Harry potter
O Labirinto de Sussurros e Sombras
A semana em Hogwarts parecia arrastar-se como uma névoa espessa e sufocante sobre o Lago Negro. Para Hermione Granger, cada corredor era uma armadilha, cada risada distante era um lembrete cruel do seu erro e cada olhar de Ron era uma facada de culpa em seu peito já sobrecarregado. Ela tentava se afogar nos livros, mas as palavras nas páginas de "História de Hogwarts" pareciam embaralhar-se, formando o rosto presunçoso de Diego.
Naquela tarde de quinta-feira, a biblioteca estava estranhamente silenciosa. Hermione estava escondida na seção de Poções Avançadas, esperando que o isolamento lhe trouxesse alguma paz. No entanto, o som de passos rítmicos e confiantes quebrou o silêncio. Ela não precisou levantar a cabeça para saber quem era. O perfume caro e a aura de arrogância o precediam.
— Estudando para variar, Granger? — A voz de Draco Malfoy ecoou suavemente entre as estantes. — Ou está apenas procurando um feitiço para apagar memórias? Sabe, o Obliviate é útil, mas não funciona em quem se divertiu tanto quanto o Diego.
Hermione fechou o livro com força, o estrondo ecoando no vazio da sala. Ela se virou para encarar Draco, os olhos faiscando com uma mistura de ódio e desespero.
— O que você quer, Malfoy? Já não basta o que vocês estão fazendo no Salão Principal?
— Ah, aquilo é apenas o aperitivo — Draco deu um passo à frente, um sorriso de lado brincando em seus lábios pálidos. — O Diego é um homem de apetites vorazes, Hermione. E ele me contou detalhes... detalhes que fariam até a Madame Pince corar. Ele realmente se superou. Quem diria que a monitora-chefe tinha tanto fogo escondido sob essas vestes engomadas?
— Cale a boca! — sibilou ela, levantando-se. — Se você contar para o Ron, eu juro que...
— Você jura o quê? — Draco a interrompeu, a voz agora fria como gelo. — Vai me azarar? Vai contar para o Potter? Vá em frente. Adoraria ver a cara do Cicatriz quando ele descobrir que a melhor amiga dele é uma traidora comum. Mas não se preocupe, eu não vou contar. O segredo é muito mais valioso como uma coleira.
Hermione sentiu as pernas tremerem. Ela se sentou novamente, as mãos cobrindo o rosto. Ela era a mente mais brilhante de sua geração, e agora estava sendo manipulada por dois sonserinos que viam sua dignidade como um brinquedo.
Enquanto isso, nos campos de treinamento, Ron Weasley estava tendo um desempenho desastroso. Ele deixou passar três goles seguidas, para a frustração de Harry.
— Ron! Concentre-se! — gritou Harry, pairando no ar em sua Firebolt. — O que está acontecendo com você hoje?
Ron desceu até o chão, desmontando da vassoura com um movimento brusco. Seu rosto estava vermelho, e não era apenas pelo esforço físico.
— É o Malfoy, Harry! E aquele novo idiota, o Diego. Eles não param de falar coisas... coisas estranhas sobre a Hermione.
Harry pousou ao lado do amigo, a expressão preocupada.
— O que eles disseram agora?
— Diego fica dizendo que "conhece" a Hermione melhor do que eu. E Malfoy fica rindo, dizendo que eu sou um "leigo no assunto" — Ron chutou um tufo de grama. — Eu sei que eles são uns babacas, mas a Hermione tem agido de forma estranha. Ela nem me deixa segurar a mão dela direito sem pular como se tivesse levado um choque.
Harry guardou a goles sob o braço, pensativo. Ele também tinha notado o comportamento errático de Hermione, mas sua mente trabalhava de forma diferente da de Ron. Ele sabia que Malfoy não atacaria sem um motivo real, e o jeito que Diego olhava para ela não era de desprezo, mas de posse.
— Ron, escute — disse Harry, baixando a voz —, não dê a eles o que eles querem. Se você ficar irritado, eles ganham. Mas... eu vou ficar de olho. Algo não está certo.
De volta ao castelo, Hermione tentava chegar à Torre da Grifinória quando foi interceptada por Ginny Weasley. A ruiva tinha um olhar afiado, o tipo de olhar que indicava que ela já tinha somado dois mais dois e obtido o resultado correto.
— Hermione, precisamos conversar. Agora — disse Ginny, puxando-a para uma sala de aula vazia e trancando a porta com um movimento rápido da varinha.
— Ginny, eu tenho muita lição de casa e...
— Não venha com essa para cima de mim — Ginny cruzou os braços. — Eu vi você saindo do corredor das masmorras na outra noite. E vi como você olha para o Diego. Não é ódio, Hermione. É pavor. O que aquele desgraçado fez com você?
