Homem Aranha
A Sinfonia do Caos e o Retorno dos Gênios
A terra tremia sob o peso de uma destruição que parecia absoluta. O campo de batalha em frente às ruínas do complexo dos Vingadores era um cenário de pesadelo. Thanos, frustrado pela resistência hercúlea daqueles que ele considerava meros insetos, deu a ordem que selaria o destino de todos.
— Chovam fogo! — gritou o Titã Louco, sua voz ecoando como um trovão de agonia.
Lá no alto, a gigantesca nave Santuário II abriu suas escotilhas. Centenas de canhões de energia começaram a girar, disparando rajadas colossais que não distinguiam aliados de inimigos. O solo explodia em colunas de poeira e fogo. O exército de Thanos era dizimado por suas próprias armas enquanto os Vingadores tentavam, desesperadamente, encontrar abrigo.
Doutor Estranho, Wong e as centenas de magos de Kamar-Taj ergueram escudos de energia circular, protegendo os heróis que estavam no chão. Steve Rogers, Natasha Romanoff — que lutava com uma ferocidade renovada ao lado de Clint — e Tony Stark se encolheram sob as cúpulas alaranjadas.
— Jarvis! — gritou Tony, sua armadura Mark 85 enviando alertas de danos estruturais por toda a interface. — Me diga que você tem um plano para derrubar aquela chuva de canivetes!
— Senhor — a voz calma e britânica de Jarvis ressoou nos sistemas de Stark —, os sensores indicam uma anomalia severa na frequência de disparo das naves inimigas. Elas estão... mudando de alvo.
De repente, como se uma mão invisível tivesse puxado as rédeas de uma fera, os canhões do Santuário II pararam de atirar no solo. Eles giraram para cima, apontando para o vazio do espaço, e dispararam uma última rajada inútil antes de se calarem completamente.
— O que houve? — perguntou o Capitão América, limpando o sangue do rosto.
— Senhor — informou Jarvis —, os sistemas de comando de Thanos foram invadidos. Houve um sequestro digital em larga escala. Algo acaba de entrar na atmosfera... e não é amigável para o exército inimigo.
Um rastro de fogo cortou as nuvens carregadas de fumaça. Uma nave de design elegante, mas visivelmente modificada com armamento pesado — uma das naves de patrulha dos Guardiões da Galáxia —, surgiu mergulhando em uma velocidade suicida.
— Mas que raio de manobra é aquela? — Peter Quill, o Senhor das Estrelas, gritou lá debaixo, olhando para cima enquanto segurava seus blasters. — Ninguém pilota assim, exceto eu! Ou talvez o Rocket em um dia muito ruim!
— Eu não estou naquela nave! — gritou Rocket, boquiaberto. — E quem quer que esteja, tem um desejo de morte ou é um gênio!
A nave não apenas entrou na briga; ela deu um show. Com uma precisão cirúrgica, ela disparou torpedos de prótons que atingiram os pontos fracos das duas naves colossais de apoio de Thanos. As explosões em cadeia iluminaram o céu, transformando os colossos de metal em cascas em chamas que começaram a desabar sobre a floresta distante.
Em seguida, a nave mergulhou em direção ao solo, varrendo as linhas de frente dos Outriders com metralhadoras de laser. Naves menores de Thanos decolaram para interceptá-la, mas o piloto daquela nave desconhecida executou um "Parafuso de Immelmann" tão perfeito que as naves inimigas colidiram umas nas outras tentando acompanhar.
A nave então pairou sobre os magos, servindo como uma barreira física e tecnológica adicional, disparando incessantemente para dar cobertura aos heróis.
— Alô? Testando, um, dois... — Uma voz feminina, jovem e carregada de uma confiança intelectual cortante, ressoou simultaneamente em todos os comunicadores dos Vingadores. — Desculpem o atraso. O trânsito entre a vida e a morte estava um horror, mas eu trouxe o presente de boas-vindas.
— Tatsuyo? — Natasha Romanoff soltou um suspiro de alívio, um sorriso raro surgindo em seus lábios. — É você, garota?
— Na carne, na mente e no comando, Viúva — respondeu Tatsuyo Nakamura através do rádio. — Cheguei para brincar. E trouxe um convidado barulhento comigo.
Dentro da cabine da nave, o cenário era de puro caos e adrenalina. Tatsuyo estava sentada na cadeira do piloto, seus dedos voando pelos controles holográficos que ela mesma havia hackeado e aprimorado em segundos. Seus olhos pretos brilhavam com a intensidade de quem acabara de voltar do esquecimento.
Ao lado dela, de pé e segurando-se no encosto do banco, estava Kuro Hatake. Ele parecia mais forte, o cabelo branco curto levemente bagunçado, e um sorriso de orelha a orelha que desafiava o apocalipse lá fora.
— Tatsu! Tatsu! Você viu aquilo? Você explodiu aquela coisa! — Kuro gritava, os olhos castanhos arregalados de empolgação. — Cara, eu amo quando você fica no modo "deusa da tecnologia". É a coisa mais sexy do mundo!
