Voltar ao resumo

Homem Aranha

O Salto da Fé e o Peso do Destino

O som dentro do laboratório de Shuri era um caos controlado de bipes eletrônicos e o zumbido constante de lasers de vibração. Tatsuyo Nakamura não sentia o suor que escorria por sua nuca, nem ouvia as explosões que faziam as fundações do palácio de Wakanda tremerem. Seus dedos eram borrões sobre os painéis holográficos. À sua esquerda, Shuri trabalhava freneticamente para desconectar a Joia da Mente de Visão, mas a pressão era insuportável.

Wanda Maximoff já havia partido. A Feiticeira Escarlate não aguentou ver seus companheiros sendo massacrados lá embaixo e desceu para o campo de batalha. Tatsuyo, no entanto, tinha uma guerra diferente para lutar.

— Shuri, a integridade da barreira norte caiu para 12%! — gritou Tatsuyo, sem desviar os olhos das linhas de código que flutuavam à sua frente. — Se eu não conseguir criptografar as frequências de ressonância agora, as naves de transporte deles vão atravessar o escudo como se fosse papel!

— Faça o que for preciso, Tatsuyo! — Shuri respondeu, o rosto tenso. — Estou quase terminando a sinapse final!

Tatsuyo não era uma deusa, não tinha um soro de supersoldado e nem uma armadura de bilhões de dólares. Ela era apenas uma garota de 17 anos com um cérebro que processava dados mais rápido do que qualquer computador convencional. Ela estava hackeando o sinal de comando da nave-mãe de Thanos, tentando encontrar uma brecha no sistema de defesa alienígena para desativar os reforços que não paravam de cair do céu.

De repente, uma explosão ensurdecedora jogou as portas do laboratório longe. O vidro reforçado estilhaçou. Corvus Glaive e um grupo de batedores de elite de Thanos entraram no recinto, suas armas brilhando com uma energia sinistra.

— Shuri, tire o Visão daqui! Agora! — Tatsuyo gritou, sacando uma pequena pistola de pulso que Stark lhe dera, embora soubesse que aquilo era pouco mais que um brinquedo contra generais alienígenas.

Shuri não hesitou. Com a ajuda de um sistema de levitação de emergência, ela começou a mover o corpo de Visão por uma passagem lateral secreta, mas Tatsuyo ficou para trás. Ela precisava de mais dez segundos. Dez segundos para finalizar o upload.

— Vamos, vamos, carrega logo! — sussurrou ela, as mãos tremendo.

O progresso chegou a 100%. Tatsuyo arrancou uma pequena unidade de armazenamento eletrônico — uma "pastinha" de dados física — do console. Ali estava o vírus que poderia desativar os escudos das naves de Thanos e dar aos Vingadores uma chance real de vitória.

Corvus Glaive rosnou, avançando em direção a ela. Tatsuyo disparou dois tiros de pulso, apenas para vê-los serem desviados pela lâmina do alienígena. Ela virou as costas e correu.

Ela estava no andar 112 do palácio real. Os corredores eram labirintos de tecnologia e arquitetura africana, mas os batedores estavam em todos os lugares. Tatsuyo sentia o coração martelando contra as costelas, o ar faltando nos pulmões. Ela era apenas humana. Uma humana cercada por monstros.

— Droga, eu não vou conseguir sair pela porta principal — ofegou ela, vendo mais três alienígenas bloquearem o final do corredor.

Ela mudou de direção, entrando em uma galeria de observação com janelas de vidro imensas que davam para o campo de batalha lá embaixo. O cenário era apocalíptico: milhares de Outriders lutando contra o exército de Wakanda, o Capitão América e o Pantera Negra liderando a carga no meio da lama e do sangue.

Tatsuyo levou a mão ao ouvido, ativando o comunicador de canal aberto que todos os heróis compartilhavam.

— Comando aéreo, aqui é Tatsuyo Nakamura! — A voz dela saiu aguda, carregada de adrenalina. — Coordenadas Norte-Noroeste, Palácio Real, Setor 4, às 11 horas! Eu tenho o pacote de dados! Eu vou pular!

Houve um segundo de silêncio estático antes que uma voz familiar ecoasse no seu ouvido.

— Tatsuyo? O que você disse? — Era a voz de Sam Wilson, o Falcão.

— Eu disse que vou pular! Me peguem ou eu vou virar uma mancha no chão de Wakanda!

Tatsuyo olhou para trás. Corvus Glaive estava a menos de dez metros, sua lança pronta para atravessar o peito da garota. Ela não pensou. Ela não teve tempo para ter medo. Ela simplesmente correu em direção à imensa placa de vidro no final do corredor.

— Por favor, Kuro, não me mate por isso se eu sobreviver — ela sussurrou para si mesma.

