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O Baile das Chuteiras de Cristal e o Caos das Três Coroas

A mansão dos Haaland em Manchester, que outrora fora um santuário de minimalismo escandinavo e silêncio absoluto, agora parecia o epicentro de um adorável terremoto permanente. Seis meses haviam se passado desde que Astrid, Ingrid e Freya chegaram para reivindicar o trono, e Erling Haaland, o temido "Cyborg" da Premier League, havia descoberto que era muito mais fácil driblar uma defesa inteira do que trocar três fraldas explosivas simultaneamente enquanto uma das bebês decidia testar o alcance de seus pulmões.

Maria estava na cozinha, tentando preparar um café que fosse forte o suficiente para ressuscitar um morto, quando ouviu o som rítmico de passos pesados no corredor. Erling apareceu na porta, mas não era o artilheiro imponente que as câmeras costumavam registrar. Ele carregava Freya em um canguru frontal, Ingrid estava equilibrada em seu braço esquerdo, e ele usava o pé para empurrar um andador onde Astrid tentava, com uma determinação assustadora, colidir contra a ilha de mármore.

— Maria, eu acho que a Ingrid está planejando uma revolta tática — disse Erling, a voz rouca pelo sono interrompido, mas o olhar brilhando com aquele humor seco que só ele possuía. — Ela rejeitou a mamadeira três vezes, mas tentou morder o meu nariz. Isso é um sinal de agressividade ofensiva ou apenas fome?

Maria soltou uma risada curta, pegando a xícara de café como se fosse um troféu.

— É sinal de que ela tem a sua personalidade, Erling. Ela não quer o que é oferecido, ela quer o que ela decide conquistar.

— Ótimo — murmurou ele, sentando-se com cuidado na banqueta alta, tentando não desestabilizar o ecossistema de bebês que carregava. — Três versões em miniatura de mim mesmo. O mundo não está preparado para isso. Eu mal estou preparado para isso.

Maria caminhou até ele, depositando um beijo rápido em sua bochecha e outro no topo da cabeça de Freya, que balbuciou algo que soava suspeitamente como um grito de guerra.

— Você está indo bem, papai. Aliás, você viu o que o Jack postou hoje?

Erling suspirou, já prevendo o desastre.

— O que o Grealish fez agora?

— Ele postou uma foto de três mini-chuteiras de cristal que mandou fazer para elas. A legenda diz: "Para as verdadeiras donas do Manchester".

— Aquele idiota — Erling riu, balançando a cabeça. — Ele vai acabar ensinando elas a fazerem festas antes mesmo de aprenderem a andar. Mas, falando em Manchester e em donas da casa... Maria, temos um problema logístico para o jantar de gala do clube amanhã.

Maria parou com a xícara a caminho da boca. O jantar de gala era um dos eventos mais importantes da temporada, onde todos os jogadores e suas famílias se reuniam para celebrar as conquistas do ano.

— O que houve? A babá cancelou?

— Não — Erling hesitou, olhando para as três filhas. — É que eu estive pensando... Por que não levamos elas?

Maria quase engasgou com o café.

— Erling, são trigêmeas de seis meses. Em um jantar de gala. Com tapete vermelho, fotógrafos e taças de cristal por todos os lados. Você tem noção do que está sugerindo? É o equivalente a soltar três furacões loiros em uma loja de porcelana.

— Maria, pense na imagem — ele disse, adotando aquele tom focado que usava quando discutia táticas com Guardiola. — O artilheiro e suas três princesas. Além disso, eu não quero ficar longe delas por cinco horas. Eu sinto falta delas depois de dez minutos no vestiário. E se a Freya aprender a falar "gol" e eu não estiver lá?

— Ela não vai falar "gol" amanhã, Erling. Mas ela pode muito bem vomitar no vestido de seda da esposa do diretor — rebateu Maria, embora o coração já estivesse amolecendo diante da carinha de pidão que o marido fazia.

