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O Reino das Princesas e o Desafio dos Nomes

A euforia do chá revelação ainda pairava sobre a mansão dos Haaland como uma névoa doce de felicidade. Manchester, com seu céu habitualmente cinzento, parecia ter aberto uma exceção permanente para o casal. No entanto, conforme as semanas avançavam e a barriga de Maria crescia em um ritmo que desafiava a lógica — o que era esperado para uma gravidez de trigêmeas —, a realidade logística de receber três novas vidas de uma só vez começou a se assentar.

Erling, fiel ao seu estilo meticuloso, transformou um dos quartos de hóspedes em um "centro de comando" para bebês. Havia planilhas, catálogos de carrinhos triplos que pareciam naves espaciais e uma coleção crescente de mini uniformes do Manchester City, todos com o número 9 e o nome "Papai" nas costas.

Maria entrou no escritório improvisado, segurando a base das costas. Ela estava radiante, com aquela aura que apenas a gravidez traz, mas seus pés estavam começando a reclamar do peso extra.

— Erling, querido — chamou ela, vendo o marido inclinado sobre um tablet, comparando as especificações de monitores de bebê com visão noturna. — Você está pesquisando babás eletrônicas ou planejando a defesa de um castelo?

Erling levantou o olhar, os olhos azuis brilhando com uma intensidade focada.

— Maria, você não entende. São três. Se uma chorar no quarto A, a frequência da babá eletrônica precisa ser potente o suficiente para não dar interferência com a do quarto B. Eu li que alguns modelos falham se houver muitas paredes de mármore. E nós temos muito mármore.

Maria riu, caminhando lentamente até ele e acariciando os cabelos loiros que ele mantinha presos em um coque desleixado.

— Elas vão ficar no mesmo quarto, Erling. Pelo menos nos primeiros meses. Elas passaram meses juntas aqui dentro — ela apontou para a barriga proeminente —, não vão querer ficar separadas agora.

Erling suspirou, relaxando os ombros e puxando uma cadeira para que ela se sentasse ao lado dele.

— Eu só quero que tudo seja perfeito. Três meninas... Eu ainda acordo à noite e olho para o teto pensando: "Eu vou ser responsável por três mulheres". Eu preciso ser forte, Maria. Preciso ser o melhor.

— Você já é o melhor — disse ela, pegando a mão grande dele e colocando-a sobre o lado esquerdo de sua barriga. — Sente isso?

Como se tivessem ouvido a voz do pai, uma das bebês deu um chute vigoroso. Erling arregalou os olhos.

— Essa foi a número um? Ou a número dois? — perguntou ele, maravilhado.

— Acho que foi a que fica mais perto das minhas costelas. Ela é a mais agitada, com certeza puxou o seu espírito competitivo.

Erling sorriu, um sorriso bobo que raramente mostrava para as câmeras de TV.

— Precisamos decidir os nomes, Maria. O Dr. Aris disse que elas podem chegar a qualquer momento a partir da trigésima segunda semana. Não podemos chamá-las de "Número 1, 2 e 3" para sempre. Jack já começou a chamá-las de "O Hat-trick", e eu me recuso a deixar isso virar apelido oficial.

Maria soltou uma gargalhada.

— Jack é impossível. Mas ele tem razão, precisamos de nomes. Eu andei pensando... algo que honre suas raízes norueguesas, mas que seja doce. O que você acha de nomes que comecem com a mesma letra?

Erling franziu o cenho, pensando seriamente.

— Como... Erlinga, Erlina e Erletta? — Ele sugeriu, com uma seriedade que fez Maria parar de respirar por um segundo antes de perceber que ele estava brincando.

— Erling! — Ela deu um tapinha de leve no braço dele. — Você não vai colocar o seu nome nelas com sufixos diferentes. Elas são meninas, não seus clones de laboratório.

— Tudo bem, tudo bem — ele riu, rendendo-se. — Eu andei pesquisando nomes nórdicos. Gosto de nomes que signifiquem força. O que você acha de Astrid? Significa "beleza divina".

Maria sorriu, anotando o nome em um caderno que trazia consigo.

— Astrid é lindo. É forte e clássico. Temos uma. Faltam duas.

— E Ingrid? — sugeriu Erling. — É um nome de rainha. E elas serão as rainhas desta casa.

— Astrid e Ingrid... combinam muito bem. E para a terceira? — Maria olhou para ele, esperando a inspiração do artilheiro.

Erling ficou em silêncio por um momento, olhando para uma foto do casamento deles que decorava a mesa.

— O que você acha de Freya? — perguntou ele, a voz mais suave. — A deusa do amor, da beleza e da fertilidade na nossa mitologia. Parece apropriado, não? Depois de tudo o que passamos para construir nossa família.

Maria sentiu os olhos marejarem.

— Astrid, Ingrid e Freya. As irmãs Haaland. É perfeito, Erling.

Ele se inclinou e beijou a barriga dela três vezes, uma para cada nome.

— Agora que resolvemos os nomes, temos outro problema — disse ele, levantando-se e começando a andar de um lado para o outro. — O esquema tático.

— Esquema tático? — Maria arquejou, limpando uma lágrima. — Erling, estamos falando de bebês, não da final da Champions League.

