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Harry potter

O Pacto das Serpentes e a Sombra de Snape

O vento gélido da Torre de Astronomia chicoteava os cabelos de Hermione, mas o frio que ela sentia por dentro era muito mais cortante. Diego ainda a segurava pelo braço, mas seu semblante mudou. A malícia pura que brilhava em seus olhos momentos antes deu lugar a algo que parecia, superficialmente, com remorso. Ele soltou o braço dela e deu um passo para trás, erguendo as mãos em um gesto de paz que Hermione não comprou por um segundo sequer.

— Olhe, Hermione, eu acho que exagerei lá embaixo — disse Diego, sua voz agora suave, quase melíflua. — Eu prometo parar de te perturbar daquela forma. Eu só... eu realmente gostei da nossa noite. Como fui criado na Sonserina, entre pessoas como o Draco, o deboche é a minha primeira língua. Eu te zoei e peço desculpas por isso.

Hermione limpou as lágrimas com as costas da mão, olhando-o com uma desconfiança profunda.

— Você acha que um pedido de desculpas apaga o que você fez no Salão Principal? Você quase destruiu tudo!

— Eu sei, eu sei — interrompeu ele, aproximando-se novamente, mas desta vez sem a agressividade de antes. — Foi um erro. Mas pense bem: se pararmos de nos falar agora, de forma abrupta, o Weasley vai desconfiar ainda mais. O Potter já está olhando para nós como se fôssemos um enigma de Transfiguração.

— O que você sugere, então? — perguntou ela, a voz trêmula.

— Que continuemos a nos ver — Diego sorriu, mas desta vez era um sorriso mais contido. — Às escondidas, claro. E se alguém perguntar, se o Harry ou o Ron vierem te questionar sobre por que estamos conversando, diga apenas que estou te ajudando em um projeto. Um projeto extracurricular de Defesa Contra as Artes das Trevas ou Runas Antigas. Ninguém duvida da sua sede por conhecimento, Hermione. Se você disser que está me ensinando algo, ou que estamos trocando pesquisas, eles vão acreditar.

— Você quer que eu continue saindo com você depois de tudo isso? — Hermione sentiu uma náusea subir pela garganta.

— É a sua melhor saída — afirmou Diego com convicção. — Eu paro com as piadinhas, o Draco se cala, e você mantém sua reputação intacta. Em troca, eu recebo mais do seu tempo. É um acordo justo, não acha?

Hermione olhou para o horizonte escuro de Hogwarts. Ela se sentia encurralada em uma teia que ela mesma ajudara a tecer. A ideia de continuar o caso com Diego a enojava, mas a ideia de Ron descobrir a verdade a aterrorizava ainda mais.

— Tudo bem — sussurrou ela, derrotada. — Mas se você abrir a boca para mais alguém...

— Minhas mãos estão limpas, Granger — ele piscou. — Agora vá. O toque de recolher está próximo e você não quer ser pega fora da cama.

Hermione desceu as escadas da torre com o coração pesado, sem notar que Diego permanecia lá em cima, observando-a partir com um brilho de triunfo que nada tinha a ver com arrependimento.

Pouco depois, Diego desceu para as masmorras. Ele encontrou Draco Malfoy sentado perto da lareira da sala comunal da Sonserina, folheando um exemplar do Profeta Diário com tédio.

— E então? — perguntou Draco, sem desviar os olhos do jornal. — A "Sabe-Tudo" desmoronou ou tentou te azarar?

— Ela está na palma da minha mão, Draco — Diego jogou-se na poltrona ao lado. — Usei a tática do "bom moço arrependido". Ela aceitou continuar me vendo sob o pretexto de um projeto de estudos. Ela é brilhante, mas a culpa a torna cega.

Draco soltou uma risada seca.

— Patético. Os Grifinórios e seus complexos de salvadores. Eles sempre acham que podem consertar alguém, mesmo que esse alguém esteja apenas esperando para dar o bote.