— Eu cuido da logística — prometeu ele, levantando-se com uma energia renovada. — Vou contratar uma equipe de apoio. Duas babás disfarçadas de convidadas, um trocador portátil de última geração e eu mesmo ficarei responsável pela zona de defesa. Nenhuma fralda passará pela minha marcação.

Maria olhou para as três meninas. Astrid agora tentava mastigar o cadarço do tênis de Erling. Ingrid observava o pai com uma sobrancelha levantada, como se julgasse sua sanidade. E Freya apenas sorria, exibindo uma gengiva banguela que era o ponto fraco de Maria.

— Tudo bem — cedeu ela, suspirando. — Mas se o troféu da Premier League acabar cheio de purê de maçã, a culpa é totalmente sua.

— Aceito o risco — declarou o Viking, triunfante.

A noite do evento chegou com a pompa esperada. O hotel de luxo no centro de Manchester estava cercado por fãs e jornalistas. Quando o carro oficial dos Haaland parou, o burburinho subiu de tom. Erling saiu primeiro, impecável em um smoking sob medida, mas o que chocou a multidão foi o que veio a seguir.

Ele não estendeu a mão apenas para Maria. Ele começou a retirar, um por um, três "bebês-conforto" personalizados com o brasão da família. Maria saiu logo depois, deslumbrante em um vestido verde-esmeralda, segurando a bolsa de fraldas mais elegante que o mundo já vira.

O tapete vermelho parou. Os fotógrafos, acostumados a cliques de celebridades, ficaram frenéticos.

— Erling! Maria! Uma foto com as meninas! — gritavam.

Erling, com um sorriso que não cabia no rosto, posicionou-se. Ele carregava Astrid e Ingrid, enquanto Maria segurava Freya. As bebês, vestidas com réplicas minúsculas de vestidos de gala em tons de creme, pareciam estranhamente calmas sob os flashes.

— Elas são melhores nisso do que eu — sussurrou Erling para Maria entre os dentes, enquanto mantinha o sorriso para as câmeras.

— Espere até a fome bater — previu ela.

Dentro do salão, o clima era de pura admiração. Jogadores como De Bruyne e Bernardo Silva se aproximaram, maravilhados.

— Você realmente trouxe o time inteiro, não foi? — brincou Kevin, olhando para as trigêmeas.

— Eu não jogo sem o meu banco de reservas — respondeu Erling, orgulhoso.

O jantar transcorreu em um equilíbrio tenso. Astrid decidiu que o guardanapo de linho era um excelente brinquedo de morder. Ingrid ficou fascinada pelas luzes dos lustres e passou a maior parte do tempo apontando para cima e gritando "Ah!". Freya, por sua vez, foi a alma da festa, sorrindo para todos que passavam pela mesa.

No entanto, o verdadeiro teste veio durante o discurso de abertura. O salão ficou em silêncio absoluto para ouvir o presidente do clube. Foi exatamente nesse momento que Ingrid decidiu que o silêncio era o cenário perfeito para um solo vocal.

— BUÁÁÁÁÁ! — O grito ecoou pelas paredes de mármore.

Erling não hesitou. Com reflexos de goleiro, ele pegou Ingrid do colo de Maria antes que o segundo grito viesse.

— Eu cuido disso — sussurrou ele.

Enquanto o presidente falava sobre recordes e lucros, Erling Haaland, o maior artilheiro da Europa, começou a caminhar calmamente pelo fundo do salão, balançando Ingrid e cantando baixinho uma música folclórica norueguesa sobre trolls e florestas. A cena era tão surreal e doce que metade dos convidados parou de prestar atenção no discurso para observar o gigante loiro ninar a pequena princesa.

Quando ele voltou à mesa, Ingrid estava dormindo profundamente, com o rosto encostado no peito do seu smoking caro.

— Missão cumprida — disse ele, sentando-se com uma leveza impressionante.

— Você é um exibido — brincou Maria, embora seus olhos brilhassem de orgulho. — Sabia que todos os celulares do salão estão apontados para você agora?

— Deixe que olhem — ele deu de ombros. — Eles precisam saber que o meu melhor hat-trick não foi contra o United. Foi esse aqui.

