Harry Slayer
O Banquete de Sangue e a Flor de Lótus Negra
A noite em Hogwarts não era mais um manto de descanso, mas um véu de seda sobre um matadouro silencioso. O castelo respirava. As paredes de pedra pareciam pulsar com o ritmo das batidas de centenas de corações que, agora, batiam em uníssono sob o comando de um único mestre. Harry Potter, o Rei dos Onis, estava em seu novo domínio: a Sala Precisa, que se transformara em um vasto palácio de estética japonesa clássica, fundida com o gótico sombrio de Hogwarts. Tatames de seda negra cobriam o chão, e painéis deslizantes pintados com cenas de tortura e beleza adornavam as paredes.
No centro da sala, Harry estava reclinado em um divã de ébano. Sua aparência andrógina atingira o ápice da perfeição letal. Ele vestia um quimono de seda translúcida, aberto no peito, revelando uma pele tão branca que parecia brilhar. Seus cabelos negros caíam como cascatas de tinta sobre os ombros, e os olhos fúcsia, com o kanji de "Superior" brilhando, observavam a figura que acabara de ser trazida à sua presença.
Draco Malfoy estava de joelhos, as mãos atadas por fios de sangue que Harry manipulava com um simples movimento de dedos. O loiro estava pálido, mas não era a palidez doentia dos transformados; era o medo puro de quem reconhecia que a hierarquia do mundo havia sido destruída e reconstruída em uma única noite.
— Draco — a voz de Harry era um sussurro que preenchia cada canto da sala, uma melodia doce e perversa. — Você sempre gostou de falar sobre linhagem, sobre a pureza do sangue. O que acha da minha linhagem agora?
Draco levantou o olhar, e o que Harry viu não foi apenas terror, mas uma fascinação doentia. O sonserino sempre fora atraído pelo poder, e o que emanava de Harry agora era algo que Voldemort jamais poderia sonhar em possuir. Era uma beleza que doía ao olhar.
— Você é... uma abominação, Potter — Draco cuspiu as palavras, mas sua voz falhou, traindo a excitação que subia por sua espinha.
Harry soltou um riso baixo e melodioso. Com um gesto, ele puxou os fios de sangue, arrastando Draco pelo chão até que o loiro estivesse entre suas pernas, forçado a olhar para cima, para o rosto angelical e cruel do Rei.
— Uma abominação? — Harry inclinou-se, seus dedos longos e frios contornando a mandíbula de Draco com uma delicadeza sádica. — Ou talvez eu seja a única coisa pura que este castelo já viu. O sangue não mente, Draco. O seu, por exemplo... eu posso ouvi-lo. Ele canta para mim. Ele quer ser reivindicado.
Harry segurou o queixo de Draco com força, obrigando-o a abrir a boca.
— Diga-me — sussurrou Harry, aproximando o rosto do dele até que suas respirações se misturassem. — Você ainda deseja ser o braço direito de um mestre? Ou prefere ser o brinquedo de um Deus?
Draco arfou, os olhos cinzentos dilatados. A proximidade de Harry era inebriante. O cheiro dele era uma mistura impossível de lírios frescos e ferro oxidado.
— Eu não sirvo a mestiços — Draco tentou dizer, mas a frase morreu quando a língua bifurcada de Harry roçou levemente seu lábio inferior.
— Eu não sou um mestiço, meu caro — Harry murmurou, a voz carregada de uma sensualidade predatória. — Eu sou o fim da sua espécie e o início de algo eterno. Você quer o meu sangue, Draco? Você quer sentir o que é nunca mais ter medo da morte?
Harry cravou uma unha negra no próprio pulso, traçando uma linha fina de onde brotou um sangue denso, quase negro, que brilhava com uma luz interior. Ele levou o pulso aos lábios de Draco.
— Beba — ordenou Harry, e seus olhos fúcsia brilharam com uma ordem que a alma de Draco não podia desobedecer. — Beba e pertença a mim. Não como um servo medíocre como Weasley, mas como algo... mais interessante.
Draco hesitou por um segundo, o último vestígio de sua humanidade lutando contra o abismo. Então, ele fechou os olhos e envolveu o pulso de Harry com os lábios, sugando o líquido ardente.
