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A Ilusão Perfeita
O som da água caindo com força contra os azulejos do banheiro privativo preenchia o quarto silencioso, misturando-se com o zumbido quase imperceptível do ar-condicionado. Vinnie havia entrado no banho logo após eles terminarem o café da manhã improvisado, deixando para trás um rastro de vapor quente, uma toalha dobrada sobre a cômoda e a promessa de que não demoraria mais do que dez minutos para voltarem a deitar juntos.
Clara continuava afundada entre as pilhas de travesseiros macios. Ela havia puxado as pernas contra o peito, os joelhos pontudos sustentando o queixo enquanto seus dedos rolavam mecanicamente pela tela do celular.
Ela sabia que deveria fechar o aplicativo. Havia prometido a si mesma, minutos antes, que não deixaria que aquele poço sem fundo de opiniões alheias e aparências milimetricamente calculadas ditasse a maneira como ela se sentia. Mas a internet tem uma força gravitacional perversa; quanto mais algo te machuca, mais difícil parece desviar o olhar.
E, naquela manhã, o algoritmo parecia determinado a massacrá-la.
O que antes era apenas um boato alimentado por um punhado de fãs havia se tornado uma bola de neve incontrolável. Duas horas após o primeiro edit que ela vira, a própria garota — Chloe Campbell — havia entrado na brincadeira. Em um vídeo que acumulava mais de quatro milhões de visualizações e meio milhão de curtidas, Chloe havia respondido ao comentário de uma fã que dizia: *“Se você e o Vinnie assumirem, a internet inteira desmaia”*.
A resposta de Chloe era um vídeo curto, de apenas sete segundos, gravado na luz dourada da varanda de sua mansão em Calabasas. Ela usava um biquíni minúsculo em tons pastéis, o abdômen trincado e sem uma única dobra, a pele bronzeada reluzindo ao sol. Chloe apenas mordia o lábio inferior com um olhar malicioso, colocava um dedo sobre os lábios pedindo silêncio e deixava tocar um áudio viral que dizia: *“Alguns segredos são bons demais para serem contados”*.
Aquilo tinha sido o bastante para incendiar as redes sociais.
Centenas de milhares de edits novos brotavam a cada minuto. Clara deslizava a tela e tudo o que via eram montagens perfeitas dos dois. Vídeos sincronizados com batidas lentas de Lana Del Rey ou versões aceleradas de músicas românticas do The Weeknd. Eram transições impecáveis: de um lado, Vinnie sem camisa na academia, com o suor delineando os músculos rígidos e as tatuagens sombrias; do outro, Chloe em passarelas ou ensaios fotográficos de marcas de grife, o corpo esguio e perfeito, curvas esculpidas com precisão cirúrgica.
Em uma das edições mais virais, o criador do vídeo havia colocado em letras garrafais sobrepostas às imagens: *“O casal mais estético que Los Angeles já viu. Eles foram feitos na mesma fábrica de perfeição”*.
Clara tocou no ícone dos comentários, e as palavras saltaram contra seus olhos com a crueldade implacável que só a internet era capaz de produzir:
*“Imagina a genética dos filhos desses dois? Surreal.”*
*“O Vinnie finalmente escolheu alguém que combina com o patamar dele. Imagina se ele aparecesse com uma garota normal ou fora do padrão? A internet não perdoaria.”*
*“Eles parecem dois modelos da Calvin Klein andando juntos. Nenhuma menina comum conseguiria sustentar o visual do lado dele.”*
*“Ele precisa de alguém assim, que chame tanta atenção quanto ele. A Chloe é impecável de qualquer ângulo.”*
Cada frase era um golpe seco que parecia arrancar o oxigênio de seus pulmões. Clara largou o celular de lado, o aparelho caindo com um baque abafado sobre o edredom, e se levantou da cama devagar.
Ela caminhou descalça pelo piso de madeira escura até parar diante do espelho de corpo inteiro que Vinnie mantinha fixado na parede ao lado do closet. A iluminação natural do quarto, que antes parecia aconchegante, agora era impiedosa, revelando cada contorno sob a luz crua da manhã.
