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Guitarrist

Entre Suspiros e Bastidores

A agenda do RIIZE estava um caos completo. Promoções de "Get A Guitar", gravações de conteúdo para o YouTube, ensaios fotográficos e a preparação para o próximo grande festival. No meio desse turbilhão, Lim e Wonbin viviam em um estado de alerta constante. Para o público e para a equipe, eles eram colegas de grupo com uma química musical impecável. Para os membros, eram amigos próximos que passavam tempo demais compondo. Mas, entre as frestas do tempo, eles eram dois jovens desesperados por um toque que não fosse coreografado.

Naquela tarde, o grupo estava nos bastidores de um programa de música. O camarim era um formigueiro de estilistas, maquiadores e seguranças. Sungchan estava em um canto tentando ensinar Sohee a fazer um truque de mágica com uma moeda — que Sohee, previsivelmente, já tinha deixado cair três vezes, explodindo em gargalhadas.

— Wonbin, você precisa trocar de figurino agora! — gritou uma das estilistas, apontando para o provador improvisado no fundo da sala, uma estrutura de metal cercada por cortinas pesadas de veludo preto.

Wonbin se levantou com sua calma habitual, mas seus olhos encontraram os de Lim por apenas um segundo. Foi um comando silencioso.

Lim esperou dois minutos. Ela fingiu estar ajustando o laço de sua bota, conversando distraidamente com Anton, que estava focado em um jogo no celular.

— Anton, vou ver se deixei minha garrafa de água perto das roupas de performance — murmurou ela.

Anton levantou os olhos, deu um sorriso de canto que sugeria que ele sabia exatamente o que ela estava fazendo, mas apenas assentiu.

— Vai lá, mas não demora. O Shotaro já está começando a contar as cabeças para o ensaio de som.

Lim deslizou pelas sombras do camarim, aproveitando que Eunseok estava distraído contando uma história bizarra para um dos cabeleireiros sobre como ele acreditava que as plantas do estúdio eram espiãs. Ela se aproximou da cortina do provador e, com o coração martelando contra as costelas, entrou sem bater.

O espaço era minúsculo. O cheiro do perfume amadeirado de Wonbin preenchia o ar, misturado ao calor das luzes do camarim. Ele já estava sem a camisa de seda do primeiro bloco, com o peito nu e os cabelos levemente bagunçados. Quando ele viu Lim, um sorriso lento e perigoso surgiu em seus lábios.

— Você demorou — sussurrou ele, puxando-a pela cintura para fechar o pouco espaço entre eles.

— O Sungchan não parava de olhar na minha direção — Lim respondeu, passando as mãos pelos ombros largos dele, sentindo a pele quente sob seus dedos. — Eu senti sua falta hoje.

— Nós tomamos café juntos há três horas — Wonbin brincou, embora sua voz tivesse descido uma oitava, tornando-se aquele barítono rouco que sempre desarmava Lim.

— Três horas é muito tempo quando eu tenho que ver metade das staffs olhando para você como se você fosse um banquete — ela retrucou, o ciúme brilhando por um instante antes de ser substituído pelo desejo.

Wonbin não respondeu com palavras. Ele a pressionou contra a parede de metal do provador, que soltou um ruído surdo. Ele selou seus lábios com uma urgência que dizia que ele também estava no limite. O beijo era faminto, uma mistura de saudade e a adrenalina de saber que poderiam ser pegos a qualquer momento. A mão de Wonbin subiu para a nuca de Lim, os dedos se enroscando em seu cabelo, enquanto a outra mão a segurava firmemente pela base das costas.

— Wonbin? — A voz de Shotaro ecoou do lado de fora da cortina, fazendo os dois congelarem instantaneamente. — Você viu a Lim? O manager está chamando para a checagem dos microfones.

Lim prendeu a respiração, o rosto enterrado no pescoço de Wonbin. Ela podia sentir a vibração do riso silencioso dele contra sua pele.

— Ela saiu para pegar água, hyung! — Wonbin respondeu, sua voz saindo perfeitamente estável, embora sua respiração estivesse pesada. — Eu já estou saindo, só estou terminando de abotoar a calça.

