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Happy?

O Altar de Carne e a Redenção do Desejo

O trajeto da escola até a mansão de Mizi foi um exercício de paciência para todos os envolvidos. Sua caminhava com passos pesados, os punhos cerrados e uma aura tão densa que até os pássaros pareciam parar de cantar quando ela passava. Mizi, por outro lado, saltitava ao lado dela, cantarolando uma melodia qualquer, agindo como se não tivesse deixado a namorada em um estado de combustão interna no andar de cima do colégio.

Assim que os portões da mansão se fecharam atrás delas e o silêncio da casa luxuosa as envolveu, a máscara de Mizi caiu em um sorriso travesso.

— Nossa, Sua, você está tão tensa! — Mizi disse, jogando a mochila em uma poltrona de veludo. — Quer que eu prepare um chá? Ou quem sabe a gente assiste àquela série de...

O som da mochila de Sua atingindo o chão interrompeu a fala de Mizi. Em um movimento rápido e carregado de uma força que Mizi não esperava, Sua avançou. Ela agarrou Mizi pela gola do blazer e a empurrou com força contra o sofá da sala de estar.

— Chega de joguinhos, Mizi! — Sua rosnou, a voz trêmula de raiva e desejo.

Mizi caiu sentada no estofado macio, os olhos dourados arregalados em um choque fingido.

— Mas o que é isso? Que agressividade, minha bonequinha...

Sua não respondeu com palavras. Com as mãos ágeis, ela desabotoou a própria saia preta do uniforme e a deixou cair no tapete caro. Ficando apenas de calcinha e blusa social, ela subiu no sofá, montando no colo de Mizi. A proximidade era elétrica; o calor que emanava de Sua era quase palpável.

— Você sabe exatamente o que eu quero — Sua disse, aproximando o rosto do de Mizi, os olhos roxos faiscando. — Usa os dedos. Agora.

Mizi, sentindo o poder da situação, decidiu levar a provocação até o limite. Ela inclinou a cabeça para o lado, fazendo uma expressão de confusão inocente.

— Meus dedos? Para quê? Você quer que eu faça uma massagem nos seus ombros? Você parece realmente estressada, querida.

A paciência de Sua evaporou. Ela levou a mão ao rosto de Mizi, apertando as bochechas da namorada com força, forçando-a a olhar para ela.

— Você é uma idiota insuportável! — Sua exclamou, a respiração quente atingindo o rosto de Mizi. — Para de ser cínica! Você me deixou daquele jeito na escola e agora vai terminar o que começou, querendo você ou não!

Sua soltou o rosto de Mizi e, sem esperar por uma reação voluntária, agarrou a mão direita da namorada. Ela selecionou o dedo médio e o anelar de Mizi — dedos que Sua sempre considerou elegantemente longos e perigosos — e, com um movimento decidido, guiou a mão de Mizi para baixo, enfiando os dedos de uma vez dentro de sua própria intimidade, que já estava encharcada e pronta.

— Ah! — O grito de Sua foi um misto de choque e alívio.

Ela travou por um segundo, a cabeça caindo para trás enquanto seus músculos internos se apertavam ao redor da invasão súbita. O contraste da temperatura dos dedos de Mizi com o seu próprio calor interno era avassalador.

— Meu Deus... Mizi... — Sua gemeu, a voz quebrada. — Seus dedos... são tão... compridos...

Mizi estava em choque. Ela esperava que Sua implorasse, mas não que ela tomasse as rédeas daquela forma tão crua. A visão de Sua em seu colo, usando a mão de Mizi como um instrumento de seu próprio prazer, era a coisa mais erótica que Mizi já tinha presenciado.

Sua se apoiou nos ombros de Mizi, cravando as unhas no blazer dela. Ela começou a se movimentar, quicando sobre os dedos de Mizi com uma urgência desesperada. O ritmo era rápido, frenético, as coxas de Sua tremendo a cada impacto.

— Isso... sim... continua parada assim... — Sua murmurava, os olhos revirados.

Mizi permaneceu estática, apenas sentindo a pressão e o movimento de Sua sobre sua mão. Ela observava o rosto da namorada, as bochechas coradas, o suor fino brotando na testa, a boca entreaberta deixando escapar sons que Mizi queria guardar em uma caixa para sempre.

Em poucos minutos de um ritmo alucinante, o corpo de Sua esticou-se. Ela soltou um grito agudo, o quadril pressionando-se com força total contra a mão de Mizi enquanto seu primeiro orgasmo a atingia. Ela desabou sobre o peito de Mizi, arquejando, o coração batendo como um tambor.

Após alguns segundos de silêncio, Sua começou a se afastar. Ela se sentia satisfeita fisicamente, mas havia uma ponta de tristeza em seu peito. Mizi não tinha se movido; ela tinha deixado que Sua fizesse todo o trabalho, como se fosse apenas uma espectadora passiva.

— Eu vou... eu vou tomar um banho — Sua murmurou, tentando sair do colo de Mizi, deixando um rastro de umidade no tecido do sofá.

Mas Mizi não deixou. Antes que Sua pudesse se levantar, as mãos de Mizi agarraram sua cintura e a puxaram de volta com uma força possessiva.

— Onde você pensa que vai? — Mizi perguntou, a voz agora profunda e perigosa. — Eu disse que a gente ia terminar o que começou. E eu não disse que seria do seu jeito.