Clara puxou a barra do moletom de Vinnie para cima, segurando o tecido contra o peito para encarar o próprio reflexo.
O que ela via não tinha nada a ver com o feed do TikTok.
Seu estômago era macio e arredondado, com pequenas dobras que se formavam acima da barra da calcinha de algodão simples. Seus quadris eram largos, cheios de curvas pesadas e naturais, e as coxas grossas se tocavam a cada passo que dava, marcadas por algumas estrias discretas que ela odiava desde a adolescência. Seus braços tinham peso, maciez e presença física real. Não havia ângulos afiados ali, não havia ossos sobressalentes marcando a pele, nem aquele vazio estético que parecia ser o pré-requisito básico para existir ao lado de alguém como Vinnie.
Ela se sentia pesada. Deslocada. Um erro de proporção dentro daquele apartamento moderno e minimalista.
*“Uma menina comum.”*
*“Fora do padrão.”*
A voz dos comentários sussurrava em seus ouvidos, transformando sua própria imagem em uma caricatura dolorosa. Uma lágrima silenciosa brotou no canto do olho esquerdo e desceu quente pela bochecha, caindo na pele descoberta de sua barriga. Clara soltou o tecido do moletom, deixando-o cair para cobrir novamente seu corpo, e cobriu o rosto com as duas mãos, sufocando um soluço angustiado.
A maçaneta da porta do banheiro girou com um clique metálico.
Vinnie saiu de lá em meio a uma névoa densa e perfumada. Ele trazia apenas uma calça de moletom preta larga, folgada nos quadris, com a toalha pendurada no pescoço. Os cabelos louros e cacheados estavam completamente encharcados, pingando gotas de água sobre os ombros largos e pelas tatuagens intrincadas que cobriam seu peito e braços. Ele esfregava o rosto com a ponta da toalha, cantarolando baixo uma melodia qualquer.
— Clara, você viu onde eu enfiei aquele hidratante que a minha mãe me mandou? Eu acho que deixei no...
A frase morreu em seus lábios no segundo em que ele levantou o olhar.
Vinnie congelou no meio do quarto. Ele viu Clara parada diante do espelho, os ombros trêmulos e as mãos cobrindo o rosto, em uma postura de quem tentava desesperadamente se encolher até deixar de existir. No mesmo instante, a expressão relaxada do rapaz se desfez por completo.
Ele jogou a toalha no chão sem se importar e cruzou a distância que os separava com passos rápidos e firmes.
— Clara? — Sua voz saiu carregada de urgência. Ele parou logo atrás dela, estendendo as mãos grandes e mornas para envolver seus pulsos com cuidado infinito. — Ei, amor... o que aconteceu? O que foi?
Clara tentou puxar as mãos para baixo, escondendo o rosto entre os ombros, virando o corpo de costas para o espelho.
— Nada, Vinnie. Por favor, me deixa — pediu ela, a voz completamente embargada, entrecortada pelo choro que ela já não conseguia segurar. — Eu só quero colocar a minha roupa e ir embora pra casa. Minha mãe deve tá me esperando pro almoço.
— Você não vai embora desse jeito — disse ele com firmeza, segurando-a suavemente pelos ombros para que ela não se esquivasse. — Olha pra mim. Por favor, olha pra mim.
Clara negou com a cabeça, as lágrimas escorrendo sem freio, os olhos vermelhos e inchados fixos no chão de madeira.
O olhar de Vinnie se moveu para a cama, onde a tela do celular dela ainda brilhava fracamente sobre o lençol. Ele viu a interface do TikTok aberta, reconhecendo a silhueta em miniatura de Chloe Campbell em um dos vídeos pausados.
A mandíbula de Vinnie se travou com tanta força que o músculo ao lado de seu queixo saltou visivelmente. Seus olhos castanho-esverdeados escureceram em uma onda de irritação pura e exasperação, não contra Clara, mas contra todo aquele circo virtual que parecia determinado a envenenar a cabeça da garota que ele mais amava.
