Guitarrist
Eco de Desejos e Segredos Revelados
O corredor dos bastidores do Inkigayo parecia um labirinto de metal, luzes fluorescentes frias e o cheiro onipresente de laquê e maquiagem pesada. A adrenalina pós-performance de "Siren" ainda corria pelas veias de Lim como eletricidade pura. O público tinha ido à loucura, e a química entre ela e Wonbin no palco fora tão densa que era um milagre que os sensores de incêndio não tivessem disparado.
Lim sentia o peito subir e descer rapidamente sob o corset de couro. Cada vez que Wonbin passava por ela nos corredores estreitos, o roçar de seus ombros ou o encontro fugaz de seus olhares carregava uma promessa perigosa. O ciúme que sentira mais cedo, ao ver as dançarinas de apoio gravitando ao redor dele, agora havia se transformado em uma fome urgente.
Wonbin estava logo à frente, caminhando com aquela sua aura de mistério inabalável. Ele parou perto de uma porta de serviço que levava a um setor de banheiros menos frequentado, usado geralmente pela equipe técnica durante as trocas de cenário. Ele não olhou para trás, apenas manteve a porta entreaberta por um segundo a mais do que o necessário.
Era o sinal.
Lim entrou logo em seguida, o som de seus saltos ecoando no piso de azulejo antes que ela trancasse a porta principal com um clique seco. O silêncio do banheiro era absoluto, contrastando com o caos do lado de fora.
— Você vai me matar desse jeito — murmurou Wonbin, prensando-a contra a porta fria assim que ela se virou.
As mãos dele, ainda adornadas com os anéis de prata do figurino, subiram para o rosto de Lim, segurando-a com uma intensidade que a fez arfar.
— O jeito que você me olhou durante o solo... — Lim sussurrou, as mãos descendo desesperadamente para a barriga dele, sentindo os músculos rígidos sob o tecido fino da camisa. — Eu não conseguia pensar em mais nada. Eu queria te arrancar daquele palco.
— Então faça isso agora — Wonbin respondeu, a voz rouca e baixa, antes de atacar os lábios dela com um beijo que não tinha nada de hesitante.
Não era como os beijos roubados no estúdio ou os carinhos escondidos na van. Havia uma urgência nova, uma necessidade de reivindicação que ambos haviam suprimido por meses. Wonbin a levantou, e Lim entrelaçou as pernas na cintura dele, sentindo o calor do corpo dele contra o seu. O contraste entre o couro frio do figurino dela e a pele quente de Wonbin era inebriante.
— Aqui? — Lim perguntou entre beijos, a voz falhando enquanto ele descia os lábios para o decote que tanto o torturara durante o dia.
— Eu não consigo esperar até o dormitório — Wonbin confessou, a respiração pesada contra a pele dela. — Eu preciso de você agora, Lim. Preciso saber que você é real e que é minha.
No espaço confinado da cabine, entre o som da respiração acelerada e o roçar de tecidos, o mundo exterior deixou de existir. Não havia câmeras, não havia fãs, não havia RIIZE. Havia apenas a descoberta mútua, o toque hesitante que logo se tornava firme, e a entrega total. Foi doloroso e doce, uma sinfonia de suspiros e promessas sussurradas que selavam o vínculo que eles vinham construindo em segredo. Quando finalmente se tornaram um só, Lim sentiu que todas as suas inseguranças silenciavam. Ali, nos braços de Wonbin, ela não era apenas uma idol ou uma colega; ela era o centro do universo dele.
Minutos depois, ou talvez horas na percepção deles, o silêncio retornou. Wonbin mantinha Lim abraçada, o rosto escondido na curva do pescoço dela, enquanto tentavam recuperar o fôlego.
— Temos que voltar — sussurrou Lim, embora não fizesse o menor movimento para se afastar.
— Eu sei — Wonbin suspirou, dando um beijo casto na testa dela. — Mas eu ficaria aqui para sempre se pudesse.
Eles se recomporam com pressa, ajeitando as roupas de palco com mãos ainda trêmulas. Wonbin ajudou Lim a fechar o zíper do corset, seus dedos demorando-se na pele das costas dela. Eles saíram do banheiro separadamente, com um intervalo de dois minutos, seguindo o protocolo de segurança invisível que haviam criado.
Lim caminhava pelo corredor tentando controlar o sorriso bobo e a vermelhidão nas bochechas quando, ao dobrar a esquina que dava para a área de descanso dos artistas, parou bruscamente.
Escondido atrás de uma pilastra, em um ponto cego das câmeras de segurança, estava Sungchan. Mas ele não estava sozinho.
Ele estava com as mãos na cintura de uma garota que Lim reconheceu instantaneamente: era Karina, do aespa. Eles estavam tão próximos que as testas se tocavam, e Sungchan ria de algo que ela dizia, um riso baixo e íntimo que Lim nunca tinha visto ele direcionar a ninguém fora do grupo.
— Você tem que ir agora, ou o seu manager vai ter um ataque — disse Karina, a voz doce e carregada de um carinho evidente.
— Só mais um minuto — Sungchan respondeu, inclinando-se para dar um beijo rápido e estalado na ponta do nariz dela. — Eu te ligo quando chegar no dormitório. Promete que vai atender?
