Happy?
Sinfonia de Suspiros no Andar de Cima
Os meses haviam passado como um borrão de cores neon e sentimentos intensos. O que começou com um beijo de desafio na casa de Hyuna e uma confissão desastrosa no banheiro do bloco C havia se transformado em algo sólido, embora ainda caótico. Mizi e Sua eram, oficialmente, um casal. E elas não eram as únicas. Luka e Hyuna finalmente haviam parado de orbitar um ao outro para colidirem em um namoro que misturava a nerdice dele com a energia descolada dela. Até mesmo Ivan e Till, para a surpresa de absolutamente ninguém que tivesse olhos, haviam parado de se socar o tempo todo para começarem a se "pegar" nos cantos escuros, embora a dinâmica de cão e gato continuasse firme.
Era hora do intervalo. O corredor do terceiro ano estava barulhento, cheio de alunos circulando entre os armários, mas o grupo ocupava seu espaço de sempre perto das janelas. Mizi, como de costume, não conseguia manter as mãos longe da namorada. Ela estava posicionada atrás de Sua, os braços envolvendo a cintura fina da menor, o queixo apoiado confortavelmente no ombro de Sua.
Mizi distribuía beijinhos lentos e úmidos na curva do pescoço de Sua, ignorando completamente a conversa sobre o simulado de física que Luka tentava manter. O cheiro de Sua — aquela mistura de sabonete neutro e o perfume leve que Mizi a convencera a usar — era inebriante. Mizi sentia uma pressão crescente no baixo ventre, uma vontade de simplesmente arrastar Sua para longe dali e terminar o que os beijos matinais haviam começado.
— Vocês duas não têm casa não? — A voz debochada de Ivan cortou o momento. Ele estava encostado no armário, com um pirulito na boca e um braço jogado por cima dos ombros de um Till visivelmente irritado. — Sério, Mizi, se você babar mais um pouco no pescoço da minha irmã, eu vou ser obrigado a cobrar aluguel pelo uso do espaço público.
Mizi parou o que estava fazendo e lançou um olhar mortal para o melhor amigo.
— Vai se foder, Ivan! — Mizi exclamou, soltando Sua bruscamente, embora o fizesse mais por pirraça do que por vergonha. — Você é um estraga-prazeres profissional.
Sua sentiu um vazio imediato. O calor do corpo de Mizi, que a envolvia como um cobertor protetor, desapareceu, deixando-a exposta ao ar frio do corredor e aos olhares curiosos. Ela não disse nada, mas suas mãos se fecharam em punhos leves. Ela queria aquele toque. Precisava dele para silenciar a ansiedade que sempre a acompanhava.
Sua esperou alguns segundos, observando Mizi entrar em uma discussão acalorada com Ivan sobre quem era mais insuportável. Quando Mizi finalmente desviou o olhar para ela, Sua não sabia como expressar o que sentia sem parecer desesperada na frente de todos. Então, ela apenas revirou os olhos de leve, um gesto quase imperceptível para os outros, e inclinou a cabeça sutilmente em direção às escadas que levavam ao quarto andar.
O andar de cima estava interditado para reformas. Ninguém ia para lá. Era o refúgio perfeito.
Mizi entendeu o recado instantaneamente. Um brilho predatório e satisfeito surgiu em seus olhos dourados.
— Eu... eu vou ao banheiro — disse Sua, a voz saindo um pouco mais rouca do que o planejado.
Ela se afastou do grupo sem olhar para trás. Cerca de três minutos depois, Mizi bocejou dramaticamente.
— A Sua está demorando demais. Vou ver se ela caiu no buraco do vaso ou algo assim. Ivan, se você tocar no meu lanche, eu te mato.
Mizi subiu as escadas aos saltos, o coração martelando. Quando cruzou a fita de isolamento do quarto andar, encontrou Sua esperando no final do corredor, entre latas de tinta e andaimes cobertos por plásticos. A luz ali era fraca, filtrada pela poeira em suspensão.