— Você continuou olhando aquela merda, não foi? — perguntou ele, o tom rouco e denso de frustração.
— Ela respondeu, Vinnie! — Clara finalmente explodiu, erguendo o rosto banhado em lágrimas para encará-lo. A dor reprimida transbordava em cada palavra. — Ela respondeu os vídeos! Ela postou um vídeo no biquíni insinuando que vocês têm um segredo juntos, e tem milhões de pessoas comentando que vocês são perfeitos, que você precisa de alguém como ela! Que se você ficasse com alguém normal, o público te destruiria!
Vinnie franziu as sobrancelhas, atônito, processando o absurdo da situação.
— Ela fez o quê?
— Tá todo mundo dizendo que você foi feito para modelos — continuou ela, o peito subindo e descendo com força, os soluços quebrando o ritmo de sua fala. — E eles têm razão, Vinnie! Olha pra você. Você é o garoto mais bonito da internet. As pessoas esperam perfeição de você. E olha pra mim... eu sou gorda. Eu tenho barriga, eu tenho celulite, eu não tenho um corpo que as marcas querem contratar. Eu não combino com nada na sua vida pública. Eu me sinto uma aberração parada do seu lado!
— Para! — A voz de Vinnie ecoou pelo quarto, alta e autoritária, não em um grito de raiva, mas em um comando desesperado para estancar aquela sangria de autopiedade e insegurança.
Clara estremeceu, calando-se imediatamente, os lábios trêmulos e os olhos arregalados pela surpresa.
Vinnie respirou fundo, fechando os olhos por um breve segundo para tentar controlar a tempestade de emoções que tomava conta de seu peito. Quando ele os abriu novamente, toda a irritação havia desaparecido, substituída por uma seriedade tão crua e dolorida que fez o ar parecer mais pesado ao redor deles.
Ele não disse nada a princípio. Em vez disso, deu um passo à frente, reduziu o espaço entre os dois a zero e colocou as mãos na cintura dela.
Com um movimento decidido, mas absolutamente cuidadoso, Vinnie a girou com o corpo voltado para o espelho de parede inteira. Ele se posicionou exatamente atrás dela, colando o peito largo e nu contra as costas de Clara. Suas mãos desceram firmes até a barra do moletom cinza e, sem hesitar, ergueram o tecido pesado para cima, prendendo-o na altura do sutiã dela.
— Não, Vinnie... não faz isso — implorou ela em um sussurro mortificado, tentando puxar a blusa de volta para cobrir o próprio abdômen. — Por favor, não me faz olhar.
— Olha, Clara — ordenou ele, sua voz rouca vibrando contra a nuca da garota. Ele segurou as mãos dela e as afastou com delicadeza, impedindo-a de se cobrir. — Eu quero que você olhe pro espelho agora. Olha pra onde eu tô tocando.
Clara, relutante e com a respiração trêmula, ergueu os olhos em direção ao reflexo de vidro.
As mãos grandes e tatuadas de Vinnie estavam espalmadas exatamente sobre as laterais de sua cintura, onde as curvas macias de seus quadris se abriam. Os dedos compridos dele afundavam suavemente na carne tépida e arredondada, sem nojo, sem desdém, sem a menor tentativa de puxar ou apertar para diminuir suas proporções. Ele simplesmente a segurava com a reverência de quem segura a coisa mais preciosa do mundo.
— Você tá vendo isso aqui? — murmurou Vinnie, inclinando a cabeça para que sua boca ficasse a poucos milímetros do ouvido dela. Os olhos dele encontraram os dela através do reflexo no espelho, intensos, firmes, desarmantes. — Isso não é um defeito, Clara. Isso aqui é você. É a mulher mais gostosa, mais linda e mais perfeita que eu já tive o privilégio de encostar.
