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Híbridos

O Peso de uma Coroa de Espuma e Prata

A garagem subterrânea do edifício sede das Indústrias Kim era um santuário de concreto e luzes de LED brancas, onde o som dos passos ecoava como batidas de um coração metálico. Taeshin caminhava com uma imponência que desafiava a própria gravidade. Ele não carregava Junhui como se fosse um fardo, mas como se carregasse o tesouro mais sagrado já resgatado das fossas abissais.

Dois de seus tentáculos mais fortes, de um tom azul-índigo profundo que reluzia sob as luzes artificiais, estavam firmemente enroscados ao redor da cintura e das pernas de Junhui, garantindo que o ômega não se movesse nem um centímetro para longe de seu calor. Os braços humanos de Taeshin sustentavam o tronco do namorado, permitindo que Junhui mantivesse os braços gordinhos e macios entrelaçados em volta de seu pescoço largo.

Junhui exalava um cheiro doce de baunilha e sal marinho, um aroma que agora estava tingido pelo cansaço, mas que ainda agia como o sedativo mais potente para os instintos territoriais de Taeshin.

— Você está quase dormindo, Junnie — murmurou Taeshin, a voz vibrando contra o peito do ômega.

— O seu cheiro... — Junhui resmungou, escondendo o nariz na curvatura do pescoço do Alpha, onde a glândula de feromônios pulsava. — É melhor que qualquer travesseiro.

O motorista, um beta treinado para a discrição absoluta e que trabalhava para a família há décadas, já estava com a porta traseira do sedã blindado aberta. Ele abaixou a cabeça em um gesto de respeito profundo, mantendo os olhos fixos no chão. Ele sabia que olhar diretamente para o ômega de um Alpha Prime daquela linhagem, especialmente quando o Alpha estava em um estado tão possessivo, era um convite ao desastre.

Taeshin entrou no veículo sem soltar Junhui. O espaço interno era vasto, mas ele preferiu manter o híbrido de sereia em seu colo, acomodando-o sobre suas coxas enquanto os tentáculos se recolhiam parcialmente, mas permaneciam alertas, como guardas silenciosos ao redor do casal.

— Para a cobertura — ordenou Taeshin. — E dirija com suavidade. Se ele acordar por causa de um buraco na estrada, eu farei você pavimentar a cidade inteira com as próprias mãos.

— Sim, senhor Kim — respondeu o motorista, partindo com uma delicadeza quase irreal.

Dentro do carro, o silêncio era quebrado apenas pelo ronco baixo do motor e pela respiração pesada de Junhui. O ômega, embora exausto, parecia ter recuperado um pouco da consciência após a agitação da reunião. Ele abriu um dos olhos, observando o perfil severo de Taeshin, que olhava para a janela, vigiando as ruas de Seul como um monarca observando seu reino.

— Taeshin-ah... — chamou Junhui baixinho, puxando levemente o colar de prata que ainda segurava.

— Estou aqui, meu bem. O que foi? — O olhar de Taeshin suavizou instantaneamente, transformando-se de um predador de topo em um companheiro devotado.

— Você acha que seu pai realmente gostou da ideia? Ou ele só foi educado porque eu sou seu ômega?

Taeshin soltou uma risada curta, um som rouco que fez Junhui arrepiar-se.

— Meu pai não conhece o significado da palavra "educado" quando se trata de negócios, Junnie. Se ele disse que a ideia foi boa, é porque ela provavelmente salvou alguns bilhões de wons e meses de dor de cabeça burocrática. Ele ficou impressionado.

Junhui soltou um suspiro de alívio, fechando os olhos novamente.

— Eu só não queria que eles achassem que eu sou apenas... um enfeite.

Os dedos de Taeshin apertaram a cintura de Junhui com uma força súbita, mas controlada.

— Você nunca será um enfeite. Você é o meu centro, Junhui. E hoje, você provou para todos aqueles Alphas cabeças-duras que uma sereia tem segredos que a ciência deles nem ousa sonhar. Você foi brilhante.

Junhui sorriu, sentindo-se aquecido por dentro. Ele se aconchegou mais, sentindo o balanço suave do carro.

— Os outros meninos... os membros do grupo... — Junhui começou, a preocupação com seus amigos sempre presente. — Eles devem estar exaustos também. O comeback está acabando com a gente.

— Eu já enviei ordens — disse Taeshin, acariciando os cabelos de Junhui. — Meus irmãos já foram instruídos a sequestrar seus respectivos companheiros. Hoshi, Mingyu, Wonwoo... todos eles devem estar recebendo o mesmo tratamento que você agora, ou algo bem próximo disso. E amanhã, ninguém do Seventeen coloca os pés na Pledis. Eu pessoalmente cuidei para que a agenda fosse limpa.

— Você é muito mandão — brincou Junhui, embora houvesse gratidão em sua voz.

