Voltar ao resumo

Guitarrist

Curvas e Acordes Proibidos

O camarim do SBS Inkigayo estava uma zona de guerra. Araras de roupas repletas de lantejoulas, frascos de spray de cabelo e o som constante de secadores criavam uma cacofonia que normalmente Lim ignorava. Mas hoje era diferente. Ela estava parada diante do espelho de corpo inteiro, olhando para o figurino que a estilista havia escolhido para o stage especial de "Siren".

Era um top de couro sintético preto, estruturado como um corset, mas com um decote em "V" tão profundo que fazia Lim se sentir perigosamente exposta. O design realçava suas curvas de uma forma que ela não estava acostumada a mostrar nas câmeras.

— Lim, você está deslumbrante! — exclamou Sohee, passando por ela com um microfone na mão. — Se o Wonbin não travar na hora do solo de guitarra olhando para você, ninguém mais trava.

Lim sentiu o rosto queimar. Ela olhou de soslaio para o canto da sala, onde Wonbin estava sentado, deixando que a maquiadora retocasse o delineado em seus olhos. Ele não disse nada, mas Lim viu o exato momento em que ele desviou o olhar do espelho para o reflexo dela. A expressão dele, geralmente gélida e profissional, vacilou por um milésimo de segundo. As pupilas dele dilataram e ele apertou o braço da cadeira com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

Wonbin sempre fora fascinado pelo corpo de Lim, mas ele tinha uma fixação silenciosa e intensa pelos seus seios. Ele dizia que era ali que ela guardava toda a sua coragem para cantar. Ver aquele decote, sabendo que milhares de câmeras e olhos estariam focados nela, estava claramente testando o autocontrole do guitarrista.

— Está muito aberto? — Lim sussurrou, aproximando-se dele quando a maquiadora se afastou para buscar outro pincel.

Wonbin levantou-se lentamente. Ele estava usando uma camisa branca de tecido fino, propositalmente aberta até o meio do abdômen, revelando a linha definida de sua barriga e o início do abdômen trabalhado. Lim engoliu em seco. Se ele tinha um ponto fraco nela, ela era absolutamente obcecada pela barriga dele — a pele firme, a curva suave dos músculos que ela adorava traçar com os dedos nas raras noites em que conseguiam ficar sozinhos no dormitório.

— Está perfeito — a voz de Wonbin saiu mais rouca do que o normal. Ele deu um passo à frente, bloqueando a visão dos outros membros com seu corpo. — Mas eu sinto vontade de cobrir você com o meu casaco e levar você daqui agora mesmo.

— Ciúmes, Park Wonbin? — ela provocou, apesar do coração disparado.

— Posse — ele corrigiu, os olhos escuros descendo para o decote dela antes de voltarem para o seu rosto. — Eu odeio que eles vão ver o que é só meu.

— Eu também não gosto dessa sua camisa — Lim rebateu, estendendo a mão para tocar de leve a pele exposta da barriga dele, sentindo os músculos dele se contraírem instantaneamente sob seu toque. — Quero que você feche isso.

— Ei, pombinhos! — A voz de Anton surgiu logo atrás deles, fazendo os dois se afastarem como se tivessem levado um choque.

Anton estava parado com os braços cruzados, uma expressão de "eu não acredito nisso" no rosto. Ele olhou para Wonbin, depois para Lim, e soltou um suspiro pesado.

— Vocês são péssimos nisso — Anton disse, aproximando-se e falando em um tom que apenas os três pudessem ouvir. — Sério, o nível de tensão entre vocês dois está fazendo o ar condicionado do prédio pifar.

Lim sentiu o sangue fugir do rosto.

— Do que você está falando, Anton? — ela tentou rir, mas saiu como um som nervoso. — Estamos apenas discutindo o figurino.

Anton revirou os olhos e puxou Lim pelo braço, levando-a para um canto mais reservado atrás de um painel de LED, enquanto Wonbin era chamado para colocar o ponto de ouvido.

— Lim, por favor — Anton disse, olhando-a nos olhos. — Eu moro com ele. Eu vejo o jeito que ele fica quando você não está na sala. Eu vejo as letras de música que ele "esquece" na mesa, que são claramente sobre você. E eu vi vocês dois na escadaria na semana passada.

Lim cobriu a boca com a mão, os olhos arregalados.

— Você viu?

— Eu vi. E eu não sou o único que desconfia, mas sou o único que tem certeza porque, bem... eu conheço você — Anton deu um sorriso gentil, perdendo a postura de julgamento. — Não se preocupe, eu não vou contar para ninguém. Nem para o Shotaro-hyung, nem para os managers. Mas vocês precisam ser mais cuidadosos. Wonbin olha para você como se você fosse o oxigênio dele, e hoje, com esse decote... ele está prestes a ter um colapso nervoso.

— Ele sabe? — Lim perguntou, apontando para Wonbin, que agora discutia algo com o técnico de som.

— Ele sabe que eu sei? — Anton deu de ombros. — Ele desconfia que eu desconfio. Mas ele confia em mim o suficiente para não esconder tanto quando estamos só nós três. Só... tentem não se beijar no palco, ok? Seria um problema para o nosso debut.

Lim abraçou Anton rapidamente, sentindo um peso enorme sair de seus ombros. Ter um aliado real dentro do grupo, alguém que não apenas suspeitava, mas que os apoiava, era um luxo que ela não sabia que precisava.

