palco e desceu os degraus em um salto, ignorando qualquer outra pessoa no recinto. Seu olhar estava travado no dela. Alicia se levantou, o vestido curto de seda preta deslizando pelo corpo, e antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele a agarrou pela cintura e a puxou para o canto mais escuro da boate, uma área VIP improvisada com mesas de madeira pesada e pouca circulação.
— Você está louco — sussurrou ela contra os lábios dele, a respiração ofegante.
— Louco por você — respondeu Bruno, a voz vibrando de desejo.
Ele não esperou por uma resposta. Selou seus lábios nos dela em um beijo faminto. Suas línguas se encontraram em uma dança frenética, explorando cada canto com uma urgência que beirava o desespero. O gosto de álcool e desejo era a mistura perfeita. Bruno pressionou o corpo dela contra a mesa de madeira atrás deles, sentindo a maciez das curvas de Alicia contra a dureza de seus músculos.
— Aquela música... — Alicia gemeu entre os beijos, as mãos subindo pelos cabelos cacheados de Bruno, puxando-os com força, fazendo-o inclinar a cabeça para trás. — Você é um exibido, Mars.
— E você adorou cada segundo — rebateu ele, descendo os beijos para o pescoço dela.
Bruno cravou os dentes de leve na pele macia abaixo da orelha de Alicia, ouvindo o suspiro agudo que ela soltou. Ele começou a distribuir chupões fortes e marcantes ao longo da linha do pescoço dela, marcando seu território, deixando rastros avermelhados que ela teria dificuldade em esconder no dia seguinte. Alicia jogou a cabeça para trás, expondo-se inteiramente a ele, suas unhas cravando-se nos ombros dele através da camisa fina.
— Bruno, aqui não... — ela tentou dizer, mas suas mãos já estavam abrindo os botões da camisa dele.
— Ninguém está olhando, Ali. E se estiverem, que olhem — ele sussurrou, a voz carregada de uma possessividade que ele nunca sentira por Jessica. Com Alicia, era diferente. Era cru. Era real.
Ele a ergueu pela cintura, e Alicia envolveu as pernas ao redor do quadril dele, montando-o enquanto ele a sentava na borda da mesa de madeira. O contato era elétrico. Bruno apertou as coxas dela com força, as mãos subindo para a base de suas costas, puxando-a para ainda mais perto, se é que isso era possível. Seus lábios voltaram a se encontrar, um beijo de língua profundo, molhado, onde o som de suas respirações pesadas se misturava à música abafada da boate ao fundo.
Alicia soltou um gemido baixo quando sentiu a mão de Bruno subir por baixo do seu vestido, os dedos subindo pela parte interna de suas coxas. Ela se inclinou para frente, colando seus seios ao peito dele, sentindo o batimento acelerado do coração de Bruno. Ela puxou o cabelo dele novamente, dessa vez com mais força, forçando-o a olhar nos olhos dela.
— Você é meu — disse ela, a voz firme, apesar da arritmia.
— Sempre — respondeu ele.
Bruno levou uma das mãos ao pescoço de Alicia, fechando os dedos em um enforcamento leve, apenas o suficiente para exercer pressão e fazer os olhos dela dilatarem de puro prazer. Ela não recuou; pelo contrário, empurrou o pescoço contra a mão dele, buscando aquela dominância que a fazia se sentir viva. O polegar dele acariciou o pomo de Adão dela enquanto eles continuavam a se devorar.
Ele começou a descer as alças do vestido dela, expondo a pele bronzeada à luz fraca do ambiente. Bruno enterrou o rosto no decote dela, aspirando o perfume dela, deixando beijos úmidos e mordidas leves na curva de seus seios. Alicia arqueou as costas, as mãos agora agarrando os braços fortes de Bruno, sentindo a vibração de um rosnado baixo que saía do peito dele.
— Eu quero você agora — sussurrou Bruno, a voz rouca contra a pele dela. — Eu não consigo esperar chegar em casa.
— Então não espere — desafiou Alicia, a voz carregada de luxúria.
Ela puxou a cabeça dele para cima e o beijou novamente, um beijo possessivo que dizia que ela era dele tanto quanto ele era dela. Bruno a apertou com tanta pegada que Alicia sentiu que ficaria com as marcas de seus dedos em sua pele, e ela não se importava. Ele a girou na mesa, fazendo-a deitar parcialmente sobre a madeira fria, enquanto ele se posicionava entre suas pernas, o corpo dele pressionando o dela com uma urgência que prometia uma noite longa e inesquecível.
Naquele momento, o piano atravessado pela cidade e a traição de Jessica pareciam memórias de uma vida que pertencia a outra pessoa. Ali, sob as luzes neon e o som abafado de sua própria música sexy, Bruno Mars não era apenas um compositor de canções de amor. Ele era um homem consumido por uma paixão selvagem, encontrando sua redenção nos braços da mulher que o salvou de um trem, apenas para levá-lo a um descarrilamento muito mais prazeroso.
— Você é a minha perdição, Alicia — ele murmurou, antes de mergulhar novamente em seus lábios, perdendo-se no calor e na urgência daquela conexão que nem a música mais intensa poderia descrever plenamente.