Clara engoliu em seco, as lágrimas escorrendo em silêncio enquanto ele deslizava as palmas das mãos das laterais de sua cintura para a frente de seu abdômen. Ele espalmou uma mão sobre a curva macia de sua barriga, acariciando a pele quente com o polegar em um movimento circular e hipnótico.
— A Chloe Campbell é um pedaço de papelão com filtro de aplicativo — disse ele com um desprezo palpável na voz. — Ela postou aquilo porque vive de atenção. Ela precisa que as pessoas fiquem obcecadas pela vida amorosa dela pra vender biquíni e ganhar seguidor. Eu não sinto absolutamente nada por ela. Não sinto atração, não sinto vontade de conversar, não sinto porra nenhuma. Eu não quero um feed estético, Clara. Eu quero você.
As mãos de Vinnie desceram mais um pouco, apertando a carne farta de seus quadris, puxando o corpo curvilíneo de Clara com força contra o dele, até que ela sentisse o calor abrasador de sua pele nua colada à sua.
— Você acha mesmo que se eu quisesse um padrão de passarela eu estaria aqui? — perguntou ele, a respiração quente roçando a lateral do pescoço dela, fazendo todos os pelos de seus braços se arrepiarem. — Eu tenho convite pra festas com essas modelos todos os finais de semana. Eu poderia pegar o meu carro agora e ir atrás de qualquer uma daquelas garotas que a internet fica forçando na minha vida. Mas sabe por que eu nunca fui?
Clara negou com a cabeça lentamente pelo reflexo, hipnotizada pela firmeza inabalável no olhar dele.
— Porque nenhuma delas é você — respondeu ele, a voz descendo para um sussurro que parecia vir direto do fundo de sua alma. — Nenhuma delas tem esse cheiro. Nenhuma delas tem a sua risada, o seu abraço, o jeito como você se entrega quando a gente tá na cama. Nenhuma delas me faz querer largar tudo no meio do dia só pra passar a noite inteira deitado te ouvindo falar sobre os seus livros ou sobre a sua faculdade.
Vinnie desceu a cabeça e beijou a curva entre o pescoço e o ombro de Clara, demorando-se ali, inspirando o aroma doce de sua pele com uma voracidade que fez os joelhos dela fraquejarem. Clara suspirou, apoiando o peso de seu corpo contra o peito sólido do rapaz.
— Eu odeio que você se sinta assim — continuou ele contra a pele dela, sua voz vibrando em seu ombro. — Me dói no fundo do peito saber que uma dúzia de comentários de gente amargurada e uma foto editada conseguem fazer você duvidar de tudo o que a gente constrói aqui dentro.
Ele a soltou devagar, virando-se para a cama. Vinnie caminhou até o colchão, pegou o próprio celular que estava carregando na mesinha de cabeceira e voltou até onde ela estava.
Com os dedos ágeis, ele desbloqueou o aparelho, abriu o aplicativo de notas e começou a digitar algo rapidamente.
— O que você tá fazendo? — perguntou Clara, a voz ainda trêmula, secando os resquícios de lágrimas com a manga do moletom.
Vinnie não respondeu imediatamente. Ele terminou de digitar, clicou para copiar o texto e abriu o Twitter. Sem a menor hesitação, ele colou a mensagem na caixa de publicação de sua conta verificada, com dezenas de milhões de seguidores.
Clara esticou o pescoço para ver a tela do aparelho dele. O texto dizia:
*“Parem de colocar meu nome em boatos ridículos e insinuar relacionamentos que não existem só por engajamento. Eu não tenho nada com a Chloe, nunca tive e nunca vou ter. Deixem a minha vida pessoal em paz.”*
Os olhos de Clara se arregalaram em pânico puro.
— Vinnie, não! — Ela tentou esticar a mão para puxar o celular dele. — Isso vai criar uma tempestade! As pessoas vão começar a especular ainda mais, os assessores dela vão surtar, as suas fãs vão pirar no chat...
Antes que os dedos dela pudessem tocar a tela, o polegar de Vinnie apertou com força o botão azul: *Publicar*.