— Obrigada, Anton. De verdade.

— De nada. Agora vai lá e tenta não fazer o Wonbin errar a nota da guitarra.

O stage foi uma explosão de adrenalina. Durante a performance de "Siren", Lim sentiu o olhar de Wonbin nela o tempo todo. Cada vez que a coreografia exigia que ela se inclinasse ou fizesse um movimento mais sensual, ela via o maxilar dele travar. Em contrapartida, cada vez que ele fazia o movimento de "body roll", revelando a barriga definida sob a luz forte dos refletores, Lim sentia os joelhos fraquejarem. Era uma tortura mútua e deliciosa.

Quando a gravação terminou e eles voltaram para a van, a energia estava alta. Sungchan e Eunseok estavam fazendo piadas sobre a reação dos fãs na plateia, enquanto Sohee tentava cantar as notas altas de Lim em tom de brincadeira.

Wonbin e Lim sentaram-se nos mesmos lugares de sempre, nos bancos de trás. No escuro da van, protegidos pelo cansaço dos outros membros que começavam a cochilar, a mão de Wonbin deslizou para a perna de Lim.

Ele subiu a mão lentamente, escondido por uma manta que Lim havia colocado sobre os joelhos, até que seus dedos encontraram a borda do top que ela ainda usava sob o casaco do grupo.

— Aquilo foi uma tortura — ele sussurrou perto do ouvido dela, o hálito quente causando arrepios por todo o seu pescoço.

— Você começou com aquela camisa aberta — ela devolveu no mesmo tom, inclinando-se para ele. — Eu quase esqueci minha linha no segundo verso só de olhar para você.

Wonbin soltou uma risada baixa, um som que raramente alguém além de Lim ouvia.

— O Anton sabe — Lim revelou, sentindo a mão de Wonbin parar por um segundo.

— Eu imaginei — Wonbin respondeu, voltando a acariciar a pele dela. — Ele é quieto, mas observa tudo. Ele não vai dizer nada. Ele gosta de nós.

— Ele disse que você olha para mim como se eu fosse seu oxigênio.

Wonbin parou de brincar e segurou o rosto de Lim com a outra mão, forçando-a a olhar para ele na penumbra. Os olhos dele brilhavam com uma intensidade que sempre a deixava sem fôlego.

— Ele está errado — Wonbin disse seriamente. — Oxigênio é necessário para sobreviver. Você... você é a razão pela qual eu quero respirar, para começo de conversa.

Lim sentiu as lágrimas arderem nos olhos. Ela se inclinou e selou seus lábios nos dele em um beijo rápido, casto, mas carregado de todo o sentimento que eles tinham que esconder do mundo exterior.

Ao chegarem no dormitório, a rotina de sempre se seguiu. Banhos rápidos, lanches de madrugada e o silêncio que se instalava conforme cada um ia para seu quarto. Mas Wonbin fez um sinal para Lim antes de entrar no dele.

Dez minutos depois, Lim entrou silenciosamente no quarto de Wonbin. Ele estava sentado na beira da cama, já sem a camisa de palco, usando apenas uma calça de moletom larga. A luz da lua entrava pela janela, iluminando as linhas perfeitas de seu abdômen.

Lim caminhou até ele sem dizer nada. Ela se ajoelhou entre as pernas dele e encostou a testa em sua barriga, sentindo o calor da pele dele contra seu rosto. As mãos de Wonbin instantaneamente encontraram os ombros dela, puxando-a para cima.

— Finalmente — ele murmurou, as mãos descendo para o decote do figurino que ela ainda não tivera coragem de tirar. — Eu passei as últimas cinco horas pensando em como esse couro fica lindo em você, mas em como eu prefiro a sua pele.

Wonbin traçou a linha do decote com o polegar, sua respiração acelerando. Ele tinha uma reverência quase religiosa pela forma como o corpo de Lim se encaixava no dele. Ele a puxou para o seu colo, escondendo o rosto no pescoço dela, enquanto suas mãos exploravam as curvas que o figurino de palco apenas sugeria.

— Você é tão linda, Lim — ele sussurrou contra a pele dela. — Às vezes eu acho que vou explodir se não puder gritar para todo mundo o quanto eu te amo.

Lim se afastou um pouco, apenas o suficiente para olhar para ele. Ela passou as mãos pela barriga dele, sentindo cada músculo, cada detalhe que ela amava.

— Nós temos o Anton agora — ela disse com um sorriso pequeno. — Já é um começo.

— É — Wonbin concordou, puxando-a para um beijo profundo e demorado, um que não precisava terminar por causa de um diretor de palco ou de um manager. — Mas por enquanto, aqui dentro desse quarto, o mundo não existe. Só existe você, eu e essa música que a gente faz sem precisar de nenhuma nota.

Naquela noite, sob o silêncio do dormitório do RIIZE, Lim e Wonbin esqueceram os figurinos ousados, os olhares de terceiros e a pressão do estrelato. Eles eram apenas dois jovens descobrindo que, embora o segredo fosse pesado, o amor que compartilhavam era a única coisa que os mantinha flutuando em meio ao caos.

E enquanto Wonbin adormecia com a cabeça no peito de Lim, e ela passava os dedos pela barriga dele em um carinho sonolento, ambos sabiam que, não importava quão decotada fosse a roupa ou quão difícil fosse esconder o ciúme, eles enfrentariam qualquer stage, desde que, no final, pudessem voltar para os braços um do outro.