Sem dizer uma única palavra, Mizi avançou. Ela prensou Sua contra a parede fria de concreto, suas mãos segurando o rosto da namorada enquanto a beijava com uma fome desatadora. Não era um beijo romântico; era uma colisão de línguas e dentes, um desabafo de desejo acumulado. Mizi moveu o joelho, encaixando-o firmemente entre as pernas de Sua, aplicando uma pressão rítmica que arrancou o primeiro gemido da menor.
— Mizi... — Sua arquejou contra os lábios dela, as mãos agarrando o blazer preto que Mizi, milagrosamente, estava usando naquele dia.
Mizi se separou do beijo, a respiração pesada. Seus olhos dourados desceram para os botões da blusa social branca de Sua. Com dedos ágeis, ela desabotoou os primeiros três, abrindo espaço suficiente para revelar a pele pálida e os contornos delicados de Sua. Mizi enterrou o rosto ali, entre os seios da namorada, aspirando o calor que emanava dela.
No entanto, o corpo de Sua ficou rígido. A insegurança, aquela velha sombra que a perseguia desde a primeira noite, voltou com força total. Ela pensava no quão pequena era, no quão "insuficiente" seu corpo devia parecer para alguém tão vibrante quanto Mizi. Sua mordeu o lábio inferior com força, prendendo qualquer som. Ela sentia que não tinha o direito de gemer, que não merecia aquele prazer se não podia oferecer o que achava que Mizi queria.
Mizi, percebendo a falta de resposta e a tensão muscular, levantou o rosto. Seus olhos se arregalaram ao ver que Sua estava com os olhos marejados, uma lágrima solitária escorrendo pelo rosto pálido.
— Ei, ei... o que foi? — Mizi parou tudo imediatamente, segurando o rosto de Sua com delicadeza. — Eu te machuquei? Desculpa, eu fui rústica demais?
Sua balançou a cabeça negativamente, soluçando baixo.
— Não é isso... é só que... eu sou tão sem graça, Mizi. Eu olho para a Hyuna, olho para as outras meninas... e eu sou só isso. Eu sinto que estou te decepcionando toda vez que você me toca aqui.
Mizi sentiu uma pontada de dor no peito. Ela odiava aquela insegurança de Sua mais do que qualquer coisa.
— Sua, olha para mim — Mizi esperou até que os olhos roxos encontrassem os seus. — Eu já te disse e vou repetir mil vezes se for preciso: eu amo o seu corpo. Eu amo cada centímetro dele. E esses seios? — Mizi deslizou a mão por cima de um deles, apertando-o com uma possessividade carinhosa. — Eles são meus favoritos no mundo todo. Eles são perfeitos porque são seus.
Mizi voltou a descer o rosto, mas desta vez seus movimentos eram lentos e deliberados. Ela começou a lamber a pele de Sua, subindo em direção ao mamilo. Quando sua boca envolveu a ponta sensível, Sua soltou um suspiro trêmulo.
— Eu gosto do gosto deles — murmurou Mizi contra a pele de Sua. — Gosto do jeito que eles cabem na minha boca. Gosto de como você reage quando eu faço isso.
Mizi passou o restante do intervalo focada inteiramente em desconstruir a insegurança de Sua. Ela chupava, mordia de leve e apertava com uma intensidade que fazia Sua perder o fôlego. Mizi torcia os mamilos de Sua entre o polegar e o indicador, observando com fascínio como eles ficavam rígidos e escuros sob seu toque.
— Geme para mim, Sua — comandou Mizi. — Eu quero ouvir o quanto você está gostando. Esquece o resto. Sou só eu e você.
Sua finalmente se permitiu. Seus gemidos ecoavam pelo corredor vazio, misturando-se ao som do vento que assoviava pelas janelas em reforma. Ela se sentia adorada, como se cada toque de Mizi fosse um selo de aprovação, um altar construído apenas para ela.
