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Homem aranha e Deadpool

O Silêncio das Armaduras e o Eco do Desejo

A suíte de Mozart Stark na Torre dos Vingadores era, tecnicamente, um bunker de luxo. As paredes tinham isolamento acústico de nível militar, as janelas eram à prova de balas de grosso calibre e o sistema de segurança, projetado pelo próprio Mozart, era impenetrável para qualquer um que não carregasse o sobrenome Stark ou o DNA de um certo aracnídeo do Queens. Mas, naquela noite, o isolamento servia a um propósito muito mais hedonista do que defensivo.

Havia um protocolo específico para momentos como aquele. Mozart o chamava de "Protocolo de Manutenção Orgânica", mas Peter preferia chamar apenas de "a melhor parte de ter um namorado bilionário e caótico". Quando a porta da suíte se trancava com um clique eletrônico pesado, as luzes brancas e clínicas da Stark Industries suavizavam para um tom âmbar quente, e o ar-condicionado ajustava-se para uma temperatura que convidava à nudez.

Mozart estava sentado na borda de sua mesa de trabalho de fibra de carbono, a mesma onde, horas antes, ele provavelmente estava hackeando satélites ou desenhando novos tipos de munição não letal. Ele ainda vestia as calças pretas de couro tático do traje de Deadpool, mas o torso estava nu, revelando a pele pálida marcada por cicatrizes de batalha e o brilho das luzes neon que decoravam o laboratório anexo.

Peter, por outro lado, ainda usava a metade inferior do seu traje de Homem-Aranha. O elastano vermelho e azul abraçava suas pernas musculosas, enquanto o peito estava exposto, subindo e descendo com uma respiração que não tinha nada a ver com o cansaço da patrulha.

— Você está muito pensivo, Parker — Mozart comentou, a voz como veludo sobre navalhas. Ele girava um pequeno controle remoto entre os dedos. — Onde está aquele senso de responsabilidade? Achei que você tinha um ensaio sobre biofísica para entregar amanhã.

— O ensaio pode esperar — Peter murmurou, aproximando-se e ficando entre as pernas abertas de Mozart. — Mas o meu namorado maníaco, que passou o dia inteiro me provocando pelo comunicador enquanto eu tentava prender o Shocker, não pode.

Mozart riu, um som baixo que vibrou no peito de Peter. Ele largou o controle e envolveu o pescoço de Peter com os braços, puxando-o para um beijo que sabia a café, adrenalina e uma promessa perigosa.

— Eu não estava provocando — Mozart disse contra os lábios dele. — Eu estava apenas dando feedback em tempo real sobre como o seu traseiro fica bem naquele novo design de teia.

— Você é impossível.

— E você está com as mãos presas.

Peter piscou, sentindo um clique metálico nos pulsos. Mozart, com a agilidade de quem já nasceu segurando ferramentas, havia prendido as mãos de Peter atrás das costas com um par de algemas de polímero reforçado, presas a um trilho na borda da mesa.

— Moz... — Peter tentou puxar, mas o material era feito para conter superseres. — Isso é sério?

— Totalmente. Você salva o mundo o dia todo, Pete. Toma todas as decisões. É o herói de ouro. — Mozart inclinou a cabeça, os olhos azuis brilhando com uma intensidade que fazia o sentido aranha de Peter disparar por motivos puramente eróticos. — Mas aqui dentro, você não precisa ser o Homem-Aranha. Você só precisa ser o meu bom garoto. E bons garotos esperam.

Mozart deslizou da mesa, deixando Peter preso e levemente inclinado para frente. Ele caminhou até um pequeno frigobar escondido sob uma bancada, pegou uma garrafa de água e bebeu lentamente, mantendo o olhar fixo em Peter. O silêncio da sala era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido quase imperceptível dos servidores da Torre.

— Você sabe que eu posso arrebentar isso, certo? — Peter disse, a voz falhando um pouco enquanto observava o movimento da garganta de Mozart.

— Você poderia. Mas você não vai. Porque você adora quando eu assumo o controle da bagunça que é a sua cabeça.

Mozart voltou para perto dele, mas não o soltou. Em vez disso, ele começou a traçar linhas com a ponta dos dedos pelo abdômen definido de Peter, parando exatamente na linha onde o traje começava.

— Sabe o que eu estava pensando hoje? — Mozart sussurrou, aproximando-se do ouvido de Peter. — Que o Homem-Aranha é muito rápido. Rápido demais. Às vezes, as coisas boas precisam de tempo. Negação, Peter. É a base da boa ciência.

— Mozart, por favor... — Peter gemeu quando sentiu a mão de Mozart descer por dentro do elastano.

— "Por favor" não é a palavra mágica hoje.

O que se seguiu foi uma tortura deliciosa. Mozart era um mestre em <i>dirty talk</i>, uma habilidade que ele aprimorara tanto como o herdeiro sarcástico da Stark quanto como o mercenário tagarela. Ele descrevia em detalhes o que pretendia fazer, como Peter reagiria, e então parava no momento exato em que Peter estava prestes a perder o controle.

