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O Primeiro Aniversário e a Tática do Caos

A mansão em Manchester estava irreconhecível. Onde antes imperava o minimalismo nórdico e as linhas limpas de móveis caríssimos, agora havia uma explosão de tons pastéis, balões biodegradáveis em formato de coroas e uma quantidade industrial de glitter que, Erling tinha certeza, nunca mais sairia das frestas do assoalho.

O "Hat-trick Haaland" estava completando um ano.

Erling estava parado no meio da sala, vestindo uma camiseta personalizada que Maria o forçara a usar. Na frente, lia-se "Papai das Princesas"; nas costas, o número 3 e os nomes Astrid, Ingrid e Freya. O jogador, que costumava encarar zagueiros de cem quilos sem piscar, parecia genuinamente intimidado pela pilha de presentes que precisava organizar.

— Maria, eu calculei o espaço necessário para os novos brinquedos — disse Erling, apontando para um tablet onde havia desenhado um diagrama da sala. — Se não expandirmos a área de lazer para o jardim de inverno, teremos um congestionamento de andadores em menos de quarenta e oito horas. É uma questão de fluxo tático.

Maria apareceu na porta da cozinha, terminando de ajustar o laço no cabelo de Freya, que tentava freneticamente alcançar o próprio pé. Maria estava radiante, o tipo de beleza que parecia florescer ainda mais em meio ao caos da maternidade tripla.

— Erling, querido, é uma festa de um ano, não a final da Champions League — disse ela, rindo enquanto depositava Freya no cercadinho acolchoado. — Relaxe. Os convidados vão chegar em trinta minutos e você ainda não colocou as coroas nas meninas.

— Eu estou esperando o momento exato — justificou ele, seriamente. — Se eu colocar agora, a Astrid vai arrancar a dela em trinta segundos, a Ingrid vai começar a chorar porque a coroa está pinicando e a Freya vai tentar comer o elástico. Eu cronometrei: o tempo de tolerância delas para acessórios de cabeça é de, no máximo, quinze minutos antes do colapso.

Maria balançou a cabeça, divertida. Erling aplicava a mesma precisão estatística de seus gols para prever o comportamento das filhas.

— O Jack e o Kevin acabaram de estacionar — anunciou Maria, olhando pelo monitor da câmera de segurança. — Prepare-se. O "Tio Grealish" prometeu o presente mais barulhento da história de Manchester.

— Se for uma bateria, eu vou fazer ele tocar no meio do Etihad Stadium, às três da manhã — resmungou Erling, mas um sorriso denunciava sua animação.

A festa começou como um turbilhão. Metade do elenco do Manchester City parecia ter decidido que o aniversário das trigêmeas era o evento social da década. Jack Grealish, fiel à sua reputação, entrou carregando três mini-carros elétricos que eram réplicas perfeitas de supercarros, completos com buzinas que tocavam o hino do clube.

— Olha só esses modelos, Erling! — exclamou Jack, abraçando o amigo. — Elas já precisam aprender a dirigir com estilo.

— Elas mal conseguem ficar de pé sem cair de bumbum no chão, Jack — retrucou Erling, embora já estivesse examinando o motor dos carrinhos com curiosidade técnica.

Enquanto os convidados circulavam, Maria observava as filhas. Astrid estava no centro do tapete, rodeada de jogadores que pareciam hipnotizados por sua energia. Ela já demonstrava o temperamento do pai: focada, decidida e com uma risada que dominava o ambiente. Ingrid, por outro lado, estava no colo de Kevin De Bruyne, observando tudo com olhos analíticos e calmos, parecendo entender os diagramas táticos que o meia belga sussurrava para ela. E Freya... Freya estava tentando escalar a perna de Bernardo Silva para alcançar um pedaço de bolo.

— Elas são a sua cara, Erling — comentou Pep Guardiola, aproximando-se do jogador com um sorriso raro e relaxado. — Mas têm o coração da Maria. É uma combinação perigosa para o seu futuro. Você vai ser enrolado por essas três pelo resto da vida.

— Eu já estou enrolado, Pep — admitiu Erling, olhando para as filhas com uma ternura que nenhuma câmera de TV conseguia captar totalmente. — Eu não mando em nada naquela casa. Eu sou apenas o cara que alcança as coisas nas prateleiras altas e troca as lâmpadas.

O momento do "Parabéns" foi o ápice do evento. Maria e Erling ficaram atrás da mesa do bolo — uma obra de arte de três andares, cada um representando uma das meninas. Com Astrid, Ingrid e Freya sentadinhas em seus cadeirões, a sala inteira cantou em coro.

— Tudo bem, meninas — sussurrou Erling, inclinando-se entre elas. — No três, nós assopramos. Um, dois...

