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Híbridos

Estratégias das Profundezas

Junhui apenas se aconchegou melhor, a mão pequena brincando com o colar de prata pesada que pendia do pescoço de Taeshin. Era uma peça antiga, com um pingente que lembrava uma âncora estilizada, símbolo da linhagem Kim. Ele sentia a vibração da voz de Taeshin em seu peito, uma ressonância grave que indicava que o Alpha Prime estava prestando total atenção na reunião técnica. No entanto, o corpo do Alpha contava uma história diferente para Junhui. Enquanto a boca de Taeshin falava sobre logística e contratos internacionais, um de seus tentáculos apertava sua coxa com uma possessividade reconfortante, e sua mão humana, grande e quente, estava espalmada firmemente em sua cintura, como se quisesse fundir os dois corpos em um só.

Junhui soltou uma risadinha abafada contra o pescoço do namorado quando a voz poderosa do Patriarca da Família Kim ecoou pela sala. O homem era um Híbrido de Polvo que exalava uma aura ainda mais assustadora e imponente que a de Taeshin ou de seu irmão Kaelen. Com 58 anos de experiência no comando de um império que não perdoava fraquezas, o Patriarca não tinha paciência para rodeios.

— Silêncio! — rugiu o mais velho, fazendo com que um dos sócios minoritários, que tentava argumentar sobre cortes de custos, empalidecesse instantaneamente. — Se você quer discutir centavos enquanto estamos planejando a expansão da frota transoceânica, sugiro que peça demissão e vá trabalhar em uma contabilidade de esquina. Aqui, nós pensamos em escala global.

Junhui pensou que Kaelen e seus irmãos tinham realmente a quem puxar. A intensidade da família Kim era lendária, e ele sentia um calafrio de antecipação (e um pouco de medo reverencial) só de imaginar como seria a Matriarca da família. O "coração" daquele clã, a joia principal do Patriarca, era um Híbrido de Sereia, assim como Junhui. Um ômega masculino que, segundo os boatos que circulavam entre os irmãos, era o único ser no planeta capaz de domar o temperamento vulcânico do marido e a energia caótica dos filhos. Junhui esperava, um dia, ter metade daquela autoridade suave sobre Taeshin.

Ajeitando-se melhor, Junhui manteve o rostinho no ombro do Alpha, mas deixou os olhos abertos, observando a sala com curiosidade. Ele percebeu que os irmãos de Taeshin estavam inquietos. Havia cinco deles ali, além de Taeshin e Kaelen. Dois eram gêmeos híbridos de tubarão, cujas pernas balançavam sob a mesa em um ritmo impaciente; um era híbrido de polvo, como o pai, e parecia estar a um passo de soltar tinta de pura irritação; e os outros dois eram híbridos de naga, cujas caudas, escondidas sob a mesa, provavelmente estavam se contorcendo em nós de ansiedade.

Junhui sabia exatamente o porquê daquela agitação. Todos eles já tinham seus próprios ômegas e companheiros, e todos esses companheiros eram membros do Seventeen. Se Junhui tinha aparecido ali, exausto e em busca de conforto após um dia brutal de ensaios, era óbvio que os outros integrantes do grupo estavam na mesma situação, provavelmente esperando por seus respectivos Alphas nos dormitórios ou nos carros de luxo estacionados lá embaixo.

Junhui sorriu discretamente. Ele conseguia ler a impaciência nos rostos dos cunhados. Eles queriam que a reunião acabasse logo para irem cuidar de seus amados, mas a pauta ainda parecia longa.

— Ainda temos cinco tópicos a discutir — anunciou o Patriarca, ajustando os óculos e olhando para um tablet. Um suspiro coletivo, quase imperceptível, percorreu os irmãos Kim.

A reunião prosseguiu por mais uma hora. O cansaço de Junhui estava começando a ser vencido pela curiosidade enquanto ele ouvia os termos técnicos. Taeshin pediu que uma secretária trouxesse um café para Junhui, e o ômega cantarolou um agradecimento enquanto bebia o líquido quente, sentindo-se um pouco mais desperto.

Foi no último tópico que o clima na sala mudou de "negócios de rotina" para "crise iminente".

— O problema com o terminal de Busan é o seguinte — explicou um dos diretores, projetando um mapa na tela gigante. — O sindicato dos portuários está exigindo uma reestruturação completa da zona de carga pesada, mas o governo local embargou a obra alegando que a drenagem vai afetar o ecossistema marinho protegido na baía. Estamos presos. Se não expandirmos, os navios novos não têm onde atracar. Se expandirmos à força, enfrentamos multas bilionárias e um desastre de relações públicas.

Taeshin franziu o cenho, seus dedos tamborilando na cintura de Junhui.

— E se usarmos a plataforma flutuante? — sugeriu Taeshin.

— Já tentamos — respondeu o pai dele, com a voz carregada de frustração. — O solo oceânico naquela área é instável para ancoragem de grande porte. Precisamos de uma solução que agrade aos ambientalistas, aos trabalhadores e que não afunde nossos navios.

Os irmãos começaram a discutir fervorosamente. Os gêmeos tubarão sugeriram soluções agressivas de engenharia, enquanto as nagas falavam sobre contornar a legislação. Nada parecia se encaixar.

Junhui, que estava ouvindo tudo com a cabeça inclinada, sentiu uma lâmpada se acender em sua mente. Ele conhecia aquela área de Busan. Não por mapas de navegação, mas pelas histórias que seu avô, um ancião das sereias, contava sobre as correntes e as cavernas subaquáticas daquela região.

Ele cutucou o peito de Taeshin suavemente.