— Kuro, cala a boca e se prepara! — Tatsuyo exclamou, fazendo a nave girar 180 graus para destruir um leviatã que se aproximava. — Eu vou abrir a comporta. Você tem cinco segundos antes de eu precisar subir de novo para dar cobertura aérea.
— Cinco segundos é muito tempo para um Vingador como eu — disse Kuro, estufando o peito e exibindo o físico atlético sob o uniforme de combate.
Ele se aproximou de Tatsuyo enquanto a comporta traseira da nave começava a chiar, abrindo-se para o ar frio e enfumaçado do campo de batalha. Antes de se virar para o salto, Kuro inclinou-se e plantou um beijo rápido e estalado na bochecha de Tatsuyo.
— Quebra tudo, minha gatinha. Deixa que o resto eu resolvo lá embaixo — ele piscou, com aquele jeito atrevido de sempre.
— Vai logo, seu idiota! — Tatsuyo gritou, mas não conseguiu esconder o pequeno sorriso enquanto via, pelo monitor, Kuro saltar no vazio.
Kuro caiu como um meteoro branco, executando uma pirueta perfeita no ar antes de aterrissar com um soco no chão, bem no meio de um grupo de soldados de Thanos, criando uma onda de choque que os lançou para longe. Ele se levantou, limpando o pó dos ombros, e caminhou em direção a Steve Rogers e Bucky Barnes.
— Sentiram saudade? — perguntou Kuro, rindo.
— Hatake? — Bucky arqueou uma sobrancelha, atirando em um inimigo. — Achei que você tinha virado poeira.
— Eu virei, mas a poeira aqui é persistente — Kuro respondeu, socando um alienígena com tanta força que o som do impacto ecoou. Ele apontou para a nave que agora fazia manobras impossíveis no céu, abatendo naves de transporte como se fossem moscas. — Estão vendo aquilo? É a minha gatinha lá em cima. Ela hackeou a nave, as armas do Thanos e provavelmente o Wi-Fi do inferno só para vir me buscar. Ela é foda, não é?
— Ela está salvando nossas peles, garoto — disse Steve, sorrindo por trás do cansaço. — Fico feliz que tenham voltado.
— Eu também, Capitão — Kuro disse, ficando sério por um breve momento antes de ver outro grupo de monstros se aproximar. — Mas agora, se me dão licença, eu tenho que impressionar a piloto.
Lá no alto, Tatsuyo Nakamura não estava apenas pilotando; ela estava operando em uma frequência que poucos humanos poderiam compreender. Ela via o campo de batalha como um imenso tabuleiro de dados.
— Jarvis, está me ouvindo? — ela perguntou, conectando seu sistema ao do Homem de Ferro.
— Perfeitamente, Senhorita Nakamura. É um prazer tê-la de volta ao plano existencial.
— O prazer é meu, Jarvis. Estou enviando um protocolo de sobrecarga para as baterias das naves de desembarque restantes. Quando eu der o sinal, diga ao Sr. Stark para disparar um pulso eletromagnético. Vamos transformar o exército do Thanos em sucata de luxo.
— Estratégia excelente, senhorita. O Senhor Stark ficará impressionado.
— Ele sempre fica — Tatsuyo murmurou, puxando o manche e fazendo a nave subir verticalmente, desviando de um disparo de canhão antes de mergulhar novamente.
Lá embaixo, os Guardiões da Galáxia observavam a nave com uma mistura de respeito e inveja.
— Eu quero aquela garota na minha equipe — disse Rocket, ajustando sua arma. — Ela pilota melhor que o Quill e tem o dobro do cérebro.
— Ei! — protestou Quill. — Eu estou bem aqui!
— Mas ela é mais rápida — retrucou Yondu, que observava a cena com um sorriso de aprovação.
A batalha continuava a rugir, mas a maré havia virado. Com o domínio aéreo estabelecido por Tatsuyo e a força bruta e renovada de Kuro no chão, os Vingadores tinham agora a vantagem tecnológica que lhes fora roubada no início do confronto.
Kuro, no meio da luta, olhou para cima mais uma vez, vendo o rastro de luz deixado pela nave de Tatsuyo.
— É isso aí, gatinha! — ele gritou, mesmo sabendo que ela provavelmente não o ouviria no meio do barulho das explosões. — Mostra para eles quem manda nessa galáxia!
Tatsuyo, sentada em seu trono de circuitos e hologramas, sentiu a energia da batalha. Ela não tinha joias do infinito, não tinha martelos mágicos, mas tinha o controle de cada bit de informação naquele campo. E, naquele momento, isso era mais do que suficiente para mudar o destino do universo.
— Thanos — ela sussurrou, vendo o Titã Louco lutar contra Thor e o Capitão ao longe nos monitores da nave —, você pode ter a força, mas eu tenho o código-fonte. E o seu tempo acabou.
Com um comando final, ela ativou o vírus de sobrecarga. No céu de Wakanda, as naves de Thanos começaram a brilhar em um tom roxo instável antes de explodirem simultaneamente, criando um espetáculo de fogos de artifício que sinalizava o fim de uma era e o começo da esperança.