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I love you more than i love me

O Som da Poesia em Carne e Osso

O apartamento de Mizi estava mergulhado em uma penumbra confortável, quebrada apenas pelas luzes da cidade que filtravam através das cortinas entreabertas. O ar condicionado murmurava no fundo, mas o calor entre as duas garotas no sofá era quase palpável. Sua estava aninhada nos braços de Mizi, a cabeça descansando no peito da rosada, ouvindo o ritmo constante do coração dela. Era um momento de dengo, de silêncio compartilhado, onde a melancolia de Sua parecia finalmente ter encontrado um porto seguro.

No entanto, o corpo de Sua parecia ter vontade própria. A proximidade, o cheiro de morango que emanava da pele de Mizi e a lembrança da noite anterior começaram a criar uma tensão elétrica em seu ventre. Inconscientemente, Sua começou a se mexer, esfregando o quadril contra a coxa de Mizi de forma lenta, quase rítmica.

Mizi, que até então acariciava os cabelos pretos de Sua com preguiça, parou o movimento. Seus olhos dourados brilharam na penumbra, focando no rosto de Sua, que estava com as bochechas coradas e os lábios entreabertos.

— Você não quer só dengo, não é, gatinha? — Mizi murmurou, a voz descendo uma oitava, tornando-se aquele sussurro sedutor que fazia Sua perder o chão.

Sua não respondeu com palavras, apenas escondeu o rosto no pescoço de Mizi, soltando um suspiro trêmulo. Mizi riu baixo, um som carregado de confiança, e em um movimento rápido, inverteu as posições, prendendo Sua contra o estofado do sofá.

— Se você começou, agora vai ter que aguentar — disse Mizi, selando os lábios nos de Sua em um beijo profundo, enquanto suas mãos já trabalhavam para abrir o caminho sob a saia do uniforme.

Mizi não perdeu tempo. Enquanto suas línguas se entrelaçavam em uma dança faminta, ela deslizou dois dedos para dentro de Sua. O choque térmico e a invasão súbita fizeram Sua arquear as costas, soltando um gemido abafado contra a boca de Mizi.

— Shh... — Mizi separou o beijo por apenas um segundo, olhando fixamente nos olhos roxos e nublados de Sua. — Eu quero que você me conte uma coisa enquanto eu te toco.

— Mizi... agora não... — Sua implorou, a voz falhando enquanto sentia os dedos de Mizi começarem a se mover lá dentro.

— Agora sim — rebateu Mizi, aumentando o ritmo. — Me conta como você se apaixonou por mim. Quero saber cada detalhe, desde o primeiro ano.

Sua tentou organizar os pensamentos, mas era difícil quando Mizi estava explorando seu corpo com tanta precisão.

— Foi... no primeiro dia — começou Sua, a respiração já curta. — Você entrou na sala... e parecia que o sol tinha decidido... ah! — Ela interrompeu a fala com um gemido alto quando Mizi adicionou um terceiro dedo, forçando a entrada com mais vigor.

— Continua, poetisa — Mizi provocou, o olhar predatório. — Não para a história.

— Você parecia... o sol — Sua tentou retomar, as mãos apertando os ombros de Mizi. — Todo mundo olhava para você... e eu achei que você era... inalcançável. Mas aí você sorriu... e eu... hnnng!

Mizi aumentou a força e a velocidade de propósito, exatamente para quebrar a narrativa de Sua. Ela queria ouvir a voz dela se transformando em puro prazer.

— O que aconteceu quando eu sorri? — Mizi perguntou, os dedos trabalhando incansavelmente, criando um som úmido que preenchia o silêncio do quarto.

— Eu... eu soube que estava perdida — Sua confessou, as lágrimas de prazer começando a brotar. — Eu escrevi... três poemas sobre aquele sorriso... ahn! Mizi, por favor!

— Três poemas? Só isso? — Mizi riu, e sem aviso, adicionou o quarto dedo.

O grito de Sua foi agudo, uma mistura de choque e êxtase. Quatro dedos era demais, era uma sensação de preenchimento que beirava o insuportável, mas que a levava a um lugar onde a sanidade não existia mais.