— Ainda não — Mozart dizia, afastando-se para ajustar alguma coisa em um holograma próximo, deixando Peter arfando, tenso e desesperado por contato. — O protocolo de negação de orgasmo é muito rigoroso, Pete. Stark Industries preza pela qualidade, não pela velocidade.

— Eu vou te matar — Peter arfou, a testa encostada no peito frio de Mozart quando este finalmente voltou a se aproximar.

— Você vai me agradecer. Depois.

Finalmente, Mozart liberou as mãos de Peter, mas o clima não esfriou. Pelo contrário. Mozart empurrou Peter para a cadeira giratória ergonômica e, com um sorriso desafiador, montou no colo do herói.

— Sua vez de trabalhar, Parker. Eu tive um dia longo sendo o Deadpool. Meus músculos estão tensos.

Peter não precisou de mais incentivo. Suas mãos, agora livres, agarraram os quadris de Mozart com uma firmeza que fez o Stark soltar um arquejo surpreso. Peter o puxou para baixo, iniciando um ritmo que era ao mesmo tempo uma punição e uma recompensa.

Mozart, no entanto, não era um passivo silencioso. Ele jogou a cabeça para trás, o cabelo preto agora comprido caindo sobre os ombros, e começou a ditar o ritmo com o movimento dos próprios quadris.

— Isso... — Mozart arfou, as unhas cravando-se nos ombros de Peter. — Use essa força de super-herói para algo útil por uma vez na vida.

— Você fala demais, Mozart — Peter respondeu, a voz rouca, subindo as mãos pelas costas de Mozart, sentindo cada cicatriz e cada espasmo dos músculos dele.

— E você... você é muito... bom nisso... droga, Peter!

O movimento era frenético, uma dança de pele contra pele que parecia desafiar a própria estrutura da Torre Stark. Mozart estava no controle, cavalgando com uma intensidade que mostrava o quanto ele também estava desesperado por aquele momento. O isolamento acústico era posto à prova enquanto os sons de prazer preenchiam o laboratório, misturando-se ao cheiro de ozônio e ao calor que emanava dos dois.

— Pete... olha para mim — Mozart comandou, a voz trêmula.

Peter levantou o olhar, encontrando os olhos de Mozart. Não havia máscaras ali. Não havia Deadpool, não havia Homem-Aranha. Havia apenas dois jovens que carregavam o peso do mundo e que, por algumas horas, podiam simplesmente desmoronar um nos braços do outro.

O ápice veio como uma explosão, deixando ambos exaustos e suados, colapsados um contra o outro na cadeira que, milagrosamente, não quebrou.

***

A manhã seguinte na Torre Stark começou com o som suave de Jarvis anunciando o nascer do sol. A luz dourada filtrava-se pelas janelas polarizadas, iluminando o caos de roupas espalhadas pelo chão do laboratório.

Peter acordou com o peso de Mozart sobre o seu peito. Eles haviam se arrastado para a cama de verdade em algum momento da madrugada, mas o sono fora breve. Mozart já estava acordado, observando Peter com uma expressão preguiçosa e satisfeita.

— Você sabe que o Steve Rogers vai bater na porta em vinte minutos para o treino, certo? — Mozart murmurou, a voz ainda rouca de sono.

— Eu odeio o Steve — Peter resmungou, puxando o lençol sobre a cabeça.

— Não, você não odeia. Você é o fã número um dele. Mas você odeia acordar cedo. — Mozart deslizou para baixo do lençol, suas mãos encontrando o caminho de volta para a cintura de Peter. — Sabe, o treino matinal é ótimo para o cardio... mas eu tenho uma ideia melhor para o aquecimento.

Peter abriu um olho, encontrando o sorriso malicioso de Mozart.

— Outra vez? Mozart, eu tenho aula de química orgânica às nove.

— Química orgânica é exatamente o que estamos fazendo aqui, Pete. — Mozart começou a beijar o pescoço de Peter, reiniciando o incêndio que parecia nunca se apagar entre eles. — E eu prometo que, desta vez, não vou usar as algemas. A menos que você peça.

Peter suspirou, virando-se para envolver Mozart em seus braços. O mundo lá fora podia estar cheio de vilões, identidades secretas e responsabilidades esmagadoras, mas ali, no santuário de Mozart Stark, a única coisa que importava era a fricção da pele e a certeza de que, não importa o quão caótico o dia se tornasse, eles sempre teriam a noite para se perderem um no outro.

— Só mais uma vez — cedeu Peter, puxando Mozart para um beijo profundo.

— É o que você sempre diz, Parker. É o que você sempre diz.

A risada de Mozart foi abafada pelo beijo, e enquanto o sol subia sobre Manhattan, o Homem-Aranha e o Deadpool desapareciam, dando lugar a dois garotos que, entre fórmulas e lutas, haviam encontrado a sua própria definição de equilíbrio.

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