O efeito foi instantâneo. Draco arqueou as costas, um grito silencioso morrendo em sua garganta enquanto o sangue de Harry agia como ácido e néctar em suas veias. Suas unhas arranharam o tatame, e ele caiu contra o peito de Harry, seu corpo tremendo violentamente enquanto a transformação começava a reescrever cada célula de seu ser.
Harry envolveu Draco em seus braços, acariciando os cabelos loiros com uma ternura que era mais aterrorizante do que sua crueldade.
— Isso... dói... — soluçou Draco, a voz transformando-se em algo mais profundo, mais vibrante.
— A dor é apenas a moldura da beleza, Draco — Harry disse, inclinando a cabeça para beijar o topo da cabeça do loiro. — Sinta o poder. Sinta a fome. Ela é maravilhosa, não é?
Harry afastou Draco o suficiente para olhar em seus olhos. O cinza dos olhos de Malfoy estava sendo consumido por um brilho prateado e elétrico, e pequenas marcas negras, como veias ramificadas, começaram a surgir em suas têmporas.
— Você será meu Lótus de Prata — Harry declarou, seus lábios encontrando os de Draco em um beijo que não tinha nada de inocente. Era um beijo de posse, de consumo, onde o sabor do sangue e a promessa de uma eternidade de pecados se fundiam.
Draco correspondeu com uma ferocidade que surpreendeu até a Harry. O novo Oni agarrou as vestes de seda do Rei, puxando-o para mais perto, suas garras recém-formadas rasgando levemente o tecido. A fome que Harry sentia era espelhada agora por Draco, uma fome que não era apenas por sangue, mas por cada pedaço daquele ser que o havia transformado.
— Meu Rei... — Draco murmurou entre os beijos, sua voz agora uma harmonia perfeita de desejo e submissão.
Harry o empurrou de volta contra o divã, pairando sobre ele como um anjo da morte.
— O mundo bruxo acha que o amor é a magia mais poderosa, Draco — Harry disse, um sorriso sádico curvando seus lábios enquanto ele observava sua nova criação. — Eles estão errados. A obsessão é muito mais forte. E você, meu querido, será a prova disso.
Lá fora, os gritos dos alunos que resistiam à transição ecoavam pelos corredores, misturando-se ao som do vento nas torres. Mas dentro daquela sala, o tempo havia parado. Harry Potter, com sua beleza andrógina e alma corrompida, olhou para Draco e viu o início de uma corte que faria os deuses tremerem.
— Rony e Luna têm suas funções — Harry continuou, passando a mão pelo peito de Draco, sentindo o coração do outro bater em uma cadência nova e poderosa. — Mas você... você será o meu deleite. O meu companheiro na escuridão. Vamos ver quanto tempo leva para quebrarmos este castelo juntos, pedaço por pedaço.
Draco sorriu, um sorriso que mostrava presas afiadas e uma malícia que rivalizava com a de Harry.
— Por onde começamos, meu senhor? — perguntou Draco, sua mão subindo para acariciar o rosto de Harry, sem medo, apenas com uma adoração sombria.
Harry olhou para a porta da Sala Precisa, seus sentidos captando a aproximação de mais "convidados".
— Hermione ainda está resistindo na biblioteca — disse Harry, o brilho fúcsia em seus olhos intensificando-se. — Vamos mostrar a ela que a lógica não tem lugar em um mundo governado pelo sangue. E depois... depois iremos atrás do Diretor.
Harry levantou-se, estendendo a mão para Draco. O loiro a pegou, levantando-se com uma graça que nunca possuiu como humano. Eles caminharam juntos em direção à saída, dois monstros de beleza incomparável, prontos para transformar Hogwarts em um mausoléu de prazer e dor.
— O sol nunca mais brilhará sobre estas terras se eu assim desejar, Draco — Harry sussurrou enquanto as portas se abriam para o corredor escuro.
— Deixe que ele morra — respondeu Draco, seus olhos prateados fixos em Harry. — A noite é muito mais interessante quando estamos nela.
E assim, o Rei e seu novo favorito saíram para a escuridão, deixando para trás o que restava do Menino Que Sobreviveu, dando lugar ao Deus que reinaria sobre as cinzas do mundo bruxo. A era do sangue não era apenas uma guerra; era um banquete, e Harry Potter estava apenas começando a se servir.