— É demais! Mizi, para... é muito! — Sua choramingava, a cabeça balançando de um lado para o outro, as pernas tremendo descontroladamente.

— Cala a boca, Sua — Mizi ordenou, a voz fria e firme, mas os olhos queimando de desejo. — Você aguenta. Agora, eu quero que você cante para mim. Se a música for boa, talvez eu diminua a mão.

Sua estava em frangalhos. Ela tentou buscar uma melodia em sua mente caótica, sua voz saindo trêmula e rouca.

— "Fly me to the moon... and let me play... among the stars..." — Sua cantou, mas a nota saiu quebrada quando Mizi deu um estocada mais profunda, atingindo o colo do útero.

— Tá ruim, Sua — Mizi disse, fingindo desapontamento. — Tá sem ritmo. Acho que você precisa de mais incentivo.

Mizi começou a usar tanta força que a sensação de prazer começou a se misturar com uma dor aguda, um ardor que fazia Sua perder a noção de onde terminava seu corpo e onde começava o de Mizi. Ela estava indo com uma agressividade que machucava, mas que paradoxalmente fazia o clímax de Sua subir como uma maré incontrolável.

— "Let me see... what spring is like... on... ahn! Ahn! Ahn!" — Sua desistiu da letra, as palavras transformando-se em gemidos desconexos. — Tá doendo... Mizi, tá doendo... mas não para... por favor, não para!

— Você é uma masoquista, sabia? — Mizi sussurrou, o suor escorrendo por sua testa enquanto ela mantinha o ritmo implacável. — Gemendo enquanto sente dor... chamando meu nome enquanto eu te quebro...

Sua já não falava mais nada que fizesse sentido. Suas pernas se mexiam sem parar, tentando encontrar uma posição que aliviasse ou aumentasse a pressão, enquanto suas mãos arranhavam os braços de Mizi. Ela estava perdida em um mar de sensações extremas, onde o aroma de morango de Mizi era a única âncora que lhe restava.

— Mizi... eu... eu vou... — Sua travou o corpo, os olhos revirando completamente.

— Vai o quê? — Mizi provocou uma última vez, dando um puxão final, usando toda a força de sua mão.

Sua explodiu. Foi um orgasmo violento, que fez seu corpo inteiro entrar em convulsão. Ela gritou o nome de Mizi uma última vez antes de desabar, a respiração vindo em soluços curtos, enquanto o fluido de sua entrega banhava a mão de Mizi.

O silêncio que se seguiu foi pesado, preenchido apenas pelo som das duas tentando recuperar o fôlego. Mizi retirou a mão devagar, observando Sua com uma mistura de orgulho e ternura. Sem dizer nada, ela se inclinou, descendo entre as pernas de Sua.

— Mizi... o que... — Sua tentou protestar, mas sua voz era apenas um sussurro exausto.

Mizi a ignorou, usando a língua para limpar cada rastro do que haviam feito, cuidando de Sua com uma delicadeza que contrastava brutalmente com a violência de minutos atrás. Sua sentiu as lágrimas voltarem, mas dessa vez eram lágrimas de alívio e de um amor que transbordava.

Minutos depois, Mizi subiu novamente, deitando-se ao lado de Sua e puxando-a para um abraço apertado. Sua se aninhou instantaneamente, escondendo o rosto no peito de Mizi, buscando o dengo que queria desde o início.

— Você está bem? — Mizi perguntou, a voz suave agora, acariciando as costas de Sua.

— Estou... — Sua murmurou, a voz ainda trêmula. — Você é... você é terrível, Mizi.

— Eu sei — Mizi sorriu, beijando o topo da cabeça dela. — Mas você ama essa parte terrível.

Sua não negou. Ela apenas se apertou mais contra Mizi, sentindo-se fofinha e carente, querendo apenas ficar ali, agarradinha, protegida do mundo pelo calor da garota que era seu sol, seu caos e sua única verdade. O terceiro ano do ensino médio ainda estava lá fora, com todas as suas pressões e dramas, mas ali, naquele sofá, o tempo havia parado para que a poesia pudesse, finalmente, descansar nos braços da realidade.

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