I fucking hate you ( i am Crazy for you)
Vértices de Ódio e Laços de Seda
O sol nem tinha terminado de subir sobre os prédios cinzas da Escola Preparatória Anakt, mas Mizi já estava lá. Encostada na porta da biblioteca, ela batia o pé freneticamente contra o chão, os braços cruzados sobre o peito e o cabelo rosa bagunçado caindo sobre os olhos dourados. Ela odiava acordar cedo. Odiava o cheiro de livro velho. Mas, acima de tudo, odiava o fato de que, se Sua estalasse os dedos, ela atravessaria a cidade descalça.
A porta rangeu. Sua apareceu, pálida e impecável como sempre, segurando uma chave prateada. Ela olhou para Mizi de cima a baixo, os olhos roxos brilhando com uma satisfação silenciosa.
— Você veio — disse Sua, com a voz carregada de uma autoridade suave.
— Eu vim porque você é uma chata insistente, não porque eu queria — mentiu Mizi, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas. — Abre logo essa merda antes que eu mude de ideia.
Sua não respondeu. Apenas girou a chave e entrou, sendo seguida por uma Mizi que tentava manter sua pose de rebelde desinteressada. Assim que a porta foi trancada por dentro, o silêncio da biblioteca tornou-se opressor.
— O que a gente vai "organizar" primeiro? — provocou Mizi, aproximando-se perigosamente. — Os clássicos ou a sua falta de vergonha na cara?
Sua virou-se, o rosto já começando a ganhar aquele tom rosado que Mizi adorava provocar.
— Você não consegue ficar um minuto sem ser vulgar, não é?
— E você não consegue ficar um minuto sem querer me controlar.
Mizi não esperou. Ela avançou, segurando Sua pelo pescoço com uma mão firme. Não era um aperto para machucar, mas para dominar. Ela empurrou a garota menor contra uma das estantes de carvalho escuro, fazendo os livros vibrarem.
— Ontem você teve o que queria no corredor, santinha. Hoje, eu ditei o horário. E agora, eu dito o resto.
Mizi inclinou-se e mordeu o peito de Sua por cima do tecido fino da blusa do uniforme, arrancando um arquejo surpreso da outra. Sem dar tempo para Sua se recuperar, Mizi desceu a mão e desferiu um tapa estalado em sua bunda, um som que ecoou alto entre os corredores de livros.
— Mizi! — Sua exclamou, a voz falhando entre a indignação e o prazer. — Você é... um animal!
— Sou o seu animal favorito — Mizi sibilou.
Ela levantou a saia de Sua e, com uma agilidade predatória, deslizou dois dedos para dentro dela. O ritmo era lento, torturante, focado em pressionar os pontos certos com uma força que fazia Sua perder o equilíbrio.
— Vai logo com isso... para de enrolar! — reclamou Sua, as mãos agarrando os ombros de Mizi, as unhas cravando no uniforme.
— Reclamando de novo? — Mizi sorriu, adicionando um terceiro dedo. O preenchimento súbito fez Sua travar o corpo, o rosto enterrado no pescoço de Mizi. — Você é tão estressada, Sua. Precisa relaxar.
Mizi continuava devagar, movendo os dedos com uma profundidade deliberada que fazia Sua gemer xingamentos desconexos.
— Eu te odeio... eu juro que eu te odeio... — Sua murmurava, a voz doce e trêmula no ouvido de Mizi.
— Odeia tanto que está implorando por mais — provocou Mizi.
Então, sem aviso, Mizi forçou um quarto dedo. A invasão foi implacável. Ela mudou o ritmo instantaneamente, passando da lentidão provocativa para uma velocidade feroz e ritmada. O som da fricção úmida preencheu o espaço entre elas.
— Mizi! Para! É demais! — Sua gritava baixinho, o corpo sacudindo contra a estante.
— Não era você que queria rapidez? — Mizi estava focada, os olhos dourados brilhando com uma intensidade quase febril. — Agora aguenta, santinha!
Sua estava em um turbilhão. Ela xingava Mizi de todos os nomes possíveis — idiota, perversa, desgraçada — enquanto seus gemidos ficavam cada vez mais altos e agudos. Ela não conseguia mais sustentar o próprio peso, dependendo inteiramente do braço de Mizi que a segurava pela cintura.
— Eu vou... Mizi, eu vou te matar! — Sua exclamou, a voz atingindo um tom de puro desespero antes de seu corpo entrar em colapso.
O orgasmo a atingiu como uma onda de choque, fazendo-a arquear as costas e soltar um grito abafado contra o ombro de Mizi. Ela tremeu por longos segundos, as pernas bambas, até que Mizi finalmente a soltou, deixando-a escorregar lentamente até sentar no chão frio da biblioteca.
Mizi olhou para baixo, limpando a mão com um lenço que tirou do bolso, um sorriso vitorioso no rosto.
— Acho que os livros vão ter que esperar — comentou ela, recuperando o fôlego.
Sua olhou para cima, o rosto vermelho, o cabelo preto cobrindo parte dos olhos roxos que ainda brilhavam com uma mistura de fúria e satisfação.
— Você é a pior pessoa que eu já conheci.
— E você me ama por isso.
***
Três meses depois.
O corredor da Escola Anakt não era mais o mesmo. A tensão que antes parecia uma corda prestes a arrebentar tinha se transformado em algo... diferente. Não que o caos tivesse acabado, longe disso.