Antes que o sinal batesse, Mizi decidiu levar as coisas um passo adiante. Ela pegou a mão de Sua e a guiou para baixo, mas antes que Sua pudesse fazer qualquer coisa, Mizi enfiou dois de seus próprios dedos na boca de Sua.
— Chupa — ordenou Mizi, os olhos brilhando.
Enquanto Sua obedecia, lambendo e babando nos dedos de Mizi, a namorada continuava o trabalho nos seios dela com a outra mão, apertando-os com uma força que beirava o limite entre o prazer e a dor. A visão de Sua naquele estado — com os olhos revirados, a boca ocupada pelos seus dedos e os seios marcados por suas mordidas — levou Mizi ao limite de sua própria sanidade.
Sua estava completamente entregue, o corpo vibrando, o quadril movendo-se involuntariamente contra o joelho de Mizi, implorando por mais. Ela esperava que, a qualquer momento, Mizi deslizasse aqueles dedos para baixo e terminasse o serviço, levando-a ao ápice ali mesmo, entre os sacos de cimento.
Mas Mizi, com um sorriso diabólico, retirou os dedos da boca de Sua e se afastou abruptamente.
— O sinal vai bater em um minuto — disse Mizi, limpando a saliva dos dedos no próprio blazer, com uma calma que contrastava violentamente com o estado de Sua.
Sua ficou parada, encostada na parede, as pernas tremendo, o corpo queimando de necessidade. Ela olhou para Mizi com uma mistura de choque e traição.
— Mizi... você não pode... — Sua começou, a voz falha.
— Posso e fiz — Mizi deu um selinho rápido nos lábios inchados de Sua e começou a abotoar a blusa da namorada. — Considere isso um castigo por ter duvidado de como eu te acho gostosa. Agora vamos, antes que o Ivan venha nos procurar com um megafone.
O restante do dia foi um inferno particular para Sua.
O prazer interrompido havia se transformado em uma irritação latente que pulsava sob sua pele. Ela voltou para a sala de aula com o rosto fechado, a aura melancólica de costume substituída por uma nuvem negra de estresse.
— Ei, Sua, você pode me emprestar sua caneta azul? — perguntou Hyuna, virando-se para trás durante a aula de literatura.
— Não — respondeu Sua, curta e grossa, sem desviar os olhos do livro.
Hyuna piscou, surpresa.
— Nossa, tá bom... TPM?
— Não é da sua conta, Hyuna — retrucou Sua, a voz carregada de veneno.
Até Ivan, que geralmente não perdia a chance de provocar a irmã, decidiu manter distância após Sua quase quebrar a régua na mesa quando ele tentou roubar um pedaço de seu lanche na saída da escola.
— O que deu nela? — sussurrou Ivan para Mizi, enquanto observavam Sua caminhar alguns passos à frente deles, parecendo que ia explodir a qualquer momento. — Ela está respondendo até a própria sombra. O Till tentou falar sobre uma banda nova e ela mandou ele "enfiar o rock no rabo".
Mizi soltou uma risada abafada, sentindo-se a pessoa mais poderosa do mundo.
— Ela só está um pouco... frustrada — explicou Mizi, observando o balanço irritado dos quadris de Sua sob a saia do uniforme. — Mas não se preocupe, Ivan. Eu vou cuidar disso assim que chegarmos em casa.
Sua parou de caminhar e olhou para trás, os olhos roxos faiscando de raiva pura.
— Mizi, se você não calar a boca e andar mais rápido, eu juro que vou embora sozinha! — gritou Sua.
Mizi apenas sorriu, mandando um beijo no ar. Ela sabia que a irritação de Sua era o combustível perfeito para o que viria a seguir. O andar de cima da escola havia sido apenas o aperitivo; o prato principal seria servido em silêncio, na mansão de Mizi, onde ninguém — nem mesmo a respiração alheia — ousaria interromper o que Sua tanto desejava.