I fucking hate you ( i am Crazy for you)
Vértigo, Vícios e Verdades Amargas
O ar dentro da sala de rádio abandonada estava estagnado, carregado com o cheiro de poeira e o calor súbito que emanava dos corpos das duas garotas. Mizi não era do tipo que pedia permissão; sua paciência havia se esgotado no exato momento em que Sua a desafiou no corredor. A adrenalina da briga com Kael ainda corria em suas veias, misturando-se a um desejo possessivo que ela não conseguia mais conter sob a máscara de sarcasmo.
Com um movimento brusco e dominante, Mizi empurrou Sua de costas contra a parede fria. O impacto fez os equipamentos velhos chacoalharem nas prateleiras. Mizi não deu tempo para protestos. Ela prendeu os pulsos de Sua acima da cabeça com uma das mãos, enquanto a outra descia com uma urgência predatória, subindo pela saia do uniforme até encontrar a seda úmida da calcinha.
— Você acha que manda em mim, não é, santinha? — sussurrou Mizi, a voz rouca e perigosa contra o ouvido de Sua. — Acha que pode me dar ordens na frente de todo mundo e sair ilesa?
Sua arqueou as costas, a respiração saindo em espasmos curtos. A irritação e o tesão lutavam por espaço em seu rosto vermelho.
— Eu só... fiz o que precisava ser feito — Sua tentou responder, mas a voz falhou quando sentiu os dedos de Mizi deslizarem para dentro dela.
Mizi inseriu dois dedos com uma precisão cruel. Ela começou a bombear, mas o ritmo era torturante: forte, profundo, porém deliberadamente lento. Ela queria que Sua sentisse cada milímetro, que cada nervo do corpo da garota melancólica gritasse por uma velocidade que ela não pretendia entregar tão cedo.
— Mizi... por favor... — Sua gemeu, a cabeça jogada para trás, batendo levemente na parede. — Mais rápido... para de brincar.
— O quê? — Mizi mordeu o lóbulo da orelha de Sua, descendo para o pescoço e deixando uma marca avermelhada ali. — Eu achei que você gostasse de controle, Sua. Eu estou controlando. Aprecie a vista.
— Você é uma idiota insuportável! — Sua sibilou, os olhos roxos nublados, as pernas tremendo. — Eu odeio você! Eu odeio o jeito que você faz isso!
— Odeia? — Mizi riu, sentindo a umidade aumentar contra seus dedos. — Então por que você está implorando?
A resistência física de Sua estava desmoronando. Seus joelhos fraquejaram e ela sentiu que ia desabar no chão poeirento.
— Eu não aguento... em pé... — Sua murmurou, a frustração transbordando em sua voz.
Mizi a soltou por um segundo, apenas o suficiente para erguê-la e sentá-la bruscamente sobre a mesa de som. Os botões e potenciômetros antigos cutucavam a pele de Sua, mas ela não se importava. Mizi abriu mais as pernas da garota, posicionando-se entre elas, e mergulhou os dois dedos novamente, mantendo aquele ritmo rítmico e exasperante.
Sua se agarrou aos ombros de Mizi, as unhas cravando no tecido do uniforme. Ela estava em um planeta diferente, onde o único som era o da própria respiração descompassada e o ruído úmido da fricção.
— Vai logo, Mizi! — Sua gritou baixinho, a voz falhando. — Para de ser tão... tão lenta! Você faz tudo com preguiça, até isso?
— Ah, agora você quer ditar o ritmo também? — Mizi arqueou uma sobrancelha, um brilho desafiador nos olhos dourados. — Se você continuar reclamando, eu paro agora mesmo e te deixo aqui, frustrada e irritada como você sempre é.
— Você não ousaria! — Sua rebateu, mordendo o ombro de Mizi em um misto de raiva e desejo.
Em resposta, Mizi adicionou um terceiro dedo. O preenchimento súbito fez Sua soltar um grito abafado, escondendo o rosto no pescoço de Mizi. O ritmo finalmente acelerou, transformando-se em estocadas rápidas e firmes que faziam a mesa de som ranger sob elas.
— Isso... — Sua gemia, agora soando como a "santinha" que Mizi sempre provocava, a voz doce e vulnerável. — Mizi, por favor... não para...
— Quem é a dona da coleira agora, Sua? — Mizi provocou, acelerando ainda mais, os movimentos tornando-se quase violentos na pressa de levá-la ao limite. — Diz pra mim. Quem está no comando aqui?
Sua não conseguia mais formular frases completas. Ela estava em um estado de choque sensorial. Como se tivesse tomado uma descarga elétrica, ela se agarrou a Mizi com um desespero ansioso, as pernas apertando a cintura da outra com uma força surpreendente, como se temesse que Mizi pudesse evaporar a qualquer momento.
— Eu... eu vou... — Sua tentou avisar, mas a voz sumiu.