Mizi estava sentada no pátio, com a cabeça deitada no colo de Sua. Ela ainda era a mesma Mizi — preguiçosa, sarcástica e com as pontas do cabelo agora em um azul mais vibrante. Sua, por sua vez, continuava lendo seus livros melancólicos, mas agora uma de suas mãos acariciava distraidamente os fios rosa de Mizi.
— Você viu o Ivan e o Till? — perguntou Mizi, fechando os olhos sob o sol morno. — Eles estão um grude nojento desde que se assumiram. O Ivan não para de sorrir, parece um psicopata.
— Deixe eles em paz, Mizi — disse Sua, sem tirar os olhos do livro, embora um pequeno sorriso brincasse em seus lábios. — Pelo menos eles não tentam se matar no meio do corredor a cada cinco minutos como a gente fazia.
— A gente não tentava se matar, a gente estava em preliminares prolongadas — Mizi riu, ganhando um beliscão leve na orelha. — Ai! Viu? Você continua sendo uma agressiva estressada.
— E você continua sendo uma idiota insuportável.
A escola inteira já sabia. Luka e Hyuna, o casal "estável", tinham sido os primeiros a notar que a rivalidade mortal entre as duas tinha se transformado em um namoro explosivo. Hyuna adorava provocar, dizendo que Mizi finalmente tinha encontrado alguém para colocá-la na linha, enquanto Luka tentava entender a lógica comportamental de como duas pessoas que se odiavam tanto podiam agora não conseguir ficar longe uma da outra.
— Mizi, você fez o trabalho de literatura? — perguntou Sua, o tom de voz mudando para o de "namorada responsável".
— Não. Eu estava ocupada pensando em você.
— Mizi!
— Tá bom, tá bom! Eu faço depois. Prometo.
Sua suspirou, fechando o livro e olhando para a namorada.
— Você é um caso perdido.
— Mas eu sou o seu caso perdido — Mizi levantou-se e deu um beijo rápido e estalado na ponta do nariz de Sua, ignorando os olhares dos outros alunos.
***
Vinte anos depois.
O teatro estava lotado. As luzes se apagaram e o silêncio caiu sobre a plateia enquanto a cortina se abria. No palco, a protagonista entregava um monólogo visceral, sua voz sedutora e potente alcançando até a última fileira. Mizi, agora uma das atrizes mais aclamadas de sua geração, brilhava sob os holofotes, carregando a mesma intensidade que tinha nos corredores da escola.
Na primeira fila, observando com um orgulho inabalável, estava Sua. Ela não era mais a garota pálida e melancólica do ensino médio, mas uma mulher elegante e uma escritora de renome, cujos romances sobre amores complexos e tensos encabeçavam as listas de mais vendidos.
Ao lado de Sua, sentado em uma poltrona que parecia grande demais para ele, estava Louis, um garotinho de cinco anos com cabelos pretos rebeldes e olhos curiosos que não piscavam. Ele tinha sido adotado pelo casal há dois anos e era o centro do universo delas.
— A mamãe Mizi é muito barulhenta, né, mamãe Sua? — sussurrou o pequeno Louis, inclinando-se para o lado.
Sua sorriu, segurando a mão pequena do filho.
— Ela é, Louis. Ela sempre foi a pessoa mais barulhenta que eu já conheci.
Quando a peça terminou e os aplausos estrondaram, Mizi buscou apenas um par de olhos na multidão. Ao encontrar os olhos roxos de Sua, ela piscou, um gesto secreto que as levava de volta àquela biblioteca empoeirada, à sala de rádio e a cada briga que, no fim, tinha sido apenas o prefácio da história mais bonita que elas já tinham escrito.
Mais tarde, no camarim, Mizi estava tirando a maquiagem quando a porta se abriu. Louis correu e se jogou em suas pernas.
— Mamãe! Você gritou muito!
— É para eles ouvirem lá no fundo, pequeno — Mizi riu, pegando-o no colo e olhando para Sua, que estava encostada no batente da porta com os braços cruzados.
— Você foi brilhante — disse Sua, aproximando-se.
— Eu sei. Eu sou incrível — Mizi provocou, o brilho sarcástico ainda presente em seus olhos dourados. — Mas agora eu estou com fome. Vamos jantar?
— Só se você prometer não discutir com o garçom como fez da última vez — avisou Sua.
— Eu não discuti, eu apenas dei uma sugestão enfática sobre o serviço.
Sua balançou a cabeça, rindo. Ela se aproximou e deu um beijo suave nos lábios de Mizi, um toque que ainda tinha o poder de acalmar o caos dentro da atriz.
— Eu te amo, Mizi. Mesmo você sendo essa idiota.
— Eu também te amo, santinha.
Elas saíram do teatro de mãos dadas, com Louis saltitando entre elas. Ivan e Till, que agora dirigiam uma produtora de música independente, acenaram de longe enquanto entravam em um carro. A vida tinha seguido caminhos inesperados, mas o ódio que um dia as uniu tinha se transformado na base sólida de uma família que ninguém, nem mesmo o mais nerd dos Lukas ou a mais descolada das Hyunas, poderia ter previsto.
A coleira de Mizi ainda pertencia a Sua, e a de Sua a Mizi. E, no fim das contas, elas não trocariam aquela liberdade compartilhada por nada no mundo.