Hermione tentou sustentar o olhar da amiga, mas desabou. As lágrimas que ela vinha segurando durante todo o dia finalmente transbordaram. Ela se sentou em uma das mesas, soluçando desesperadamente. Ginny, apesar de sua natureza impetuosa, suavizou a expressão e sentou-se ao lado dela, colocando a mão em seu ombro.
— Eu cometi um erro, Ginny... um erro horrível — soluçou Hermione. — Foi em uma noite em que eu e o Ron brigamos por causa daquela bobagem das Gemialidades Weasley. Eu estava no corredor, Diego apareceu... ele foi gentil, ele me ouviu... e então...
— Você dormiu com ele? — Ginny perguntou, a voz num sussurro de choque.
Hermione apenas assentiu, incapaz de proferir as palavras.
— Com um sonserino? Com o melhor amigo do Malfoy? Hermione, no que você estava pensando?
— Eu não estava pensando! — gritou Hermione, limpando as lágrimas com as costas da mão. — E agora ele está contando para o Malfoy, e eles estão usando isso para torturar o Ron e a mim. Eles dizem que se eu não fizer o que eles querem, eles vão contar para todo mundo.
— O que eles querem que você faça? — Ginny perguntou, os olhos estreitados.
— Diego quer que eu... que eu continue saindo com ele. Ele diz que gosta do desafio de "corromper" a Grifinória. E Malfoy quer ver o Ron destruído.
Ginny levantou-se, a fúria emanando dela.
— Nós temos que contar para o Harry. Ele vai saber o que fazer.
— Não! — Hermione agarrou o braço de Ginny. — Se o Harry souber, ele vai contar para o Ron. Ron nunca vai me perdoar, Ginny. Você conhece o irmão que tem. Ele é orgulhoso demais. Ele vai me odiar para sempre.
— E você acha que viver sob a chantagem de Diego é melhor? — rebateu Ginny. — Ele vai acabar com você, Hermione. Ele vai tirar tudo o que você é até não sobrar nada além de uma sombra.
Antes que Hermione pudesse responder, ouviram-se risadas no corredor. Eram Diego e Malfoy, passando pela sala. A voz de Diego era alta e clara.
— ...e então eu disse a ela: "Granger, você pode até ser a melhor da classe, mas na minha cama, você é apenas uma amadora aprendendo as regras".
O som da risada de Malfoy seguiu-se, desaparecendo conforme eles se afastavam. Hermione sentiu como se tivesse sido esbofeteada.
Naquela noite, o jantar foi um evento fúnebre para Hermione. Ela sentou-se longe de Ron, alegando que precisava terminar um ensaio de Transfiguração. Do outro lado do salão, na mesa da Sonserina, Diego estava rodeado por um grupo de alunos do quinto e sexto ano, gesticulando animadamente enquanto Draco observava a cena com um sorriso de satisfação aristocrática.
De repente, Diego se levantou e caminhou em direção à mesa da Grifinória. O silêncio começou a se espalhar conforme os alunos notavam o movimento. Ele parou bem atrás de Hermione e inclinou-se, colocando as mãos nos ombros dela. Hermione ficou rígida como uma estátua.
— Esqueceu isso na masmorra ontem, Hermione — disse Diego em voz alta, o suficiente para que Ron, Harry e todos ao redor ouvissem.
Ele deixou cair uma fita de cabelo vermelha sobre a mesa, bem ao lado do prato dela. Era a fita que Hermione usava para prender o cabelo durante as sessões intensas de estudo.
Ron olhou para a fita e depois para Diego.
— O que você estava fazendo com isso? — perguntou Ron, a voz perigosamente baixa.
— Digamos que a sua namorada tem o hábito de perder as coisas quando está... distraída — Diego deu um sorriso predatório. — Ela é uma excelente aluna, Weasley. Muito dedicada à prática.
Ron levantou-se, derrubando o banco atrás de si. Harry também se levantou, a mão já alcançando a varinha.
— Saia daqui, Diego — ordenou Harry, os olhos verdes brilhando atrás dos óculos.
— Ou o quê, Potter? Vai me lançar um feitiço de desarmamento? — Diego riu, olhando para Draco, que assistia a tudo de longe, erguendo uma taça de suco de abóbora em um brinde silencioso. — Eu só estou sendo um cavalheiro, devolvendo o que pertence à nossa querida Hermione.
Ele se inclinou mais perto do ouvido de Hermione, mas de forma que Ron pudesse ver a intimidade do gesto.