Antes que ele chegasse ao três, Freya decidiu que o glacê rosa era muito mais interessante que a vela e mergulhou a mão inteira no bolo, seguida imediatamente por Astrid. Ingrid apenas olhou para as irmãs, soltou um gritinho de alegria e começou a bater palmas, espalhando farelos para todos os lados.

— Tática de ataque direto — riu Maria, limpando o rosto de Freya com um guardanapo, embora fosse uma batalha perdida. — Elas não esperam pelo apito inicial.

Após o bolo, quando os convidados começaram a se dispersar para o jardim, Erling levou as três para um canto mais calmo da sala. Ele se sentou no tapete, permitindo que elas subissem nele como se ele fosse um playground humano.

— Um ano — disse Maria, sentando-se ao lado dele e encostando a cabeça em seu ombro. — Você acredita que sobrevivemos?

— Foi a temporada mais difícil da minha vida — confessou Erling, enquanto Astrid tentava usar seu nariz como alavanca para ficar de pé. — E a melhor. Eu nunca imaginei que o som de três pessoinhas chorando ao mesmo tempo pudesse se tornar o som que eu mais sinto falta quando estou viajando para jogar.

— Você mudou muito, Erling — Maria disse, pegando a mão dele. — Você ainda é o Cyborg em campo, mas aqui... você é todo coração.

— Elas fizeram isso comigo — ele respondeu, olhando para Ingrid, que agora dormitava encostada em sua perna. — Antes delas, o mundo era pequeno. Era só futebol, recordes e treinos. Agora, o mundo é gigante. Eu olho para elas e vejo trinta anos de futuro. Vejo o primeiro dia de escola, os primeiros namorados que eu vou ter que assustar...

— Erling! — Maria o repreendeu, rindo.

— É verdade! — ele insistiu. — Eu já estou treinando minha "cara de viking assustador" no espelho. Ninguém vai magoar as minhas filhas.

— Elas vão ser mulheres fortes, Erling. Com um pai como você e a criação que estamos dando, elas vão saber exatamente o que merecem.

Erling ficou em silêncio por um momento, observando o movimento suave da respiração de Freya, que também começava a ceder ao cansaço.

— Maria, eu estive pensando... — Ele hesitou, algo raro para alguém tão decidido. — Eu quero construir algo para elas. Além do que já temos. Eu quero criar uma fundação. Algo que ajude crianças que não têm as mesmas oportunidades que elas. Quero que o nome Haaland signifique mais do que apenas gols. Quero que, quando elas crescerem, vejam que o sucesso do pai delas serviu para abrir portas para outros.

Maria sentiu uma onda de orgulho tão forte que seus olhos marejaram. Ela se inclinou e o beijou suavemente.

— Essa é a ideia mais linda que você já teve. E nós vamos fazer isso juntos.

A noite caiu sobre Manchester, e a mansão finalmente voltou ao seu estado de repouso, embora agora estivesse permanentemente marcada por manchas de bolo e brinquedos espalhados. Com as trigêmeas devidamente banhadas e dormindo em seus berços, Erling e Maria estavam na varanda, observando as luzes da cidade.

— Sabe de uma coisa? — Erling quebrou o silêncio.

— O quê?

— O Jack me perguntou se eu queria ir comemorar o título em Ibiza nas férias.

Maria arqueou uma sobrancelha.

— E o que você disse?

— Eu disse que já tenho o meu próprio festival particular aqui. — Ele sorriu, puxando-a para perto. — Ibiza não tem nada que chegue perto do caos de acordar com três bebês pulando na minha barriga às seis da manhã.

— Você está ficando velho, Haaland — brincou ela.

— Não — ele corrigiu, beijando o topo da cabeça dela. — Eu só estou finalmente no time certo.

Enquanto o mundo lá fora continuava a debater as estatísticas de Erling, quantos gols ele marcaria na próxima rodada ou qual seria seu próximo contrato bilionário, dentro daquelas paredes, o homem mais letal do futebol mundial estava em paz. Ele não precisava de mais troféus ou aplausos.

Ele tinha Astrid, Ingrid e Freya. Ele tinha Maria.

O hat-trick da vida real completara seu primeiro ciclo, e Erling sabia que, independentemente de quantos gols marcasse no gramado, sua maior vitória sempre seria aquela: o amor que transformara o Cyborg em pai, e a casa em um reino onde três pequenas princesas eram as únicas que realmente detinham o poder.

— Feliz aniversário para nós, Maria — sussurrou ele.

— Feliz aniversário, Erling. O jogo está apenas começando.

E, pela primeira vez, Erling Haaland não queria que o tempo voasse. Ele queria que cada minuto daquele "jogo" durasse para sempre.