O tweet foi lançado para o mundo no mesmo segundo. O número de retweets e comentários começou a subir como um contador desgovernado em questão de segundos: dez, cinquenta, duzentos, mil.
Ele bloqueou a tela do celular e o jogou de qualquer jeito sobre a poltrona, nem se dando ao trabalho de ver a reação em massa que acabara de detonar na internet.
— Pronto — disse ele, a respiração calma, virando-se inteiramente para ela. — Tá resolvido. Nenhum boato, nenhuma insinuação. Se ela quiser inventar historinha pra ganhar curtida, vai ter que inventar com outro cara, porque o meu nome ela não usa mais.
Clara olhava para ele em choque completo, a boca entreaberta, o coração batendo com tanta força que parecia querer escapar pela garganta.
— Você é louco... — murmurou ela, levando as mãos aos lábios. — Vinnie, isso vai estar em todas as páginas de fofoca em cinco minutos. O seu empresário vai te ligar berrando.
— Que ligue — rebateu ele sem o menor sinal de arrependimento, dando mais um passo em direção a ela. — Deixa o meu empresário berrar. Deixa o TikTok Room fazer postagem. Deixa a internet inteira falar a merda que quiser. Eu não me importo com nada disso, Clara. A única coisa que me importa agora é garantir que você entenda, de uma vez por todas, que eu sou seu. Só seu.
A intensidade daquelas palavras quebrou a última barreira de insegurança que ainda resistia no peito de Clara.
Ela deu um passo à frente e jogou os braços ao redor do pescoço dele, enterrando o rosto no peito largo e morno de Vinnie. Ele a recebeu com um suspiro pesado de alívio, envolvendo a cintura macia dela com os braços compridos, levantando-a ligeiramente do chão e apertando-a com tanta força que parecia querer fundir os dois corpos em um só.
Clara sentiu o coração dele batendo acelerado contra sua bochecha. Não havia câmeras ali. Não havia filtros de suavização, ângulos milimétricos ou a busca insaciável por aprovação pública. Havia apenas a solidez dos braços dele ao redor de suas curvas, a respiração compartilhada e uma verdade crua que nenhuma montagem de internet seria capaz de apagar.
Vinnie a carregou nos braços pelos poucos passos até a cama, deitando-a com extremo cuidado sobre o edredom amassado. Ele se inclinou sobre ela, os joelhos afundados no colchão de cada lado de seus quadris, os cabelos louros ainda úmidos caindo em mechas desordenadas sobre os olhos castanho-esverdeados.
— Nunca mais — sussurrou ele, descendo os lábios para beijar com carinho a ponta do nariz dela, depois a curva de sua bochecha úmida e, finalmente, os lábios cheios e macios. — Nunca mais compare a nossa história com o lixo que aquelas pessoas fingem ser na internet.
— Me desculpa — murmurou ela contra a boca dele, as mãos subindo para acariciar as costas musculosas, sentindo a textura de cada linha tatuada sob a pele. — É difícil não me sentir pequena às vezes.
— Você não é pequena, Clara — rebateu ele, mordiscando suavemente o lábio inferior dela antes de aprofundar o beijo. — Você é o meu mundo inteiro. E se o mundo lá fora não sabe disso, é só porque eles não merecem conhecer o que a gente tem.
Clara puxou o ar fundo, o calor familiar preenchendo cada canto frio de suas incertezas. Enquanto o celular dele vibrava incessantemente na poltrona do outro lado do quarto — notificações em massa explodindo a cada fração de segundo pelo tweet que ele acabara de postar —, Vinnie Hacker puxou o edredom pesado sobre os dois, afundando a cabeça no peito dela e desligando-se completamente do resto do universo.
Ali, na penumbra acolhedora daquele quarto alto em Los Angeles, não havia espaço para as mentiras da tela de vidro. Havia apenas a textura real da pele macia de Clara sob as mãos dele, e a certeza de que, entre todas as ilusões perfeitas que o mundo oferecia, ele já havia feito sua escolha há muito tempo.