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Harry potter

O Beijo da Serpente no Trono de Sombras

A Mansão Malfoy nunca parecera tão gélida. Mesmo com as lareiras monumentais acesas, o ar carregava o odor metálico de magia negra e o peso sufocante de uma presença que fazia a própria pedra das paredes estremecer. Diego Silva caminhava pelos corredores de mármore escuro com uma confiança que poucos ousariam demonstrar naquele lugar. Ele ajustou os punhos de sua camisa de seda, sentindo o olhar das figuras nos retratos antigos seguirem seus passos. Ele não era apenas um aluno da Sonserina; ele era a arma que cortara o tendão de Aquiles da Grifinória.

Ao chegar às portas duplas da sala de reuniões, os Comensais da Morte que montavam guarda se afastaram silenciosamente. Diego entrou. O salão estava mergulhado em sombras, exceto pela luz bruxuleante que emanava da lareira central, onde uma figura pálida e esguia estava sentada em uma poltrona de encosto alto, acariciando a cabeça de uma serpente gigantesca que sibilava ritmicamente.

— Diego Silva — a voz de Lord Voldemort era um sussurro sibilante, frio como o vácuo. — Você retorna de Hogwarts com o cheiro da vitória... ou com o odor fétido do fracasso?

Diego ajoelhou-se imediatamente, baixando a cabeça em um sinal de submissão calculada. Ele sentiu a pressão da Legilimancia de Voldemort sondando as barreiras de sua mente, mas ele não ofereceu resistência. Ele queria que o Lorde visse. Ele queria que ele sentisse o triunfo.

— Meu Lorde — começou Diego, a voz firme e desprovida de medo —, trago notícias que agradarão a vossa magnificência. O "trio de ouro", como ousam se chamar, não passa agora de cinzas e desconfiança.

Voldemort inclinou a cabeça, os olhos vermelhos brilhando na penumbra.

— Prossiga — ordenou o Lorde das Trevas. — Diga-me como você derrubou a pequena protegida de Dumbledore.

— Foi mais simples do que eu previ, meu Lorde — disse Diego, levantando-se sob o olhar permissivo do mestre. — A mente de Hermione Granger é brilhante para os livros, mas sua alma é faminta por uma validação que o pequeno Weasley jamais poderia dar. Eu a seduzi. Usei a raiva dela, a solidão dela e, finalmente, usei o próprio corpo dela contra sua lealdade.

Um sorriso cruel e sem lábios surgiu no rosto de Voldemort. Nagini sibilou, sentindo a satisfação de seu dono.

— Você a possuiu? — perguntou Voldemort, parecendo saborear a palavra como se fosse um veneno raro.

— Sim, meu Lorde. Repetidamente. E fiz com que ela voltasse por vontade própria, mesmo sabendo que estava traindo tudo o que defendia. Transformei a "Sabe-Tudo" da Grifinória em uma mentirosa compulsiva. Ela agora vive em um labirinto de culpa que nem mesmo Potter consegue penetrar.

— E o garoto Weasley? — interveio uma voz vinda das sombras. Era Lucius Malfoy, que observava a cena com um misto de inveja e admiração.

— Ronald Weasley é um homem quebrado, Lucius — respondeu Diego, virando-se levemente para o patriarca dos Malfoy. — Eu me certifiquei de que ele soubesse de cada detalhe. Eu o humilhei diante de seus pares. Ele viu a própria namorada se calar diante da verdade de que preferiu a minha cama à companhia dele. O ódio que ele sente por ela agora é quase tão grande quanto o ódio que sente por nós. O grupo se dividiu. Potter está isolado, tentando juntar os cacos de uma amizade que apodreceu por dentro.

Voldemort soltou uma risada seca, um som que não continha alegria, apenas uma malícia pura.

— Excelente, Diego. Você compreendeu o que muitos de meus seguidores mais velhos esquecem: a guerra não é vencida apenas com feitiços de morte, mas com a destruição da esperança. Granger era a lógica de Potter. Weasley era o seu coração. Você arrancou ambos.

— Fiz o que me foi ordenado, meu Lorde — disse Diego, inclinando-se novamente. — Destruí o "grupinho maravilha" por dentro. Eles não são mais uma frente unida. São apenas três adolescentes amargurados esperando pelo fim.

— E a menina? — Voldemort perguntou, seus dedos longos e brancos batendo no braço da poltrona. — Ela ainda é útil?

— Ela é uma refém emocional, meu Lorde. Ela fará qualquer coisa para que o restante da escola não saiba da extensão total de sua depravação. Ela é nossa espiã, mesmo sem saber. Cada lágrima que ela chora é um prego no caixão da resistência de Dumbledore.

Voldemort levantou-se, sua figura alta e esquelética projetando uma sombra imensa sobre o salão. Ele caminhou até Diego e colocou uma mão gelada no ombro do jovem bruxo.

— Você provou seu valor, Silva. Enquanto outros se escondem atrás de máscaras, você entrou no coração do inimigo e o arrancou com as próprias mãos. O que você deseja como recompensa?