— Maria, pense comigo — ele disse, gesticulando com as mãos como se estivesse diante de um quadro tático no vestiário de Pep Guardiola. — Três bebês. Duas mãos. A conta não fecha. Quando as três chorarem ao mesmo tempo, quem recebe a cobertura? Quem faz a marcação individual? Precisamos de um sistema de zona.

— Nós temos ajuda, meu amor. Minha mãe vem da Noruega, sua família também. E temos a babá que contratamos para os dias de jogo.

— Sim, mas eu quero estar lá. Eu quero trocar as fraldas. Eu li que bebês de atletas de elite têm um metabolismo mais rápido, então teremos mais fraldas do que a média — ele afirmou, com uma convicção pseudocientífica que só ele possuía.

Maria não conseguia parar de rir. Ver o homem que aterrorizava os melhores defensores do mundo entrar em pânico por causa da logística de fraldas era a coisa mais adorável que ela já vira.

— Você vai se sair bem. Você tem reflexos rápidos. Se uma chupeta cair, você a pega antes de tocar o chão.

— É verdade — ele concordou, parecendo um pouco mais confiante. — Meus reflexos são de elite. Vou treinar com bolas de tênis amanhã no CT.

— Não ouse dizer ao Pep que você está treinando para pegar chupetas no ar — avisou Maria, divertida.

— Ele entenderia. Pep gosta de controle. Três bebês são o caos tático supremo.

A conversa foi interrompida pelo toque do celular de Erling. Era uma mensagem de seu pai, Alfie, perguntando se ele já havia comprado os três berços idênticos que ele vira em uma loja em Oslo. Erling começou a digitar fervorosamente, enquanto Maria se acomodava no sofá do escritório, observando-o.

Apesar das piadas e da obsessão com a preparação, ela via o brilho de expectativa nos olhos dele. Erling sempre fora um homem de objetivos. Ele queria quebrar todos os recordes, vencer todos os troféus. Mas ali, naquele quarto cheio de catálogos de bebês, o objetivo dele era outro: ser o porto seguro para Astrid, Ingrid e Freya.

Algumas horas depois, o jantar foi servido. Erling insistiu em preparar um de seus bifes especiais, alegando que Maria precisava de proteína extra para alimentar "o trio de ataque".

Enquanto jantavam à luz de velas, com a vista das luzes de Manchester ao fundo, o clima tornou-se mais íntimo.

— Maria — disse ele, segurando a taça de água e brindando à dela. — Às vezes eu paro e penso no quanto minha vida mudou desde que te conheci. Antes, meu mundo era apenas o campo, o cronômetro e a bola. Agora... agora o centro do meu mundo está sentado à minha frente.

Maria sorriu, sentindo o calor do amor dele a envolver.

— O mundo vai ficar muito maior daqui a algumas semanas, Erling. E muito mais barulhento.

— Eu não me importo com o barulho — ele respondeu seriamente. — Eu passei a vida ouvindo estádios gritando meu nome. Mas eu tenho certeza de que o som de uma delas me chamando de "papai" vai ser mais alto do que qualquer torcida no mundo.

Maria estendeu a mão sobre a mesa, e ele a apertou com firmeza.

— Você acha que elas vão gostar de futebol? — perguntou ela, curiosa.

Erling deu de ombros, um sorriso de canto aparecendo.

— Se elas quiserem jogar, eu vou construir o melhor campo de treinamento para elas. Se quiserem ser bailarinas, eu vou ser o cara de dois metros de altura sentado na primeira fila de cada apresentação, chorando e aplaudindo. Elas podem ser o que quiserem, Maria. Contanto que saibam que o pai delas é o fã número um delas.

Naquela noite, antes de dormirem, Erling fez o ritual que se tornara sagrado. Ele colocou fones de ouvido na barriga de Maria e tocou música clássica norueguesa, intercalada com sons da natureza. Ele afirmava que isso ajudava no desenvolvimento cognitivo das bebês.

— Elas estão calmas — sussurrou Maria, sentindo o peso das meninas se acomodar.

— Estão descansando para a estreia — brincou Erling, deitando-se ao lado dela e abraçando-a com cuidado para não pressionar a barriga. — O grande dia está chegando, Maria. E eu nunca estive tão pronto para um jogo.

— Não é um jogo, Erling. É a nossa vida.

— A melhor parte dela — ele concluiu, fechando os olhos.

Enquanto o silêncio caía sobre a casa, Maria sentiu uma última e leve movimentação dentro de si. Três corações batendo em uníssono com o dela. Três vidas que, em breve, preencheriam aqueles corredores com risos e caos.

Ela olhou para o marido ao seu lado. O "Cyborg" estava dormindo com um sorriso nos lábios, provavelmente sonhando com gols ou, mais provavelmente agora, com três pares de olhos azuis que logo estariam olhando para ele com a mesma adoração que ele sentia por elas.

A jornada até ali fora mágica, mas Maria sabia que o verdadeiro hat-trick estava apenas começando. Astrid, Ingrid e Freya ainda não haviam nascido, mas já haviam conquistado o título mais importante de todos: o coração incondicional de Erling Haaland. E para Maria, ver o homem que o mundo temia se transformar no pai que aquelas meninas mereciam era a maior vitória que ela poderia desejar.

O Reino das Princesas estava quase pronto para abrir suas portas. E o Rei, embora um pouco preocupado com a logística das fraldas, nunca estivera tão preparado para governar com amor.