Harry Slayer
O Banquete das Sombras e a Coroa de Espinhos
O sol nasceu sobre Hogwarts, mas para Harry Potter, a luz era apenas um incômodo estético, um brilho que não mais o queimava, mas que empalidecia a glória da escuridão. Graças à fusão de seu sangue demoníaco com a proteção ancestral deixada por sua mãe — uma magia de sangue que ele agora manipulava com maestria sádica —, ele caminhava pelos corredores de pedra sob a claridade da manhã com a mesma desenvoltura de um espectro.
Sua aparência tornara-se ainda mais hipnótica. O uniforme da Grifinória fora sutilmente alterado por sua magia; a seda negra substituía o algodão áspero, e os detalhes em vermelho brilhavam como sangue fresco. Harry cruzava o corredor do terceiro andar, sua presença fazendo com que os quadros nas paredes se escondessem nos cantos de suas molduras.
— Ele é tão... lindo — sussurrou uma segundanista da Corvinal, paralisada contra a parede enquanto Harry passava.
Harry parou. Ele não virou o corpo, apenas a cabeça, em um ângulo que desafiava a anatomia humana. Seus olhos fúcsia encontraram os da menina, que sentiu seus joelhos cederem.
— O medo é um perfume delicioso, pequena — disse Harry, sua voz uma carícia gélida que parecia vibrar dentro do crânio da garota. — Mas cuidado para não se afogar nele.
Ele continuou seu caminho até o Salão Principal. O café da manhã estava sendo servido, mas o clima era de um funeral. Dumbledore estava ausente da mesa dos professores, e a cadeira de Snape permanecia vazia. No centro da mesa da Grifinória, Rony Weasley e Luna Lovegood esperavam.
Rony parecia uma carcaça de si mesmo, embora seus músculos estivessem mais densos e sua pele tivesse um brilho vítreo. Luna, por outro lado, irradiava uma serenidade aterrorizante. Seus olhos, antes azuis e distantes, agora possuíam uma névoa púrpura, e ela usava uma coroa feita de ossos de pequenos animais, entrelaçada com flores de glicínia secas que, estranhamente, não a repeliam.
Harry sentou-se na cabeceira, uma posição que ele simplesmente tomou para si, ignorando a hierarquia da casa.
— Meus queridos — disse Harry, observando o banquete à sua frente. — Sinto que o castelo está... faminto.
— Os alunos estão sussurrando, Harry — disse Luna, levando um pedaço de fruta à boca com movimentos de uma boneca de porcelana. — Eles dizem que os professores estão se reunindo na sala da Professora McGonagall. Eles acham que podem conter os Narguilés de sangue.
Harry soltou uma risada melodiosa, um som que fez os talheres de prata vibrarem.
— Eles acreditam que varinhas e rimas latinas podem parar a evolução — Harry inclinou-se para frente, apoiando o queixo na mão pálida. — Rony, como está a nossa... colheita?
Rony levantou o olhar. Havia uma fome selvagem em suas pupilas.
— Três sonserinos tentaram me encurralar perto das masmorras — disse Rony, sua voz rouca e gutural. — Eles não voltarão para a aula. Eu os deixei no Corredor Proibido. Eles estão... mudando.
— Excelente — murmurou Harry. — A linhagem deve crescer. Hogwarts não será mais uma escola, mas um ninho.
Nesse momento, as portas do Salão Principal se escancararam. Minerva McGonagall entrou, seguida por Flitwick e Sprout. Seus rostos eram máscaras de determinação e horror. Ela caminhou até Harry, sua varinha em punho, embora sua mão tremesse levemente.
— Potter! — gritou ela, a voz ecoando pelo teto encantado, que agora refletia um céu tempestuoso e avermelhado. — O que você fez com o Professor Snape? E onde estão os alunos desaparecidos?
Harry não se levantou. Ele pegou uma uva e a esmagou entre os dedos, deixando o suco escorrer como sangue.
— Professora Minerva... — Harry suspirou, um som de falso tédio. — Sempre tão preocupada com as regras. Severus está apenas... reavaliando sua lealdade. Quanto aos alunos, eles foram promovidos. Deixaram de ser gado para se tornarem predadores.
— Isso é loucura! — exclamou Flitwick, levantando sua varinha. — *Stupefy!*
O feitiço de luz vermelha voou em direção a Harry. Com um movimento quase imperceptível, Harry estendeu a mão e *pegou* o feitiço. A energia mágica crepitou entre seus dedos antes de ser absorvida por sua pele pálida.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Os alunos assistiam, paralisados, enquanto seu "herói" demonstrava um poder que transcendia a magia conhecida.
— Minha vez — disse Harry, o sorriso cruel cortando seu rosto andrógino.
Ele não usou uma varinha. Ele simplesmente bateu as palmas das mãos.
— Arte de Sangue Demoníaco: Teia de Lótus Escarlate.
Fios de sangue sólido, finos como seda de aranha e afiados como lâminas de diamante, brotaram do chão e das paredes. Em segundos, o Salão Principal foi transformado em uma gaiola de fios vermelhos. McGonagall e os outros professores foram cercados, as pontas das lâminas de sangue tocando seus pescoços.
— Harry, pare com isso! — a voz veio da mesa da Grifinória. Hermione Granger estava de pé, as lágrimas escorrendo pelo rosto, a única que ainda ousava enfrentá-lo com palavras. — Este não é você! Aquele garoto que vivia no armário sob a escada... ele nunca faria isso!