— Exatamente — Diego inclinou-se para a frente, baixando o tom de voz. — Mas agora preciso solidificar isso. Vou falar com o Snape.

Draco ergueu uma sobrancelha, finalmente fechando o jornal.

— O velho morcego? O que você quer com ele?

— Preciso que ele nos coloque no mesmo grupo de trabalho. Se for oficial, se o Snape designar, nem o Potter poderá questionar por que estou passando tanto tempo com ela. E você sabe... — Diego fez uma pausa, olhando ao redor para garantir que ninguém ouvia. — Snape sabe quem somos. Ele sabe da nossa lealdade ao Lorde das Trevas. Como Comensais da Morte, ou futuros Comensais, temos que nos ajudar.

— Vá em frente — disse Draco, voltando a se recostar. — Snape sempre tem um fraco por um plano que envolva humilhar um Grifinório.

Diego levantou-se e caminhou pelos corredores úmidos até o escritório de Severus Snape. Ele bateu na porta pesada de madeira e ouviu o comando arrastado para entrar. O escritório estava mergulhado em sombras, com frascos de ingredientes de poções brilhando fracamente nas prateleiras. Snape estava sentado à sua mesa, corrigindo pergaminhos com uma pena embebida em tinta vermelha que parecia sangue.

— Silva — disse Snape, sem levantar os olhos. — O que o traz aqui a esta hora? Espero que seja algo mais importante do que uma desculpa para o seu último ensaio medíocre.

— Professor — começou Diego, adotando uma postura respeitosa, mas com um subtexto de cumplicidade. — Eu vim pedir um favor. Diz respeito à integração entre as casas e, claro, ao meu próprio... desenvolvimento.

Snape finalmente levantou o olhar, os olhos negros e impenetráveis fixos no aluno.

— Prossiga.

— O senhor vai designar os novos grupos para o projeto de Poções Avançadas amanhã — Diego deu um passo à frente. — Eu preciso que o senhor me coloque no grupo da senhorita Granger.

Snape estreitou os olhos. O silêncio na sala tornou-se opressivo.

— E por que eu faria tal concessão? A senhorita Granger já tem uma carga de trabalho alta e sua presença, suspeito, seria apenas uma distração.

— Digamos que estou trabalhando em um projeto pessoal, professor — Diego manteve o contato visual. — Algo que beneficia a imagem da nossa casa. Além disso... o senhor sabe onde reside minha lealdade. Assim como a do Malfoy. Estamos todos do mesmo lado, não estamos? Um favor agora pode ser retribuído no futuro, quando os tempos ficarem ainda mais sombrios.

Snape permaneceu imóvel por um longo tempo. Ele sabia exatamente o que Diego estava insinuando. O garoto estava usando sua posição como um novo membro influente e suas conexões com as famílias de Comensais da Morte para pressioná-lo.

— A senhorita Granger é uma aluna excepcional — comentou Snape, a voz baixa. — Seria uma pena se o rendimento dela caísse por conta de... más influências.

— Garanto que o rendimento dela será o menor dos problemas, professor — Diego sorriu de canto. — Só preciso da oportunidade de estar perto dela sem despertar suspeitas. O senhor sabe como o Potter e o Weasley são protetores. Se for uma ordem sua, eles não terão escolha a não ser aceitar.

Snape mergulhou a pena na tinta novamente, o som do arranhar no pergaminho preenchendo o vazio.

— Muito bem, Silva. Eu farei as duplas amanhã. Esteja preparado para trabalhar. Não tolerarei indolência no meu laboratório, independentemente de suas... afiliações.

— Obrigado, professor — Diego fez uma breve reverência e saiu da sala, sentindo o gosto da vitória.

Na manhã seguinte, o Salão Principal estava agitado. Hermione mal conseguia tocar em sua torrada, sentindo o olhar de Harry queimando sobre ela. Ron, por outro lado, parecia ter decidido acreditar na história da fita de cabelo, mas ainda lançava olhares de ódio para a mesa da Sonserina.