— Eu sempre atendo, bobo — ela brincou, antes de deslizar para longe dele e sumir pelo corredor oposto.
Lim sentia que não conseguia se mexer. O choque de ver o "vírus da alegria" do RIIZE, o cara que todos achavam ser apenas um brincalhão descontraído, em um momento tão vulnerável e secreto com uma das maiores estrelas da empresa, era quase maior do que a adrenalina que acabara de viver com Wonbin.
Ela tentou recuar silenciosamente, mas seus saltos a traíram, produzindo um estalo no chão de mármore. Sungchan virou-se instantaneamente, a expressão de pânico cruzando seu rosto antes de reconhecer quem era.
— Lim? — Ele perguntou, a voz subindo uma oitava.
— Oi, Sungchan — ela disse, saindo das sombras com as mãos para cima em sinal de rendição. — Eu... eu não vi nada. Juro.
Sungchan relaxou os ombros, mas seus olhos ainda brilhavam com cautela. Ele caminhou até ela, olhando para os lados para garantir que estavam sozinhos.
— Há quanto tempo você está aí? — perguntou ele, coçando a nuca, visivelmente sem graça.
— Tempo suficiente para ver que você é um romântico incurável — Lim sorriu, tentando aliviar a tensão. — Ela é incrível, Sungchan.
O rosto dele se iluminou instantaneamente. O orgulho que ele sentia era impossível de esconder.
— Ela é, não é? — Ele suspirou, perdendo a postura defensiva. — Estamos juntos há alguns meses. É difícil, Lim. Você sabe como as coisas são... a empresa, os fãs.
Lim sentiu uma pontada de solidariedade tão forte que quase contou seu próprio segredo ali mesmo.
— Eu imagino. Mas você parece feliz. Realmente feliz.
— Eu estou — Sungchan admitiu, e então olhou para Lim com uma expressão mais analítica. — Mas e você? O que estava fazendo vindo daquela direção? O banheiro feminino é para o outro lado.
Lim sentiu o coração falhar uma batida.
— Eu me perdi — mentiu ela, rápido demais. — Esse prédio é enorme.
Sungchan estreitou os olhos, um sorriso travesso começando a surgir em seus lábios. Ele se aproximou e sussurrou:
— Sabe, Lim... o Wonbin também se "perdeu" faz uns dez minutos. Vocês dois deviam tomar cuidado com o senso de direção de vocês. É contagioso.
Lim ficou estática. Antes que pudesse processar a implicação da fala dele, Sungchan piscou para ela e começou a caminhar em direção ao camarim do RIIZE, assobiando uma melodia qualquer como se nada tivesse acontecido.
— Ei, Lim! — ele gritou por cima do ombro. — Não conta para o Shotaro-hyung sobre a Karina, e eu não conto para ninguém que você não sabe usar um mapa. Temos um acordo?
Lim soltou um suspiro de alívio que parecia ter sido guardado por eras.
— Acordo feito! — ela respondeu.
Ela caminhou o resto do trajeto sentindo que o mundo acabara de ficar um pouco menor e muito mais interessante. Ao entrar no camarim, viu Wonbin sentado no sofá, já cercado por Sohee e Eunseok. Ele levantou os olhos quando ela entrou, e o brilho de cumplicidade que compartilharam foi quase palpável.
Ela se sentou ao lado de Anton, que estava lendo um livro, mas que levantou o olhar apenas o suficiente para notar o estado radiante da amiga.
— Você demorou no banheiro — comentou Anton, sem tirar os olhos da página. — Encontrou alguma coisa interessante no caminho?
— Você não faz ideia, Anton — Lim respondeu, pegando uma garrafa de água e sentindo o sabor da vitória e do amor secreto em sua língua. — Descobri que esse grupo é cheio de segredos.
— E qual é o seu favorito? — Anton perguntou, finalmente fechando o livro e sorrindo.
Lim olhou para Wonbin, que agora discutia a performance com Shotaro, e depois para Sungchan, que estava fingindo lutar boxe com o ar, escondendo seu próprio segredo sob camadas de piadas.
— O meu favorito? — Lim sorriu, sentindo-se finalmente em casa. — É saber que, no meio de toda essa loucura, nenhum de nós está realmente sozinho.
Na van, de volta para casa, a mão de Wonbin encontrou a dela sob o banco, como sempre. Mas desta vez, o aperto foi diferente. Era o aperto de quem compartilhara não apenas beijos, mas a própria alma. E enquanto Lim encostava a cabeça no ombro de Wonbin, vendo as luzes de Seul passarem, ela percebeu que o amor no k-pop era como uma música gravada em silêncio: ninguém ouvia, mas a vibração era forte o suficiente para mover o mundo.
Agora, eles tinham um ao outro, tinham Anton como confidente e, inesperadamente, tinham Sungchan no mesmo barco de segredos. O RIIZE estava subindo nas paradas de sucesso, mas nos bastidores, a verdadeira harmonia estava sendo escrita em capítulos que ninguém mais poderia ler. E para Lim, aquela era a música mais bonita de todas.