— Sou um Kim — respondeu Taeshin com simplicidade. — Nós não pedimos permissão para cuidar do que é nosso.

O carro deslizou para dentro da garagem privativa da cobertura de Taeshin, um edifício que se erguia acima das nuvens, com vista para o Rio Han. O trajeto até o elevador foi feito da mesma forma: Junhui nos braços de Taeshin, protegido pelo casulo de tentáculos e feromônios.

Quando as portas do elevador se abriram diretamente na sala de estar da cobertura, o ambiente estava na penumbra, iluminado apenas pelas luzes da cidade que entravam pelas paredes de vidro. O lugar exalava luxo, mas para Junhui, aquele era simplesmente o lugar onde ele podia ser apenas Jun, sem as câmeras, sem as coreografias e sem as expectativas do mundo.

Taeshin o levou direto para a suíte principal. O quarto era imenso, com uma cama king-size que parecia uma ilha de conforto no centro do tapete de seda. Ele depositou Junhui com cuidado sobre os lençóis de fios egípcios, mas o ômega não soltou seu pescoço.

— Fica — pediu Junhui, os olhos brilhando na semi-escuridão.

— Eu só vou tirar os sapatos e este terno, Junnie. Não vou a lugar nenhum.

Taeshin despiu-se com movimentos ágeis, jogando o paletó e a gravata em uma poltrona qualquer. Ele ficou apenas com a calça social, revelando o torso musculoso e as cicatrizes leves que vinham de sua natureza de Alpha Prime — marcas de batalhas de dominância que ele havia vencido há muito tempo. Seus tentáculos, agora relaxados, moviam-se preguiçosamente atrás dele, refletindo seu estado de espírito satisfeito.

Ele se deitou ao lado de Junhui, puxando o ômega para o seu peito. A diferença de tamanho era notável; Junhui parecia delicado e frágil em comparação com a estrutura massiva de Taeshin, mas a conexão entre eles era de uma igualdade absoluta de almas.

— Sabe — sussurrou Taeshin, enquanto Junhui traçava os músculos de seu abdômen com a ponta dos dedos —, o que meu pai disse sobre o jantar de domingo... ele não estava brincando.

Junhui congelou por um momento, a mão parando sobre a pele quente de Taeshin.

— A sua mãe. A Matriarca.

— Sim. Ela é uma sereia, Junnie. Como você. Mas ela nasceu em uma era onde as linhagens eram muito mais rígidas. Ela é a pessoa mais doce que eu conheço, mas também a mais perigosa. Se ela gostar de você, você terá a proteção mais poderosa do mundo.

— E se ela não gostar? — perguntou Junhui, a voz pequena.

Taeshin inclinou-se e beijou a ponta do nariz de Junhui, antes de selar seus lábios em um beijo profundo e possessivo que tirou o fôlego do ômega.

— Impossível — declarou Taeshin quando se afastaram. — Ninguém pode não amar você, Jun. Além disso, ela tem pedido um genro que tenha "cérebro e coração" há anos. Depois da sua performance na reunião de hoje, você já ganhou metade da batalha.

Junhui relaxou, deixando o peso do corpo afundar no colchão. O cansaço finalmente estava vencendo a última barreira de sua consciência.

— Taeshin-ah...

— Sim?

— Obrigado por me buscar. Eu realmente não aguentava mais um minuto naquela sala de ensaio.

Taeshin apertou o abraço, sentindo o coração de Junhui bater contra o seu.

— Eu sempre vou buscar você. Não importa onde, não importa a hora. Se você chamar, os oceanos vão se abrir para eu passar.

Junhui soltou um suspiro satisfeito, o som de uma sereia que finalmente encontrou suas águas calmas. Ele dormiu em segundos, embalado pelo calor do Alpha e pelo movimento rítmico dos tentáculos que, mesmo durante o sono, continuavam a protegê-lo, garantindo que nada no mundo pudesse perturbar o descanso de sua joia mais preciosa.

Taeshin ficou acordado por mais algum tempo, apenas observando Junhui. Ele pensou na reunião, na forma como os outros sócios olharam para o seu ômega e em como Junhui os calou com apenas algumas palavras inteligentes. Ele sentiu uma onda de orgulho tão forte que seus feromônios inundaram o quarto, marcando cada centímetro do espaço — e do corpo de Junhui — como seu território sagrado.

A Família Kim era uma dinastia de predadores, mas naquela noite, na quietude da cobertura, o Alpha mais temido da Coreia era apenas um homem perdidamente apaixonado por uma sereia que tinha o poder de acalmar todas as suas tempestades.

— Durma bem, minha vida — sussurrou Taeshin, fechando os olhos finalmente. — O mundo pode esperar por nós amanhã.

Lá fora, a cidade de Seul continuava seu ritmo frenético, mas ali, no topo do mundo, o tempo havia parado para que o amor entre um polvo e uma sereia pudesse florescer no silêncio das profundezas.