Harry virou seus olhos fúcsia para ela. Por um momento, a crueldade em seu rosto suavizou-se em algo ainda mais perigoso: uma piedade predatória.
— Aquele garoto morreu, Hermione. Ele foi morto pela negligência de Dumbledore, pela crueldade dos Dursley e pela indiferença deste mundo — Harry levantou-se e caminhou até ela, os fios de sangue se abrindo para lhe dar passagem. — O que você vê agora é a resposta. Eu sou o que o mundo bruxo merece.
Ele tocou o rosto de Hermione. Suas unhas negras arranharam levemente a pele dela, fazendo brotar uma única gota de sangue. Harry levou o dedo à boca, provando-o.
— Seu sangue é inteligente, Hermione. Cheio de lógica e medo — ele sussurrou. — Seria um crime desperdiçá-lo em uma vida tão curta.
— Mate-me então — desafiou ela, embora seu corpo tremesse violentamente. — Prefiro morrer a ser um desses monstros.
Harry riu, um som doce e venenoso.
— Oh, Hermione... eu não vou te matar. Eu vou te dar a eternidade para entender que eu estou certo.
Ele se virou para o restante do Salão Principal. Os alunos de todas as casas olhavam para ele com uma mistura de adoração e terror absoluto.
— A partir de hoje — declarou Harry, sua voz amplificada sem a necessidade de um feitiço —, Hogwarts pertence ao Império do Sangue. Aqueles que jurarem lealdade a mim receberão o dom da imortalidade. Aqueles que resistirem... serão o banquete da primeira noite de meu reinado.
— Nunca! — gritou um aluno da Lufa-Lufa, tentando correr para as portas.
Rony foi mais rápido. Em um borrão de velocidade desumana, ele apareceu à frente do garoto. Suas mãos, agora garras afiadas, agarraram o jovem pelo pescoço.
— Posso, mestre? — perguntou Rony, olhando para Harry com uma devoção doentia.
— Apenas um pouco, Rony — autorizou Harry. — Não queremos que ele morra antes de ver o pôr do sol.
O grito do aluno ecoou pelo salão enquanto Rony cravava os dentes em seu ombro. Alguns alunos desmaiaram, outros começaram a soluçar, mas um grupo significativo — principalmente da Sonserina e alguns desgarrados de outras casas — olhava para a cena com um brilho de cobiça nos olhos. Eles queriam aquele poder. Eles queriam ser como Harry.
Harry voltou-se para os professores, que ainda estavam presos pelos fios de sangue.
— Levem-nos para as masmorras — ordenou Harry. — Quero que eles assistam enquanto eu transformo seus preciosos alunos. Quero que Alvo veja o que sua "arma" se tornou quando ele retornar de sua viagem inútil ao Ministério.
Enquanto os novos servos de Harry — alunos que ele já havia marcado durante a noite — levavam os professores, Harry caminhou até a mesa dos professores e sentou-se no trono de ouro que pertencia ao diretor.
Luna aproximou-se dele, sentando-se no braço da cadeira. Ela colocou a mão no ombro dele, e Harry inclinou a cabeça para descansar nela.
— O castelo está cantando, Harry — disse ela suavemente. — As pedras estão bebendo o que cai no chão. Elas gostam do sabor.
— É apenas o começo, minha Lua — Harry fechou os olhos, sentindo a conexão com cada Oni que ele criara, sentindo a fome deles, a força deles. — Lorde Voldemort queria purificar o sangue. Eu vou simplesmente torná-lo a única coisa que importa.
— E quanto a Londres? — perguntou ela. — E quanto ao resto do mundo?
Harry abriu os olhos. O fúcsia brilhava com uma intensidade que parecia iluminar as sombras do salão.
— Hogwarts é apenas o coração. O sangue vai bombear para fora daqui até que cada veia deste país pertença a mim. Kibutsuji se escondia nas sombras, temendo o sol. Eu? Eu sou o sol e a lua. Eu sou o rei que não precisa se esconder.
Ele olhou para Hermione, que ainda estava parada no meio do salão, cercada por fios de sangue que a impediam de fugir, mas não a tocavam.
— Preparem o banquete para esta noite — ordenou Harry aos alunos que permaneciam. — Quero que a Sala Precisa seja transformada. Não em um lugar de treinamento, mas em um salão de trono.
Harry levantou-se, sua presença preenchendo o espaço de uma forma que nenhum bruxo jamais conseguira. Ele caminhou em direção às grandes janelas, observando a Floresta Proibida. Ele podia ver as criaturas lá dentro se curvando em sua direção. Até mesmo os dementadores, que costumavam cercar a escola, agora pairavam à distância, reconhecendo um predador superior.
— Harry — chamou Rony, limpando o sangue do queixo com as costas da mão. — O que fazemos com os "fracos"? Aqueles cujo sangue não aceita a transformação?
Harry sorriu, um movimento de lábios que não chegava aos olhos frios e eternos.
— O mundo sempre precisará de gado, Rony. Nem todos podem ser reis. Alguns nasceram apenas para alimentar a nobreza.
Ele estendeu a mão para o ar, e as sombras pareciam se condensar em sua palma, formando uma lâmina de osso e sangue negro.
— Hoje, Hogwarts aprende o verdadeiro significado de sacrifício. E amanhã... amanhã o mundo bruxo descobrirá que seu salvador se tornou seu senhor absoluto.
O Rei dos Onis olhou para o céu. O sol estava no zênite, mas para Harry Potter, a noite eterna estava apenas começando, e ela era de uma beleza sangrenta e absoluta.