Diego olhou diretamente nos olhos vermelhos do Lorde das Trevas, sentindo o poder absoluto que emanava dele.

— Desejo apenas continuar servindo à vossa causa, meu Lorde. E desejo ver o momento em que Harry Potter perceberá que perdeu a guerra não no campo de batalha, mas no momento em que sua melhor amiga se entregou a uma serpente.

— E você verá — sibilou Voldemort. — Lucius, prepare um banquete. Celebraremos a queda da virtude da Grifinória. E você, Diego... retorne a Hogwarts. Continue a tortura. Quero que a senhorita Granger deseje a morte antes que eu finalmente a conceda a ela.

— Com prazer, meu Lorde — respondeu Diego, um brilho sádico em seus olhos.

Enquanto Diego se retirava da sala, ele sentia o peso da Marca Negra — que ele esperava receber em breve — queimando simbolicamente em seu braço. Ele atravessou os portões da Mansão Malfoy e aparatou de volta para os limites de Hogsmeade. O ar noturno estava frio, mas ele sentia um calor interno, uma satisfação divina.

Ao entrar no castelo, ele se dirigiu diretamente para a Torre de Astronomia. Ele sabia que ela estaria lá. Ele a conhecia agora; conhecia seus hábitos, seus medos e o cheiro de seu desespero.

Lá estava ela, Hermione Granger, encolhida contra o parapeito de pedra, observando a lua minguante. Ela parecia menor, mais frágil, como se a própria luz de sua inteligência estivesse se apagando.

— O que você quer agora? — perguntou ela, sem se virar. Sua voz estava rouca, gasta de tanto chorar.

Diego caminhou silenciosamente até ela e parou às suas costas, envolvendo sua cintura com os braços. Ele sentiu o estremecimento dela, o movimento involuntário de repulsa que logo se transformou em uma aceitação resignada.

— Vim ver como está a minha pequena traidora favorita — sussurrou ele no ouvido dela. — Sabe, acabei de vir de uma reunião muito importante. Falamos sobre você.

Hermione ficou rígida.

— Você contou para ele... para o Você-Sabe-Quem.

— O Lorde das Trevas ficou impressionado, Hermione. Ele não achava que a "Sangue-Ruim" mais brilhante de Hogwarts seria tão fácil de corromper. Ele te enviou os cumprimentos dele.

Hermione soltou um soluço sufocado e tentou se afastar, mas Diego a segurou com mais força.

— Não adianta correr agora, Hermione. Você já cruzou a linha. O Ron te odeia. O Harry sente pena de você, o que é pior do que o ódio. Você não tem mais ninguém. Exceto eu.

— Eu te odeio — disse ela, as lágrimas escorrendo livremente. — Eu me odeio por ter deixado isso acontecer.

— O ódio e o desejo moram na mesma casa, querida — Diego virou-a para frente, forçando-a a olhar para ele. — Você pode dizer o que quiser para o seu espelho, mas nós dois sabemos que, quando eu te chamo, você vem. Você gosta de ser destruída por mim. É a única coisa real que sobrou na sua vida de mentiras.

Ele a beijou, um beijo que carregava o sabor da vitória de Voldemort e a derrota final da Grifinória. Hermione não lutou. Ela não tinha mais forças para lutar contra a própria ruína. Ela se agarrou à túnica de Diego, permitindo-se ser consumida pela escuridão que ele representava.

Enquanto isso, nos dormitórios da Grifinória, Harry Potter olhava para o teto, incapaz de dormir. O silêncio da cama vazia de Ron, que passara a noite na Ala Hospitalar alegando um mal-estar, era ensurdecedor. Ele sentia que algo fundamental havia mudado em Hogwarts. O ar parecia mais pesado, as sombras mais longas. Ele pensou em Hermione e na fita de cabelo vermelha sobre a mesa. Ele pensou no olhar de triunfo de Diego.

Harry fechou os olhos, mas não viu descanso. Ele viu apenas a imagem de uma serpente se enrolando em torno de um leão, apertando até que não restasse mais nada além de ossos quebrados e o eco de um riso cruel.

A guerra estava apenas começando, mas para o "trio de ouro", a derrota já havia sido selada em um pacto de carne e traição. Diego Silva, o novo favorito do Lorde das Trevas, observava a lua sobre Hogwarts e sabia que o castelo já era deles. A inteligência de Hermione fora vencida pela sua própria humanidade, e a coragem de Ron fora afogada no ciúme.

— O grupinho maravilha morreu — sussurrou Diego para a noite, enquanto Hermione soluçava em seus braços. — E eu sou o seu carrasco.

O plano de Voldemort fora executado com perfeição. O amor, a arma que Dumbledore tanto pregava, fora a ferramenta usada para destruir seus maiores defensores. E enquanto a escuridão envolvia o castelo, o riso das serpentes era o único som que restava nos corredores de Hogwarts. A era dos heróis havia terminado; a era do prazer sombrio e da traição absoluta acabara de nascer.