— Certo, não demora. O clima está ficando tenso lá fora — Shotaro disse, e seus passos se afastaram.

Lim soltou o ar, dando um tapa leve no peito de Wonbin.

— Você é um mentiroso profissional — sussurrou ela, rindo baixinho.

— Eu sou um sobrevivente — ele corrigiu, antes de roubar mais um beijo rápido e intenso. — Agora vai. Antes que o Eunseok decida que o provador é o lugar ideal para sua próxima meditação transcendental.

Lim saiu primeiro, tentando recompor o cabelo e a expressão facial. Ela passou por Sungchan, que a olhou de cima a baixo com uma sobrancelha erguida.

— A água estava boa? — perguntou ele, com um sorriso travesso. — Você está meio... corada.

— O ar condicionado está quebrado, Sungchan. Não comece — Lim respondeu rapidamente, passando por ele e indo em direção ao palco.

O ensaio de som foi uma tortura à parte. Wonbin e Lim tinham que cantar uma balada juntos, posicionados frente a frente. A letra falava sobre um amor que não podia ser dito em voz alta — uma ironia que não passava despercebida por nenhum dos dois. Enquanto cantavam, Wonbin mantinha sua máscara de "visual frio", mas o jeito que ele sustentava o olhar de Lim, a intensidade em seus olhos escuros, era um flerte descarado que só ela conseguia decifrar.

— Vocês dois estão com uma conexão incrível hoje — elogiou o diretor de palco pelo sistema de som. — Continuem assim para a gravação oficial.

No intervalo para o jantar, o grupo foi levado para uma sala reservada. Eles estavam exaustos, jogados em sofás enquanto comiam marmitas de kimbap e frango frito. Sohee estava ocupado tentando fazer uma harmonia impossível com a boca cheia, o que fazia Anton rir silenciosamente.

Wonbin estava sentado no chão, encostado na parede, e Lim se sentou ao lado dele, as coxas se tocando levemente. Por baixo da mesa baixa, a mão de Wonbin encontrou a dela. Ele começou a desenhar círculos na palma da mão de Lim com o polegar, um gesto simples que a fazia querer gritar de frustração por não poder fazer nada além de comer seu frango em silêncio.

— Sabe o que eu estava pensando? — Eunseok começou, olhando para o teto com sua expressão enigmática. — Se nós fôssemos animais, o Wonbin seria um gato preto. Bonito, mas provavelmente planeja sua morte enquanto você dorme. E a Lim seria um daqueles pássaros pequenos que cantam alto para fingir que não têm medo de nada.

— Um pássaro? — Lim riu. — Eu aceito isso.

— E o que eles estariam fazendo agora no reino animal? — provocou Sungchan, jogando um pedaço de rabanete em Eunseok.

— Provavelmente ignorando um ao outro até a hora da caça — respondeu Eunseok, dando de ombros.

Wonbin apertou a mão de Lim com um pouco mais de força sob a mesa, um sorriso quase imperceptível surgindo no canto de sua boca.

— Eu não ignoraria o pássaro — disse Wonbin, a voz calma, mas com um subtexto que fez os pelos do braço de Lim se arrepiarem. — Eu cuidaria dele.

— Que profundo! — Sohee exclamou, limpando a boca. — Wonbin está em modo poeta hoje. Deve ser a música nova.

Após o jantar, houve um pequeno intervalo antes de voltarem para o hotel. O prédio da emissora era imenso, cheio de corredores desertos a essa hora da noite. Lim disse que precisava ir ao banheiro, mas na verdade, ela seguiu Wonbin até uma saída de emergência raramente usada no final do corredor do terceiro andar.

Assim que a porta corta-fogo se fechou atrás deles, Wonbin a puxou para o lance de escadas.

— Nós temos exatamente cinco minutos antes que o Shotaro perceba que o "gato" e o "pássaro" sumiram ao mesmo tempo — ele murmurou, prendendo-a entre seus braços contra o corrimão.