— Taeshin-ah... — sussurrou ele, a voz rouca pelo sono.

— Diga, meu anjo. Está com fome? — Taeshin inclinou a cabeça, ignorando a discussão acalorada ao redor.

— Não... é sobre o porto — Junhui resmungou baixinho, aproximando os lábios do ouvido do Alpha para que apenas ele ouvisse. — Vocês estão olhando para o lado errado da baía. Existe um canal natural, oculto pelos recifes de coral negro ao norte. Se vocês desviarem o fluxo da drenagem para lá, a própria correnteza limpa os sedimentos e não afeta a zona protegida. E o solo lá é granito puro, perfeito para os pilares.

Taeshin estacou. Seus olhos se arregalaram levemente enquanto ele processava a informação. Ele sabia que os instintos de uma sereia sobre o oceano eram mil vezes mais precisos que qualquer sonar humano.

— Tem certeza disso, Junnie? — perguntou Taeshin, também em um sussurro.

— Absoluta. Meu avô dizia que aquele é o "Caminho das Correntes Frias". Ninguém usa porque parece raso na superfície, mas por baixo é um desfiladeiro subaquático profundo.

Taeshin deu um sorriso de lado, um brilho de orgulho e astúcia iluminando seu rosto. Ele deu um tapinha firme na mesa, calando a discussão dos irmãos.

— Parem com isso — ordenou Taeshin. — Temos a solução.

O Patriarca olhou para o filho, arqueando uma sobrancelha.

— E qual seria? Os engenheiros estão há meses nisso.

— O Junhui acabou de me dar a resposta — disse Taeshin, fazendo com que todos os olhos se voltassem para o ômega, que se encolheu um pouco, mas manteve o olhar firme. — Existe um canal natural ao norte, protegido pelos recifes de coral negro. Um desfiladeiro subaquático com base de granito. Se movermos o projeto do terminal dois quilômetros para o norte, resolvemos o problema da estabilidade e do impacto ambiental.

O silêncio na sala foi absoluto. O diretor técnico rapidamente começou a digitar no computador, buscando mapas geológicos antigos e leituras de profundidade que raramente eram consultadas.

— Pelos deuses... — exclamou o diretor após alguns minutos. — Ele está certo. Há uma falha na cartografia comercial ali, mas os sensores térmicos confirmam um fluxo de corrente fria profunda. A rocha é estável. Se construirmos lá, o governo não pode dizer nada, pois estaremos fora da zona de proteção e usando uma formação natural.

O Patriarca Kim olhou para Junhui com um respeito renovado. Ele soltou uma gargalhada estrondosa que fez Junhui pular levemente no colo de Taeshin.

— Um híbrido de sereia que entende de geologia marinha melhor que meus consultores de Harvard! — exclamou o velho. — Taeshin, você escolheu bem. Muito bem.

Taeshin apertou Junhui contra si, beijando sua têmpora com fervor.

— Eu sempre escolho o melhor, pai.

— Bem — disse o Patriarca, fechando o tablet com um estalo satisfatório —, a reunião está encerrada. Temos trabalho a fazer amanhã, mas agora... acho que há alguns Alphas aqui que estão prestes a ter um colapso nervoso se não virem seus companheiros nos próximos dez minutos.

A velocidade com que os irmãos de Taeshin se levantaram foi quase cômica. As nagas praticamente deslizaram para fora da sala, e os gêmeos tubarão já estavam com os celulares na mão, enviando mensagens enquanto caminhavam apressados para a saída.

— Obrigado, Junhui-hyung! Você salvou nossa noite! — gritou um dos gêmeos por cima do ombro antes de desaparecer pelo corredor.

Taeshin permaneceu sentado por um momento, aproveitando o silêncio que retornou à sala. Ele olhou para Junhui, que agora bocejava abertamente, a adrenalina da ideia genial dando lugar novamente à exaustão.

— Você foi incrível, meu pequeno — Taeshin sussurrou, levantando-se com Junhui ainda em seus braços, como se o ômega não pesasse absolutamente nada. — Além de ser a sereia mais linda deste oceano, agora é o consultor estratégico da Família Kim.

— Só quero minha cama... e você — murmurou Junhui, fechando os olhos e deixando a cabeça pender no ombro do Alpha.

— Você terá os dois — prometeu Taeshin, caminhando em direção à saída privativa. — E amanhã, vou garantir que o restante do Seventeen tenha o dia de folga. Considerem isso um bônus pela sua consultoria.

Junhui sorriu, já meio adormecido. Ele sabia que, nos braços de seu Alpha Prime, não importava quão profundas fossem as águas ou quão difíceis fossem os dias, ele sempre teria um porto seguro para onde voltar. E Taeshin, sentindo o peso suave de seu companheiro, sabia que faria qualquer coisa — moveria oceanos ou construiria portos inteiros — apenas para manter aquele sorriso no rosto de sua pequena sereia.

Enquanto desciam pelo elevador privativo, Taeshin sentiu a vibração do celular no bolso. Era uma mensagem no grupo da família.

"O Matriarca quer conhecer o Junhui oficialmente no jantar de domingo. E ele disse que se você não o trouxer, ele mesmo vai buscar."

Taeshin estremeceu levemente. O Patriarca podia ser o dono dos oceanos, mas a Matriarca... ela era a dona de todos eles.

— Junnie — sussurrou Taeshin.

— Hm?

— Acho que vamos precisar de um plano de estratégia ainda maior para o domingo.

Junhui apenas resmungou algo ininteligível e apertou o colar de Taeshin, entregando-se ao sono profundo, confiando plenamente no polvo que o carregava para longe do mundo corporativo e para perto do calor do lar.