Com um grito de puro terror e determinação, ela se jogou. O vidro explodiu em mil pedaços quando seu corpo atravessou a barreira. Por um instante, o tempo pareceu parar. O vento rugiu em seus ouvidos, o frio da altitude chicoteou seu rosto pardo, e ela viu o campo de batalha lá embaixo girar em um borrão de cores.

Ela caiu. Dez metros, vinte metros, trinta...

— Eu te peguei! — Uma voz gritou acima dela.

De repente, o impacto não foi contra o chão, mas contra algo firme e quente. As mãos de Sam Wilson se fecharam sob os braços dela, e as asas de fibra de carbono do Falcão se abriram com um estalo metálico, estabilizando a queda em um arco perfeito.

— Você é louca, garota! Completamente louca! — Sam exclamou, enquanto manobrava freneticamente para desviar dos disparos das naves de Thanos que cruzavam o céu.

— Eu tenho os códigos, Sam! — Tatsuyo gritou, segurando a pequena pasta eletrônica contra o peito como se fosse sua própria vida. — Eu preciso chegar à nave principal!

— Primeiro, preciso te colocar em segurança! — Sam mergulhou em direção ao solo, onde a batalha era mais densa.

Ele aterrissou de forma brusca perto de um afloramento rochoso, onde um homem de braço metálico disparava uma metralhadora contra uma horda de monstros. Bucky Barnes mal olhou para trás quando Sam soltou Tatsuyo no chão.

— Bucky, proteja a garota! — Sam gritou, já decolando novamente para enfrentar as ameaças aéreas. — Ela é a nossa única chance de desarmar aquelas naves!

Bucky se virou, os olhos frios e focados, recarregando sua arma com uma eficiência mecânica. Ele olhou para Tatsuyo por meio segundo.

— Fique atrás de mim, pequena. E não se mova — ordenou o Soldado Invernal.

Enquanto isso, longe dali, no campo de batalha de Titã, a General de Thanos, Proxima Meia-Noite, ativou sua comunicação de longo alcance. Ela estava observando o campo de batalha através de sensores de calor.

— Mestre — disse ela, sua voz fria chegando aos ouvidos de Thanos, que naquele momento enfrentava o Homem de Ferro e o Doutor Estranho. — O alvo entrou no campo. A humana com o código de descriptografia. Ela tem o dispositivo.

Thanos, mesmo no meio da luta, sorriu de forma sombria.

— Capturem-na. Se os escudos das naves caírem, nossa vantagem em Wakanda desaparece. Mate quem estiver com ela, mas tragam-me a garota e os dados.

De volta a Wakanda, o peso da situação caiu sobre os ombros de Tatsuyo. Ela viu Steve Rogers se aproximar, abrindo caminho entre os alienígenas com seus novos escudos de vibranium.

— Tatsuyo, você está bem? — Steve perguntou, ofegante.

— Estou, Capitão. Mas eles sabem que eu estou aqui. Eu sou o alvo agora — ela disse, mostrando a pastilha. — Se eu colocar isso no sistema central daquela nave caída ali, eu posso desligar toda a rede de defesa deles. Mas eu sou apenas... eu. Eu não tenho poderes.

Steve olhou para Bucky, depois para o resto dos Vingadores que começavam a se agrupar ao redor deles para formar um perímetro defensivo.

— Você não é "apenas" nada, Tatsuyo — disse Steve, a voz firme que inspirava nações. — Você é uma Vingadora. E nós vamos te levar até aquela nave.

— Buckye, proteja a esquerda! — gritou o Capitão. — T'Challa, precisamos de cobertura!

A batalha mudou de foco. Não era mais apenas sobre segurar a linha; era sobre uma escolta. Tatsuyo Nakamura, a garota que semanas atrás estava apenas corrigindo códigos para Tony Stark, agora corria pelo meio de uma guerra intergaláctica, cercada pelos maiores heróis da Terra.

— Se o Kuro me visse agora... — ela murmurou, desviando de um pedaço de destroço que explodiu perto dela.

— O Hatake ia ter um ataque cardíaco — comentou Bucky, disparando contra um Outrider que tentou saltar sobre Tatsuyo. — Continue correndo, garota. Não pare por nada!

Tatsuyo apertou os dados na mão. Ela sentia o medo, sim, mas sentia algo mais forte: a responsabilidade. Cada vida em Wakanda, cada vida no universo, dependia daqueles poucos kilobytes de informação. Ela não tinha superforça, mas tinha a vontade de ferro de quem sabia que, às vezes, o maior poder de todos era simplesmente saber onde apertar o botão certo.

— Ali! — ela apontou para a rampa de acesso de uma das naves de transporte que havia colidido contra o solo. — Se eu entrar ali, consigo acessar o terminal!

— Vingadores! — a voz do Capitão América ecoou pelo campo. — Protejam a Tatsuyo a todo custo!

E assim, a humana sem poderes avançou, protegida por deuses e lendas, em direção ao coração da escuridão.