— Você é muito imprudente — Lim disse, embora estivesse puxando a gola da jaqueta dele para trazê-lo para mais perto. — O que aconteceu com o Wonbin fechado e silencioso que todo mundo conhece?

— Ele está de férias — Wonbin respondeu, atacando o pescoço dela com beijos leves que a fizeram soltar um suspiro trêmulo. — Só existe o Wonbin que está ficando louco por não poder te tocar o dia inteiro.

Lim inclinou a cabeça para trás, sentindo as mãos de Wonbin subirem por suas costelas.

— Eu odeio quando as pessoas flertam com você — ela confessou, a voz falhando. — Aquela apresentadora hoje... ela não tirava os olhos de você.

Wonbin parou e olhou nos olhos dela. Ele levou as mãos ao rosto de Lim, acariciando suas bochechas com os polegares.

— Deixe que olhem, Lim. Deixe que escrevam bilhetes, que flertem, que tentem. No final da noite, sou eu quem está aqui com você. Sou eu quem escreve músicas pensando na sua voz. Ninguém mais tem o que nós temos.

— Eu sei — sussurrou ela, sentindo a insegurança diminuir diante daquela certeza absoluta. — Mas é difícil dividir você com o mundo.

— Você não me divide — ele disse com firmeza. — O "Wonbin do RIIZE" pertence ao mundo. Mas o Wonbin... esse é só seu.

Eles se beijaram novamente, um beijo que carregava toda a promessa daquelas palavras. Era um refúgio, um espaço onde não precisavam ser idols, onde não precisavam de coreografias ou scripts. Eram apenas dois corações batendo no mesmo ritmo em uma escadaria mal iluminada.

O som de passos no corredor de cima os fez se separarem bruscamente. Eles ouviram a voz de Anton chamando por Lim.

— Lim? Você está por aqui? O pessoal da van está esperando!

— Aqui! — Lim gritou de volta, tentando normalizar a voz. Ela olhou para Wonbin, que estava limpando um pouco de batom do canto da boca com o polegar.

— Vai na frente — Wonbin instruiu, recuperando sua postura fria e profissional em questão de segundos. — Eu vou pelo outro lance de escadas e encontro vocês na garagem.

Lim assentiu, deu um último aperto na mão dele e saiu pela porta. Ela encontrou Anton no corredor. Ele a olhou, notou a respiração levemente ofegante e o brilho em seus olhos, mas não disse nada. Apenas passou o braço pelos ombros dela e começou a caminhar.

— Você e suas "idas ao banheiro" demoradas, hein? — Anton brincou, mas seu tom era protetor. — Só tome cuidado. O Shotaro é esperto, e o Sungchan... bom, o Sungchan é doido, mas ele percebe as coisas.

— Eu sei, Anton. Obrigada por me dar cobertura — Lim agradeceu, encostando a cabeça no ombro do amigo.

— É o que os amigos fazem — ele respondeu. — E porque eu quero que você seja feliz. E, honestamente, o Wonbin fica muito menos insuportável quando está perto de você.

Na van, a caminho do dormitório, o silêncio finalmente reinou. A maioria dos membros estava cochilando. Wonbin estava sentado na frente, olhando pela janela para as luzes de Seul que passavam como borrões. Lim estava no fundo, com os fones de ouvido, ouvindo a demo da música que haviam gravado.

Em um momento, Wonbin ajustou o espelho retrovisor interno. Seus olhos encontraram os de Lim pelo reflexo. Ele não sorriu, não acenou, nem fez qualquer gesto óbvio. Mas ele levou a mão ao peito, bem em cima do coração, e deu dois toques leves.

Lim fechou os olhos e sorriu. O ciúme, a pressão da fama, o cansaço... tudo aquilo parecia pequeno. Eles tinham seus momentos roubados, suas brechas no tempo e um amor que, embora escondido, brilhava mais forte que qualquer holofote.

Ela sabia que amanhã seria a mesma coisa: flertes escondidos, toques acidentais calculados e a constante dança de esconder o que sentiam. Mas, enquanto estivessem juntos naquela melodia silenciosa, ela não mudaria absolutamente nada.