O ápice a atingiu com a força de um tsunami. Sua travou o corpo, a respiração prendendo na garganta enquanto espasmos intensos a sacudiam. Ela enterrou o rosto no ombro de Mizi, cravando os dentes no tecido e na pele da garota para abafar o grito que queria escapar. Mizi sentiu o calor do orgasmo de Sua banhar seus dedos, e permaneceu ali, segurando-a firme, sentindo os tremores diminuírem aos poucos.
O silêncio voltou à sala de rádio, interrompido apenas pelo som das respirações pesadas. Mizi retirou os dedos lentamente e, com um olhar que misturava triunfo e uma ternura que ela jamais admitiria, levou-os à boca, lambendo-os com uma lentidão provocativa enquanto mantinha contato visual com uma Sua completamente desarmada.
Sua ajeitou a saia com as mãos trêmulas, o rosto ainda em brasa, o cabelo preto bagunçado caindo sobre os olhos roxos.
— Eu ainda te odeio — Sua disse, tentando recuperar sua dignidade, embora sua voz estivesse fraca e sem nenhuma convicção.
— Eu sei — Mizi sorriu, limpando um traço de suor da testa de Sua. — Agora vamos sair daqui antes que o Ivan resolva vir nos procurar com uma câmera.
Elas se ajeitaram o melhor que puderam, limpando a poeira das roupas e tentando normalizar a expressão facial. Saíram da sala separadas por alguns segundos, voltando para o corredor principal da escola como se nada tivesse acontecido.
No refeitório, o caos habitual continuava. Ivan estava sentado com Till em uma mesa afastada. Till parecia mais irritado que o normal, provavelmente porque Ivan estava tentando roubar suas batatas fritas.
— Onde vocês estavam? — perguntou Ivan, com um sorriso que indicava que ele não acreditava em nenhuma desculpa que elas pudessem dar. — A aula de Geografia começou faz dez minutos.
— Tivemos um... problema técnico no bloco C — Mizi respondeu, sentando-se com uma confiança renovada, pegando uma das batatas de Till antes mesmo de Ivan conseguir.
Sua sentou-se ao lado de Hyuna e Luka, que estavam discutindo algo sobre o Grêmio Estudantil. Ela não disse nada, mas Hyuna a olhou de cima a baixo, notando o rubor persistente e a marca leve no pescoço que Sua tentava esconder com a gola da camisa.
— Você está bem, Sua? — perguntou Hyuna, com um sorriso malicioso. — Parece que você correu uma maratona.
— O ar condicionado da biblioteca quebrou — Sua mentiu, sem desviar os olhos do seu prato. — Estava abafado demais.
Mizi, da outra mesa, soltou uma risada baixa que só Sua e Ivan entenderam.
O resto do dia passou como um borrão. As aulas pareciam irrelevantes, os professores eram apenas ruídos de fundo. A dinâmica entre Mizi e Sua havia mudado permanentemente. Não era mais apenas ódio, e não era exatamente amor; era uma dependência mútua, um vício que elas alimentavam através de olhares atravessados e toques escondidos sob as mesas.
Na saída, o sol poente pintava o céu de laranja e roxo. Mizi estava encostada no portão da escola, esperando Ivan, quando Sua passou por ela.
— Mizi — chamou Sua, parando por um segundo.
— O que foi, santinha? Quer me dar mais ordens para o dever de casa?
Sua aproximou-se, ficando a poucos centímetros dela. O corredor estava quase vazio agora.
— Amanhã — começou Sua, a voz baixa e decidida —, eu quero que você chegue cedo. Temos que... organizar os livros na biblioteca.
Mizi deu um sorriso de lado, os olhos dourados brilhando com a promessa de mais caos.
— Entendido, chefe. Eu estarei lá. Mas não espere que eu seja silenciosa.
Sua deu as costas e começou a caminhar, mas antes de se afastar, olhou por cima do ombro.
— Eu nunca espero silêncio de você, Mizi. É por isso que eu ainda não te expulsei da minha vida.
Mizi observou Sua se afastar, sentindo o peso daquela coleira invisível. Pela primeira vez em sua vida de rebelde, ela percebeu que não importava o quanto ela gritasse ou brigasse, ela sempre voltaria para Sua. Porque o ódio delas era a única coisa que as mantinha vivas naquele colégio de plástico, e o tesão era o combustível que queimava as mentiras que elas contavam para si mesmas.
Ivan apareceu logo depois, batendo no ombro de Mizi.
— E aí? Pronta para ir? O Till está nos esperando na garagem.
— Vamos logo, Ivan — Mizi respondeu, começando a andar. — Eu tenho muito o que planejar para amanhã.
— Planejar o quê? — Ivan riu. — Como não ser suspensa?
— Não — Mizi sorriu para o horizonte. — Como fazer a santinha perder a voz de vez.
A Escola Preparatória Anakt fechava seus portões, mas para Mizi e Sua, o jogo estava apenas começando. E naquela noite, em seus quartos separados, ambas sonhariam com o toque uma da outra, com a frustração e o prazer, esperando ansiosamente pelo momento em que o ódio voltaria a colidir com a verdade amarga de que elas pertenciam uma à outra, corpo e alma, rédea e vontade.