O jantar seguiu para a parte das premiações. Erling foi chamado ao palco para receber o prêmio de Jogador da Temporada. Ele subiu, mas, para a surpresa de todos, fez sinal para Maria. Ela subiu ao palco carregando Freya, enquanto as outras duas bebês ficaram momentaneamente com as babás na mesa ao lado.

— Eu não vou fazer um discurso longo — começou Erling, segurando o troféu de ouro em uma mão e a mão de Maria na outra. — Todo mundo sabe que eu gosto de marcar gols. Mas este ano, eu aprendi que o maior desafio não é vencer a Champions League. É garantir que essas três meninas cresçam sabendo que o pai delas é o fã número um delas. Maria, obrigado por ser a capitã dessa nossa loucura. Astrid, Ingrid e Freya... este troféu é legal, mas o sorriso de vocês no café da manhã é o que realmente me faz querer ser o melhor do mundo todos os dias.

O salão explodiu em aplausos. Foi uma ovação de pé, não apenas pelo jogador, mas pelo homem que ele havia se tornado.

De volta para casa, na calada da noite, o silêncio finalmente reinou na mansão. As trigêmeas estavam devidamente instaladas em seus berços, exaustas de sua primeira noite na alta sociedade. Maria e Erling estavam na cozinha, ele ainda de camisa de smoking desabotoada e ela descalça, dividindo um sanduíche de madrugada.

— Sobrevivemos — disse Maria, encostando a cabeça no ombro dele.

— Sobrevivemos e vencemos — corrigiu Erling. — Zero fraldas vazadas em público, um discurso emocionante e a Astrid não puxou a peruca daquela senhora na mesa sete. Eu chamo isso de vitória absoluta.

Maria riu, sentindo o calor do corpo dele.

— Você sabe que a partir de amanhã a internet só vai falar disso, não sabe? "Haaland e o Reino das Princesas".

— Eu não me importo — ele disse, virando-se para abraçá-la. — Maria, às vezes eu olho para elas e sinto um medo absurdo. Medo de não ser forte o suficiente, de não saber protegê-las de tudo. Mas aí eu olho para você e percebo que, enquanto estivermos juntos, o nosso time é imbatível.

— Nós somos, Erling. E elas vão crescer sabendo disso.

Ele a beijou, um beijo calmo que carregava toda a promessa de um futuro que eles estavam construindo tijolo por tijolo, fralda por fralda.

— Sabe de uma coisa? — Erling sussurrou contra os lábios dela.

— O quê?

— Eu acho que elas precisam de um campo de futebol no jardim. Um bem pequeno. Com grama especial.

Maria revirou os olhos, mas não conseguiu parar de sorrir.

— Elas têm seis meses, Erling!

— O treinamento precoce é a chave para o sucesso, Maria. A Astrid já tem um chute de esquerda promissor. Eu vi hoje quando ela tentou chutar a sobremesa.

— Você é impossível — disse ela, puxando-o para outro beijo.

Naquela noite, o Cyborg dormiu o sono dos justos. Ele não sonhou com bolas de ouro ou estádios lotados. Ele sonhou com três pares de olhos azuis, com laços de fita e com o som de três vozes pequenas que, em breve, preencheriam aquela casa com a palavra que ele mais ansiava ouvir: "Papai".

O mundo podia continuar tentando decifrar o segredo do sucesso de Erling Haaland. Mas, para ele, o segredo era simples. Estava trancado dentro daquela mansão, dormindo em três berços idênticos, sob a vigilância constante de uma mãe maravilhosa e de um pai que, apesar de ser um gigante no campo, tornava-se pequeno e dócil apenas para fazê-las sorrir.

A dinastia Haaland estava apenas começando, e o trono, embora cheio de brinquedos espalhados e manchas de purê, nunca estivera em mãos tão seguras. O hat-trick da vida real era, sem dúvida, a maior conquista da carreira de Erling. E ele mal podia esperar pelo próximo tempo desse jogo chamado família.