— Você está muito quieta, Mione — disse Ron, com a boca cheia de ovos mexidos. — Ainda está chateada com aquele idiota do Diego?

— Só estou preocupada com as aulas, Ron — mentiu ela, evitando olhar para ele. — Poções hoje será difícil.

Quando entraram na masmorra para a aula de Snape, o clima estava pesado. O professor entrou na sala como uma sombra, suas vestes negras enfunando atrás dele.

— Silêncio — ordenou Snape, e a sala calou-se instantaneamente. — Para o projeto deste mês, trabalharemos em duplas fixas. Eu já selecionei os pares, visando... equilibrar as competências de cada um.

Harry trocou um olhar com Ron, esperando que ficassem juntos. Snape começou a ler a lista.

— Longbottom e Parkinson. Weasley e Finnigan. Potter e Malfoy.

Um murmúrio de protesto subiu na sala, mas Snape silenciou-os com um olhar gélido.

— E finalmente... — ele fez uma pausa dramática — Silva e Granger.

Hermione sentiu o chão sumir. Ela olhou para Diego, que estava sentado ao fundo, e ele lhe deu um aceno de cabeça discreto, quase imperceptível.

— O quê? — Ron exclamou, levantando-se. — Professor, isso não é justo! A Hermione não pode ficar com ele!

— Sente-se, senhor Weasley — sibilou Snape. — A menos que queira perder cinquenta pontos para a Grifinória antes mesmo da aula começar. A decisão está tomada. O senhor Silva demonstrou interesse em aprimorar suas técnicas sob a tutela da melhor aluna da turma, e eu achei por bem incentivar tal cooperação.

Ron sentou-se, bufando de raiva. Harry, ao lado dele, apertava os punhos. Ele olhou para Hermione, esperando ver a indignação habitual dela, mas encontrou apenas um olhar de aceitação resignada.

— Mione, você não vai dizer nada? — sussurrou Harry.

— É uma ordem do professor, Harry — respondeu ela, a voz mecânica. — Não há o que fazer. É apenas um projeto.

Ao final da aula, enquanto todos guardavam seus materiais, Diego aproximou-se da mesa de Hermione. Ele se inclinou, fingindo conferir uma anotação no pergaminho dela.

— Viu só? — sussurrou ele. — Eu disse que ia te ajudar. Agora temos uma desculpa oficial. Ninguém vai estranhar se passarmos as noites na biblioteca ou em salas vazias. Estamos apenas... "estudando".

Hermione não respondeu. Ela apenas fechou sua mochila e saiu da sala o mais rápido que pôde, sentindo os olhos de Harry e Ron cravados em suas costas. Ela sabia que estava entrando em um labirinto sem saída, onde cada mentira gerava uma nova armadilha, e Diego Silva era o mestre de todas elas.

Enquanto isso, Draco Malfoy observava a cena da porta, um sorriso de satisfação estampado no rosto. O plano estava funcionando melhor do que o esperado. A Grifinória estava se fragmentando por dentro, e o melhor de tudo era que Hermione Granger estava segurando a marreta que derrubaria as paredes.

— O jogo está ficando bom, não é, Draco? — perguntou Diego, juntando-se a ele no corredor.

— Excelente, meu amigo — respondeu Malfoy. — E o melhor de tudo é que o Potter está tão ocupado me odiando que nem percebeu que o verdadeiro inimigo já está dormindo no ninho deles.

Os dois sonserinos riram, suas vozes ecoando pelas masmorras frias, enquanto longe dali, Hermione Granger tentava desesperadamente encontrar uma forma de sobreviver ao próprio pecado. Ela tinha se tornado uma peça no tabuleiro das serpentes, e em Hogwarts, quando as serpentes jogam, raramente há sobreviventes do lado dos leões.