Sem dar tempo para Sua processar, Mizi enfiou não dois, mas três dedos de volta nela, com um movimento ascendente que atingiu o ponto exato que fazia Sua perder a razão. Ao mesmo tempo, Mizi atacou o pescoço de Sua, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha.

— Você achou que eu ia deixar você gozar uma vez e ir embora? — Mizi sussurrou, a voz vibrando contra a pele de Sua. — Você foi uma menina muito malcriada hoje, Sua. E eu vou te mostrar o que acontece com quem tenta me mandar fazer as coisas.

Mizi começou a bombear com uma força e velocidade que faziam os dedos anteriores parecerem brincadeira de criança. Ela era implacável.

— Mizi! Ah, meu Deus! — Sua gritou, as mãos voando para o cabelo rosa de Mizi, puxando-o enquanto seu corpo reagia violentamente. — Mais... por favor... mais forte!

— Mais forte? — Mizi provocou, aumentando a pressão. — Você quer que eu te quebre, Sua? É isso que você quer?

— Sim! Me quebra! Mais rápido, Mizi! Forte! — Sua implorava, as palavras saindo em meio a gemidos desconexos. — Que delícia... Mizi, você é... ah!

O que se seguiu foi uma sinfonia de prazer e dominação. Mizi não deu descanso. Toda vez que Sua estava prestes a se recuperar de um ápice, Mizi mudava o ângulo, usava a outra mão para estimular os seios de Sua por cima da blusa, ou sussurrava as coisas mais pervertidas que Sua já ouvira em seu ouvido.

Sua gozou a segunda, a terceira, a quarta vez. Suas pernas já não obedeciam, sua voz estava ficando rouca de tanto gritar o nome de Mizi.

— Por favor... eu não aguento mais... — Sua choramingou após a sexta vez, o corpo completamente amolecido no colo da namorada.

— Você aguenta sim — Mizi respondeu, implacável. — Você pediu por isso o dia todo. Agora você vai receber tudo.

Mizi a fez gozar mais três vezes, totalizando nove orgasmos que deixaram Sua em um estado de transe catatônico. Quando Mizi finalmente retirou a mão e a abraçou, Sua era apenas um peso morto e trêmulo em seus braços. Até Mizi estava surpresa; ela não sabia que a resistência de Sua era tão alta, ou que seu próprio desejo por ela pudesse ser tão inesgotável.

***

Na manhã seguinte, o sol parecia brilhar com uma intensidade desnecessária para quem sentia que tinha sido atropelada por um trem. Sua caminhava pelos corredores da escola com passos lentos e cuidadosos, sentindo cada músculo das coxas e das costas protestar. Seus olhos tinham olheiras profundas, mas havia algo diferente nela. A melancolia habitual tinha dado lugar a um brilho de satisfação que era quase radiante.

Ela estava sentada no banco do pátio com o grupo quando Hyuna se aproximou, analisando a amiga com olhos de falcão.

— Bom dia, mortos-vivos — Hyuna disse, sentando-se ao lado de Sua. Ela inclinou a cabeça, observando o pescoço de Sua, que estava estrategicamente coberto pelo cabelo, mas não o suficiente para esconder uma marca roxa bem perto da clavícula. — Eita, Sua... você parece que finalmente dormiu. Ou melhor, parece que não dormiu nada, mas por um motivo muito bom.

Sua sentiu o rosto esquentar, mas não desviou o olhar. Ela apenas deu um pequeno sorriso de canto, o que foi confirmação suficiente para Hyuna.

— Mizi, sua selvagem! — Hyuna exclamou, rindo e dando um empurrão no ombro de Mizi, que estava sentada do outro lado de Sua. — Você finalmente quebrou a coitada? A menina não consegue nem sentar direito!

Mizi, que estava terminando de comer uma bala de caramelo que tinha roubado de Ivan, soltou uma risada alta e travessa.

— Ah, Hyuna, você não tem ideia — Mizi disse, inclinando-se para frente para que todo o grupo pudesse ouvir, inclusive um Luka horrorizado e um Ivan curioso. — A Sua é muito exigente, sabe? Ela tem uns pedidos meio... específicos.

— Mizi, cala a boca! — Sua sibilou, mas não havia raiva real em sua voz.

— Ué, por quê? — Mizi fez uma expressão de falsa inocência e, então, para o choque absoluto de todos, inclinou a cabeça para trás e soltou um gemido agudo e arrastado, imitando perfeitamente o tom que Sua usara na noite anterior: — "Ah, Mizi! Mais forte, Mizi! Mais rápido!"

O pátio pareceu congelar por um segundo. Ivan cuspiu o refrigerante que estava bebendo, Till cobriu o rosto com as mãos, murmurando algo sobre querer morrer, e Luka ficou tão vermelho que parecia que ia entrar em combustão espontânea.

Sua, em vez de fugir ou chorar, apenas deu um tapa leve no braço de Mizi, rindo junto com Hyuna.

— Você é ridícula, Mizi — Sua disse, encostando a cabeça no ombro da namorada.

— Sou ridícula, mas sou a única que sabe te fazer fazer esses barulhos — Mizi respondeu, piscando para ela.

Naquele momento, entre as zoações de Hyuna e o constrangimento dos meninos, Sua percebeu que a melancolia não tinha mais espaço. O som da sua própria voz, mesmo que imitado por Mizi, era a prova de que ela estava viva, desejada e, finalmente, completa.