— Vejo você à meia-noite? Naquela sala de tapeçaria? Não se atrase, ou o Weasley pode receber um pergaminho com todos os detalhes técnicos da nossa "aula" de anatomia.
Diego se afastou, caminhando calmamente de volta para sua mesa. Ron estava tremendo de raiva, o rosto quase da cor de seu cabelo.
— Mione... o que ele quis dizer com isso? — Ron perguntou, a voz falhando. — Por que ele estava com a sua fita?
Hermione sentiu o mundo girar. Ela olhou para Harry, que a observava com uma expressão de profunda tristeza, como se ele já soubesse a resposta. Ela olhou para Ginny, que tinha os punhos cerrados. E então olhou para Ron, o garoto que ela amava, mas que ela havia traído da forma mais mesquinha possível.
— Eu... eu perdi na biblioteca, Ron — mentiu ela, a voz fraca. — Ele deve tê-la encontrado e... e está apenas tentando nos provocar. Você sabe como os sonserinos são.
— Na biblioteca? — Ron repetiu. — Ele disse que você esqueceu na masmorra.
— Ele mentiu! — Hermione exclamou, levantando-se apressadamente. — Ele está tentando nos separar, Ron! Você não vê? Malfoy e ele planejaram isso!
Ela saiu correndo do Salão Principal antes que Ron pudesse dizer mais nada. Harry fez menção de ir atrás dela, mas Ron o segurou pelo ombro.
— Deixe-a, Harry. Eu preciso... eu preciso pensar.
No entanto, a mente de Ron não era o único lugar onde a dúvida estava plantada. Na mesa da Sonserina, Tom, um aluno do sétimo ano que raramente se envolvia nas intrigas de Malfoy, observava Diego com desdém.
— Você está brincando com fogo, Diego — comentou Tom, sem desviar os olhos de seu prato. — A Granger não é uma garota qualquer. E o Potter não vai deixar isso passar.
— O Potter é um herói de papel, Tom — rebateu Diego, relaxando em seu assento. — E a Granger... bem, ela agora é minha propriedade intelectual. Ela faz o que eu mando porque o medo de ser descoberta é maior do que o orgulho dela.
Draco soltou uma risada curta.
— É a beleza da Sonserina, Tom. Nós não precisamos de força bruta quando temos a verdade — ou uma versão conveniente dela — como arma. A Grifinória se orgulha da coragem, mas a coragem morre rapidamente quando a vergonha entra pela porta.
Enquanto isso, Hermione não foi para a torre. Ela seguiu para o topo da Torre de Astronomia, onde o ar frio da noite poderia, talvez, limpar seus pensamentos. Ela se sentia suja, usada e, acima de tudo, burra. Como ela pôde cair na conversa de alguém como Diego?
— É uma bela vista para um desastre, não é?
Ela se virou bruscamente. Diego estava lá, encostado na entrada da torre.
— Você disse meia-noite — sibilou ela.
— Mudei de ideia. Gosto mais do luar — ele se aproximou, e Hermione recuou até que suas costas batessem no parapeito de pedra. — Você foi ótima lá embaixo. Aquela mentira sobre a biblioteca? Quase acreditei.
— Por que você está fazendo isso? — ela perguntou, as lágrimas voltando. — Se você queria sexo, você conseguiu. Por que me destruir agora?
Diego esticou a mão e tocou uma mecha do cabelo dela, enrolando-a nos dedos.
— Porque ver a "perfeita Hermione Granger" se despedaçar é muito mais excitante do que qualquer noite que passamos juntos. Eu quero ver até onde você vai para proteger esse seu mundinho de mentiras. E o Malfoy... bem, ele tem contas antigas para acertar com o seu namorado ruivo.
Ele a puxou para perto, forçando um beijo frio e sem alma que Hermione não teve forças para repelir. Ela sentia-se vazia, como se sua essência estivesse sendo drenada.
Longe dali, no dormitório masculino da Grifinória, Harry não conseguia dormir. Ele olhou para o Mapa do Maroto, que estava aberto sobre sua cama. Ele viu dois pontos sobrepostos na Torre de Astronomia: *Hermione Granger* e *Diego Silva*.
O coração de Harry pesou. Ele fechou o mapa e olhou para a cama de Ron, onde o amigo roncava pesadamente, alheio à traição que ocorria alguns andares acima. Harry sabia que o confronto era inevitável. Mas ele também sabia que, quando a verdade finalmente explodisse, Hogwarts nunca mais seria a mesma para o trio de ouro.
A teia de Diego e Malfoy estava completa, e Hermione Granger era a mosca que, tentando escapar, apenas se enrolava mais profundamente nos fios da própria ruína. O jogo de poder da Sonserina tinha apenas começado, e o preço da entrada tinha sido a alma da Grifinória.