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Guitarrist

O Peso do Silêncio e o Brilho do Palco

A adrenalina de um palco de K-pop era algo que Lim ainda não conseguia descrever com precisão. Era uma mistura de pânico, euforia e a sensação de que cada batimento cardíaco estava sendo amplificado pelos alto-falantes gigantes. Mas hoje, no palco do Music Bank, havia uma camada extra de eletricidade. O figurino de Wonbin — uma camisa de seda preta entreaberta que revelava o movimento preciso de seus músculos enquanto ele tocava guitarra — era uma distração perigosa.

Lim tentava focar em sua própria voz, mas toda vez que Wonbin se aproximava para a coreografia de "Impossible", o cheiro de seu perfume e o calor que emanava dele faziam suas mãos tremerem levemente. Ela sabia que as câmeras estavam caçando cada detalhe, cada olhar. O mundo inteiro achava Wonbin um deus intocável, frio e sensual. Só ela sabia que, por baixo daquela fachada, ele era o homem que sussurrava palavras de encorajamento em seu ouvido às três da manhã quando ela chorava de insegurança.

Assim que a gravação terminou e as luzes diminuíram, o grupo desceu as escadas em direção aos camarins. O caos habitual de staffs e seguranças os cercou.

— Cara, aquela transição no segundo refrão foi perfeita! — Sungchan exclamou, passando o braço pelo pescoço de Sohee, que ainda tentava recuperar o fôlego enquanto ria de alguma coisa que Eunseok havia dito no palco.

— A Lim estava brilhando hoje — comentou Shotaro, dando um tapinha encorajador nas costas dela. — Sua nota alta foi a melhor de todos os ensaios.

— Obrigada, Taro — Lim sorriu, mas seus olhos buscaram instintivamente os de Wonbin.

Ele estava um pouco atrás, retirando os fones de retorno com um movimento fluido. Ele não sorriu, não disse nada, mas deu um passo sutil para o lado, permitindo que seu braço roçasse no dela por um breve segundo. Foi o suficiente para que Lim sentisse o choque percorrer seu corpo.

No camarim, a tensão de Lim só aumentou. Uma das MCs do programa, uma idol de um grupo feminino famoso por sua beleza, entrou para entregar algumas flores e cumprimentar o grupo. Ela se direcionou quase imediatamente a Wonbin.

— Wonbin-ssi, sua performance de guitarra foi incrível — disse a garota, inclinando a cabeça de um jeito charmoso e entregando-lhe um pequeno cartão junto com as flores. — Espero que possamos trocar contatos algum dia para falar sobre música.

Lim sentiu o estômago revirar. O ciúme era uma chama ácida que ela tentava engolir. Ela desviou o olhar, fingindo estar ocupada com o seu celular, mas sentiu a mão de Anton em seu ombro.

— Respira — sussurrou Anton, tão baixo que só ela ouviu. — Você sabe que ele nem vai guardar esse cartão.

— Eu sei, mas é exaustivo, Anton — Lim murmurou de volta, sentindo os olhos arderem. — Todo mundo quer um pedaço dele. E eu tenho que agir como se não me importasse.

Wonbin pegou as flores com sua cortesia habitual, mas sua voz foi curta.

— Obrigado. Vou dar as flores para a nossa staff decorar o camarim. Com licença.

Ele se afastou sem ler o cartão, caminhando direto para o fundo do camarim, onde suas coisas estavam. Lim sentiu um pequeno alívio, mas a insegurança ainda sussurrava em seu ouvido. Ela se levantou e foi até o bebedouro, precisando de um momento sozinha.

Para sua surpresa, Wonbin apareceu ao seu lado segundos depois, aproveitando que os outros membros estavam distraídos com uma piada barulhenta de Sungchan e Eunseok sobre quem conseguiria comer mais frango frito depois do show.

— Você está com aquela cara de novo — Wonbin disse, a voz baixa e rouca, os olhos fixos na garrafa de água que ela segurava.

— Que cara? — Lim perguntou, sem olhar para ele.

— A cara de quem está criando cenários na cabeça que não existem — ele se aproximou um pouco mais, usando o próprio corpo para criar uma barreira entre eles e o resto da sala. — Eu não dei meu número para ela, Lim. Eu nem lembro a cor dos olhos dela.

— Não é só isso, Bin — ela finalmente o olhou, e ele viu a vulnerabilidade ali. — É que eu sinto que sou pequena demais perto de tudo o que você é. Todo mundo te olha e vê perfeição. Eu me olho e vejo alguém que só está aqui porque você me empurrou para a frente.

Wonbin sentiu uma pontada de dor no peito. Ele odiava quando ela se diminuía. Sem se importar com o risco, ele estendeu a mão e tocou levemente o pulso dela, onde a pulsação estava acelerada.

— Você está aqui porque é o coração desse grupo — ele afirmou com uma intensidade que a fez estremecer. — Eu escrevo músicas, mas é a sua voz que dá vida a elas. E sobre as outras pessoas... elas veem o que eu permito que vejam. Você é a única que me tem de verdade.

— Às vezes eu só queria poder segurar sua mão na frente deles — Lim confessou, olhando para os outros membros.

— Um dia — prometeu ele. — Mas agora, eu preciso que você confie em mim. E preciso que você use esse ciúme para escrever aquela ponte da música nova que estamos terminando. Transforme isso em arte, Lim.

Ela soltou um suspiro pesado, mas assentiu. Wonbin sempre sabia como transformá-la.

O momento foi interrompido por Eunseok, que apareceu do nada com sua expressão impassível e seu humor bizarro.

— Vocês dois estão tendo uma reunião secreta sobre como dominar o mundo ou apenas discutindo se o frango deve ser com ou sem osso? — perguntou Eunseok, olhando de um para o outro.

— Com osso, obviamente — respondeu Wonbin rapidamente, recuperando sua máscara de indiferença.

— Ótimo, porque o Sungchan já encomendou vinte baldes e ele está tentando convencer o Anton a fazer uma live comendo tudo — Eunseok deu de ombros e saiu andando como se flutuasse.

Lim riu, o peso em seu peito diminuindo um pouco.

Mais tarde, no dormitório, o silêncio finalmente caiu sobre a casa. Os membros estavam em seus quartos, exaustos. Lim estava na pequena varanda, olhando para as luzes de Seul, quando ouviu a porta de vidro deslizar.

Wonbin apareceu usando apenas uma calça de moletom e uma camiseta branca larga. Ele trazia seu violão. Ele se sentou no chão da varanda e fez um sinal para que ela se sentasse ao seu lado.

— Canta para mim — ele pediu, começando a dedilhar uma melodia suave, algo que ele vinha compondo nos intervalos.

Lim fechou os olhos e deixou a música guiá-la. Ela começou a improvisar uma letra, falando sobre segredos, luzes de neon e o medo de perder algo que ainda nem era totalmente seu. Wonbin a acompanhava perfeitamente, seus dedos dançando nas cordas como se conhecessem cada hesitação da voz dela.

Quando a música terminou, ele deixou o violão de lado e puxou Lim para o seu colo. No escuro da varanda, protegidos pelas sombras, eles podiam finalmente ser apenas dois jovens apaixonados.

— Você foi incrível hoje — ele sussurrou, beijando o topo da cabeça